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    Paramos em frente ao prédio dos professores.

    O sol que nos acompanhava já havia nos deixado alguns minutos antes.

    Por esse motivo, ficamos em uma situação refrescante, sob as nuvens e uma brisa fria.

    — Normalmente, não esfria tanto assim deste lado da escola — disse Katsu, tremendo os lábios.

    Seu corpo estava trêmulo; logo, ela cruzou os braços enquanto os massageava.

    — Isso está estranho, na real. Um frio anormal desse nível não aparece há muito tempo — comentou Aikyo, abraçando sua irmã para se aquecer.

    — Vamos entrar logo, então? Onde fica a sala de vigilância? — perguntei, com as mãos no bolso.

    — Por aqui.

    Aikyo caminhou à frente, me guiando.

    Desde que estou aqui, não senti um frio tão forte como este, ainda mais por essa hora. — Nem são quatro da tarde ainda.

    Pelo que Okawara me disse, nossos corpos suportam temperaturas altas e baixas, e se por um momento sentirmos desconforto causado pelo clima, então, neste caso, está fora do normal — que é o que está acontecendo agora.

    Pena que este relógio que uso não mostra a temperatura.

    Aliás, faz um tempinho que não vejo Okawara; ele não me pede mais favores de entrega como antes.

    — Espera, a sala fica do outro lado do prédio? — indaguei.

    Seguindo as duas, percebi que demos uma volta no prédio em vez de entrarmos nele.

    — Sim, a sala fica por trás do prédio dos professores — respondeu Aikyo.

    Ela estava focada na porta cinza à nossa frente, com uma placa escrita ‘vigilância’ estampada no meio.

    Acima da porta, havia uma câmera que, até alguns segundos atrás, estava virada para o lado, mas que agora, com nossa presença, se voltou em nossa direção.

    — Eles estão nos vendo, né? — perguntei, apontando para a câmera.

    Aikyo acenou com a cabeça, fazendo uma expressão séria.

    — Bate na porta, revoltante. Faça algo útil.

    Ela nem se deu ao trabalho de olhar para mim, apenas disse, apontando para a porta.

    — Tá, eu saquei, já ia fazer isso mesmo.

    Aproximei-me da porta lentamente, ergui o braço e, com uma pausa dramática, bati três vezes de forma fraca e serena, mas acompanhada de gritos não muito altos, o suficiente para alguém escutar o chamado.

    Me pergunto por que estou fazendo isso, se viram nas câmeras que estamos aqui, então sabem que queremos falar com eles.

    — Bate mais forte! — disse Aikyo, com um tom grosseiro.

    Fiz o que ela mandou, bati mais forte desta vez, porém usando a parte baixa da palma da mão.

    A porta não era de madeira, mas sim de ferro; se eu usasse a parte do meu punho que contém ossos para bater forte, com certeza iria doer.

    Mas, para nossa infelicidade, ninguém apareceu para abrir a porta.

    Aikyo, incomodada, soltou os braços de Katsu e se aproximou da porta.

    — Droga… por que não abrem? Estão vendo que queremos falar com eles.

    Bateu forte várias vezes, na esperança de que, com essa grosseria, não deixassem passar batido.

    Parada, de braços abertos e mãos na cintura, com uma expressão fechada e testas franzidas, Aikyo se preparava para gritar, chamando por alguém.

    Mas Katsu apareceu em nosso meio, puxando as bochechas de Aikyo.

    — Irmã!! Para com essa grosseria! Você pode se meter em problemas com isso.

    Aikyo, como sempre, mudou sua expressão e comportamento com a intervenção de sua amada irmã gêmea.

    Deu um suspiro forte, soltando um ar frio misturado com raiva.

    — Mas, o que fazemos agora? — indagou Aikyo, olhando para Katsu.

    Enquanto elas se preparavam para conversar, uma voz surgiu de cima.

    — O que vocês querem, pirralhos?

    No susto, Aikyo virou-se em todas as direções procurando por quem falou. — Katsu fez o mesmo.

    — Acho que essa voz veio da câmera — disse, apontando para cima.

    — Veio da… câmera? — perguntou Katsu, observando a câmera com um olhar curioso.

    — Vai, pirralhos, falem logo o que querem.

    Katsu arregalou os olhos, enquanto Aikyo franzia as sobrancelhas.

    — Nossa, veio da câmera mesmo, irmã! — disse Katsu, segurando o braço de Aikyo.

    — Bem… queremos um favor seu…

    Enquanto falava, Aikyo colocou o braço na minha frente, impedindo que eu continuasse.

    — Queremos ver umas gravações, por conta de uma investigação dada pelo diretor, então preciso que nos permita entrar.

    — Hmm… investigação, é? Isso até que é verdade, estamos vendo vocês perambulando para todos os lados achando que são detetives. Mas lamento, vocês não podem entrar aqui.

    — E por que não?

    Incomodada, Aikyo fechou as palmas das mãos, canalizando toda a raiva para eles, deixando seu tom de voz e expressão serenos.

    — Porque aqui é um local de extrema importância, e por conta disso é proibida a entrada de todos os alunos e até professores sem a presença do diretor.

    Faz sentido; diferente das informações que Kiota não podia passar sem autorização de um professor ou diretor, a sala de vigilância é bem restrita quanto a isso.

    — Mesmo com a autorização dele, não podemos entrar sem que ele esteja aqui em carne e osso? — indagou Aikyo, tampando os olhos com os dedos em sinal de decepção.

    — Foi retórica? Pois eu disse exatamente isso. Porém, mesmo que traga o diretor aqui em carne e osso, não vai adiantar nada.

    — Ham? E por qual motivo? — perguntou Aikyo, aumentando o tom.

    — Aqui é a sala de vigilância, e não a sala das gravações. Logo, não tem nada para vocês aqui.

    Aikyo arregalou os olhos; suas bochechas se levantaram de acordo com o movimento feito pela boca, surpresa com a resposta e decepcionada com o tempo perdido, fez uma careta de decepção.

    — Espera, então quer dizer que aqui só é feita a filmagem, mas o conteúdo fica salvo em outro lugar? — indaguei, gesticulando com as mãos.

    — Sim. Vocês deviam saber disso, não são “detetives”?

    — Este rapaz com certeza está zombando de vocês — disse a voz na minha cabeça.

    Pelo tom de voz no final, com certeza ele está zombando. Mas por qual motivo essa zombaria? Não fizemos nada para ele.

    — Somos alunos bons de deduções, e não seres oniscientes para saber de tudo — respondeu Katsu, aumentando seu tom de voz.

    — Calma, irmã, nem vale a pena gastar saliva com ele — disse Aikyo, alisando o cabelo da irmã.

    — Enfim, pode me dizer onde fica essa sala com as gravações? — perguntei, olhando fixamente para a lente da câmera.

    — Claro, isso eu posso fazer. A sala das filmagens fica dentro do prédio escolar, no corredor da sala da diretoria.

    — Caramba, e por que fica tão longe assim da sala de vigilância? Não seria mais fácil ficar, por exemplo, dentro do prédio dos professores?

    Enquanto eu falava, Aikyo saiu andando sem dizer uma palavra.

    Eu não disse nada, mas senti um olhar fixo na minha direção; com certeza era o de Katsu, me observando enquanto se afastava com a irmã.

    Ela deve estar esperando que eu as siga.

    Lamento, mas vou ficar mais um pouco e tentar arrancar informações com ele.

    Pelo jeito desse homem, deve dar informações importantes sem pensar.

    A voz vinda da câmera começou a tossir um pouco, pedindo água para alguém.

    — Rhum… rhum… E eu vou lá saber o motivo disso, garoto. Não faço ideia, e é um saco ter que levar as filmagens tão longe todo dia; realmente seria bom estar aqui perto.

    Ele leva as filmagens todo dia para a sala de gravações? Isso quer dizer que há uma separação de filmagens por dia em vez de por semana?

    — Eu te entendo, andei do prédio escolar até aqui e agora vou ter que voltar; é um cansaço, né? Mas, se você quiser e tiver uma filmagem para levar, eu te ajudo.

    — Agradeço sua boa vontade, mas as filmagens de ontem eu já levei.

    — Entendi. Isso quer dizer que tem um horário específico para levar as filmagens, né?

    A voz tossiu novamente; pelo barulho, está tomando mais um pouco de água.

    — Não é que tenha um horário específico, mas sim um limite de filmagem. Todo dia, às dez da noite, precisamos trocar o dispositivo de armazenamento, pois ele fica cheio.

    — Hmm… agora faz sentido. Então as filmagens têm um tempo em que param para a troca de armazenamento, e pelo tempo de troca, que deve ser bem curto, pode acontecer muita coisa, né? — disse, fingindo coçar a cabeça.

    — Claro que não, está chamando a gente de lesma, pirralho? O tempo de parada é de apenas cinco segundos, o tempo de desconectar e conectar um novo dispositivo.

    O tom de voz dele aumentou; ficou ofendido pelo que disse.

    — Esse é o espírito da coisa — disse a voz da minha cabeça.

    — Caramba, então você realmente é um bom profissional. Então me diga, bom trabalhador, se eu remover o dispositivo por um tempo e depois conectar novamente, as câmeras continuam ligadas o tempo todo enquanto estava sem o dispositivo?

    O homem que estava falante ficou em silêncio.

    Devo ter acertado precisamente. Logo, fica fácil omitir qualquer situação.

    E isso é um problema enorme.

    — Desculpa o silêncio, estava tomando água. Mas isso que você me perguntou: a câmera tem sua própria memória, então, quando o computador não está com um dispositivo externo, o software que gerencia todas as câmeras obriga cada câmera a salvar em si própria.

    Creio que ele está mentindo; não estava tomando água, pois não fez som como nas duas últimas vezes.

    Mas faz sentido cada câmera ter sua própria memória.

    Espero que isso seja verdade, assim mitiga as chances de omitir imagens.

    — Entendi, então quer dizer que um dispositivo salva as filmagens de todas as câmeras, mas dá para usar separadamente a memória de uma câmera se eu obrigar o software; nesse caso, o dispositivo não irá salvar essa filmagem, estou certo?

    Novamente, o homem ficou em silêncio.

    — Garoto, perdoe este homem, mas estes são detalhes secretos. É claro, não é culpa sua, já que não sabia, mas usar engenharia social para extrair informações secretas são atos repugnantes.

    Essa voz é diferente da que estava conversando comigo; tem um tom mais firme e suave.

    Além disso, no canto da câmera, uma luz vermelha começou a piscar. O que é isso?

    — Engenharia… social? Mas eu estava apenas fazendo perguntas normais. Ele estava me respondendo de bom grado.

    O homem deu uma risada sincera e curta.

    — Claro, claro. Enfim, esqueça tudo que este homem falou; se você contar para alguém a respeito do que ouviu aqui, a expulsão não será a única coisa que você ganhará.

    — Ham… sei, sim senhor, me perdoe por isso. Mas, o que vai acontecer? O que vou ganhar junto com… a expulsão?

    — Isso você vai descobrir se abrir o bico, e coisa boa não vai ser.

    — Entendi, então está me ameaçando? Se sim, você vai se dar mal por isso — disse, com um sorriso no rosto.

    Cruzei os braços, fazendo uma expressão confiante para a câmera.

    — Uh… que medo, você vai contar para alguém, é? E acha que vão acreditar na palavra de um moleque em vez do coordenador dos vigilantes, é?

    Seu tom de voz mudou; era confiante no início, mas agora estava alterado.

    Durante a conversa, tentei passar o máximo de confiança para abalar a crença dele.

    — Não, tenho certeza de que não vão acreditar apenas nas palavras, e é por isso que estou contando com as filmagens desta câmera.

    Abri um sorriso de canto, franzindo as sobrancelhas.

    — Com certeza… você terá sim as gravações para te ajudar… né? Faça as coisas de acordo com sua vontade e terá as consequências. Mas eu não irei cair na sua lábia.

    — Lábia, senhor?

    — Não finja de tolo! Não irei ceder para uma mera criança, mesmo que você seja habilidoso em persuasão e bom em esconder intenções, ainda assim é falho contra alguém mais inteligente que você. Adeus.

    Um som leve saiu da câmera, notificando que a conexão foi encerrada.

    Foi uma boa conversa; consegui obter muitas informações úteis.

    Inclusive, era verdade a parte de isolar uma câmera para não salvar as filmagens no dispositivo.

    Quando o coordenador dos vigilantes começou a falar, uma luz vermelha começou a piscar.

    Isso poderia indicar qualquer coisa: falta de bateria, problema interno ou externo, ou defeito nos circuitos.

    Mas, por incrível que pareça, a luz parou de piscar um pouco antes da conexão ser encerrada.

    Isso pode significar que ele parou de usar o dispositivo para gravar só para me ameaçar.

    Ele sabia que eu iria tentar forçá-lo a falar a respeito da câmera, então não continuou com a conversa; ele é bem esperto.

    Porém, só continuei a conversa com um único objetivo: saber se a luz vermelha iria parar de piscar assim que ele encerrasse.

    E assim foi feito.

    Mas será que realmente é ele que está por trás dessa luz vermelha piscando? Ou foi outra pessoa?

    Não tenho certeza de quem fez; o que me importa é o significado e o motivo da luz.

    De qualquer maneira, não posso baixar a guarda

    Arco:Investigação

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