Índice de Capítulo

    Enquanto Yuki leva Itsuki para o parque, no Depósito Antigo, Abe Hideki e suas amigas estão tendo uma conversa suspeita juntamente com os irmãos Kobayashi.

    No segundo andar, há um quarto trancado, que serve como esconderijo do trio AKE.

    Agora, a sala está limpa, com um sofá preto, mesa com três cadeiras sem poeira, além de uma mesa com abajur e um armário perto do sofá, contendo vários documentos suspeitos.

    A janela, fechada com tábuas do lado de fora, é coberta por duas cortinas do lado de dentro.

    A parede possui um quadro pintado à mão e um ventilador de teto.

    O local é bem cuidado pelas amigas, tornando-se um espaço perfeito para a reunião.

    — Droga, eu odeio essas crianças, eu odeio! Argh…

    Hideki está com uma expressão fechada, testa franzida e olhos sombrios, mordendo as unhas.

    — O que vamos fazer agora, amiga? — indagou Kinoshita, ansiosa.

    — Estou pensando, droga. Meios legais não têm mais como, o debate está todo a favor da Rita.

    Emi, que estava pintando as unhas, cruzou as pernas e disse:

    — Ela é uma garota com aptidão física elevada, além de ser inteligente. Você vai ter que pensar em uma brecha perfeita para derrubá-la, amiga.

    Abe gritou, chegando ao máximo da raiva.

    — Vocês acham que eu não sei?? Eu entendo a situação perfeitamente! — disse Abe, abanando a si própria com a mão. — Hmf… Gyutaro, lembra daquela última reunião nossa? Quando falei do plano para acabar com o revoltante?

    Gyutaro, sentado no sofá, está rindo da situação.

    — Claro que lembro. Você, por acaso, quer incluir a Rita também?

    Ela levantou da cadeira, nervosa e ansiosa, com a mão na cintura e a outra na testa.

    — É óbvio! É a única maneira de derrubar dois coelhos com uma cajadada só!

    — Entendi. Então quer dizer que o motivo para você não ter colocado o plano em prática ainda era esperar por um momento como este? — indagou Gyutaro.

    Gintaro, que está comendo um salgadinho enquanto assiste à atuação da Abe, tem sua presença quase nula na sala, mas por um fio da Abe o reparar sujando o sofá limpo dela.

    Kinoshita percebeu a cena e, para evitar mais nervosismo da parte da Abe, levantou da cadeira, levando uma toalha para ele.

    — Limpa sua mão aqui. Se limpar no sofá, você está perdido! — disse ela, com uma expressão assustadora no rosto.

    Gintaro pegou a toalha com o rosto sujo, mas com um olhar de desentendimento.

    Enquanto isso, Abe está com um sorriso cruel no rosto, andando para os lados e roendo as unhas, que daqui a pouco sobrará quase nada se continuar desse jeito.

    Mas, com a pergunta de Gyutaro, ela parou de roer, ainda com o sorriso sombrio no rosto.

    — Sim. Exatamente isso. Eu sabia que poderia acontecer algo que iria estragar meus objetivos no futuro, e esse momento chegou. Agora a hora é perfeita para colocar esse plano em prática.

    Gyutaro se ajeitou no sofá.

    — Sim, mas também o tempo ocioso era para ajeitar as coisas para o plano, né? Quer dizer que agora está tudo pronto?

    — Exato. Conseguimos ajeitar tudo. Agora o início do plano vai depender de vocês, Kobayashi. — disse Abe, com um sorriso maligno estampado no rosto.

    Mas ainda estava clara a preocupação dela, além do nervosismo da situação.

    O medo de perder o posto de presidente está a consumindo, levando-a para o caminho do buraco.

    A questão é simples e única: ela seguirá esse caminho e cairá no buraco, ou chegará ao seu objetivo?

    — Mais uma coisa, Abe. Minha recompensa eu estou ciente que vou ter após o plano acabar, dando certo ou não. Mas quero colocar uma cláusula a mais no contrato.

    Abe franziu as sobrancelhas, fez um olhar afiado para Gyutaro, perguntando: — O que é isso? O que está querendo?

    — É simples: se o plano der certo, eu quero receber 20% a mais do que me ofereceu. Se der errado, a gente tenta mais um plano ramificado do original, que é muito bom. E, neste caso, será 10% a mais, que tal?

    Emi parou de pintar as unhas, virando seu olhar para Gyutaro, assim como Kinoshita.

    Ambas desviaram o olhar para Abe logo após.

    — Entendi. E, neste caso, esse plano ramificado do original, que já tem três partes, você já tem em mente?

    Gyutaro deu uma risada simples, levantando do sofá.

    Gintaro levantou rapidamente também.

    — Quem você pensa que eu sou? Bem, estou indo agora. Se recusar essa cláusula, tudo bem, eu continuo te ajudando, mas se der errado, não irei contar meu outro plano para expulsar os dois.

    Os irmãos acenaram enquanto saíam de fininho da sala.

    Abe, com o rosto vermelho de raiva, gritou.

    — Esperem! Seu demônio.

    — Wow, isso é um elogio para mim, haha.

    Abe, explodindo de raiva, se aproximou de Gyutaro marchando como um soldado.

    — Está bem! Mas me conte este plano agora!

    Abe fixou seu olhar ameaçador para ele, transmitindo certo temor de intimidação.

    Mas Gyutaro está tranquilo, com uma postura firme e sorriso no rosto.

    — É bom sempre fazer negócios com você, hehe.

    Ambos foram até a mesa, onde Gyutaro vai repassar o plano secreto dele.

    Duas horas depois dessa reunião, ocorreu outra na sala do diretor, mas desta vez com Saulo e Ayumi.

    Dentro da escola, no escritório do diretor, Ayumi está sentada na cadeira em frente à mesa do diretor, com uma expressão assustada.

    Já o diretor, em frente à janela redonda que se destaca em sua sala, observa o lado de fora.

    — É realmente muito estranho, não acha? Como desaparecem três crianças assim tão facilmente dentro da minha ilha? Como isso pode ocorrer sem deixar rastros algum?

    O diretor falou com uma voz bastante alterada, com um grave ecoando para os tímpanos de Ayumi, fazendo-a se arrepiar.

    — Eu não sei, com certeza é obra do espião. O problema é que ele entende muito bem a planta da ilha, pois só assim para saber onde estão posicionadas as câmeras e seus pontos cegos.

    — Exatamente! Isso quer dizer que há duas possibilidades: a primeira é que esse tal espião tem um contato infiltrado dentro da escola.

    Ayumi ergueu a cabeça na direção do diretor, arregalando os olhos.

    — Mas, diretor, isso quer dizer que, além de um espião, temos um traidor?

    Enquanto Ayumi falava, Saulo, com seu dedo indicador, desenhava com a imaginação na janela enorme e redonda à sua frente.

    — Bem, pense comigo. Quem poderia estar ajudando o espião dentre as pessoas da ilha escolar?

    Ela fez uma pose pensativa, segurando o queixo enquanto olhava para o chão.

    — Na verdade, só consigo pensar no jardineiro. Não foi ele que fez aquela atuação contra nós?

    Com um movimento dramático, Saulo se virou para Ayumi com uma expressão sábia.

    — Entendo seu raciocínio. Mas investiguei o jardineiro e ele não fez nada além do seu trabalho diário aqui. Além disso, ele não tem acesso a nenhuma sala de alta segurança.

    — Mas ele pode saber das câmeras indo aos lugares em que trabalha e memorizando, não?

    — Sim, perfeito, mas lembre-se: para isso acontecer, ele precisa ir aos lugares onde há essas câmeras, e isso não ocorreu no tempo em que ele esteve aqui.

    Saulo sentou-se em sua cadeira, pegando uma garrafa de bebida em sua gaveta e colocando-a sobre a mesa.

    Ele abriu a garrafa e colocou um pouco em seu copo de vidro, oferecendo a Ayumi, mas ela recusou.

    — Porém, para confirmar essa teoria, seria preciso ver nas câmeras as aparições dele, não? Na verdade, nem precisa, ele pode apenas ter olhado de longe sem ter aparecido.

    — Sim, isso é verdade. Lembra que as câmeras têm um sistema inteligente de reconhecimento?

    — Hmm… lembro sim. Aquele sistema da Cronwell que analisa um rosto e procura em todas as evidências no banco de dados de rostos, não?

    Saulo acenou com a cabeça enquanto tomava sua bebida.

    Ayumi, com disposição elevada, posicionou-se formalmente na cadeira.

    — Mas isso não é amplo, e os pontos cegos? Como eu falei, ele poderia ter apenas visto as câmeras de longe sem aparecer.

    — A parte dos pontos cegos: as câmeras cobrem todos os ângulos possíveis, mas não conseguem ver de longe, então esse é, de fato, um problema.

    — Mas? — disse Ayumi, esperando um desfecho.

    — Mas as câmeras são posicionadas estrategicamente para cobrir a distância que é filmada, logo, para ele ver uma câmera apenas de longe, ele seria visto por uma câmera que está cobrindo essa distância do outro lado. Entendeu?

    — Entendi. Então, neste caso, dá para ter o registro em algum momento, mas não indicaria que ele estava mal-intencionado olhando para as câmeras.

    — De fato. Mas, se alguém como ele, que não tem acesso a lugares restritos, precisaria aparecer em todas as câmeras para saber suas posições, não concorda?

    Ayumi concordou com a cabeça.

    Saulo tomou mais um gole de sua bebida.

    — Se você está falando sobre as câmeras, é porque descobriu algo? — indagou Ayumi.

    — Sim. Pedi à equipe de segurança para fazer essa busca para mim, e ele não apareceu em várias câmeras, então duvido muito que fosse ele.

    — Então ele foi só usado pelo espião naquele momento? Se for isso, tem que haver alguma filmagem dele encontrando alguém naquele dia.

    — Eu pensei o mesmo, mas no dia ele trabalhou e só conversou com você. Depois sumiu das câmeras.

    — Droga. Quando conversou comigo, ele já estava sendo manipulado.

    Ayumi fechou os olhos, encostando a cabeça para trás na cadeira.

    — Ou, ameaçado. Talvez o espião o obrigou a fazer isso, ameaçando-o de algo caso não aceitasse. — disse Saulo, colocando mais bebida em seu copo.

    — Bem possível. Mas a família dele está no Horizonte, certo? Qual era a possibilidade deles sofrerem algo?

    — Pequenas. Mas o espião deve ter persuadido muito bem ele, pressionando-o de forma aterrorizante, fazendo-o pensar que era possível que fossem ameaçados.

    — Entendo. Ele pode até ter conseguido fotos da família dele e mostrado como provas. — disse Ayumi, cruzando as pernas.

    — De fato. Mas agora tanto faz. Nosso objetivo é descobrir quem é o informante, aí entra a segunda possibilidade. E se o informante fosse algum professor?

    Os olhos de Ayumi arregalaram-se, seu rosto ficou completamente surpreso.

    — Um… professor? Como assim?

    — Sim! Lembre que o professor de dedução sumiu? Logo ele, o professor que participou estrategicamente das posições das câmeras, sumir quando três outras crianças desaparecem e no momento em que surge um espião.

    — Medo de retaliação aqui dentro, ele partiu antes de descobrirmos que foi ele. — disse Ayumi, com um olhar decepcionado.

    — Sim. Se, nesse caso, esse professor for o informante, ele já se foi e estamos a salvo de outros possíveis vazamentos. Mas não muda o fato de o espião estar aqui e não conseguirmos encontrá-lo.

    — Verdade. Como não estamos o encontrando aqui? É muito estranho.

    — Parece que o espião é uma das crianças que vieram, não? — disse Saulo, de forma irônica e com um sorriso no rosto.

    Ayumi não riu, fez uma expressão pensativa e analítica, desviando o olhar para o chão. Talvez ela tenha pensado na possibilidade mesmo.

    Se for uma criança o espião, quem seria? Pensou Ayumi.

    Arco: Investigação

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