Capítulo 150 - Prenúncio e expectativa
Por um longo corredor, uma jovem caminha. Sua altura é mediana, a pele é clara e jovial e seus cabelos são loiros e curtos.
Ela veste uma túnica azul de mangas longas, bem ajustada ao corpo, combinada com uma saia branca que desce até os joelhos. Enrolado no pescoço está um pequeno tecido branco.
Estampado na lateral do tórax está um pequeno brasão vermelho, no formato de um escudo. A cada passo, os sapatos escuros que usa ecoam suavemente pelo corredor.
O chão é forrado com azulejos lustrosos, com intrincados padrões hexagonais, variando entre preto e branco.
À direita, no decorrer do caminho, estão várias portas de madeira marrom. Elas são grossas e possuem números sequenciais gravados e entalhes com curvas delicadas.
À esquerda, no intervalo entre cada porta, há janelas grandes. Por elas, é possível ver o céu cinzento, cheio de nuvens bloqueando o sol, e neve branca caindo até onde o horizonte alcança.
A jovem caminha com calma e, mais adiante, o corredor se abre em mais dois, onde um segue reto e outro se curva à direita.
No caminho à direita, duas outras garotas conversam diante de uma porta. Suas roupas são iguais às da jovem de cabelos loiros e elas também aparentam ter a mesma idade.
Uma delas possui o cabelo ruivo e a pele mais branca, e a outra, castanho, com um tom mais moreno na pele.
Durante um breve instante, a jovem olha de relance para as duas, mas não para de andar e segue em linha reta.
Apesar de seguir seu caminho, a garota de cabelos castanhos a nota.
“Chloe?”, chama ela, surpresa.
A jovem de ruiva também já se volta para ela. “Nossa. Há quanto tempo, ein? Veio bem cedo esse ano”, comenta ela.
A jovem loira para de andar, suspira de leve e olha para as duas com um sorriso aberto. “Alana, Vixen, nem vi vocês aí”, diz ela. “Pois é, cheguei mais cedo esse ano. Preferi vir antes da neve encher as estradas.”
“Vi seu nome na lista de quem se inscreveu na matéria de familiares e invocações”, comenta a garota de cabelos castanhos. “Parece que todas vamos cursar essa matéria esse ano.”
Chloe ri. “Também vi, Alana. Bem legal, não é?”, diz ela.
“Eu ouvi que a filha do Duque de Pra’ados já tem um familiar”, comenta Vixen, jovem ruiva.
“Fiquei sabendo que é uma fada”, Alana acrescenta. “Achei super incrível. Se eu pudesse, eu também tentaria conseguir um familiar assim também, mas vou tentar conseguir um dos que a escola fornece.”
“Pois é. Eu também”, diz Vixen.
Chloe pigarreia, chamando a atenção das duas. “Bem… eu também já tenho um familiar”, declara ela.
As duas jovens a encaram, quase em choque, por alguns instantes.
“É sério?”, Alana pergunta.
“E qual é?”, Vixen completa.
“Bem… é uma surpresa. Meu pai… disse para deixar baixo até as aulas começarem”, responde ela. “Mas é uma criatura bem mágica.”
“Agora estou curiosa para a nossa aula”, comenta Vixen.
“Também estou”, diz Alana.
“Eu tenho que ir até o quarto. Minhas coisas ainda estão bagunçadas”, diz Chloe.
As três se despedem e Chloe deixa o local. Ela segue pelos corredores, eventualmente encontrando alguns outros jovens e para diante de uma porta.
Chloe abre a porta e entra no cômodo. O lugar é um quarto grande com uma grande janela de frente à entrada. Há uma cama espaçosa, forrada com tecidos finos.
Escorado em uma parede está um grande guarda-roupa. Em outra parede está uma escrivaninha com uma estante de livros ao lado. Ao fundo, há uma outra porta, que logo se abre.
Uma elfa alta entra. Sua pele é pálida e seu cabelo é branco como a neve que cai do lado de fora. Veste um traje simples de empregada, uma túnica preta de mangas longas, sobre a qual repousa um avental branco, cuidadosamente amarrado à frente.
“Senhorita, já arrumei tudo”, diz ela, com uma voz suave e elegante.
“Obrigado, Amila”, diz Chloe.
Ela fecha a porta, vai até a cama e se joga sobre o colchão.
A elfa se dirige às cortinas e começa a fechá-las. “Como foi a sua volta?”, pergunta ela. “Confirmou o que queria?”
A garota afunda o rosto no colchão. “Tem várias pessoas falando que é verdade…”, diz ela, com a voz abafada e frustrada. “A Samantha vai chegar com um familiar. E é uma fada mesmo.”
“Oh. Que incomum, uma fadinha. Deve ter sido bem difícil”, comenta Amila.
Chloe pega uma das almofadas na cama e cobre a própria cabeça. “Todos estão falando disso”, ela admite, envergonhada. “Meu pai devia ter deixado eu conseguir um contrato em casa.”
“Difícil. Ele ainda está bravo com o último incidente”, pontua a elfa.
“Foi só uma bola de fogo”, diz a garota.
Amila vai até a escrivaninha. “Enfim, a sua encomenda especial chegou hoje”, diz ela.
Subitamente, Chloe joga a almofada para longe e se levanta. “É sério?”, ela pergunta, com um sorriso crescendo no rosto.
“Sim”, responde a elfa.
Ela abre a gaveta e pega uma pequena caixa rosa adornada que cabe na palma de sua mão.
A garota hesita por um momento. “Está… aí dentro?”
Amila abre a tampa. Lá dentro está um colar simples, cujo pingente é uma moeda de ouro, presa ao colar por um elo metálico encaixado em seu contorno.
“É um demônio”, afirma a elfa. “Exatamente como você pediu. Tem um pouco da mana dele presa à essa moeda.”
A moeda reluz nas pupilas da garota, que não desvia o olhar. “É perfeito! Esse vai ser o meu familiar”, afirma ela. “Já podemos invocá-lo?”
A elfa fecha a caixa. “Ainda não”, responde ela, guardando-a na gaveta. “Aparentemente, esse é um diabo maior. Só para invocá-lo, vamos precisar de uma grande quantidade de mana acumulada e um círculo de invocação especial para a nossa segurança. Ainda precisamos de tempo.”
Chloe cruza os braços. “Pelo preço que eu paguei, é o mínimo que eu esperava”, diz ela.
“A senhorita ainda tem duas semanas antes de começarem as aulas. E eu devo conseguir o que preciso em cerca de dez dias.”
“É muita coisa?”, Chloe pergunta.
“Vamos precisar de algumas poções de mana e cristais de aumento de poder mágico”, Amila responde. “Também vou precisar reservar alguma outra sala na academia. Não podemos fazer o ritual aqui.”
“Por que não?”
“No terceiro ano do seu pai, ele comprou poções de quinto ciclo para praticar magia fora das aulas. O quarto dele ficou fedorento durante todo o semestre. Praticamente inutilizável”, conta a elfa.
“Então, tudo bem. Faça como achar melhor”, diz Chloe.
Só dez dias… e eu vou ter um familiar que vai fazer todos prestarem atenção em mim, pensa a garota.

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