CAPÍTULO 40 - BATISMO
“Hmm… Mestre Archibald, para que serve esse cartão?”
Archibald respondeu imediatamente:
“Ele serve para comprovar sua identidade como mago de 1º ciclo. A Associação Mágica é uma organização que se estende pelo mundo todo. Se você tiver esse cartão, poderá usufruir dos benefícios que ela oferece. Eu enviei as informações de vocês para a Capital e pedi que emitissem os cartões. Como Arcanista, tenho autoridade para isso.”
Oliver baixou os olhos para o próprio cartão.
Era simples, tinha uma borda azulada e era feito de um material rígido. Lembrava um pouco os documentos pessoais de sua vida passada, embora não trouxesse fotografia, apenas as informações básicas.
[ Nome: Oliver ]
[ Título: Aprendiz ]
[ Ciclo: 1º ]
[ Mestre: Archibald D’Artois ]
[ Mana: 7 pontos ]
[ Fator de recuperação arcana: 33% ]
Seu olhar parou na linha referente à mana, o valor indicado no cartão era falso.
Quando Archibald mediu sua mana com um item mágico, Oliver obteve 15 pontos. E, nos treinamentos que tiveram desde então, ele também pudera testar o próprio limite, confirmando que realmente possuía aqueles 15 pontos. Não se tratava de um erro no dispositivo.
“Mestre Archibald disse que ninguém deveria ter mais de 10 pontos. Deve ser difícil explicar como alguém pode possuir 15, então ele alterou o valor.” Oliver compreendeu sem dificuldade o motivo de Archibald ter escondido o número real.
Guardou o cartão no bolso do robe e então voltou a atenção para o cajado que acabara de receber.
“Mestre Archibald, você realmente está me dando esse robe e esse cajado? Eu vi o valor de um foco arcano. Eu não consigo pagar por isso.”
Archibald pareceu despreocupado.
“Se isso te incomoda, pode me pagar no futuro. Não é como se esse valor fosse me fazer falta. Além disso, é comum que o mestre presenteie o aluno com o primeiro foco arcano. Quanto ao cartão e ao robe, nem precisa se preocupar. O valor deles é irrisório.”
Oliver assentiu. Pela postura de Archibald, era evidente que ele realmente não se importava com o dinheiro gasto.
“Se faz parte da tradição, então não preciso me preocupar com isso por agora.”
Mesmo assim, ainda havia algo que Oliver não entendia. A cerimônia fora simples demais. Não explicava, por si só, a ansiedade de Jonathan nem a alegria incomum de Sebastian.
Ao olhar para o lado, viu o colega de classe com a alma brilhando em um laranja intenso. A ansiedade em Jonathan estava ainda mais forte do que no momento em que Oliver entrara na sala.
Archibald pigarreou, chamando novamente a atenção dos dois.
“Meus parabéns aos dois. Oliver e Jonathan, vocês agora são oficialmente magos aprendizes de 1º ciclo. Mas, como devem saber, é comum que haja uma espécie de batismo após essa cerimônia. Nada muito complexo. Apenas uma luta amigável entre mestre e discípulo.”
Oliver encarou Archibald por um instante.
“Eu deveria saber disso? Nunca ouvi falar em nada parecido, mas agora as coisas fazem sentido.”
Foi nesse momento que ele entendeu o motivo da ansiedade de Jonathan. Aparentemente haveria um combate simulado entre mestre e discípulos. Por mais que Jonathan fosse avaliado todos os dias, aquilo ainda era uma espécie de prova final, e isso bastava para deixá-lo tenso.
Quanto a Sebastian, Oliver tinha quase certeza de que o mordomo simplesmente estava satisfeito por ver Archibald surrar duas crianças sob o pretexto de um ritual tradicional.
“Sigam-me.”
Jonathan foi primeiro e Oliver o seguiu logo atrás.
Pouco depois, os 4 já estavam no campo de treinamento da casa dos Venn.
Archibald se posicionou no centro. Oliver e Jonathan aguardaram instruções enquanto Sebastian se recostava em uma parede mais distante, apenas observando.
Então Archibald lhes deu a ordem de início.
“Venham os dois juntos. Ataquem para me machucar ou até mesmo me matar. Não se preocupem em me manter seguro. Tudo está sob controle. Vou deixar que vocês ataquem primeiro.”
Oliver lançou um olhar sério para Jonathan.
“Gordo, usa Armadura Arcana primeiro. Depois a gente prepara um ataque.”
Em circunstâncias normais, Jonathan teria ficado irritado com o comentário. Dessa vez, porém, apenas assentiu e fez o que Oliver sugeriu.
Oliver olhou para Archibald de relance. Havia um leve sorriso no rosto de seu mestre.
“Eles raciocinaram rápido. Preparação é essencial para um mago.” Archibald pareceu satisfeito ao perceber que os dois estavam fazendo bom uso da vantagem inicial que ele lhes concedeu.
Oliver e Jonathan tinham repertórios de magias quase idênticos.
Os dois conheciam 6 delas.
[ Relâmpago ], [ Armadura Arcana ], [ Escudo de Força ], [ Invocar Espírito ], [ Vigor Efêmero ] e [ Mísseis Mágicos ] eram as magias de Oliver.
[ Aprimoramento Básico ], [ Armadura Arcana ], [ Escudo de Força ], [ Invocar Espírito ], [ Vigor Efêmero ] e [ Mísseis Mágicos ] eram as de Jonathan.
Archibald havia ensinado principalmente magias de defesa. 3 das magias daquela lista serviam para isso.
Oliver começou um ritual rápido. Ele percebeu que Archibald realmente esperaria enquanto eles se preparavam.
Algumas magias levavam mais tempo para serem conjuradas, e esse era o caso de [ Invocar Espírito ], que exigia cerca de um minuto. Era uma magia de 1º ciclo extremamente útil, capaz de invocar um espírito que imediatamente firmava contrato com o conjurador. Esse espírito podia assumir diferentes formas animais. Oliver pediu que tomasse a forma de um corvo, e assim ele fez. Infelizmente, as formas disponíveis eram limitadas pela qualidade da mana do contratante. Oliver não podia exigir que ele se transformasse em algum animal realmente perigoso. Entre as opções possíveis, o corvo era a melhor.
Depois de conjurar [ Invocar Espírito ], Oliver também conjurou [ Vigor Efêmero ]. Como o nome sugeria, a magia aumentava temporariamente o vigor, adiando o cansaço e abafando a dor de ferimentos superficiais.
Por fim, lançou [ Armadura Arcana ]. Sua preparação estava completa.
Ao olhar para o lado, viu que Jonathan havia conjurado apenas [ Armadura Arcana ]. Ele não podia se dar ao luxo de desperdiçar mana com múltiplas ativações como Oliver fazia. A diferença entre as reservas dos dois era grande demais.
Oliver se aproximou e cochichou no ouvido de Jonathan:
“Gordo, o plano é o seguinte: você toma a frente, já que conhece aquela magia que aprimora seu físico. Enquanto você distrai o mestre, eu vou esgotar minha reserva lançando o máximo de magias que puder contra ele. Mesmo que a gente não ganhe, ainda podemos dar trabalho.”
Jonathan concordou de imediato. Ele estava determinado, e o plano realmente fazia sentido. Só ele conhecia [ Aprimoramento Básico ] e, ao mesmo tempo, tinha a menor reserva de mana dos dois. Portanto, não poderia atacar muitas vezes antes de se esgotar.
Jonathan ergueu os olhos para Oliver, cheio de determinação.
“Não erre suas magias. Vou distrair ele pelo maior tempo possível.”
…
Enquanto isso, na janela do primeiro andar, um homem alto e loiro observava o quintal da casa.
Lá embaixo, duas crianças vestindo robes e empunhando focos arcanos se posicionavam para enfrentar um Arcanista, um mago de 3º ciclo.
Balthazar observava com atenção o batismo de dois magos de 1º ciclo.
…
Depois de alinharem o plano, Jonathan conjurou [ Aprimoramento Básico ] e avançou na direção do mestre. O espírito em forma de corvo também partiu para a frente enquanto Oliver começava a preparar outra magia.
Archibald deixou escapar um leve sorriso antes de conjurar a sua própria magia.
O combate havia começado.

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