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    Levou alguns dias até o grupo encontrar um local seguro para ficar. Segundo Raishi, aquele local era a antiga base da Ordem, que foi abandonada alguns anos após seu ingresso. Akane ficou espantada com o tamanho daquele local e com o fato de que ninguém fazia ideia da sua existência. Eles estavam a apenas cinco dias de viagem a pé da capital do Império.

    Era um ponto mais do que estratégico, pois os inimigos não desconfiariam de que eles estariam tão próximos. Agora só lhes restava interrogar os prisioneiros.

    — Como vamos conseguir as informações? — Lília caminhava por um extenso corredor, acompanhada por Ruby e Coruja. — Eu sei que o Sora está disposto a cooperar, mas e quanto à Espiã? Ela não nos dirá nada. Se ao menos a Harpia estivesse aqui, teríamos como fazê-la falar.

    O local tinha pouca luz, parecia ser onde mantinham os prisioneiros.

    — Eu me pergunto se aconteceu algo com elas. — Ruby abaixou a cabeça, um pouco pensativa. — Não é do estilo delas sumirem dessa maneira. Nenhuma informação ou mensagem há dias. Será que elas estão bem? Deveríamos ir atrás delas e do corpo do Kamito também.

    — Eu também estou preocupada com elas, com o Yujiro e com a Ryruka. — completou Lília. — Eles também não entraram em contato desde a briga que tiveram com o Raishi. Me pergunto se isso tudo é apenas raiva ou se eles planejam algo a mais. Espero que nada tenha acontecido a eles.

    Ruby pensava que poderia ter evitado aquela discussão caso estivesse com Raishi naquele dia. Ela então olhou para uma porta no final do corredor.

    — De que adiantou recrutar cinco aliados se perdemos cinco dos nossos? — continuou Ruby. — Isso não está certo! Não pode ser apenas coincidência aqueles quatro terem desaparecido ao mesmo tempo. E falando no Kamito, você conseguiu encontrar o corpo dele, Coruja? Até agora você não nos disse nada.

    — Não consegui encontrar nada. — Coruja se aproximava da porta. — Nem mesmo a energia dele, o que é estranho. Se ele tivesse morrido, isso seria possível. As minhas corujas também não conseguem encontrar seus rastros de energia. É como se ele nunca tivesse sequer existido.

    Antes de abrir a porta, ele parou por um momento e olhou para as duas. Coruja não entendia como era possível a energia do Kamito ter sumido.

    — Quando um extra-humano morre, sua energia espiritual se vai aos poucos e você é capaz de sentir que aquele indivíduo perdeu a vida. Mas com o Kamito foi diferente. A energia dele simplesmente desapareceu horas depois da queda. Eu não sei se isso tem a ver com o fato de ele ser humano e ter ganhado sua Manifestação de alguma forma, ou se algo ou alguém o encontrou antes.

    — Agora que você falou, sempre me perguntei como isso era possível. — Lília levou a mão ao queixo, desconfiada e curiosa. — Como um humano conseguiria acessar o Véu Espiritual e adquirir uma Manifestação? Isso é mesmo possível?

    Ela então olhou para Ruby, pois suspeitava de que ela soubesse de algo que não estava falando.

    — Eu não tenho muita certeza se isso é possível ou não. — Lília desviou o olhar lentamente. — Sempre tive uma sensação estranha quanto ao Kamito. Ele nunca me pareceu humano, tanto em aparência quanto em força e em habilidades. Ele é exatamente como nós. Já a Akane, eu sinto claramente que ela é humana.

    — Bom… — continuou Ruby. — O Raishi disse que há seis anos houve uma fragmentação no Véu Espiritual e que ambos foram expostos a ela. Eu não tenho certeza se o Kamito teve seus poderes antes ou depois disso, mas, segundo ele mesmo, ele sempre sentiu a presença do Véu e de pessoas ligadas a ele. Além disso, ele já nasceu com aquela aparência diferenciada dos demais humanos.

    O silencio tomou conta do local. Coruja observava a conversa atentamente sem se intrometer, já Lilia não parecia satisfeita com a explicação.

    — Vamos logo mudar de assunto. Temos um prisioneiro para interrogar. — disse Ruby, tentando retomar o foco. — Lembrem-se, temos que levá-la lá para cima para que o Sora consiga convencê-la a falar, mas isso só acontecerá depois que ele nos contar tudo que sabe. Ainda não sabemos qual é a Manifestação dele, nem se eles estão nos enganando.

    — Entendemos isso. — respondeu Lília. — Para evitar que eles combinem as respostas ou que a Manifestação dele possibilite isso. Mas, se deixarmos ele falar com ela após o interrogatório, ele pode muito bem persuadi-la a dizer as mesmas respostas. Por isso que estamos aqui. Para colocar esse colar nela, correto?

    — Um inibidor de Energia Espiritual, feito especialmente para bloquear qualquer efeito de Manifestação contra quem o estiver usando. Porém, quem o usa também está impossibilitado de usar sua própria Manifestação. Tudo isso graças a um pequeno animal que está dentro dessa coleira: uma Formiga Caçadora de Energia. — explicou Coruja.

    — Não gosto dessas coisas… — confessou Lília, afastando-se, assustada. — Uma só formiga é inofensiva para nós, mas isso muda quando se tem três ou mais. Elas são capazes de neutralizar nossa energia em poucos minutos, sem falar que são capazes de nos matar ao drenar nossa energia.

    Ela abriu a porta da cela, onde estava a espiã, e se aproximou calmamente da mulher, sentada no chão com a cabeça abaixada. Ela parecia estar olhando para os próprios pés.

    — Me desculpe pelo local, minha bisbilhoteira. — Lília abusava da ironia. — Mas, graças a você, perdemos nosso esconderijo e infelizmente tivemos que vir para este lugar. De pé. Precisamos que você nos acompanhe gentilmente para outro lugar. Não pretendemos te machucar, apenas te colocar num local mais adequado.

    — Me poupe do seu teatrinho falso. — retrucou a Espiã, levantando a cabeça e olhando para eles com bastante ódio. — Eu não vou cooperar! Eu sei muito bem o que vocês pretendem fazer comigo. Podem fazer, eu não me importo! Eu morrerei com honra se for preciso! Eu jamais trairei quem me ajudou!

    Coruja se aproximou e colocou o colar em seu pescoço, bloqueando seus poderes.

    — Vocês querem lutar contra o Império, mas são iguais a ele! Usam métodos baixos e cruéis contra seus inimigos, e até mesmo contra os seus aliados! — disparou a prisioneira.

    — Não nos venha querer dar uma lição de moral fajuta. — respondeu Ruby, irritada. — Você se infiltrou e vazou nossas informações, causou a morte de um dos nossos e de centenas de inocentes. Se acha no direito de nos comparar ao Império?

    Ruby odiou aquela comparação forçada. Ela se aproximou da prisioneira e a forçou a se levantar. Coruja e Lília ficaram confusos.

    — Se não quiser cooperar, tudo bem. — ela concluiu, com firmeza. — Mas não nos compare com assassinos e com um tirano louco. Não somos iguais e nunca seremos.

    Enquanto eles a levavam para fora daquele lugar, Tenebris e Raishi estavam em uma sala com Sora. Era hora de saber mais sobre os dezesseis Capitães: seus nomes, títulos e, principalmente, localizações. Se conseguissem essas informações, teriam uma enorme vantagem. Enquanto Tenebris estava ansioso, Raishi mantinha a calmo, como se nada estivesse acontecendo. Sua falta de sentimentos era uma vantagem em situações como aquela.

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