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    Ao ouvir seu nome ser chamado, bem como sentir o forte puxão, o jovem Tenente imediatamente se virou com a guarda levantada e, assim que o fez, seu rosto normalmente pálido ficou ainda mais branco, quando arregalou os olhos.

    O que esse cara faz aqui?! 

    Lerona e mesmo Raul também tiveram mudanças de expressões ao perceberem de quem se tratava. Um sujeito extremamente alto com cabelo loiro curto e algumas cicatrizes por todo o corpo. Esse homem era Oliver, o próximo nomeado a General dos Leões Dourados!

    “G-general, quer dizer, Major Oliver?” Fernando perguntou, sem entender o que essa pessoa estava fazendo em Yandou

    O sujeito gigante franziu a testa ao ouvir isso.

    “Eu é que deveria estar perguntando isso! Tenente, você não irá fazer uma Missão de Trucidação em breve? Pode ser que você… esteja tentando desertar?!” O homem indagou, ignorando a nomenclatura errada, afinal, apesar de ainda não ter sido nomeado oficialmente General, já atuava como tal e todos se referiam a ele dessa forma há algum tempo, tendo desistido de recusar o título antecipado.

    Fernando abriu a boca, mas não sabia o que falar. Eles haviam saído clandestinamente de Garância. Sua ida a Yandou deveria ser um segredo absoluto.

    “Major. Com todo respeito, não acha isso um pouco excessivo?” Raul interveio. Mesmo que não gostasse de lidar com generais, tinha alguma experiência prévia. Além disso, sentiu que era melhor que ele falasse, do que deixar alguém totalmente imprevisível como Fernando agir. “O que o faz pensar que o Tenente está desertando? Não sabe que a Capitã Lerona está aqui? Eu, um Capitão, também estou presente. Se fosse uma deserção, não faria sentido ter dois Capitães ao seu lado.”

    Oliver lançou um olhar interrogativo para o sujeito baixinho e moreno, perguntando-se de onde ele tirava coragem para falar isso para ele. Ao olhar com cuidado, finalmente lembrou dele de uma das reuniões do Alto Comando. E, após o sujeito citá-la, percebeu finalmente a mulher ao seu lado. Afinal, apesar de não interagirem muito entre si, ambos haviam servido Wayne por longos anos e tinham se visto muitas vezes.

    “Lança Boreal, o que faz aqui?” indagou, surpreso ao ver a mulher. Desta vez, sua voz parecia muito mais calma. De repente, percebeu que todos os três eram pessoas sob Dimitri, o que o levou a uma compreensão repentina. “Estão em alguma missão secreta a mando de Dimitri?”

    Ouvindo a pergunta, tanto Fernando quanto Lerona congelaram. Eles haviam saído ilegalmente da cidade, isso poderia facilmente ser exposto caso fosse investigado a fundo.

    Como a Capitã ruiva conhecia de longa data Oliver, tinha certeza de que o sujeito saberia se ela tentasse mentir.

    Na comunicação interna do trio, Raul enviou uma mensagem:

    “Relaxem e não falem mais do que o necessário, eu cuido disso.”

    Logo, o Capitão não hesitou quando assentiu, confirmando e tomando a frente da situação.

    “Exatamente, senhor.”

    Vendo Raul responder por Lerona e Fernando, o sujeito alto apertou levemente os olhos.

    “Não me dirigi a você, Capitão. A menos que eu o faça, é melhor se manter calado.” Após dizer isso, focou-se na Lança Boreal mais uma vez.

    A mulher ruiva hesitou brevemente, pois nunca se atreveu a mentir para um superior antes. Mas sabia que não tinha escolhas.

    “A-assim como ele disse, senhor. Estamos em uma missão”, falou, forçando-se. De certa forma, não era uma mentira, já que ela realmente havia sido enviada para proteger Fernando.

    “Que tipo de missão? Estou aqui a mando do General Wayne, se Dimitri tivesse mencionado, vocês poderiam ter vindo comigo. A Zona Divergente não é um lugar que qualquer um possa passear livremente. Mesmo Capitães competentes cotidianamente desaparecem por aqui. Você deveria saber disso melhor do que ninguém, Lança Boreal.”

    “S-sim, eu estou ciente, senhor”, Lerona respondeu, levemente desconcertada, afinal no caminho até Yandou eles tinham realmente encontrado uma Ninfa que não os matou apenas por capricho. “Quanto à missão, lamento, mas não podemos comentar a respeito.”

    “Isso deve ser coisa daquele Dimitri, aquele cara é muito despreocupado. Ele ainda não está pronto para ser um General e ele sabe disso. Eu sei que ainda está chateada com o General Wayne devido à morte do Major Rayzor, mas talvez você deveria reconsiderar sua saída da Cavalaria Nagalu. Na verdade, se quiser, posso te dar uma posição nas minhas tropas quando eu for oficialmente nomeado.”

    A expressão da mulher ruiva mudou levemente com a menção de Rayzor, pois o velho homem era como seu próprio pai.

    Fernando também franziu o cenho. O sujeito realmente estava tentando recrutar Lerona na frente deles, ao mesmo tempo que desmerecia Dimitri, seu superior. Esse era um flagrante desrespeito!

    “General Oliver, pode ser que esteja certo quanto à falta de força e experiência do General Dimitri, mas não esqueça que ele foi um dos únicos que se recusou a recuar na batalha por Garância. Também foi nossa ala direita a principal responsável pela vitória. Então, de certa forma, o General Dimitri se saiu muito melhor que certos ‘Generais competentes’ que só pensam em sacrificar seus subordinados.”

    Quando o jovem Tenente fez essa declaração afrontosa, Lerona olhou para o rapaz sem palavras, seus pensamentos num misto bagunçado de emoções.

    Ela própria pensava o mesmo. Se não fosse pelo fato de Dimitri ter enviado o Capitão Boris para auxiliá-la, além do uso das Balistas Explosivas a seu favor, ela teria sido sacrificada como isca, assim como Rayzor e parte de seus subordinados.

    Após perder a pessoa que considerava como pai e quase ser morta, Lerona sentia que não conseguia mais confiar em Wayne. No lugar disso, decidiu servir a Dimitri, que a salvou.

    Enquanto a mulher ruiva olhava para o jovem pálido de forma emotiva, por ele dizer algo que ela própria não se atrevia, Raul suspirou.

    Esse fedelho, ele nunca aprende? Mesmo sendo chamado de Urso Tirânico e fazendo parte da Décima Terceira, conhecida por ser composta de loucos, Raul nunca desrespeitava seus superiores. Respeitar e obedecer, essas eram regras absolutas no meio militar e aqueles que não conseguiam cumpri-las estavam destinados a eventualmente sofrer.

    Oliver focou em Fernando. Seu olhar denso, somado à sua enorme estatura, o fazia parecer ainda mais ameaçador. No entanto, ao contrário do que todos esperavam, o sujeito gigante não ficou zangado com suas palavras; pelo contrário, riu.

    “Defendendo seu General mesmo nessa situação? Você realmente tem coragem, Tenente. Eu admiro isso”, o sujeito alto e corpulento falou. “Eu estava lá e sei das qualidades de Dimitri. Mas a verdade é que só ganhamos aquela batalha por causa daquele seu Especialista em Runas e das modificações nas Balistas. Seu comando provisório também foi impressionante. Na verdade, eu não posso dizer isso de forma oficial, já que geraria muitas intrigas e problemas, mas sem sua presença e a do seu batalhão naquele dia, nós com certeza teríamos perdido toda a ala direita e consequentemente a batalha.”

    Quando o homem falou isso, Raul, Lerona e Fernando ficaram surpresos. Um futuro General realmente estava dando os créditos da vitória da ala direita e de toda a batalha por Garância a um mero Tenente?

    “Isso me lembra que você também me ajudou naquele dia, ao lidar com o Necropto. Você é realmente alguém impressionante, não é mesmo, Fernando?” Oliver falou, com um olhar profundo. Era difícil dizer o que ele estava pensando. 

    “Eu só tive sorte, senhor. Assim como relatei… Se não fosse por você, eu teria morrido”, o rapaz pálido declarou.

    Oliver o olhou de cima, apertando levemente os olhos, como se sentisse que algo não estava certo sobre aquele assunto, mas sorriu.

    “É claro. Não estou alegando que você matou o Necropto ou algo do tipo. É claro que foi aquele Orc”, brincou, rindo com vontade, mas logo sua risada subitamente diminuiu. “Ou será que você realmente o matou?”

    Fernando tremeu ao receber a pergunta repentina, suas costas enchendo-se de suor frio.

    Raul, que estava logo ao lado dele, percebeu que o rapaz foi afetado pela indagação.

    Esse moleque… Pode ser que ele realmente esteja envolvido nisso? 

    O assunto do Necropto não havia sido tornado público, então as pessoas comuns não tinham noção de que o ataque dos Carniçais havia sido motivado por uma força externa. Essa era uma medida preventiva dos Generais, tanto para não causar pânico, quanto para que investigassem a situação em sigilo.

    “Hahaha! Eu só estou tirando com sua cara, não me leve a sério”, Oliver falou, enquanto ria. “Enfim, qual é o status da sua missão? Podem me dizer ao menos isso, certo?”

    Merda, esse cara quer me matar do coração?!

    Suspirando, o jovem Tenente olhou para Raul, para confirmar se poderia dizer isso, e após o sujeito moreno assentir com a cabeça, respondeu:

    “Nós já terminamos o que tínhamos para fazer aqui, devemos partir amanhã.”

    Originalmente, o plano era que ficassem por três dias e três noites em Yandou, mas após o ocorrido com a Eterna Viajante, Fernando sentiu que era muito perigoso continuar ali.

    Ouvindo isso, Oliver assentiu.

    “Nesse caso, adiem sua partida. Quero que me acompanhe em um compromisso amanhã. Após terminar meus negócios na cidade, eu os escoltarei de volta a Garância. Considere isso como um pedido de desculpas por aquele dia. Você sabe, não tinha muito que eu pudesse fazer a respeito.”

    Fernando apertou levemente o punho, sabendo exatamente a que ele se referia.

    No dia em que retornaram após o ataque dos Carniçais, Fernando foi preso sob as ordens de Herin e, mesmo sabendo que ele era inocente e que tinha, na verdade, atraído o Rei Carniçal para longe, Oliver havia permitido sua prisão.

    Mas, mesmo sabendo disso, o rapaz pálido forçou um sorriso no rosto.

    “Eu entendo, senhor. Não é sua culpa.”

    Oliver viu que o Tenente parecia estar se forçando a dizer isso, mas não se importou.

    “Ótimo. Me digam onde estão ficando, irei buscá-los amanhã cedo.”

    Suspirando internamente, Fernando passou a localização da Pousada Recanto Esquecido. Mesmo que não quisessem se associar a Oliver, sabia que não teriam escolha. Se continuassem recusando o Major e futuro General, isso levantaria suspeitas.

    “Muito bem, nos vemos amanhã. Ah, e vista algo melhor. Nós vamos a um lugar em que apenas pessoas influentes têm acesso”, comentou, ao ver a armadura de couro desgastada que o rapaz e os demais usavam. Claramente disfarçados.

    “Senhor, se me permite. Do que se trata?” O rapaz perguntou, curioso.

    Oliver deu de ombros, enquanto retornava ao bar.

    “A um leilão de escravos.”

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