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    Ele se afastava cada vez mais, enquanto a sua admiradora o observava com um rosto que demonstrava claramente a própria insatisfação. Ela segurou a ponta da saia e apertou com força, e pensou que talvez tivesse ficado ainda mais feia. 

    Ela olhou para o vidro ao lado, que refletia a sua imagem de forma pálida e distorcida pelo ângulo. Seus olhos baixaram lentamente, até que um pensamento lhe atravessou a mente com peso:

    Eu não sou nada bonita.

    Lágrimas acumularam-se em seus olhos, quase a escorrer pelo rosto. Em seguida, ela ouviu a porta bater. Sem hesitar, limpou o rosto de lado, evitando mostrar a expressão, e depois olhou para a pessoa que havia chegado.

    — Idalme… — Sorriu forçadamente. — Cadê os outros?

    — Por quê? — perguntou a peituda, assim que apertou os punhos. — Não é o suficiente?

    — Hum, Idalme?

    — Não vou deixar barato, vou falar com ele! — declarou, decidida.

    Max interveio rapidamente e segurou o ombro dela.

    — Calma — disse ele. — Isso não vai resolver nada.

    — Mas… ele tá magoando a Ui.

    — Magoada? — indagou, ao tentar sorrir. — Eu não estou magoada. Relaxa, eu estou bem…

    — Não estás bem! — gritou Idalme, incomodada com a tentativa da mestiça de disfarçar. — Podes sorrir para disfarçar, mas os teus olhos ainda choram.

    — Eu… não estou chorando… — respondeu, ao limpar rapidamente os olhos.

    A peituda tirou um espelho do seu espaço espacial e colocou diante do rosto da amiga.

    — Veja, os seus olhos não estão sorrindo.

    Ui, ao perceber que não conseguia mais disfarçar, ajoelhou-se no chão de forma desesperada. Ela podia sofrer sozinha, mas não desejava que outras pessoas sentissem pena de sua situação, principalmente aquelas que acreditava se importarem com ela.

    — O que eu faço agora… Idalme? — questionou a mestiça, com os olhos cheios de lágrimas, fitando-a em busca de resposta.

    — Desista do Izumi! — declarou. — Ele não se importa com você, desista dele!

    — Calma, Idalme, também não é assim — disse Max, ao coçar a cabeça.

    A peituda então virou-se para ele e respondeu, irritada:

    — Cala a boca. Você é o irmão dele, claro que vai defender. E você nem deve entender como uma mulher se sente ao ser rejeitada toda hora pelo homem que ama.

    Max, naquele momento, quis dizer alguma coisa, mas hesitou por algum motivo. Enquanto isso, Dam permanecia encostado na parede, a esperar aquele drama terminar.

    — Me desculpe, mas eu prefiro morrer do que desistir dele — afirmou Ui, com a voz trêmula.

    — Por que não? — perguntou, observando-a com seriedade. — Já tinhas desistido uma vez.

    — Não, Idalme — negou a mestiça, e levantou-se devagar. — Aquilo foi um mal-entendido.

    A mestiça limpou os olhos, respirou fundo e então sorriu. Era um sorriso verdadeiro, mas carregado de dor no olhar.

    — Eu amo demais ele, não consigo desistir. Desculpa.

    — Ui… — murmurou Idalme.

    Max aproximou-se dos peitos claramente enormes e afastou-a suavemente para trás, dizendo:

    — Agora é minha vez.

    — O que você está fazendo? — indagou Peitões, confusa.

    — Ui… acho que deves ter notado que algo está acontecendo com o Izumi — disse o líder, ao mudar o tom para algo mais sério.

    — Algo? — repetiu a mestiça.

    — Não notou? Será que fui o único a perceber? — perguntou ele, assim que olhou ao redor como se procurasse confirmação.

    — Eu só sei que ele de repente começou a agir estranho — respondeu Ui.

    — Isso, mas não foi de repente. Tente pensar um pouco… em que ponto ele começou a agir de forma estranha?

    — O momento… talvez depois de sair daquele quartel do destemido — Sugeriu, hesitante.

    — Bem, foi um pouco antes — corrigiu Max.

    — Antes? — questionou a mestiça, pensativa. — Hummm… quando ele ficou cego…

    — Bingo! — afirmou. — Desde aquele momento, ele ficou mais alerta em relação a mim e a você.

    — Isso não faz sentido — negou Idalme, ao aproximar-se novamente. — Como tens certeza de que ele ficou estranho somente com vocês dois?

    Max olhou para ela com um sorriso tranquilo e, num gesto leve, manteve-a próxima enquanto falava:

    — Coisa de irmãos… eu consigo saber quando existe uma barreira entre nós dois. E, naquele momento, eu senti isso. Algo nele despertou, algo que o fez ficar assim.

    — Kiakiakia! — Riu. — Se fosse assim, ele ia estar mais alerta em relação a mim.

    — Ele sempre esteve em relação a você — respondeu. — Isso nunca mudou.

    — Como assim? Isso não faz sentido. Claramente ele não tá pegando no meu pé como inicialmente.

    — Sim… Mas por que você acha que ele não tá pegando no seu pé? — perguntou, assim que a observou com calma.

    — Bem… — disse Idalme, pensativa. — Por que ele está se tornando uma pessoa melhor?

    — É… quase isso, mas tem mais um motivo — corrigiu.

    — Qual? — questionou a mestiça, curiosa.

    Max desviou o olhar por um instante antes de responder:

    — Por mim… e principalmente por você, Ui.

    Naquele momento, o coração dela acelerou. Ela sabia que o mestiço havia mudado bastante desde o momento em que o conheceu, mas, por causa das dores, da depressão e da ansiedade, havia se esquecido desse fato.

    Ela colocou a mão no próprio peito e pensou, com um leve brilho de compreensão no olhar:

    Entendo… como eu havia esquecido disso?

    — Izumi está estranho desde esse dia, mas não foi aí que começou a sua estranheza — continuou o líder.

    — Não? — perguntou, peituda.

    — Não. Isso vem desde o momento em que ele ficou faminto por aura. Acho que a energia negativa e positiva dele está em conflito — explicou, mais sério.

    — Agora que você falou… ele sempre está em busca de mais aura — comentou Ui.

    — Sim, exatamente — confirmou. — O corpo dele deve estar passando por algo, e ele não quer nos dizer nada. Típico do Izumi. Então, Ui… não desista do meu irmão. Ele precisa de você.

    — Sim! — declarou a mestiça, com energia renovada, e saiu a correr imediatamente.

    Ao lado, Idalme lançou um olhar desconfiado. O líder percebeu e perguntou, sem se virar totalmente:

    — O que foi?

    — Nada não, nada não — respondeu ela, ao apressar o passo e desviar o olhar.

    Max observou os dois que permaneceram, e nem eles compreenderam aquela atitude inesperada da mulher.

    A mestiça não demorou a encontrá-lo, avançando lentamente por um corredor, enquanto várias pessoas passavam ao redor.

    — Izumi!!! Eu te amo!!! — gritou Ui, enquanto corria na direção dele.

    Ele rapidamente ficou em alerta, enquanto várias pessoas ao redor começaram a procurar quem era aquele tal que era amado. A mestiça, não satisfeita, gritava que o amava enquanto caminhava em sua direção.

    Ele, naquele momento, sentiu-se apreensivo e envergonhado. As pessoas ao redor não emanavam energia negativa contra ele; era algo mais positivo. Ao perceber que aquele era o amado, essa sensação se intensificou.

    O seu rosto ficou vermelho e, por instinto, ele ativou o Speed Iz, desaparecendo num instante com Ui e surgiu num local afastado, sem pessoas ao redor. 

    Ele a encarou e perguntou em fúria:

    — O que tem de errado com você?!

    A mestiça, naquele momento, abraçou-o com toda a sua força. Tentou se soltar, mas não conseguiu escapar daquele aperto inesperado. A mestiça, sem conseguir conter os sentimentos, declarou com a voz trêmula de emoção:

    — Eu te amo a 100 por cento… não, a…

    Ela levantou o rosto lentamente, e o mestiço a fitou com olhos preocupados, o rosto bastante vermelho pela situação. Ui, ao perceber a reação dele, sorriu suavemente, quase divertida, e completou:

    — 200 por cento, Izumi!

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