Índice de Capítulo

    Nota: peço desculpas pelo atraso. Eu coloquei o horário errado 😅

    Divirtam-se.

    Obs: sim, foi o que você viu. Referência à JoJo 🙃

    — “Argh… que dor é essa?! É como se eu tivesse recebido golpes de dentro pra fora!”

    Heikou Den ainda se estrebuchava no solo do lei tai, com as fortes dores dominando-o.

    Ana Andirá havia levantado o braço, um aceno à junta médica que estava na lateral da plataforma.

    Porém…

    — Honorável Heikou Den, o que está fazendo?

    Era Lopon Gen, líder do Clã Zeimah. Sua voz estridente chegou até seu colega.

    O felino monge recebeu a mensagem: abriu os olhos, observando Detroit sorrindo no outro canto.

    — “Aquela esquilo… está rindo?!”

    Ele concentrou sua força física, controlando o próprio corpo e brios. A dor estava estampada em seu rosto, mas se levantou mesmo assim, para animação contagiante das arquibancadas da Arena Shang Mu.

    Ana falou:

    — Heikou, você está bem?

    — Olhe para mim. Pareço machucado?

    — Você tem certeza?

    Ele ficou em silêncio.

    Fechou os dois punhos e puxou o ar, o soltando de uma só vez em seguida.

    O acenar positivo da cabeça do seu líder foi melhor que palavras.

    — Muito bem. Que a batalha reinicie! — gritou a morcega.

    Com ambos frente a frente, Detroit disse:

    — Olha lá, e não é que você se levantou… Mas você tá bem mesmo, hein?

    A voz jovial dela foi contida.

    — Cale-se.

    Ela fez uma careta, e recuou centímetros para trás com o dorso, como se tivesse sido atingida.

    — “Esse aí tá bravo pelo jeito…”

    Não ficou restrito a isso.

    — Aquele golpe esquisito foi poderoso. Você deveria ter usado ainda mais força.

    — Como é?! — os olhos arregalaram. — “Qual é a desse cara?! Se eu usasse um pouco mais, ele na certa estaria—”

    — Acha mesmo que eu iria me render? Eu vou lutar até tirar esse sorriso do seu rosto.

    — Legal, bonitão… — bateu as luvas. — Me mostra. Eu duvido!

    Mas, por dentro:

    — “Para com isso, cara!” — pensava a esquilo. — “Você vai sair machucado pra caramba se vier com tudo!”

    Detroit ficou parada, como sempre esteve desde o início do combate.

    Já Heikou, ele passou a caminhar lateralmente, sempre mantendo o foco na esquilo.

    Ela, porém, cessou o sorriso ao vê-lo se movimentar.

    — “Ih, o que esse cara tá pensando? Cê vai quebrar a cara…”

    O felino ficou assim enquanto pensava:

    — “Ela me atingiu exatamente dessa distância. Eu não tenho ideia de como fui atingido, mas tem que haver um limite. Ela só condensa Nirvana? Ou amplia o Chi?”

    Heikou estava atento, muito mais do que antes. Cada passo agora tinha uma importância ímpar, de quem estranhava o desconhecido.

    Embora focado, ele recebeu um solavanco por trás, o empurrando para frente com força.

    — Mas o qu—

    No outro canto…

    — Suppah-punchah!

    Detroit executou um soco no ar, mas sem ruídos tampouco propagação de Nirvana. Tudo isso fez a arena se calar — o silêncio momentâneo colapsou — só terminando ao verem o rosto de Heikou virar após um violento soco o atingir. A força foi tanta que deformou o local atingido.

    A inércia do golpe foi tanta que o arrastou, mesmo com os pés no chão, por três metros para trás.

    Todos da Arena Shang Mu estavam atônitos, com os burburinhos tomando os holofotes.

    Senhores, o que está acontecendo?”

    “Mais uma vez isso?! Por que essa situação?”

    “Já estou ficando com medo disso daí!’

    Como reflexo, o lei tai se escondeu por trás do mistério que tomou todo o espaço.

    E tudo isso ficou ainda mais sórdido: um pingo de sangue tocou o chão. Tímido, mas houve.

    Do nariz de Heikou.

    — Médico! — gritou Ana Andirá.

    Mas…

    — Não.

    O felino falou, com a voz baixa. Ele estava com uma das mãos sobre o nariz.

    — Isso não é nada. Só foi um vaso.

    — Você sangrou. Pelas regras do Tormenta, eu devo prezar pela—

    — Juíza, eu respeito as regras. Mas, se insistir, esse “prezar” seu vai ferir meu orgulho.

    A morcega até esboçou um gesto de réplica, mas postergou.

    — Heikou Den, você está certo disso?

    Ele a encarou, tão terrível quanto olhava para a esquilo.

    — Está bem. Pode continuar.

    À sua frente, lá estava Detroit.

    O sorriso voltou.

    — E aí? Já tá melhor? Tá tudo bem?

    — Preocupe-se com você! — ele voltou a ficar em base de luta.

    — Você tem garra. Gostei — confiante, ela também pensava. — “Gostei nada! Eu quase arranquei a cabeça dele e o cara tá em pé?!”

    No local onde o Time Demifaiku estava, uma conversa acontecia — cochichos, como se fizessem esforço para esconder algo.

    — A Detroit está se segurando, mas ela percebeu que ele aguenta — disse Nevada, com olhar sério.

    — Isso não é bom. Ela vai ter que avançar. — decretou Ohio.

    À frente, perto do lei tai, Ametista Superior só observava atenta ao embate.

    — “Cassadaga… seja lá o que você estiver pensando, pensa bem antes de aumentar a aposta.”

    Gil Son ficou surpreso com o semblante fechado da felina.

    — “Estou começando a acreditar que essa guria já sabe de algo que eu não sei. Foi com a Ohio, agora com a Detroit… Eu sou o ‘veterano calouro’ dessa turma, então…”

    Contudo, algo fez com que o carrancudo javali arregalar os olhos — não só ele, mas também Ametista.

    Heikou os observava de longe. E não foi breve.

    Foi deveras acintoso.

    — “Eles sabem.”

    Um livro aberto, mas cheio de folhas em branco. Mas, aos poucos, a caligrafia do felino monge preenchia as linhas.

    — “Meu dorso ainda dói. O meu nariz está dormente… Por quê? Eu não recebi golpes, mas senti o impacto como se fosse um.”

    No espaço onde o Clã Zeimah estava, o assunto era um pouco diferente.

    Aliás, o ceticismo corria solto.

    — Honorável Lopon Gen, me desculpe por isso, mas… Por que escolheu justamente o rebaixado para lutar?

    Lito deixou claro sua dúvida.

    Entretanto…

    — Acredite no Heikou. Ele sabe o que está fazendo… — comentava Xin Zo, o felino de olhos amarelos.

    — Você está mesmo falando sério? O rebaixado está apanhando de uma selvagem sem tradição nenhuma!

    — Eu acredito nele.

    Enquanto o grupo discutia, Lopon Gen estava concentrado com o que acontecia no lei tai.

    Calado. Quieto. Imóvel.

    Mas nunca prostrado.

    Ele viu Heikou manter a base, assim como sempre demonstrou.

    Detroit, de braços fechados, falou:

    — Vai vir, ou eu vou dessa vez? Decida-se.

    Foi um convite.

    E ele foi primeiro.

    Sua corrida foi ligeira, os rastros dos passos tocavam o solo e fazia subir a poeira. Detroit acompanhava com o olhar sua aproximação, esboçando seriedade no olhar, mesmo com o sorriso mantido.

    Heikou não se limitou a uma corrida desenfreada: ele aflorou seu Nirvana de cor marsala.

    — O que?! — se surpreendeu Detroit. — Cê consegue fazer isso em movimento?!

    A poucos metros, o avançar destemido do monge trouxe um frescor às expectativas de todo o público, que o viu levar seu punho até sua cintura, dizendo:

    — Técnica do Imperador: Punho do Monte Zeimah!

    Uma gama de energia surgiu de seu punho, atingindo Detroit. Tinha calor e uma textura uniforme, como se uma avalanche golpeasse vítimas durante uma escalada. Ela foi jogada para trás, sendo arrastada.

    Entretanto, a esquilo não desfez sua postura defensiva — braços cruzados — e, embora deslocada de seu lugar inicial, era como se uma barreira estivesse entre ela e o movimento de Heikou Den.

    — Impossível! — falou o monge, boquiaberto.

    Ao fim, e a alguns centímetros da borda do lei tai, Detroit ficou do mesmo jeito… e também seu sorriso.

    — Ah, sério que é só isso? — debochava. — “É, ele é forte sim.”

    Com os olhos trêmulos, Heikou não deixou de ser analítico, mesmo surpreso.

    — “Ela defendeu o Punho do Monte Zeimah… sem usar as mãos!” — mesmo surpreso, o olhar crítico manteve sua razão. — “Não foi um truque. E eu já desconfio o que pode estar acontecendo.”

    A encarada debochada de Detroit ainda estava lá, como se ela estivesse demonstrando controle da luta — e estava, a seu jeito.

    O ataque não trouxe avanços de vitória a Heikou. Todavia, o caminho que trilhava era de:

    Construção.

    Exposição.

    Investigação.

    — Será que pode me ouvir, honorável Lopon Gen? — na lateral do lei tai, Beji interrogou.

    O veterano, mantendo o olhar para o colega no lei tai, disse:

    — Heikou Den… é o mais disciplinado de todos vocês. Nem mesmo eu tenho sua paciência em tentar extrair informações.

    — E o que isso tem a ver com esse combate? Essa anormal contra quem ele está lutando está controlando todo o embate! Será que não está vendo isso?

    Ele se virou, fitou a todos.

    Veio cortante.

    — Estou vendo o mesmo que vocês, mas… o que Heikou está vendo? Ou o que ele está prestes a ver?

    Todos os monges do Clã Zeimah ficaram calados, impactados com a incerteza de vitória.

    Já Lopon, ele tinha outro entendimento.

    — Ele já percebeu com quem está lidando. Isso já é evidente.

    — O que? — perguntou Lito. — Os Demifaiku são selvagens insistentes. É o que eu vejo.

    — Não… — se voltou ao lei tai. — Estamos diante de uma situação extrema.

    Todos se calaram ao mesmo tempo.

    O silêncio marcou o temor de Lopon.

    — Os mil anos de artes marciais nunca estiveram tão em perigo como agora.

    Os monges suspiraram, alguns até deram um passo para frente, tomados pela apreensão.

    Lopon continuou.

    E Heikou Den… Vocês olham para os seus punhos. Tolos… — a provocação foi crítica. — Eu olho para a sua mente, nas certas capacidades que ele tem.

    Beji Sol franziu sua testa, falando alto:

    — Ele é um rebaixado sem talento! Se Heikou Den tem a alcunha de monge é por ter se submetido ao Posto Baixo do Monastério Zeimah!

    A voz estridente do veterano selou o assunto:

    — Ser um sineiro… não deveria ser uma desonra.

    Voltando ao lei tai, os espectadores viam os dois combatentes se encarando.

    Heikou estava atento, em base de luta após o ataque frustrado.

    Detroit o aguardava, segurança estampada em seu rosto.

    — “Ele tá pensando mais e isso tá estranho…”

    Ela olhou para Amy. A troca veio com seriedade por parte da líder — nenhum sinal de preocupação.

    — “Não tô gostando disso. O Psycho-Uppah é bem forte e ele aguentou. Mesmo que o bonitão tenha sentido dor, tá de pé pra mais. Depois veio o Suppah-punchah e nada dele cair…”

    Mesmo na vantagem, um suor escorreu por seu rosto.

    Para todos, algo natural.

    Mas não para um artista marcial.

    — “Suor sem esforço físico. Ele correu pelo lado direito, se juntando na ponta do pêlo dela… Isso é… reação somática!”

    No mundo marcial, a teoria era tão volátil que, após mil anos, o ganho intelectual deixou de ser em letras e sim nos punhos.

    A folha, durante anos, foi a única fonte de informação em Avalice. Muitos escritores mantinham o conhecimento gravado em celuloses, em prol de disseminação de conhecimento.

    O Clã Zeimah, assim como os demais — inclusive o Monastério Omna — tinham a força como prova máxima desse conhecimento marcial.

    Porém, existem pessoas como Heikou Den.

    — “Tenho uma teoria…”

    Pensamento.

    Processamento.

    Hipótese.

    Ação.

    — “Agora…” — pensava ainda mais. — “Eu tenho que tentar!”

    Era a hora.

    — Vou tirar esse sorriso do seu rosto, é uma promessa!

    Detroit gargalhou.

    — Haha! Vai então… Tenta me calar! — ela desdenhou, mas… — “Okay. Tá na cara que ele pensou em algo.”

    Mantendo só uma das mãos para frente, abriu o punho: a palma, característica de luta do Clã Zeimah, foi mostrada.

    Na lateral do lei tai, Ametista Superior apertou o punho esquerdo. A força foi maior que antes.

    — “Cuidado, Detroit… Eu sei que você já percebeu que ele mudou. Mas contenha-se.”

    Com o cotovelo do braço esquerdo, ele atingiu com força o sino atrás das suas costas.

    Um timbre ecoou, se propagando em um raio de três metros. O som até incomodou Ana Andirá, que observava atenta ao embate.

    — “Ah… esse ruído é muito pesado…”

    A morcega aflorou seu Nirvana aquamarine, o que chamou a atenção de todos da Arena Shang Mu.

    Nesse momento, alguém gritou:

    — DETROIT, ATAQUE!

    A voz veio de Ametista Superior, com suas palavras chegando como um chamado bem dentro dos tímpanos da esquilo.

    — “Amy, mas… eu… ele…” — relutava, pensando. — “Eu…sinto muito.”

    Sem pensar, ela descruzou os braços, o que fez Heikou ficar impressionado — a boca abriu, o franzir da testa entregou a surpresa.

    Um ruído abafado e efervescente foi ouvido.

    Um estranho cheiro de vácuo tomou o lugar por inteiro, assim como uma textura encorpada, quase como…

    Ondas psíquicas — deixava o local sensível latejando.

    — Hã?! Mas… isso aí… — o felino monge não conseguia raciocinar.

    A postura de Detroit mudou tanto que suas roupas mudaram de cor: as luvas ficaram brancas, assim como seu collant.

    Os cabelos esvoaçavam com a concentração, ascendente. E as mãos agora tomaram base de luta.

    Sem anúncios, ela deu um passo para frente… desaparecendo.

    Longe dali, na Zona Nobre, alguém reagiu a isso.

    — Ela também sabe fazer o que eu sei fazer, hihi. — A princesa Amu Amu riu, com a mãozinha na frente do rosto sorridente.

    A validação antecedeu a demonstração: logo abaixo da linha de visão de Heikou, dali surgiu Detroit, que anunciou:

    — Estilo Demifaiku: Dança Cassadaga!

    Cinco ganchos coordenados — direita e esquerda — no dorso. A velocidade foi tanta que o tempo parecia em câmera lenta.

    O ar do monge foi retirado à força, o fazendo quase desmaiar.

    Três cruzados intercalados bem no rosto de Heikou. O cérebro chacoalhou, trazendo tontura.

    Enquanto seu corpo cambaleava — e o espaço tempo era ignorado — o último golpe foi desferido por Detroit: dois overhands — um com a mão esquerda e outro com a direita — ordenados, formando uma cruz em formato de xis, atingiram Heikou de cima para baixo, ressoando por todo seu corpo.

    Um ruído agudo e esvoaçante foi ouvido, trazendo silêncio em toda a arena.

    O Clã Zeimah estava impactado — boquiabertos.

    O Time Demifaiku confiante — Nevada com o punho levantado, assim como Ohio e Gil Son.

    E Ametista abaixando o rosto para o chão do lei tai.

    E essa foi a mesma direção que o corpo do felino tombava lentamente.

    — “Então é assim…”

    Os olhos se tornaram turvos.

    — “Ela escondeu esse golpe…”

    Tudo ficava escuro.

    — “Estava o tempo todo… só esperando…”

    Ele havia alcançado o chão.

    — “Ela queria me derrotar… me humilhando…?”

    Assim que atingiu o solo do lei tai, toda a arena explodiu com gritos histéricos da plateia entusiasmada.

    Caído ali, o pouco que ainda tinha de consciência fez com que Heikou visse o seu sino.

    Ele flutuava, fiel ao portador.

    Foi nesse instante que o singelo tintilar fez com que o monge voltasse no tempo.

    Ele estava no mesmo lugar.

    No chão.

    E sua situação era a mesma.

    — “Eu fui… derrotado…?”

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