Nota: peço desculpas pelo atraso. Eu coloquei o horário errado 😅
Divirtam-se.
Obs: sim, foi o que você viu. Referência à JoJo 🙃
Capítulo 155 - Clã Zeimah vs Time Demifaiku (Parte 9): Investigação e Intervenção
— “Argh… que dor é essa?! É como se eu tivesse recebido golpes de dentro pra fora!”
Heikou Den ainda se estrebuchava no solo do lei tai, com as fortes dores dominando-o.
Ana Andirá havia levantado o braço, um aceno à junta médica que estava na lateral da plataforma.
Porém…
— Honorável Heikou Den, o que está fazendo?
Era Lopon Gen, líder do Clã Zeimah. Sua voz estridente chegou até seu colega.
O felino monge recebeu a mensagem: abriu os olhos, observando Detroit sorrindo no outro canto.
— “Aquela esquilo… está rindo?!”
Ele concentrou sua força física, controlando o próprio corpo e brios. A dor estava estampada em seu rosto, mas se levantou mesmo assim, para animação contagiante das arquibancadas da Arena Shang Mu.
Ana falou:
— Heikou, você está bem?
— Olhe para mim. Pareço machucado?
— Você tem certeza?
Ele ficou em silêncio.
Fechou os dois punhos e puxou o ar, o soltando de uma só vez em seguida.
O acenar positivo da cabeça do seu líder foi melhor que palavras.
— Muito bem. Que a batalha reinicie! — gritou a morcega.
Com ambos frente a frente, Detroit disse:
— Olha lá, e não é que você se levantou… Mas você tá bem mesmo, hein?
A voz jovial dela foi contida.
— Cale-se.
Ela fez uma careta, e recuou centímetros para trás com o dorso, como se tivesse sido atingida.
— “Esse aí tá bravo pelo jeito…”
Não ficou restrito a isso.
— Aquele golpe esquisito foi poderoso. Você deveria ter usado ainda mais força.
— Como é?! — os olhos arregalaram. — “Qual é a desse cara?! Se eu usasse um pouco mais, ele na certa estaria—”
— Acha mesmo que eu iria me render? Eu vou lutar até tirar esse sorriso do seu rosto.
— Legal, bonitão… — bateu as luvas. — Me mostra. Eu duvido!
Mas, por dentro:
— “Para com isso, cara!” — pensava a esquilo. — “Você vai sair machucado pra caramba se vier com tudo!”
Detroit ficou parada, como sempre esteve desde o início do combate.
Já Heikou, ele passou a caminhar lateralmente, sempre mantendo o foco na esquilo.

Ela, porém, cessou o sorriso ao vê-lo se movimentar.
— “Ih, o que esse cara tá pensando? Cê vai quebrar a cara…”
O felino ficou assim enquanto pensava:
— “Ela me atingiu exatamente dessa distância. Eu não tenho ideia de como fui atingido, mas tem que haver um limite. Ela só condensa Nirvana? Ou amplia o Chi?”
Heikou estava atento, muito mais do que antes. Cada passo agora tinha uma importância ímpar, de quem estranhava o desconhecido.
Embora focado, ele recebeu um solavanco por trás, o empurrando para frente com força.
— Mas o qu—
No outro canto…
— Suppah-punchah!
Detroit executou um soco no ar, mas sem ruídos tampouco propagação de Nirvana. Tudo isso fez a arena se calar — o silêncio momentâneo colapsou — só terminando ao verem o rosto de Heikou virar após um violento soco o atingir. A força foi tanta que deformou o local atingido.
A inércia do golpe foi tanta que o arrastou, mesmo com os pés no chão, por três metros para trás.
Todos da Arena Shang Mu estavam atônitos, com os burburinhos tomando os holofotes.
“Senhores, o que está acontecendo?”
“Mais uma vez isso?! Por que essa situação?”
“Já estou ficando com medo disso daí!’
Como reflexo, o lei tai se escondeu por trás do mistério que tomou todo o espaço.
E tudo isso ficou ainda mais sórdido: um pingo de sangue tocou o chão. Tímido, mas houve.
Do nariz de Heikou.
— Médico! — gritou Ana Andirá.
Mas…
— Não.
O felino falou, com a voz baixa. Ele estava com uma das mãos sobre o nariz.
— Isso não é nada. Só foi um vaso.
— Você sangrou. Pelas regras do Tormenta, eu devo prezar pela—
— Juíza, eu respeito as regras. Mas, se insistir, esse “prezar” seu vai ferir meu orgulho.
A morcega até esboçou um gesto de réplica, mas postergou.
— Heikou Den, você está certo disso?
Ele a encarou, tão terrível quanto olhava para a esquilo.
— Está bem. Pode continuar.
À sua frente, lá estava Detroit.
O sorriso voltou.
— E aí? Já tá melhor? Tá tudo bem?
— Preocupe-se com você! — ele voltou a ficar em base de luta.
— Você tem garra. Gostei — confiante, ela também pensava. — “Gostei nada! Eu quase arranquei a cabeça dele e o cara tá em pé?!”
No local onde o Time Demifaiku estava, uma conversa acontecia — cochichos, como se fizessem esforço para esconder algo.
— A Detroit está se segurando, mas ela percebeu que ele aguenta — disse Nevada, com olhar sério.
— Isso não é bom. Ela vai ter que avançar. — decretou Ohio.
À frente, perto do lei tai, Ametista Superior só observava atenta ao embate.
— “Cassadaga… seja lá o que você estiver pensando, pensa bem antes de aumentar a aposta.”
Gil Son ficou surpreso com o semblante fechado da felina.
— “Estou começando a acreditar que essa guria já sabe de algo que eu não sei. Foi com a Ohio, agora com a Detroit… Eu sou o ‘veterano calouro’ dessa turma, então…”
Contudo, algo fez com que o carrancudo javali arregalar os olhos — não só ele, mas também Ametista.
Heikou os observava de longe. E não foi breve.
Foi deveras acintoso.
— “Eles sabem.”
Um livro aberto, mas cheio de folhas em branco. Mas, aos poucos, a caligrafia do felino monge preenchia as linhas.
— “Meu dorso ainda dói. O meu nariz está dormente… Por quê? Eu não recebi golpes, mas senti o impacto como se fosse um.”
No espaço onde o Clã Zeimah estava, o assunto era um pouco diferente.
Aliás, o ceticismo corria solto.
— Honorável Lopon Gen, me desculpe por isso, mas… Por que escolheu justamente o rebaixado para lutar?
Lito deixou claro sua dúvida.
Entretanto…
— Acredite no Heikou. Ele sabe o que está fazendo… — comentava Xin Zo, o felino de olhos amarelos.
— Você está mesmo falando sério? O rebaixado está apanhando de uma selvagem sem tradição nenhuma!
— Eu acredito nele.
Enquanto o grupo discutia, Lopon Gen estava concentrado com o que acontecia no lei tai.
Calado. Quieto. Imóvel.
Mas nunca prostrado.
Ele viu Heikou manter a base, assim como sempre demonstrou.
Detroit, de braços fechados, falou:
— Vai vir, ou eu vou dessa vez? Decida-se.
Foi um convite.
E ele foi primeiro.
Sua corrida foi ligeira, os rastros dos passos tocavam o solo e fazia subir a poeira. Detroit acompanhava com o olhar sua aproximação, esboçando seriedade no olhar, mesmo com o sorriso mantido.
Heikou não se limitou a uma corrida desenfreada: ele aflorou seu Nirvana de cor marsala.
— O que?! — se surpreendeu Detroit. — Cê consegue fazer isso em movimento?!
A poucos metros, o avançar destemido do monge trouxe um frescor às expectativas de todo o público, que o viu levar seu punho até sua cintura, dizendo:
— Técnica do Imperador: Punho do Monte Zeimah!
Uma gama de energia surgiu de seu punho, atingindo Detroit. Tinha calor e uma textura uniforme, como se uma avalanche golpeasse vítimas durante uma escalada. Ela foi jogada para trás, sendo arrastada.
Entretanto, a esquilo não desfez sua postura defensiva — braços cruzados — e, embora deslocada de seu lugar inicial, era como se uma barreira estivesse entre ela e o movimento de Heikou Den.
— Impossível! — falou o monge, boquiaberto.
Ao fim, e a alguns centímetros da borda do lei tai, Detroit ficou do mesmo jeito… e também seu sorriso.
— Ah, sério que é só isso? — debochava. — “É, ele é forte sim.”
Com os olhos trêmulos, Heikou não deixou de ser analítico, mesmo surpreso.
— “Ela defendeu o Punho do Monte Zeimah… sem usar as mãos!” — mesmo surpreso, o olhar crítico manteve sua razão. — “Não foi um truque. E eu já desconfio o que pode estar acontecendo.”
A encarada debochada de Detroit ainda estava lá, como se ela estivesse demonstrando controle da luta — e estava, a seu jeito.
O ataque não trouxe avanços de vitória a Heikou. Todavia, o caminho que trilhava era de:
Construção.
Exposição.
Investigação.
— Será que pode me ouvir, honorável Lopon Gen? — na lateral do lei tai, Beji interrogou.
O veterano, mantendo o olhar para o colega no lei tai, disse:
— Heikou Den… é o mais disciplinado de todos vocês. Nem mesmo eu tenho sua paciência em tentar extrair informações.
— E o que isso tem a ver com esse combate? Essa anormal contra quem ele está lutando está controlando todo o embate! Será que não está vendo isso?
Ele se virou, fitou a todos.
Veio cortante.
— Estou vendo o mesmo que vocês, mas… o que Heikou está vendo? Ou o que ele está prestes a ver?
Todos os monges do Clã Zeimah ficaram calados, impactados com a incerteza de vitória.
Já Lopon, ele tinha outro entendimento.
— Ele já percebeu com quem está lidando. Isso já é evidente.
— O que? — perguntou Lito. — Os Demifaiku são selvagens insistentes. É o que eu vejo.
— Não… — se voltou ao lei tai. — Estamos diante de uma situação extrema.
Todos se calaram ao mesmo tempo.
O silêncio marcou o temor de Lopon.
— Os mil anos de artes marciais nunca estiveram tão em perigo como agora.
Os monges suspiraram, alguns até deram um passo para frente, tomados pela apreensão.
Lopon continuou.
E Heikou Den… Vocês olham para os seus punhos. Tolos… — a provocação foi crítica. — Eu olho para a sua mente, nas certas capacidades que ele tem.
Beji Sol franziu sua testa, falando alto:
— Ele é um rebaixado sem talento! Se Heikou Den tem a alcunha de monge é por ter se submetido ao Posto Baixo do Monastério Zeimah!
A voz estridente do veterano selou o assunto:
— Ser um sineiro… não deveria ser uma desonra.
Voltando ao lei tai, os espectadores viam os dois combatentes se encarando.
Heikou estava atento, em base de luta após o ataque frustrado.
Detroit o aguardava, segurança estampada em seu rosto.
— “Ele tá pensando mais e isso tá estranho…”
Ela olhou para Amy. A troca veio com seriedade por parte da líder — nenhum sinal de preocupação.
— “Não tô gostando disso. O Psycho-Uppah é bem forte e ele aguentou. Mesmo que o bonitão tenha sentido dor, tá de pé pra mais. Depois veio o Suppah-punchah e nada dele cair…”
Mesmo na vantagem, um suor escorreu por seu rosto.
Para todos, algo natural.
Mas não para um artista marcial.
— “Suor sem esforço físico. Ele correu pelo lado direito, se juntando na ponta do pêlo dela… Isso é… reação somática!”
No mundo marcial, a teoria era tão volátil que, após mil anos, o ganho intelectual deixou de ser em letras e sim nos punhos.
A folha, durante anos, foi a única fonte de informação em Avalice. Muitos escritores mantinham o conhecimento gravado em celuloses, em prol de disseminação de conhecimento.
O Clã Zeimah, assim como os demais — inclusive o Monastério Omna — tinham a força como prova máxima desse conhecimento marcial.
Porém, existem pessoas como Heikou Den.
— “Tenho uma teoria…”
Pensamento.
Processamento.
Hipótese.
Ação.
— “Agora…” — pensava ainda mais. — “Eu tenho que tentar!”
Era a hora.
— Vou tirar esse sorriso do seu rosto, é uma promessa!
Detroit gargalhou.
— Haha! Vai então… Tenta me calar! — ela desdenhou, mas… — “Okay. Tá na cara que ele pensou em algo.”
Mantendo só uma das mãos para frente, abriu o punho: a palma, característica de luta do Clã Zeimah, foi mostrada.
Na lateral do lei tai, Ametista Superior apertou o punho esquerdo. A força foi maior que antes.
— “Cuidado, Detroit… Eu sei que você já percebeu que ele mudou. Mas contenha-se.”
Com o cotovelo do braço esquerdo, ele atingiu com força o sino atrás das suas costas.
Um timbre ecoou, se propagando em um raio de três metros. O som até incomodou Ana Andirá, que observava atenta ao embate.
— “Ah… esse ruído é muito pesado…”
A morcega aflorou seu Nirvana aquamarine, o que chamou a atenção de todos da Arena Shang Mu.
Nesse momento, alguém gritou:
— DETROIT, ATAQUE!
A voz veio de Ametista Superior, com suas palavras chegando como um chamado bem dentro dos tímpanos da esquilo.
— “Amy, mas… eu… ele…” — relutava, pensando. — “Eu…sinto muito.”
Sem pensar, ela descruzou os braços, o que fez Heikou ficar impressionado — a boca abriu, o franzir da testa entregou a surpresa.
Um ruído abafado e efervescente foi ouvido.
Um estranho cheiro de vácuo tomou o lugar por inteiro, assim como uma textura encorpada, quase como…
Ondas psíquicas — deixava o local sensível latejando.
— Hã?! Mas… isso aí… — o felino monge não conseguia raciocinar.
A postura de Detroit mudou tanto que suas roupas mudaram de cor: as luvas ficaram brancas, assim como seu collant.
Os cabelos esvoaçavam com a concentração, ascendente. E as mãos agora tomaram base de luta.

Sem anúncios, ela deu um passo para frente… desaparecendo.
Longe dali, na Zona Nobre, alguém reagiu a isso.
— Ela também sabe fazer o que eu sei fazer, hihi. — A princesa Amu Amu riu, com a mãozinha na frente do rosto sorridente.

A validação antecedeu a demonstração: logo abaixo da linha de visão de Heikou, dali surgiu Detroit, que anunciou:
— Estilo Demifaiku: Dança Cassadaga!
Cinco ganchos coordenados — direita e esquerda — no dorso. A velocidade foi tanta que o tempo parecia em câmera lenta.
O ar do monge foi retirado à força, o fazendo quase desmaiar.
Três cruzados intercalados bem no rosto de Heikou. O cérebro chacoalhou, trazendo tontura.
Enquanto seu corpo cambaleava — e o espaço tempo era ignorado — o último golpe foi desferido por Detroit: dois overhands — um com a mão esquerda e outro com a direita — ordenados, formando uma cruz em formato de xis, atingiram Heikou de cima para baixo, ressoando por todo seu corpo.
Um ruído agudo e esvoaçante foi ouvido, trazendo silêncio em toda a arena.
O Clã Zeimah estava impactado — boquiabertos.
O Time Demifaiku confiante — Nevada com o punho levantado, assim como Ohio e Gil Son.
E Ametista abaixando o rosto para o chão do lei tai.
E essa foi a mesma direção que o corpo do felino tombava lentamente.
— “Então é assim…”
Os olhos se tornaram turvos.
— “Ela escondeu esse golpe…”
Tudo ficava escuro.
— “Estava o tempo todo… só esperando…”
Ele havia alcançado o chão.
— “Ela queria me derrotar… me humilhando…?”
Assim que atingiu o solo do lei tai, toda a arena explodiu com gritos histéricos da plateia entusiasmada.
Caído ali, o pouco que ainda tinha de consciência fez com que Heikou visse o seu sino.
Ele flutuava, fiel ao portador.
Foi nesse instante que o singelo tintilar fez com que o monge voltasse no tempo.
Ele estava no mesmo lugar.
No chão.
E sua situação era a mesma.
— “Eu fui… derrotado…?”

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