O homem atravessou a sala sem qualquer pressa, os passos ecoando suavemente sobre o piso enquanto colocava sua pasta na mesa. Diferente de vários professores que Vance conhecera na Cidade-Ilha 31, ele não carregava uma pilha de folhas nem parecia preocupado em organizar materiais antes da aula. Simplesmente apoiou as duas mãos sobre a superfície da mesa e observou os alunos em silêncio.

    Seus olhos percorriam as fileiras lentamente, analisando cada rosto presente como se estivesse memorizando todos eles.

    — Trinta e dois.

    Sua voz era calma.

    — Dos trinta e seis matriculados.

    Os olhos dele percorreram rapidamente a sala mais uma vez.

    — Considerando que este é o primeiro dia, já vi resultados piores.

    Algumas risadas tímidas surgiram.

    O professor abriu a pasta.

    — Meu nome é Marcus Mori. Durante os próximos anos serei responsável por parte da formação acadêmica desta turma e, dependendo das decisões que cada um tomar no futuro, provavelmente serei responsável por impedir que alguns de vocês façam coisas estupidas.

    Vance aproveitou o momento para observá-lo melhor.

    Marcus Mori parecia mais jovem do que imaginara quando entrou na sala. Talvez estivesse na casa dos quarenta anos, embora houvesse algo em sua postura que dificultava fazer estimativas. Seus cabelos negros estavam penteados para trás de forma simples, revelando algumas mechas grisalhas próximas às têmporas.

    — Certo, antes de começarmos oficialmente, existe uma coisa que todos vocês precisam entender.

    Ele cruzou os braços e apoiou o quadril na borda da mesa.

    — Minha disciplina se chama Física Mágica, por mais contraditório que isso possa soar à primeira vista.

    Marcus deixou o olhar percorrer a sala antes de continuar.

    — Alguns de vocês vão passar os próximos anos tentando entender por quê.

    Um sorriso discreto surgiu em seu rosto.

    — Vou poupar tempo de todos desde o primeiro dia. Nem todos os presentes nesta sala vão se formar na Academia Central. Nem todos vão despertar um Caminho relevante. Nem todos possuem o potencial necessário para chegar onde imaginam.

    Ele descruzou os braços e caminhou lentamente entre as fileiras.

    — Alguns vieram das melhores instituições preparatórias do continente. Outros cresceram em cidades pequenas esquecidas pelos mapas. Alguns carregam sobrenomes capazes de abrir portas. Outros chegaram aqui sem conhecer absolutamente ninguém.

    Marcus deu de ombros.

    — E isso até importa, mas só até certo ponto.

    Seus olhos percorreram os alunos um a um.

    — No fim das contas, a Física Mágica não negocia com esforço, dinheiro ou influência.

    A voz permaneceu calma.

    — Ela responde a genética.

    O silêncio ficou ainda mais pesado.

    — Vocês podem estudar mais do que qualquer pessoa nesta sala. Podem treinar até seus músculos falharem. Podem dedicar cada hora de suas vidas a isso.

    Ele parou.

    — E ainda assim serem superados por alguém que nasceu com uma afinidade superior.

    Alguns alunos se remexeram nas cadeiras.

    — Parece injusto?

    Marcus sorriu.

    — Ótimo. Significa que estão começando a entender como a física mágica funciona.

    Ele parou por um instante, observando a sala.

    — Imaginem uma partícula.

    Marcus ergueu uma das mãos.

    — Algo tão pequeno que nenhum de vocês seria capaz de enxergá-la a olho nu. Menor que um grão de poeira. Menor que uma célula. Tão pequena que, para a maioria das pessoas, sua existência é apenas uma abstração matemática.

    Ele caminhou lentamente entre as fileiras.

    — Agora imaginem que pegamos essa partícula e começamos a acelerá-la.

    Um passo.

    — Mais rápido.

    Outro.

    — E mais rápido.

    A atenção da turma o acompanhava.

    — Continuamos acelerando até que ela atinja a velocidade da luz.

    Marcus parou.

    — O que vocês acham que acontece?

    Ninguém respondeu imediatamente.

    — Ela para de ganhar velocidade?

    — Ela explode?

    — Ela simplesmente continua acelerando para sempre?

    Um leve sorriso surgiu em seus lábios.

    — A maioria das pessoas acredita que a resposta é simples. E é.

    Ele apoiou uma mão sobre a mesa.

    — Ela deixa de ser apenas matéria e passa a existir como energia.

    Marcus escreveu rapidamente no quadro:

    E = mc²

    — Imagino que todos aqui já tenham visto essa equação pelo menos uma vez.

    A ponta do giz bateu suavemente ao lado da letra m.

    — A famosa equação de equivalência entre massa e energia. Uma das descobertas mais importantes da história da física.

    Ele então traçou alguns riscos simples abaixo da fórmula.

    — E o interessante da matemática é que ela não se importa com a forma como estamos acostumados a enxergar o mundo.

    Com alguns movimentos rápidos, reorganizou a equação.

    — Se energia pode ser obtida a partir de massa, então a conclusão oposta também é verdadeira.

    Marcus se virou para a turma.

    — Massa pode ser criada a partir de energia.

    Alguns alunos franziram a testa.

    — Em outras palavras, matéria e energia não são coisas diferentes. São manifestações distintas da mesma realidade.

    Ele caminhou alguns passos pela sala.

    — Quando partículas carregando energia suficiente colidem sob condições extremas, parte dessa energia pode se condensar e dar origem a partículas materiais.

    Marcus abriu os braços.

    — Algo sem massa pode gerar algo com massa.

    Um sorriso discreto surgiu em seu rosto.

    — Estranho, não é?

    Seus olhos percorreram a turma.

    — Ainda mais estranho quando percebemos que isso não é teoria especulativa. É algo que já observamos na prática.

    Ele apontou para a fórmula no quadro.

    — O universo faz essa troca o tempo todo. Matéria em energia. Energia em matéria.

    A voz tornou-se um pouco mais firme.

    — E é justamente nesse ponto que a Física Mágica começa a fazer perguntas extremamente inconvenientes.

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