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Capítulo 194 — O Plano de Cassian
Em um ambiente, agora isolado de todas as outras pessoas que estavam dispersas na região da arena da floresta, Cassian e Helick expeliam uma quantidade absurda de mana.
“Ela sempre ataca o mais forte candidato a ascender.”
Cassian havia percebido nessa frase que tipo de criatura ele lidaria.
A Pantera-Chicote.
Um animal que mistura racionalidade com instinto. Ele havia lido sobre ela em seu livro favorito sobre bestas míticas, o mesmo que havia pegado na biblioteca pública de Lyberion e nunca devolvera. O único que havia lido a vida toda.
Era hora de fazer isso valer. Cassian fechou os olhos e se lembrou das páginas que passou anos foliando repetidamente.
O animal era conhecido como a fera dos Três Instintos.
O primeiro era relacionado ao seu senso crítico quanto a ameaça a seu território. Seres mais fracos ou irrelevantes que não ameaçavam sua soberania na mata ela simplesmente ignorava. Mas, se estivessem organizados em um grupo numeroso que pudesse representar uma ameaça real, ela passava a rondá-los em silêncio, paciente e calculista, aguardando a menor brecha para desencadear uma sequência de ataques rápidos e fatais.
Pensando nisso Cassian desenvolveu a equipe de Tály onde o grupo dela havia a maior quantidade de pessoas.
Mesmo a mana não sendo ameaçadora, a movimentação de um grupo grande como aquele colocaria a Pantera-Chicote em alerta quando se aproximassem de seu covil.
E as linhas que Lyrien disse que enxergava desaparecendo simbolizava o início dos ataques… E as pessoas que estavam caindo por eles.
“Foco!” — Cassian disse para si mesmo em sua mente.
Quando a Pantera-Chicote trava em um alvo ela entra no estado do segundo instinto.
O modo predador era ativado e com isso ela entraria em estado de caça constante até limpar seu território dos invasores.
Cassian sabia que essa parte era a mais perigosa. Ele confiava que Tály e os outros poderiam resistir por um tempo, mas ele sabia que não seriam páreo se a criatura fizesse jus aos livros.
Aqui entrava a segunda parte do plano e o terceiro instinto da Pantera-Chicote.
O instinto de prioridade. Ele fazia com que ela aumentasse sua sensibilidade mágica e identificasse tudo o que possuía mana em um raio de cinco quilômetros. Ela passava a ignorar os fracos e ia atrás dos mais fortes. Ela era metódica e preferia fazer o trabalho de limpeza de cima para baixo.
Era como se ela subisse na cadeia alimentar daquele ecossistema.
Por isso Helick estava ali.
Entre todos os participantes, apenas os dois irmãos possuíam reservas de mana grandes o bastante para se tornarem um farol irresistível.
Eles estavam se oferecendo para a fera, sacrificando-se como isca para aliviar a pressão sobre o grupo de Tály.
E, de acordo com o plano de Cassian, quando a criatura percebesse aquela explosão de energia…
Um disparo de fogo rasgou as copas fechadas das árvores, a quase dois quilômetros de distância.
O sinal de Tály.
Cassian ergueu o olhar.
A caçada havia começado.
E agora… eles eram o alvo.
— Helys, é agora que a terceira e última parte do plano entra em ação!
Helick assentiu com a cabeça e os dois se prepararam.
Em outro ponto da arena, um homem de semblante triste avançava implacável contra seus inimigos, afogando-os em lamentos e arrependimentos, despedaçando suas mentes sem piedade.
Redgar já havia reduzido três adversários à completa ruína, arrancando-lhes qualquer vontade de lutar. Alguns, como o primeiro, sucumbiram ao desespero e ceifaram a própria vida.
Vell e Yssa estavam ofegantes, quase inconscientes, com as costas coladas ao chão.
O visor destruído no rosto de Vell estava em pedaços, e através dos cacos ele enxergou Yssa, que encarava o céu encoberto pelas copas das árvores.
— Acho que te devo uma, pirralho — murmurou ela, sentindo o olhar de Vell sobre si.
— E deve mesmo. E não sou pirralho, já tenho vinte e dois — respondeu ele com um sorriso de canto, que logo se desfez. — Gastei tudo o que eu tinha… e roubei o que não tinha para construir esse ARGENTEC. E parece que no meu surto de heroísmo, acabei destruindo-o. Espero que me ressarça quando chegarmos à Cidade de Ferro.
Vell concluiu com seriedade, fitando os cabelos brancos, quase prateados, e o rosto mais velho surpreendentemente belo de Yssa.
Ela virou-se para encará-lo, e agora era ela quem sorria.
— E como pretende que eu faça isso, pirralho?
— Tenho algumas ideias.
À frente deles, uma cratera recém-aberta testemunhava o choque brutal de poderes, onde seus oponentes agora repousavam sem vida no centro da fissura.
Disamis e Joe estavam eliminados, e suas vagas seriam herdadas por Vell e Yssa.
Enquanto isso, Marco permanecia oculto entre os galhos mais altos de uma árvore, atento, tentando rastrear a mana suspeita que havia sentido instantes atrás.
“Droga, a colisão de mana desses quatro me fez perder o rastro daquela mana poderosa.” — Marco pensou mordendo um lábio. — “Mas de toda forma preciso ficar atento. A pessoa que possui essa mana é habilidosa, sei que está perto, mas seu rastro sumiu.”
Marco levou os olhos até onde Redgar estava. Ele havia terminado de limpar o restante dos inimigos e seu semblante havia voltado ao normal.
Bane espancava o rosto de um homem no chão, ele também parecia ter vencido.
“Derrotamos sete dos trinta desafiados que faltavam. Ainda falta muita gente. E Yssa e Vell já não podem mais lutar. Estão esgotados.”
Foi então que um arrepio percorreu sua espinha. A mana desaparecida voltou a pulsar, súbita e intensa, como um trovão silencioso que rasga o ar.
Seus olhos se arregalaram.
— Não pode ser… — murmurou, erguendo o corpo em alerta.
Antes que pudesse avisar os outros, a sombra que perseguia se materializou atrás dele, veloz e precisa, como se tivesse aguardado exatamente aquele instante de distração.
— Bu. — A voz feminina soou às suas costas.
Logo em seguida, o som de inúmeros raios correndo por uma lâmina rasgou o ar, ecoando até os ouvidos de Marco. Ele reagiu no último instante possível: dobrou os joelhos e se curvou sobre os calcanhares, e a espada de trovões passou rente acima de sua cabeça, levando apenas um fio de cabelo.
A espadachim girou a arma com destreza e cortou o galho da árvore que sustentava os dois, fazendo Marco perder o equilíbrio e despencar. Ela veio logo atrás, pronta para desferir o golpe derradeiro.
No breve instante em que a viu, Marco pôde observar seu semblante: uma mulher de estilo marcante, diferente de tudo que já havia encontrado em Lyberion. Os cabelos amarelos com pontas verdes contrastavam com a blusa de mangas largas e o short curto de couro.
Mesmo diante daquela visão incomum, não havia espaço para distrações.
— Não pense que serei tão fácil de derrotar! — rugiu Marco, apontando sua espada para cima.
“Não sei quem é essa mulher, nem quais habilidades possui… mas algo me diz que é perigosa!” — pensou em uma fração de segundo. — “A vantagem é que ela também não sabe quem eu sou. Vou acabar com isso em um único golpe!”
Ele ergueu a espada e bradou:
— Magia Espelhada: Fenda de Ressonância… MUNDO PARTILHADO!

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