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    Deran também tinha um olhar chocado, enquanto olhava para o rapaz pálido, como se estivesse o vendo pela primeira vez.

    Esse desgraçado, ele realmente carregava tanto dinheiro? Quem está por trás dele, afinal?!

    No momento em que o jovem Tenente tirou as 40 moedas de ouro, os olhos da Eterna Viajante mostraram um vislumbre de surpresa, mas isso só durou um único instante. Mesmo que fosse um valor impressionante, a mulher já havia visto sua cota de grandes negócios e não se deixaria abalar por algo assim.

    “Entendo”, a mulher de máscara disse, com um olhar suave, mas pesado, sobre o rapaz pálido, como se estivesse tentando entendê-lo. Nesse ponto, sua atenção estava totalmente focada nele, muito mais do que nos dois Capitães ao seu lado. “Deran, recolha o pagamento.”

    Ouvindo a ordem, o sujeito baixinho com topete hesitou por um instante, mas logo moveu o pulso, guardando em sua própria pulseira as 40 moedas, bem como o Cristal de Sangue de Delgnor.

    Nesse momento, Raul olhou para Fernando com um olhar estranho. Mesmo sem dizer nada, suas palavras pareciam cravadas em seus olhos.

    Que porra você está fazendo, moleque? Se tinha tanto dinheiro, deveria ter guardado para a Habilidade Lendária!

    Do ponto de vista do Capitão moreno, não havia como o jovem Tenente ter reunido aquela quantia por si próprio. Logo, só havia uma única possibilidade.

    Os Generais, eles realmente deram tanto dinheiro para esse pivete? O que aqueles velhotes têm na cabeça?! Apesar de achar a atitude de Fernando inconsequente e suspirar consigo mesmo por ele agir de forma impulsiva, Raul não perdeu totalmente a calma. Tudo bem, eu devo conseguir. Eu sequer estava contando com qualquer dinheiro além do meu próprio antes. Não tem por que mudar isso agora.

    Tac! Tac! Tac!

    Nesse momento, a Eterna Viajante olhou para Fernando mais de perto, então moveu o pulso, quando uma taça de vinho apareceu sobre a mesa, assim como uma xícara. Ela delicadamente se serviu de algum vinho, pegando o pequeno recipiente que parecia feito de cerâmica, levando-o a seus lábios por baixo da máscara. Então, enquanto bebia, colocou a mão esquerda sobre a mesa, batendo com seu dedo indicador sobre ela, como se fosse algum tipo de mania. Logo terminou de dar um gole.

    “Você disse que nenhum desses itens na mesa era o que buscava. Então presumo que o que busca de mim é algo de alto valor. Mas agora você não tem mais o Cristal de Sangue de Delgnor e gastou tanto ouro. Você é realmente capaz de pagar pelo que procura?”

    Ouvindo a pergunta, o jovem Tenente não respondeu imediatamente, ficando em silêncio. Na superfície, sua aparência era calma, mas internamente ele estava sofrendo.

    Merda, merda! Meu dinheiro suado…! Quando Fernando viu Deran pegando todas aquelas moedas de ouro, sentiu como se seu coração estivesse prestes a sangrar. Ele havia literalmente suado e sangrado para obter cada uma daquelas moedas. Se bem que roubei boa parte daquilo também, mas não vem ao caso agora… Foi um gasto tremendo, mas necessário. Cada um daqueles itens é extremamente especial e vale seu peso em ouro. Não posso pensar nisso como uma perda, mas um investimento!

    Ao pensar até aí, o rapaz pálido, que estava sentindo sua avareza gritar, acalmou-se um pouco.

    Anteriormente, ele possuía 151.546 moedas de prata, ou 151,5 moedas de ouro. Com o gasto de 40 moedas nessa compra, agora restavam 110,5 moedas de ouro, o que ainda era uma grande soma, mesmo que tivesse gasto quase um terço desse montante. Com esse valor guardado, Fernando ainda estava confiante em comprar a Habilidade Lendária.

    No pior dos casos, posso oferecer carne ou mais Cristais de Sangue de Delgnor, mas, se possível, gostaria de evitar chegar nesse extremo, o rapaz pensou. Mesmo que odiasse gastar seu dinheiro, ainda era infinitamente melhor do que perder ainda mais materiais de Delgnor. Além disso, se continuasse mostrando coisas de valor a eles, seria difícil dizer se os dois à sua frente ainda seriam contidos pelo seu blefe. Afinal, não havia realmente nenhum Cavaleiro ou futuro Grande Mago por trás deles.

    Nesse momento, Raul interviu.

    “Você saberá se somos capazes de pagar ou não no momento certo. Primeiro, quero confirmar se realmente possui o que procuramos e se está disposta a nos vender.”

    Com a declaração do sujeito moreno, a Eterna Viajante, que encarava Fernando com um olhar quase perfurante, mudou sua atenção para o homem moreno.

    “É claro, eu sou uma comerciante. Se eu tiver o produto à minha disposição e vocês puderem pagar, ele será seu”, garantiu, com uma voz calma, quase monótona.

    Tendo recebido a confirmação, Raul continuou.

    “Há cerca de dois ou três anos, ouvi um certo boato de que vocês estariam em posse de um item especial. Inicialmente, eu não tive interesse nisso, já que eu não acreditava possuir as qualificações para fazer uso dele, mas as coisas mudaram recentemente…” falou, seu olhar pousando discretamente em Fernando e voltando rapidamente à mulher. “Me deu muito trabalho rastreá-la e, por coincidência, alguns dos meus contatos me deram uma dica que me trouxe aqui.”

    Quando o sujeito moreno falou até aí, principalmente quando mencionou ‘um item especial’, os olhos da Eterna Viajante se estreitaram levemente. Ao seu lado, a expressão de Deran também escureceu.

    “O que eu procuro é uma Habilidade Lend-”

    Crack! Swish!

    Antes que o Capitão terminasse de falar, Deran pisou na mesa, quebrando-a ao meio, e já estava bem na frente do Capitão moreno, com seu pequeno martelo em mãos, com uma expressão assassina em seu rosto.

    Raul mal teve tempo de reagir, tudo que conseguiu fazer foi empurrar Fernando, que estava bem ao seu lado, para longe, enquanto se jogava para trás.

    Crack! Ting!

    O sujeito baixinho, com topete, continuou em frente, decidido a esmagar o rosto do Capitão. No entanto, antes que seu balanço terminasse, faíscas espalharam-se, quando a ponta de uma lança entrou em seu caminho, empurrando o pequeno martelo e impedindo-o de avançar. Lerona havia intervido no último instante!

    Com o tempo ganho pela Capitã, Raul rolou para trás, enquanto derrubava o sofá junto com ele e imediatamente sacou sua espada. Fernando, que foi jogado para o lado oposto, também rolou pelo chão, quando tirou sua espada Formek, com seu olhar gelado nos dois inimigos. Desde o momento em que entrou no prédio, ele já estava pronto para um combate e agora o momento havia chegado!

    Brakas, fique preparado para ir com tudo! gritou em sua mente.

    Mesmo que Lerona agora tivesse pisado no nível de uma Major, isso era referente apenas ao seu Atributo de Agilidade. Não havia qualquer garantia de que seria capaz de enfrentar Deran, muito menos a mulher ao fundo da sala, que era uma Medusa disfarçada. Sendo assim, mesmo que tivesse que expor um de seus segredos, o rapaz pálido estava decidido a usar o Baiholder se fosse necessário.

    Sim, Mestre! A criatura berrou, de dentro do Anel de Aprisionamento, ansiosa para se provar, já que sabia que seu Mestre estava descontente com ele.

    Em meio a toda essa situação, a única pessoa que permaneceu completamente imóvel na sala foi a Eterna Viajante, que continuava sentada, calmamente dando mais um gole em sua xícara de vinho.

    Nesse momento, Raul sorriu.

    “Heh! Achei que tinha dito que nos venderia qualquer coisa, então o que isso significa?!” indagou, olhando para a mulher, que claramente era a ‘chefe’ da dupla. Em resposta a isso, a Eterna Viajante se manteve em silêncio.

    “Algumas coisas não estão à venda e desculpe por isso, mas vocês terão que morrer aqui hoje”, declarou, com uma voz sem qualquer emoção.

    Ouvindo isso, o Capitão moreno não se desesperou, mas riu alto.

    “Hahaha! Comerciantes, uma ova!” falou, de forma zombeteira. “Se é assim, então não me culpem por ser indelicado!”

    Logo veias saltaram de sua testa e pescoço, ao mesmo tempo que uma névoa vermelha logo se formou ao redor de todo seu corpo. Raul estava ativando seu Corpo Tirânico contra essas pessoas, ele sabia que não poderia se conter.

    De um lado, Raul estava com sua espada negra apontada para Deran; do lado direito, Lerona também o tinha ao seu alcance, pronta para reagir ao menor movimento.

    O que eu faço? Fernando perguntou-se, enquanto observava os três. Independente do que pensasse, sentia que não tinha a menor chance de ajudar numa luta como essa, ainda mais num local apertado como aquele. Se ele agisse de forma imprudente, sequer saberia como morreu!

    Enquanto pensava nisso, uma mensagem chegou ao seu Cubo Comunicador. O remetente era Raul.

    “Preste atenção, moleque. Eu e a ruiva vamos distraí-los. Assim que uma oportunidade surgir, você precisa sair desse lugar. Nosso ponto de encontro será na pousada. Se não chegarmos lá em vinte minutos, não espere por nós, você deve deixar a cidade o mais rápido possível.”

    A expressão do rapaz pálido era tensa ao ler o conteúdo, estava claro que Raul não tinha tanta certeza sobre sair vivo daquele lugar quanto havia declarado anteriormente.

    Crack!

    De repente, o impasse silencioso foi quebrado, quando uma parte da mesa quebrada rachou-se.

    Lerona e Raul moveram-se ao mesmo tempo, com o Capitão moreno atacando pela frente, enquanto a mulher empurrou sua lança pelo lado direito do sujeito baixinho.

    Ting! Ting!

    Deran facilmente defendeu o ataque de Raul, mas ficou surpreso com a velocidade absurda da lança de Lerona.

    Essa velocidade… Essa mulher não é apenas uma Capitã! pensou, levemente surpreso. Mas mesmo após descobrir isso, sua expressão não demonstrava qualquer medo ou hesitação, quando moveu o pulso para o alto.

    Swish!

    Uma estaca de concreto surgiu a partir do chão, erguendo a lança da ruiva, que estava prestes a atingi-lo, para o alto e a envolvendo em uma massa dura. Se Lerona não tivesse parado no último instante, seria ela, e não sua lança, que teria sido empalada.

    Felizmente, Fernando havia previamente contado sobre a estranha Magia de Terra de Deran e ambos já estavam atentos a isso.

    Mas, mesmo quase tendo sido atingida, Lerona não desistiu, quando usou apenas sua força bruta para destruir o concreto e retomar sua arma.

    BOOM!

    Raul moveu-se de um ponto ao outro dentro da sala, tentando confundir o sujeito baixinho, que apenas o acompanhava com os olhos. Ao mesmo tempo, Lerona investiu para um combate próximo.

    Ting! Swish!

    A lança e o martelo se chocaram inúmeras vezes em poucos segundos. Ao mesmo tempo que lutava com a ruiva, os olhos de Deran não pararam de seguir Raul, enquanto movia seus dedos, com picos de pedra e buracos surgindo por toda a sala, tentando pegá-lo.

    Enquanto desviava dos múltiplos ataques, o Capitão moreno observou não apenas o sujeito, mas também a Eterna Viajante, que continuava sentada no mesmo local, como se nada do que estivesse acontecendo fosse relacionado a ela.

    Tenho um mau pressentimento sobre essa mulher. É melhor eu acabar com isso enquanto ela está sendo orgulhosa!

    Bang!

    De repente, Raul saltou sobre uma parte movediça do piso, avançando contra o Mago de Terra.

    Tzim!

    A espada negra em sua mão logo começou a vibrar. Somado ao Corpo Tirânico, esse seria seu ataque decisivo!

    Mesmo vendo o Capitão moreno avançando com tamanha brutalidade, Deran parecia confiante, quando moveu o pulso e um segundo pequeno martelo apareceu em sua mão esquerda, pronto para defender o ataque do sujeito.

    De um lado, Raul com sua espada e do outro, Lerona com sua lança piscou, quando inúmeras imagens de lanças apareceram à sua frente. Mas, mesmo com a combinação dos dois Capitães atacando em perfeita sincronia, o sujeito baixinho continuava relaxado, como se ambos realmente não fossem um desafio.

    No entanto, tudo mudou quando ouviu um som estranho vindo de trás dele.

    Tchiiiii!

    Era um chiado baixo, semelhante a uma fogueira acesa. Ao virar o rosto, a expressão do sujeito mudou completamente.

    Parado, não muito longe, no canto da sala, estava Fernando, olhando-o de forma fria.

    Normalmente, Deran não se preocuparia com um pequeno Tenente insignificante como ele, porém, ao ver sua mão erguida para o alto, enquanto uma longa Lança de Fogo, de quase dois metros de comprimento e da largura de um punho, se formou.

    Ao ver aquilo, os olhos do Mago de Terra se arregalaram.

    Que Mana absurdo é esse?! Esse desgraçado não era apenas um Tenente?! perguntou-se, incrédulo, ao sentir uma enorme quantidade de Mana se reunindo, muito maior do que um simples Tenente deveria ser capaz de possuir. Mas o que mais o assustou naquele momento não foi a quantidade absurda de Mana, mas sim o olhar gelado do rapaz. Ele… não está planejando jogar aquilo, está? Se ele usar algo como aquilo nesse espaço apertado, todo esse lugar vai virar um inferno de chamas! Ele está tentando se matar com todos aqui?!

    Antes que pudesse pensar mais a respeito, Fernando não hesitou, quando moveu o ombro, num movimento de impulso, logo seu braço estalou como um chicote, arremessando aquela monstruosidade diretamente na direção de Deran.

    Lerona e Raul, que viram isso e também estavam na área de impacto daquilo, tinham rostos assustados por um instante. Mas logo suas expressões endureceram.

    Nessa curta troca, onde eles deveriam ter vantagem devido ao espaço apertado, perceberam algo aterrador. Ambos sentiram que não tinham a menor chance contra esse homem! Sendo assim, se iriam morrer de qualquer forma, sentiram que seria melhor que fosse pelas mãos de Fernando! Sendo assim, seus olhares se fixaram no homem, eles não permitiriam que ele se defendesse disso!

    Swish!

    A Lança de Fogo gigante foi arremessada.

    Assim que o ataque saiu das mãos de Fernando, a Eterna Viajante, que estava quietamente sentada, bebendo vinho, com os olhos fechados, repentinamente os abriu. Um fulgor verde luminescente imediatamente brilhou em suas íris.

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