Capítulo 71 - Professor Shuukyo.
Escuro, silêncio, paz.
Características que me fazem dormir…
Estou alcançando a corda que me leva para o meu sonho…
— Este aqui é o Yuki!
— Prazer, Yuki. Arushi me contou muito sobre você. Aliás, fomos nós que ajudamos a pegar os livros, pode me agradecer com um beijo, viu?
— Ai ai, pare com essas asneiras, York. Até parece que ele iria querer beijar uma menina seca igual você.
— O que você disse, Gojo?
— Parem com isso, gente, vocês estão passando uma má impressão para o Yuki.
— É culpa desse marmanjo aqui, chamando uma bela donzela como eu de seca.
— Marmanjo? Enfim, como é bom ver você brava, York. Sempre está com cara séria, nem tem graça.
— Eu não fico com cara séria…
— Desculpa, mas tenho que concordar com o Gojo, York. Você fica a maior parte do tempo com uma expressão séria no rosto.
— Ah, droga, enfim! Yuki, se quiser me dar um beijo depois, me encontre no parque neste sábado, viu? Hihi.
— Yuki, melhor você não entrosar muito com ela, não.
— Aff, Arushi, deixa eu!
— Ham… era um… sonho?!
Mas, que sonho foi esse?
Parece que… foi algo do passado, mas, algo que nunca aconteceu?
Por que sonhei com duas crianças que nunca vi, e com a Arushi ainda.
Espera, esses dois são os amigos que a Arushi disse que tinha?
Essa menina disse que ajudou a pegar os livros com a Arushi.
Meu Deus, que confuso, será que… eu sonhei com o futuro? Não pode ser…
Muitas coisas estão passando na minha cabeça agora, que bizarro este sonho, sempre sonhei com aquela mulher e agora sonhei algo que parece que vai acontecer por agora?
Droga, minha cabeça vai explodir, melhor não pensar nisso por enquanto.
Levantei da cama e me preparei para ir à escola.
Fui junto com meus dois amigos dessa vez já que eu não tinha um guarda-chuva.
— Ei, o Arushi está meio afastado da gente, não está? — indagou Fuutaro, enquanto entrávamos dentro da escola.
— Verdade, faz tempo que não vejo ele. — comentou Sasori.
Eles têm razão, Arushi não é disso, será que ele está tão focado assim para pegar os livros para mim?
Ele é um bom garoto, e pelo visto faz de tudo para me ajudar.
Entramos na sala de aula, e fui direto na Itsuki dar um abraço nela.
E como sempre, um abraço bem confortável.
— Como você está, Yuki?
— Estou bem agora, e você?
Ela firmou o abraço.
— Estou bem melhor agora.
Ela soltou o abraço e, com um sorriso aberto no rosto, mostrou seu dedo para mim.
— Olha o que tô aqui.
— O anel… você está usando ele.
O anel da minha mãe, que emprestei para a Itsuki, ela está usando.
E pela sua expressão, ela está bem feliz com isso.
E eu, só de estar perto dela, minha felicidade surge.
— Ficou bem melhor em você do que em mim. — disse, com um sorriso enquanto segurava sua mão macia.
— Mas, eu não quero que só eu fique com algo de você emprestado, quero que fique com algo meu também.
Ela retirou de dentro do seu bolso uma corrente de cor azul com algo pendurado nela.
Pelo que parece, é uma letra que começa com A, também com uma coloração azul.
— Aqui, fique com isso também… é algo precioso meu.
Olhei para ela após ter olhado o colar, a maneira que olhava para mim demonstra confiança, ela confia em mim o suficiente para isso.
— Você tem certeza? Se é algo importante para você…
Ela acenou com a cabeça enquanto sorria para mim.
— Sim, tenho certeza.
Peguei da mão dela e coloquei no meu pescoço.
— Vamos cada um guardar com carinho o acessório do outro, já que são especiais, mostra a confiança mútua entre nós, né? — disse, olhando em seus olhos.
Ela fez um sorriso lindo em seu rosto enquanto as bochechas coravam.
— Sim, uma confiança mútua.
Nós dois sorrimos um para o outro.
O professor chegou na sala cantando, então aproveitei e fui para minha mesa.
— Bom dia, meus queridos cordeirinhos. Como vocês estão hoje?
Todos da sala responderam de forma assíncrona.
— Ótimo. Que o nosso Deus abençoe vocês grandemente. Agora, meus cordeirinhos, vamos pegar seus dispositivos, pois aprenderemos sobre diferenças éticas.
O professor tem um jeito bem religioso mesmo, não à toa é professor de ensino religioso.
Qual será o Deus que ele acredita?
Pois ele anda com essa roupa branca e dourada e esse colar de sol e nuvem, se eu não me engano minha mãe me disse que havia uma igreja antigamente que adorava o deus do sol.
Mas essa igreja havia sumido do nada, não deixando mais nada em relação a eles.
Será que esse professor faz parte dessa religião extinta?
A aula continuou e o professor nos mostrava sobre diferenças éticas, morais e religiosas.
Foi normal, mas durante a aula, ele sempre dava um jeito de olhar para mim com um olhar estranho.
Como se ele soubesse quem eu era.
No final do primeiro turno, antes de irmos para o refeitório, ele pediu para eu esperar, pois queria bater um papo.
— Não demora muito, viu, se não a comida esfria. — disse Fuutaro.
Itsuki ficou comigo agarrada no braço.
— Olá, menininha ruivinha, eu queria falar apenas com seu namoradinho, pode ser?
Itsuki apertou meu braço após essa fala, ficando com o rosto vermelho.
— Não, professor, ela não é minha namorada, ela é minha melhor amiga.
Ele fez um olhar de surpreso, enquanto Itsuki cobriu seu rosto em mim.
— Oh, entendi. Então, nesse caso, deixa eu falar a sós com seu amigo, querida?
Olhei para Itsuki e acenei para ela com um sorriso.
Pela sua expressão, ela entendeu.
— Vou te esperar na escada, tá bom? — disse ela.
Assenti com a cabeça.
Ela saiu, deixando eu e o professor sozinhos.
Ele sentou na sua cadeira e eu segui até sua mesa.
— Bem, querido Yuki. Você, por acaso, ouviu falar sobre uma antiga igreja chamada de igreja do Sol?
— Professor, eu acredito que aqui só sabemos das coisas que vocês nos ensinam, então…
Antes de terminar de falar, ele me interrompeu, com uma expressão cética no rosto.
— Eu entendo, normalmente vocês iriam saber dessa igreja vindo de mim, como professor de Ensino Religioso.
Ele levantou da sua cadeira, pegou em meu ombro e começou a caminhar até a janela nos fundos da sala.
— Mas, isso é algo que eu, infelizmente, não poderei ensinar a vocês até segundas ordens.
— Por que não? O que impede de ensinar sobre isso?
Parado em frente à janela, observando as gotas de chuva escorrendo pelo vidro, nuvens se abrindo dando a luz do sol de volta a nós, um sorriso macabro surgia em seu rosto.
— Porque… bem, eu não posso contar isso a você. Mas, vamos fazer um acordo, você me diz sobre o que foi ensinado em relação à igreja do sol e eu conto o motivo de não poder ensinar sobre ela a vocês. Pode ser?
Eu não me importo de contar sobre isso, não é segredo meu, fora que ele sabe que eu sou revoltante, por isso ele quer saber.
— Pode ser, mas professor, mesmo sabendo que eu sou revoltante, ainda assim não tem como saber se eu fui ensinado sobre essa igreja, meus pais podem ser qualquer um sem informação, mesmo sabendo disso, você não tem dúvidas de que eu sei, por quê?
O professor virou o rosto para mim, com um olhar curioso.
— E como sabe que eu não tenho dúvidas?
— Você está fazendo um acordo comigo para contar algo que não pode, em troca dessa minha informação passada do lado de fora da escola, isso significa que você sabe o motivo de eu saber sobre. Como sabe?
Uma risada estranha ele fez, encarando seu reflexo na janela.
— Realmente, você é muito esperto. Sua mãe fez bem. Mas sim, eu sei o motivo de você saber sobre a igreja do sol.
Uma pausa momentânea ele fez, enquanto suspirava.
— O livro original, escrito pelo líder dessa igreja, você tinha ele em casa, não tinha?
— Se eu tivesse, como sabe sobre ele?
— Isso é algo que você ainda não pode saber, o que interessa aqui é o fato de você saber sobre o que aconteceu no passado e o motivo da extinção. Pode me dizer?
Na realidade, eu não sei sobre isso, já que minha mãe não deixava eu ler o livro, ela apenas disse que não era a hora, e falou brevemente sobre a igreja do sol, por esse motivo eu sei o que são eles.
Mas não posso dizer essa informação para ele.
— Existe um mundo onde eu sei e um mundo onde não sei, qual você quer acreditar é o que importa neste momento. Para mim, o que interessa neste momento é apenas saber se minha mãe está viva, pode me dizer?
O professor começou a rir, mas uma risada diferente de todas até agora, uma risada de raiva.
— Somos duas farinhas vindo do mesmo saco pelo que parece, não vamos falar nossos segredos tão facilmente assim, né? Mas tudo bem, temos muito tempo até você se formar, podemos continuar em outro momento.
Após isso, Shuukyo saiu de perto de mim voltando para sua cadeira.
— Pode ir, sua melhor amiga está te esperando na escada.
Algo está estranho nele, ele sabe que eu tinha este livro em casa, sabe sobre minha família, como? Ele é apenas um professor de ensino religioso.
Mas espera, se ele for mesmo um restaurador da igreja do sol, então pode ser por isso que ele sabe?
Será um amigo da minha mãe do passado?
Ou um inimigo da minha mãe?
Existe esta possibilidade onde minha mãe roubou o livro dele, ai nesse caso faria sentido ele souber de tudo.
Sai da sala olhando de canto para ele, um sorriso aberto em seu rosto com esses olhos pequenos, muito assustador.
— Ah, quase esqueci. Não conte para seu segurança Okawara sobre essa conversa, ok?
Assenti com a cabeça após um momento de pausa, e saí da sala.
Como se ele fosse meu segurança.
Arco: Investigação

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