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    Pela floresta à noite, Byron e Rubi caminham. A luz da tocha que o orc segura os ilumina e o crepitar suave da chama os acompanha.

    “Pensei que fôssemos nos encontrar no lugar de antes”, comenta a diaba.

    “Eu também, mas… o mensageiro dele disse que seria aqui”, diz o orc.

    “E isso é… normal? Acha que está tudo bem?”

    “Quando se lida com os elfos… é assim mesmo. Eles são estranhos. Gostam de… fazer as coisas do jeito deles”, responde o orc. “Mais até do que vocês… demônios.”

    Rubi torce o nariz. Acho que isso foi um tipo de elogio, ela pensa.

    “Além do mais… é bem mais perto vir até aqui do que ir até a margem da terra deles”, completa Brok. “É melhor para nós.”

    “Isso é verdade”, diz a diaba. 

    O último encontro embaixo daquela árvore pareceu bem mais algo improvisado, avalia ela.

    “Mas aqui é até perto demais”, pontua Rubi. “Não tem uma vila orc que fica nessa direção?”

    “Os Ma’Al”, diz o orc. “Moram a meio dia de caminhada daqui.”

    “Não é tão longe assim. Um encontro bem entre as terras dos orcs”, comenta Rubi, divagando entre as palavras. “Meio desvantajoso para ele, não acha?”

    “Os… elfos dessa floresta não se importam com isso”, afirma Brok. “A não ser que… seja necessário, qualquer tribo vai evitar lutar contra eles.”

    “É tão ruim assim?”

    “Eles usam magias esquisitas. Fazem… o dia virar noite e a noite virar morte. Quando lutam… não se importam em ganhar, só em matar”, explica o orc. 

    “É. Parece bem ruim.”

    Talvez o pior tipo de inimigo que se possa ter por aqui, Rubi conclui. 

    Poucos minutos depois, os dois chegam diante de uma árvore com uma característica peculiar.

    Presa no tronco, alguns metros acima do chão, está uma gema laranja e brilhante. 

    Assim que a vê, Rubi franze o olhar. “O que é aquilo?”, pergunta ela. “É uma joia?”

    “Acho que chegamos”, diz o orc. 

    Antes de mais uma palavra ser dita, uma rachadura que vai do chão até a pedra luminosa se abre no tronco da árvore. 

    A madeira se separa e move-se para os lados, como uma cortina sendo aberta, e revela uma entrada. Através dela é possível ver uma sala no lugar onde deveria estar o cerne da árvore. Um ambiente grande e iluminado por luzes flutuantes, um lugar muito maior do que a árvore. 

    A diaba olha de canto para o orc. “Você não estava brincando quando disse das magias esquisitas”, comenta ela. 

    “É sempre assim…”, diz Brok. 

    No fundo da sala, um homem se levanta. Ele é um elfo alto, de pele cinza, orelhas pontudas e cabelos brancos. Usa uma roupa similar a um terno preto, mas sem o paletó. 

    O elfo se aproxima da entrada. Seus passos são leves e não emitem um único ruído. Um sorriso sutil, quase imperceptível, em seu rosto. 

    “Boa noite. Chegaram em boa hora”, diz ele, com uma voz calma. “Podem entrar.”

    Rubi também sorri ao vê-lo. “Boa noite, Galen”, cumprimenta ela. “É bom te ver de novo.”

    O orc balança a cabeça em um aceno firme. 

    Os dois entram na sala e a entrada de madeira se fecha logo atrás. 

    No fundo da sala está uma mesa de madeira comum, com vários papéis em cima e uma cadeira atrás. 

    Dezenas de caixas estão empilhadas nos cantos. 

    “Peço que relevem a desorganização”, diz o elfo. “Ainda estou em processo de mudança.”

    Galen estala os dedos, e ganchos e suportes circulares de madeira aparecem na parede, ao lado da porta.

    Bem prático, pensa Rubi.

    “Podem usá-los se quiserem”, diz o elfo.

    Rubi tira o casaco e o arco das costas e os pendura nos ganchos.

    Brok mantém o machado preso à cintura, mas deixa sua tocha presa em um suporte.

    A diaba percorre o olhar pela sala toda. “Você andou bem ocupado, hein?”, diz ela, impressionada. “Um lugar novo, todo espaçoso assim.”

    “É muita… coisa”, pontua o orc. 

    “Esse lugar já se encontrava aqui antes”, explica Galen. “Estava apenas desativado, por assim dizer.”

    “Vai ficar… por aqui agora?”, pergunta o orc. 

    “É o que pretendo. Apesar de serem a dupla mais inusitada, vocês não são os únicos residentes de Cahjia com quem a minha família já negociou. Nas três últimas incursões eu estava aqui. E, antes de mim, meu pai.”

    Enquanto fala, Galen dá a volta na mesa e puxa a cadeira para se sentar. 

    Antes de se sentar, o elfo balança dois dedos para cima. 

    Na mesma hora, magicamente, uma das caixas se abre, duas cadeiras se erguem delas e deslizam no ar na direção da mesa. 

    O orc, cauteloso, se afasta da mesa, dando um passo para trás. Enquanto isso, a diaba observa atentamente o movimento das cadeiras. Sua cauda balança devagar, sem conseguir desviar o olhar. 

    As cadeiras seguem até ficarem diante da mesa e se posicionam no chão. 

    “Fiquem à vontade para se sentar”, diz Galen. 

    Brok ainda hesita. Leva a mão à cadeira e a balança no lugar. Rubi, por outro lado, se senta assim que o elfo faz o convite. Somente após ver a succubus se acomodar, o orc se senta. 

    “As ferramentas que vocês pegaram na primeira leva, foram úteis à sua tribo?”, pergunta o elfo, direcionado ao orc. 

    “Sim… facilitaram muito”, confirma Brok. 

    “Excelente”, diz o elfo. 

    “Já que falou disso. A primeira parte do seu pagamento já está separada em uma das caixas que você mandou”, pontua Rubi. 

    “Vou… trazê-la até aqui assim que voltarmos”, acrescenta o orc. 

    “Ótimo”, fala Galen. “Já tenho um cliente aguardando por elas.”

    “Você é rápido, hein”, comenta Rubi. 

    O elfo ri. “Na verdade, esse cliente já estava esperando por isso desde o momento em que mandamos a nossa primeira incursão até essa região”, explica ele. “Os espólios já haviam sido previamente definidos entre as famílias dos guerreiros.”

    “Imagino que eles não tenham ficado tão contentes quando ouviram que o corpo ficou em posse dos orcs”, diz a diaba. 

    Gelen coloca os braços sobre a mesa e cruza as mãos. “Pode apostar que sim”, diz ele. “Mas é como meu pai dizia. Sempre há margem para tornar o infortúnio em oportunidade. Eles ainda podem ter partes do dragão, mas terão que negociar comigo.”

    “Seu pai parece bem… esperto”, diz o orc, acenando com a cabeça. 

    “Obrigado”, diz Galen. 

    Rubi fica quieta, alternando o olhar do orc para o elfo. Não é à toa que a primeira coisa que ele pediu foi exclusividade nos acordos que envolvessem qualquer parte do dragão, constata ela, com a cauda balançando atrás de maneira sutil. 

    “Enfim, vamos aos negócios”, diz Galen. Ele se foca na diaba. “Já estou de posse de algumas das coisas que você pediu.”


    É o mês de aniversário da novel e encomendei essa arte com Alexa_0okami.
    Já fazem dois anos. Aguardem mais coisas nos próximos capítulos.

    X da artista: https://x.com/Alexa_0okami
    (Ela desenha muito bem)

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