Capítulo 126: Fim do Plano
Ponto de Vista de Rintarou
Conforme a noite avançava, a multidão continuava crescendo sem parar.
As vozes se misturavam continuamente junto das risadas, passos apressados e vendedores que aproveitavam os últimos momentos para chamar clientes antes da virada do ano.
Eu continuava caminhando com a multidão, desviando-me com cuidado das pessoas e olhando sempre ao redor.
— Com licença… desculpa… — murmurava algumas vezes, praticamente por reflexo.
Já deviam fazer alguns minutos desde que comecei a procura por eles.
Seiji acabou perdendo ambos de vista, o que resultou no grupo todo se separando em busca deles para começar o plano. Mas, conhecendo o lugar e vendo as pessoas, seria difícil achar Yuki e Shin.
Ainda assim, não estava preocupado de todo.
Sentia que, ou acreditava, que tudo estava indo exatamente como deveria entre eles.
— Desculpa…
Eu ainda continuava procurando-os, enquanto sentia o cheiro do incenso e de doces e frituras se misturando em um só no ambiente.
Mas foi alguns passos à frente que finalmente eu os vi.
Não foi tão difícil reconhecer ambos, mesmo no meio de tanta gente caminhando. Aquele cabelo loiro realmente sabia se destacar dos demais.
Consegui me aproximar um pouco, e então os observei.
Shin caminhava, aparentemente tenso, de uma forma que parecia que ele queria se manter firme no meio todos ali. Ao seu lado, Yuki caminhava, quase encostada nele, e com o cachecol cobrindo parcialmente seu rosto.
Realmente parecia que tudo estava indo como deveria estar.
Não pude evitar o pequeno sorriso no meu rosto, mas isso logo desapareceu quando consegui ter uma vista melhor deles.
As mãos deles estavam juntas.
“Oh…”
O sorriso, que tinha sumido lentamente, deu lugar a uma boca semiaberta.
Eu parei por um instante, sentindo um pequeno alívio percorrer meu corpo. Não era bem surpresa, até porque eu já esperava algo parecido, mas ainda assim, ver com os próprios olhos era completamente diferente.
Eles caminhavam próximos, atentos ao seu redor, e de mãos dadas, enquanto riam de algo que diziam.
“Entendo…”
Novamente, um pequeno sorriso, provavelmente quase imperceptível, surgiu no meu rosto.
Então já não era mais necessário o plano.
O plano que Seiji criou, a Operação Contagem Regressiva, já não fazia sentido algum. Todo aquele tempo colocado na lanchonete… quando aqueles dois já haviam encontrado o próprio ritmo.
Bom, talvez fosse sempre assim.
Observei por mais alguns segundos, antes de desviar o olhar. Não havia mais necessidade de estar ali, nem acabar interrompendo o momento. Dei meia-volta, indo contra o fluxo da multidão.
Apenas precisava encontrar o grupo e parar o plano, antes que… acabassem fazendo algo errado.
Enquanto caminhava, junto das pessoas que começavam a caminhar apressadamente, eu diminuí os passos ao notar um rosto familiar alguns metros à minha frente.
— Rintarou!?
Baixei o olhar no mesmo instante.
Kaori vinha na minha direção, acompanhada de duas garotas que eu reconhecia vagamente de outras turmas ao lado da nossa. Ela segurava algo em um espetinho, que deveria ser algo comprado de uma das barracas próximas.
— Feliz Ano Novo adiantado! — ela disse, sorrindo pra mim e erguendo o espetinho dela.
— Feliz Ano Novo — respondi, ajustando os óculos e curvando a cabeça para as duas garotas ao lado dela.
Kaori então, de boca cheia, inclinou levemente a cabeça e observou ao nosso redor.
— Você tá sozinho? — perguntou, enquanto mastigava. — Cadê o Shin? Seiji? O pessoal da sua turma?
“…..”
Hesitei por uma pequena fração de segundo.
De maneira alguma poderia dizer o que eu realmente estava fazendo ali. Justamente por ser ela, Kaori.
— Eu… — comecei, tentando escolher as palavras certas para aquele momento. — Estava procurando uma barraca de polvo frito que Seiji pediu. Mas não acho em lugar algum.
Ela piscou, surpresa, como se eu tivesse dito algo surpreendente.
Eu sabia que era horrível em mentir, mas esperava que dessa vez funcionasse.
— Mas essa barraca fica lá atrás… — Uma das amigas dela apontou para trás. — Se você veio dessa direção, então já passou dela.
“…..”
Talvez deveria ter mencionado outra barraca.
Inclinei levemente a cabeça.
— Erro meu, então — respondi, com a maior naturalidade que conseguia transmitir naquele instante. — Achei que fosse mais para frente.
Kaori ficou em silêncio por um instante, e então soltou uma risada.
— Como assim, Rin!? — ela disse, me dando um tapa nas costas. — Vem, eu te mostro onde fica.
—- Hm? Tem certeza? — indaguei, olhando para ela, e apontei para a multidão. — Você não vai para lá?
Ela deu mais uma mordida no espetinho e deu de ombros.
— Ainda falta bastante tempo pra virada, e eu também fiquei com vontade de comer polvo frito! — disse, rindo.
— Mas falta pouco pra virada, Kaori… — uma das amigas murmurou.
Eu assenti então, e comecei a caminhar de volta. As amigas dela logo se despediram e adiantaram, dizendo que esperariam ela no ponto de encontro.
Kaori parecia tranquila, ria de vez em quando, e comentava algo completamente trivial no momento.
E eu apenas escutava, não havia necessidade de dizer mais nada.
Após algum tempo, finalmente avistei Seiji. Ele estava alguns metros à frente, junto de Akira, Yumi, Mina e Aiko, todos olhando ao redor com expressões bem diferentes. Uns com caras preocupadas, e outros impacientes.
— Oh, achei vocês — comecei, ao me aproximar deles.
Seiji virou para mim imediatamente, com o pânico evidente em cada traço do seu rosto.
— Rin! Finalmente! — Ele passou a mão pelo rosto. — Você achou eles!? Me diz que sim!
Ri de leve.
— Não precisam mais procurar — respondi calmamente. — Tá tudo bem agora.
Kaori inclinou a cabeça, confusa com aquela conversa do grupo.
— Procurar quem!? É um jogo? — perguntou, e logo ficou animada. — Que legal! Também quero jogar!
Eu acabei me enrijecendo, com medo de que algo pudesse escapar.
— Hein? Jogo? — Aiko abriu a boca, confusa, mas depois seu semblante ficou mais animado. — Nada disso, a gente tava procurando…
— A barraca de macarrão frito! — Mina foi mais rápida, colocando a mão sobre a boca dela no mesmo segundo.
— É… a gente não sabia onde tava… — Yumi completou, forçando um sorriso.
Parecia que tinha dado certo, e soltei um pequeno suspiro de alívio.
— Mas a barraca fica logo… na entrada? — Kaori ficou ainda mais confusa.
Houve um pequeno silêncio ali, até Akira intervir rapidamente.
— A gente viu isso depois! Acho que a gente tava distraído, sabe como é, né? — Akira interveio, interrompendo ela.
— …Verdade! Tem tanta comida diferente que você não sabe como escolher qual começar! — ela então respondeu, com a boca cheia.
O grupo parecia ter soltado um suspiro de alívio em conjunto.
Começamos então a caminhar junto da multidão, já que faltavam quase cinco minutos para os fogos. Seguimos em direção ao espaço mais aberto do santuário, onde quase todos se reuniam para ver os fogos.
Enquanto chegávamos ao local, Seiji se aproximou de mim, diminuindo o passo.
— Ei! Rin! — começou, com a voz baixa. — O que aconteceu? Achou eles!?
— Sim… — respondi, sussurrando.
Ele arregalou os olhos, claramente esperando que eu dissesse que tinha feito minha parte do plano e que tudo tinha dado certo.
— E aí!? Fala logo!
— Não precisamos interferir. As coisas já estão andando sozinhas.
Ele me encarou por um segundo, completamente surpreso e tentando processar. Um segundo depois, ele deu uma risada baixa, passando o braço pelo meu ombro.
— Eu sabia! — ele disse, completamente orgulhoso. — Sabia que esse plano iria funcionar!
Não corrigi ele, mas talvez fosse melhor assim.
Seguimos andando. Na minha frente, Kaori ria de algo que Akira dizia, segurando então um pedaço de polvo frito que pegou da barraca na volta. Ela parecia despreocupada, completamente leve.
Eu desviei o olhar por um instante.
E se ela tivesse visto aquela cena no meu lugar?
Shin e Yuki, de mãos dadas, caminhando pela multidão, rindo e sorrindo.
Se Kaori visse tudo aquilo…
Eu apertei levemente os lábios. Talvez realmente fosse bom ela não ter visto.
Pelo menos por enquanto, afinal, ela sabia onde havia se metido.
Ela tinha conhecimento de que Shin sempre gostou da Yuki. E de que não havia espaço no coração dele para ela.
Enquanto os fogos ainda não começavam, e enquanto aquele momento ainda pertencia a eles dois, eu esperava que Kaori pudesse continuar rindo daquele jeito, despreocupada.
Mesmo que fosse por pouco tempo.

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