Índice de Capítulo

    Dois a três capítulos novos toda semana!

    Siga nosso Discord para ver as artes oficiais dos personagens e o mapa do continente!

    Enquanto a floresta se afogava em um estrondo provocado pela recém liberdade adquirida da Pantera-Chicote, a centenas de metros dali o cenário era igualmente caótico: um caos ensurdecedor e sufocante. O cheiro enxofre e metal superaquecido tomava as narinas das pessoas que compunham o grupo de suporte de Isaac.

    O aviso de Haron ainda ecoava pelo ar quando o primeiro movimento da emboscada se concretizou.

    — Defendam os flancos! — Isaac rugiu, seu livro de capa metálica flutuando violentamente à sua frente enquanto ele conjurava barreiras de mana apressadas para desviar as lâminas que buscavam o pescoço de sua equipe de suporte.

    Marco não esperou o ataque chegar. Mesmo com as costelas recém-soldadas protestando a cada centímetro de movimento e o suor frio escorrendo por sua nuca, o Soldado Copiador impulsionou-se à frente. Ele sabia que se os curandeiros caíssem, estaria tudo acabado.

    Marco cruzou sua lâmina contra o primeiro desafiado que saltou das sombras, um guerreiro ágil que tentava degolar um dos assistentes de Isaac. O impacto reverberou direto pela coluna de Marco, arrancando-lhe um gemido abafado de dor, mas ele girou o corpo com precisão militar, desferindo um chute lateral que arremessou o atacante contra o tronco de uma árvore.

    — Patético — desdenhou Haron, observando a cena sem pressa.

    O vagalume de Blando deu um passo à frente, e o chão sob suas botas estalou, a grama ressecando instantaneamente sob o calor extremo que emanava de seu corpo. As três garras longas e incandescentes de seu ARGUEM rasgaram o ar em um arco horizontal, deixando três linhas vermelhas flutuando na penumbra da floresta como cicatrizes de puro fogo.

    — Você mal consegue se manter de pé, Marco. Lutar contra você nesse estado é quase uma ofensa ao meu orgulho. Mas ordens são ordens.

    Com uma velocidade que contradizia seu tom preguiçoso, Haron explodiu em um avanço. O ar ondulou ao redor de seu corpo devido à alta temperatura, criando uma miragem distorcida. Ele surgiu a centímetros de Marco, as garras verticais descendo como ganchos de um carrasco prontos para estripar o soldado de Lyberion.

    Marco forçou os olhos a focarem na trajetória do ataque, sua mente trabalhando em dobro para processar o fluxo de mana que corria pela manopla de Haron.

    Ele precisava entender o fluxo daquela técnica de calor imediatamente ou aquela floresta se tornaria o seu crematório.

    Com agilidade, Marco ergueu sua espada de lâmina espelhada, seu ARGUEM. O impacto das três garras flamejantes contra o aço reflexivo transmitiu um peso absurdo diretamente para o corpo do soldado. Suas costelas protestaram no mesmo instante, uma pontada aguda que quase o fez perder o equilíbrio.

    — Vamos, não vai agir como um velho e deixar uma dor nas costas te atrapalhar, vai? — zombou Haron, pressionando a manopla com força antes de continuar sua sequência incessante de ataques.

    Marco não respondeu às provocações. Mantendo os dentes cerrados, ele concentrou cada grama de sua percepção em decifrar o padrão daquela energia. A mana de Haron era vibrante, extrovertida; algo que exigia ser o centro das atenções, transbordando uma confiança quase alegre e genuinamente perigosa. De fato, a mana daquele homem era o reflexo exato de sua personalidade.

    O soldado de Lyberion recuava passo a passo enquanto se defendia, mas Haron não era um amador; ele sabia exatamente o que o Copiador estava tentando fazer. Em um piscar de olhos, aquele mormaço denso que ondulava o ar voltou a erguer miragens trêmulas, bloqueando completamente a linha de visão de Marco.

    — A mana dele… mudou! — Marco tateou mentalmente, o pânico calculista instalando-se em seu peito ao perder o rastro do inimigo.

    Haron ressurgiu do alto, caindo como um meteoro. Marco reagiu por puro instinto militar, erguendo a espada espelhada para interceptar o golpe vertical. O metal colidiu com um estalo violento, mas Haron usou o próprio peso do corpo para girar no ar, deslizando a manopla pela lâmina de Marco e caindo estrategicamente em seu flanco direito, onde a guarda do soldado estava totalmente aberta.

    Com um movimento rápido e impiedoso, as garras em brasa rasgaram a carne exatamente sobre as costelas feridas de Marco.

    — AAAAGHR! — O grito de agonia irrompeu puramente de sua garganta.

    — Tome essa, lyberiano! — Haron rugiu, os olhos brilhando com o reflexo do próprio poder. — Magia de Fogo: Combustão Cortante!

    No milésimo de segundo seguinte, o corte aberto nas costelas de Marco começou a gerar chamas violentas e concentradas, consumindo a carne viva como o ferro em brasa marca o couro do gado. O cheiro de carne queimada subiu instantaneamente.

    Praticamente sem forças, Marco canalizou uma das poucas frações de mana que ainda lhe restavam. Ele forçou um feitiço de vento repentino, gerando uma lufada pressurizada que abafou e extinguiu o fogo de seu corpo. As chamas sumiram, mas a queimadura terrível já estava feita, deixando a pele em carne viva.

    Haron recuou um passo, limpando o sangue inimigo de suas garras na própria calça e exibindo um sorriso de desdém.

    — Que patético. Você está realmente acabado, hã?

    No mesmo ambiente, mas isolado em sua própria linha de defesa, Isaac protegia o grupo de suporte com cada gota de mana que lhe restara após o desgastante processo de cura. Em um movimento calculado, ele forçou um de seus escudos cinéticos a expandir-se abruptamente, devolvendo o ataque mágico de um dos desafiados com o dobro da força. O contra-golpe foi certeiro, arremessando e nocauteando dois atacantes contra o solo.

    — Senhor Isaac! — Vell chamou, a voz trêmula.

    O jovem, que havia despedaçado o próprio ARGENTEC para salvar Yssa no confronto anterior, olhava ao redor com pura falta de esperança.

    — Acho melhor nos rendermos! Não há o que fazer nessa situação! Cassian não vai chegar a tempo… É melhor nos darmos por vencidos antes que eles matem todos nós! Podemos tentar a ascensão em outra oportunidade!

    Aquelas não eram palavras de um covarde. Isaac sabia que, friamente, a sugestão de Vell era a única lógica a ser seguida. No entanto… algo no fundo de sua alma gritava que todo aquele sangue derramado, todo o esforço e cada um dos companheiros que haviam caído até ali não poderiam ter sido em vão.

    — Não — instou Isaac, os dentes cerrados enquanto sustentava a barreira. — Não podemos deixar que tudo até aqui tenha sido por nada.

    — Então o que faremos?! — o jovem desesperou-se. — Eu não possuo mana e meu ARGENTEC está destruído. Yssa está completamente zerada. Só temos você e o Marco, e ele está prestes a ser soterrado pelo Haron! Qual é a nossa chance aqui?

    Isaac varreu o caos ao seu redor com o olhar. A conclusão bateu em seu peito como um soco: não havia saída convencional. A menos… que ele usasse a sua última e mais perigosa cartada.

    — Vell! Está vendo aqueles dois caídos ali no chão? — Isaac apontou para os inimigos que acabara de apagar. Ao mesmo tempo, ele concentrou sua energia para alongar a barreira defensiva, criando um corredor seguro que se estendia até os corpos. — Traga-os para mim. Agora!

    — O quê?! — Vell piscou, totalmente sem entender.

    — Apenas faça o que eu digo! — rugiu o curandeiro.

    Sem tempo para questionar, Vell disparou pelo corredor translúcido em direção aos corpos caídos.

    Do lado de fora da barreira, os desafiados sobreviventes reagiram instantaneamente à movimentação. Percebendo a fragilidade da estrutura, eles concentraram seus esforços, bombardeando o escudo de Isaac com feitiços devastadores. Rachaduras luminosas começaram a rasgar a defesa do suporte.

    — Rápido, Vell! — Isaac gritou, o suor misturando-se ao sangue que escorria de seu nariz pelo esforço hercúleo. — Eu não vou aguentar por muito mais tempo!

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (1 votos)

    Nota