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    O sinal então soou pela escola, anunciando o fim dos horários das atividades do clube. Mas… junto do som, veio um ainda mais forte.

    O som da chuva batendo contra o vidro do clube se tornava mais forte conforme o tempo passava. 

    — Oh…

    O inverno então tinha começado de verdade.

    — E-eu não trouxe guarda-chuva… e agora!? — Kaori exclamou, em pânico, enquanto tentava achar algo na mochila. — Eu não quero chegar em casa ensopada!

    Mai riu de leve dela, e disse algo que fez a Kaori prestar atenção no mesmo segundo.

    — Tá tudo bem, Kaori. Podemos ir juntas no meu — Mai ofereceu, com aquele sorriso gentil pareceu ter acalmado por completo a Kaori.

    — Mai! — Kaori abraçou ela, enquanto Mai e Takumi riam da situação.

    Se não fosse pelo que tinha ocorrido de manhã, eu também estaria na mesma situação que a Kaori.

    “Ufa…”

    Senti um alívio ao tocar no meu guarda-chuva. Minha mãe, enquanto eu tomava café, tinha dito para eu levar já que as notícias disseram que ia chover forte durante a tarde. 

    — Ainda bem que eu escutei ela… — murmurei para mim mesmo, enquanto começávamos a sair do clube.

    Descemos as escadas, nos dirigindo para a entrada, andando em meio à multidão de gente. 

    Quando eu e Rintarou chegamos nos armários dos sapatos, eu fiquei levemente surpreso. O movimento ali… era intenso. 

    — Eu também não trouxe o meu guarda-chuva…

    — Me empresta o seu, por favor!

    — Atende…

    Vários alunos estavam ali, alguns trocando os sapatos, outros esperando alguém ir buscar eles e vários atravessavam o portão de guarda-chuva aberto.

    — Escuta essa, foi quase! Faltava tão pouco! — Seiji apareceu atrás de nós, com o uniforme úmido, passando o braço ao redor de nossos pescoços. — Eu ia marcar o gol da vitória, mas a chuva começou a cair tão forte que a bola parou antes de entrar! Ah!

    Rintarou tirou o braço dele ao redor, suspirando.

    — Com certeza foi. — Rintarou disse, terminando de guardar suas coisas.

    — Claro que a culpa foi da chuva… — murmurei rindo, enquanto calçava os sapatos.

    Seiji abriu o seu armário, mas depois virou seu olhar pra mim com uma cara séria.

    — Ei! Eu tô vendo esse seu sorriso! — Seiji me chacoalhou. — Acha mesmo que eu iria mentir!?

    — Nós acreditamos, Seiji. — Rintarou interveio. — Eu acredito que seu chute não foi forte o suficiente.

    — …E então decidiu colocar a culpa na chuva — completei.

    Seiji parou de me abanar, e me soltou enquanto eu ria de leve.

    — Que cruel… — Seiji suspirou. Mas logo seu humor mudou, enquanto abria o armário de sapatos novamente. — Não vou mais dar autógrafos pra vocês.

    Ficamos então em silêncio, enquanto Seiji terminava de calçar os sapatos. No entanto, o silêncio era nulo naquele lugar cheio de conversas entre os alunos sobre o clima.

    Quando ele terminou e fechou a porta do armário, começamos a andar até onde todos estavam, abrigados da chuva.

    Claro, o barulho era ainda maior do que quando estávamos nos armários.

    Rintarou pegou seu guarda-chuva, já se preparando para o abrir, e eu fiz o mesmo. Mas, diferente de nós dois, Seiji parecia olhar ao redor, como se estivesse procurando alguém.

    No mesmo instante, ele se inclinou na minha direção, e falou baixo, mas o suficiente para que eu escutasse.

    — Então, Shin… como as coisas tão com a Yuki? — ele colocou a mão na frente da boca, sussurrando.

    Eu travei com a ponta do guarda-chuva na mão.

    “Hã?”

    O que era aquilo do nada?

    Por qual motivo ele queria saber de… como as coisas estavam indo entre mim e ela?

    — Do que você tá falando? — eu falei, levemente mais alto do que ele, mas genuinamente confuso com aquela pergunta repentina.

    Seiji deu aquele sorriso esquisito de sempre, colocando novamente os braços dele no meu ombro.

    — Ah, você sabe muito bem do que eu tô falando… — ele respondeu, colocando ênfase na palavra “muito”. — Vai, me conta agora!

    — E-eu realmente não sei onde você quer chegar — murmurei, desviando o olhar, envergonhado.

    Rintarou suspirou, puxando Seiji pra perto dele.

    — Não se intrometa, Seiji.

    — Hã!? Do que você tá falando, Rin!? — Seiji retrucou, e se virou pra mim. — Eu vi vocês dois na virada! De mãos dadas, sozinhos, juntinhos, longe de todos…!

    Eu travei ainda mais.

    Eu já havia me esquecido que eles… viram nós dois daquele jeito na virada do ano.

    — Então… só para confirmar mesmo — Seiji se aproximou da minha orelha, antes de fazer um joinha pra mim. — …Vocês já tão namorando, né?

    — O quê!? — eu entrei em pânico no momento, falando tão alto que algumas pessoas acabaram olhando na nossa direção. — Claro que não! Não! Só aconteceu de… a gente ficar de mãos dadas… nada mais que isso…

    Na cabeça dele, eu provavelmente tinha tido a coragem para confessar, especialmente depois de passar os últimos minutos do ano de mãos dadas.

    Mas a realidade foi bem diferente.

    “…..”

    Rintarou ergueu uma sobrancelha, enquanto Seiji parecia em genuíno choque, com a boca dele semiaberta.

    — Hã? — Foi a única coisa que conseguiu sair da boca dele.

    Eu apenas olhei brevemente pra ele, antes de encarar o chão, envergonhado comigo mesmo.

    Claro que era mais fácil falar do que fazer.

    Antes que pensamentos negativos começassem a tomar conta da minha mente, senti as mãos de Seiji nos meus ombros. Ele então inspirou lentamente e depois expirou.

    — Você tá falando que desperdiçou o meu plano!? É isso mesmo!? — Ele começou a me abanar novamente com leve raiva, me deixando tonto. — Como assim vocês ainda não namoram!? Você tá brincando comigo, Shin!?

    Hã?

    Plano?

    Do que ele estava falando?

    Ele tinha armado algo pra mim?

    — Ei! — Rintarou puxou, novamente, Seiji pra perto.

    Eu respirei um pouco, recuperando o fôlego.

    Eu baixei a cabeça, apenas escutando o som da chuva do lado de fora cair fortemente. 

    Olhei para os meus sapatos, sem conseguir erguer a cabeça.

    E, antes que eu pudesse segurar as palavras, elas acabaram saindo da minha boca.

    — Mas eu queria… — eu murmurei de voz baixa, mas eles tinham me escutado. — Eu realmente queria. 

    O som da chuva parecia ter aumentado.

    — Eu… simplesmente não consegui… Eu tive medo. Eu só conseguia pensar na rejeição. Então eu preferi não dizer nada naquela noite.

    “Hah… por que eu tô falando isso?”

    Por um momento, eu não escutei mais nada. Seiji e Rintarou pareciam terem ficado em silêncio. 

    Quando eu notei esse peso que causei, eu finalmente ergui a cabeça e endireitei a postura.

    — Mas tá tudo bem agora…! — Tentei passar alguma confiança, com um pequeno sorriso no rosto. — Eu me sinto com um pouco mais de coragem. 

    Olhei para ambos, que ergueram as sobrancelhas.

    E então sorriram.

    — É isso que importa mesmo, Yamamoto — Seiji deu um tapa leve no meu ombro.

    — Pois é. Você não precisa se precipitar — Rintarou colocou sua mão no meu ombro, com um leve sorriso no canto do rosto. — Pode ir no seu tempo.

    Seiji então se espreguiçou, enquanto eu assenti.

    — …Bom, a gente já vai indo então — Seiji caminhou até a frente, onde os outros alunos estavam também. — A gente se vê amanhã!

    “Hã?”

    Do que ele estava falando mais uma vez?

    A gente sempre ia junto pra casa, então por que motivo ele iria na frente com o Rintarou?

    — Do que você tá falando? Me espera aí! — perguntei, confuso, me aproximando deles.

    Mas Seiji nem olhou para trás. Apenas levantou a mão e balançou, enquanto Rintarou abria o guarda-chuva para eles dois.

    “Ele se esqueceu do dele também…?”

    — Comece a olhar mais para o seu redor, Yamamoto! — Ele falou mais alto, já caminhando até o portão junto de outros alunos. — Boa sorte!

    Sorte?

    Olhar para o meu redor?

    — Do que esse cara tá falando…? — murmurei, parado e sem entender nada do que ele quis dizer com aquilo.

    Eu suspirei e peguei meu guarda-chuva. Olhei para ao meu redor, como ele pediu, e a cena… era a mesma.

    Vários alunos ali parados. Outros correndo, já se molhando. Mas a maioria estava ali parada.

    Mas então eu vi ela.

    “Yuki?”

    Ela estava parada perto de um pilar da entrada, apenas… olhando para a chuva. Segurava a mochila, mas eu não vi nenhum guarda-chuva por perto dela.

    “Esperando Kaito?”

    Sem hesitar, eu me aproximei dela.

    — Yuki?

    Ela se virou na minha direção, e, por um segundo, nossos olhos se cruzaram… antes dela desviar rapidamente para o lado de fora. 

    Eu me perguntei se eu tinha feito algo de errado por um instante, mas decidi ignorar.

    — Tá esperando o Kaito? — perguntei, curioso.

    — Ah, Shin! N-na verdade, não… — ela murmurou, com a mesma voz suave de sempre, mas ainda sem me encarar… — Meu celular ficou sem bateria, então não consegui ligar pra ele. Vou só esperar a chuva acalmar um pouquinho.

    “Hm…”

    Eu cheguei a pensar em oferecer o meu celular para ela fazer a ligação para o irmão, mas algo me impediu de fazer isso.

    “Se o espaço entre nós tinha aumentado, eu só teria que me esforçar um pouco mais para diminuí-lo. “

    A pessoa que você estima apenas está esperando uma resposta sua.”

    — Entendi. Então, se você quiser… — eu comecei, sem pensar muito, apenas deixando as palavras saírem da minha boca. — …Eu posso te levar em casa com o meu guarda-chuva.

    Assim que eu disse isso, ela finalmente olhou para mim.

    E, aquela chuva pesada que caía ao nosso redor parecia ter sumido.

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