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    ​A uma distância considerável do confronto entre Celina e Redgar, o silêncio da
    floresta era estilhaçado por grunhidos abafados e o estalar de galhos secos. O
    grupo liderado por Tály estava encurralado.

    ​— Droga! Onde ela está?! — Um dos homens balbuciou, as pernas tremendo de forma
    incontrolável. — ONDE EST—

    ​A frase foi decepada. Um chicote carnudo serpenteou das sombras, enrolou-se em sua boca com a precisão de uma serpente e o arrancou da vista de todos, tragando-o para
    dentro da folhagem densa. O grito interrompido deixou uma tensão temível no ar.

    ​Tály não desviou o olhar. Seus olhos varreram a penumbra até que o movimento quase
    imperceptível de uma folha a denunciou.

    ​— ALI! — gritou ela, apontando para o flanco esquerdo.

    ​O grupo girou em uníssono. O fôlego de todos falhou quando dois pontos de um amarelo
    hipnótico brilharam entre as sombras. Percebendo que o elemento surpresa fora
    perdido, a Pantera-Chicote emergiu.

    ​Era uma massa de músculos fibrados sob uma pelagem negra, que vibrava a cada rosnado
    gutural. Seus caninos superiores projetavam-se para fora, longos e letais como
    sabres gêmeos cintilantes. Na base da coluna, cinco caudas dançavam no ar com
    vontade própria. Quatro delas terminavam em pontas de açoite, enquanto a
    central ostentava um ferrão recurvado, como a de um escorpião, exalando uma
    promessa de envenenamento mortal.

    ​A vontade de lutar do grupo minguou instantaneamente. A aura de predação da fera
    era tão esmagadora que o ar parecia ter ficado mais pesado.

    ​— Nós… nós vamos morrer… — alguém sussurrou, a voz quebrada pelo desespero.

    ​Uma gota de suor escorreu pela testa de Tály. Ela apertou os punhos, recusando-se a
    ceder ao pânico. No fundo de sua mente, a imagem de Cassian surgiu. Ele não era
    um estrategista admirável ou um líder nato, na realidade ele era o total oposto
    disso, mas havia algo nele que a fazia acreditar que o plano funcionaria.

    ​A fera agachou-se, as garras cavando o solo para o bote final, quando, de repente, a
    floresta estremeceu.

    ​Um surto de mana titânico irrompeu das profundezas da mata. Foi uma explosão de
    energia tão vasta que mesmo aqueles desprovidos de sensibilidade mágica
    sentiram os pelos do corpo arrepiar e o estômago revirar.

    ​A Pantera-Chicote travou. Ela virou a cabeça na direção da emanação, soltando um
    rugido que misturava fúria e um instinto territorial primitivo. Sem hesitar, o
    predador ignorou o grupo de Tály e disparou entre as árvores, movendo-se como
    um borrão negro em direção ao epicentro da mana.

    ​— O quê… o que foi aquilo? — os desafiantes se indagavam, ainda em choque.

    ​Tály respirou fundo, o coração martelando contra as costelas. Ela sabia.

    ​— Cassian…

    ​— Eles começaram! — Uma voz familiar surgiu entre as árvores. Era Gustoo, ofegante,
    vindo da direção onde Helick e Cassian estavam. Ele parou diante de Tály, os
    olhos fixos na trilha deixada pela fera. — A criatura já saiu daqui?

    ​Tály recobrou a postura, a determinação voltando ao seu olhar. Ela assentiu com a
    cabeça.

    ​— Sim. Nossa parte do plano foi cumprida.

    ​Ela ergueu o punho, concentrando cada grama de sua mana ígnea. Com um movimento
    seco, disparou um soco flamejante em direção ao céu. O rastro de fogo cortou a
    copa das árvores e explodiu nas alturas, um sinal brilhante de que a fera
    estava a caminho do seu destino.

    ​— Ótimo. — Gustoo agachou-se, pressionando a palma contra o solo para sentir as
    vibrações do terreno. — Eles chegaram.

    ​— Inimigos? — Tály questionou, os punhos entrando em prontidão.

    ​— Não — respondeu ele, mantendo a calma. — O suporte.

    ​Isaac surgiu por entre as árvores, vindo da direção oposta à trilha da fera. Atrás
    dele, seu pelotão de curandeiros avançava em formação serrada.

    ​— Onde estão os feridos? — Isaac disparou a pergunta, os olhos varrendo o local em
    busca de prioridades.

    ​Tály apontou para a zona de massacre. O pelotão se dividiu instantaneamente,
    movendo-se entre os corpos para identificar quem ainda tinha chance contra a
    devastação deixada pela Besta Mítica. Isaac avaliou a cena com frieza e tomou
    sua decisão.

    ​— Vocês dois, fiquem! Estanquem os sangramentos e salvem quem puderem — ordenou, apontando para os curandeiros que já trabalhavam em um ferimento no pescoço de
    um soldado. — O restante, comigo. Aquelas explosões e clarões de mana vêm de
    onde Marco e Redgar estão. Se a batalha chegou a esse nível, os mais fortes
    devem ter os encontrado. Temos que garantir que eles dêem conta de segura-los
    até o plano de Cassian ser concluído.

    ​O grupo retomou a corrida, mergulhando na floresta densa.

    ​— Isaac! — uma das combatentes do grupo chamou, emparelhando com o líder. — Tem
    certeza que não devemos dar suporte total aos feridos daqui primeiro?

    ​Isaac não desviou o olhar do caminho.

    ​— Minha prioridade são os príncipes. Não sabemos o quanto o plano vai exigir deles
    antes que se quebrem. Já ouvi histórias sobre a Pantera-Chicote, mas o que vi
    ali atrás… ela é muito mais letal do que os relatos diziam. Precisamos
    alcançar Marco e Redgar. Eles são o escudo que garante o tempo dos príncipes.

    ​Mal terminaram a travessia, o grupo estancou. À frente, Marco flutuava em uma
    corrente de ar instável, carregando Yssa, Vell e o corpo inerte de Bane para
    longe de uma massa de mana deformada que crescia ao longe.

    ​— Marco! — gritou Isaac.

    ​Aliviado, Marco desfez a magia. O grupo de feridos desceu suavemente enquanto o suporte
    os cercava.

    ​— Isaac! — a voz de Marco era de urgência pura. — Esqueça o resto! Ajude o Bane,
    ele está em estado crítico!

    ​Enquanto os curandeiros iniciavam o protocolo em Vell e Yssa, Isaac ajoelhou-se ao lado
    de Bane. Ele arregalou os olhos ao ver as queimaduras de terceiro grau que
    desenhavam ramificações de raios por toda a pele do guerreiro.

    ​— Vocês cruzaram com a ThunderBlade, não foi?

    ​Marco apenas assentiu, o semblante obscurecido.

    ​— Ela faz jus ao título.

    ​— E o Redgar? — Isaac abriu seu ARGUEM, o livro de capa metálica cujas páginas
    começaram a brilhar com um calor suave sobre as feridas de Bane. — Onde ele
    está?

    ​— Ficou para trás. Está enfrentando ela sozinho.

    ​Isaac parou por um segundo, incrédulo.

    ​— O quê? Ele enlouqueceu?

    ​Marco sustentou o olhar de Isaac. O silêncio que se seguiu foi pertubador.

    ​— Sim.

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