Capítulo 11 — Superprotetor vs Teimosia

Um homem de aparência jovem, orelhas pontudas, pele muito clara, cabelos verde atravessa a entrada principal e caminha na direção dos dois.
— Vocês já se cumprimentaram o suficiente.
— Bem quando estava começando a ficar divertido… que sem graça — resmunga a mulher.
— Heragon, venha comigo — Chama o homem, sem elevar a voz.
— Está falando com o garoto, mestre da Guilda? — Ela franze a testa. — Você conhece esse intruso?
— Ligue os pontos. Já deve ter percebido que o garoto é da raça dos Dragões.
— Espera aí… Dragão com nome terminando em gon… ele é parente do Fiogon? Como não sobraram muitos Dragões por aí, isso só pode significar que ele é filho da…
— Exatamente.
— O senhor… — Heragon arregala os olhos, o coração disparando. — Herói de guerra… mestre e fundador da Guilda… conhecido como Imperador da Natureza… que maneiro.
— Vejo que já ouviu falar de mim — diz o elfo, divertido.
— Mas é claro! Meu velho me contou muitas histórias. Em várias delas, ele falava com orgulho dos companheiros que lutaram ao lado dele.
— Aquele velhote… — O elfo sorri de canto. — Vou me apresentar formalmente. Me chamo Sundar, dos Elfos. Vamos para o meu escritório. Temos que conversar.
Ele se vira e segue em direção à saída do prédio.
— Espera… quer dizer que não estou em Símia? — Heragon o alcança, confuso.
— Não. Estamos em Yggdrasil, sede da grandiosa Guilda.
Ao abrir a porta, Heragon se encanta com a visão adiante. Anda pela extensa ponte viva.
— Esse lugar… é bem mais incrível que nas histórias — diz, quase sem voz.
— Hahaha. Sua mãe teve a mesma reação. — Levanta o rosto.
— Ela… está aqui na Guilda?
— Não. — A expressão dele pesa um pouco. — Por falar nisso, Heragon, quero que fique aqui e estude na Academia.
— O quê?! Não posso! Meu avô foi capturado pelos Hunters. Tenho que ir salvá-lo. Treinei dois anos inteiros para isso, não posso esperar mais.
— Mais um motivo para treinar mais. — Sundar olha para o horizonte. — Os Hunters são fortes. Você pode acabar morrendo antes mesmo de chegar lá. Não posso deixar o neto de um grande amigo morrer assim.
No meio da ponte, Heragon para e fecha os punhos com força.
— Como posso provar que fiquei mais forte?
Sundar suspira.
— Elena, entre em posição — diz o elfo, sem nem olhar para trás. — Desta vez, leve mais a sério essa luta. Heragon, aguente dez segundos. Se conseguir, não tocarei mais no assunto.
— Só dez segundos? Muito fa…
Antes de terminar a frase, Elena o derruba com um único movimento. Ele nem vê o golpe.
— O quê?! Isso foi injusto, não tive tempo de me preparar!
— Garoto, em uma luta de verdade, o inimigo não espera — retruca Elena, cruzando os braços.
— Essa não valeu — resmunga Heragon, levantando-se. — Desta vez vai ser diferente.
Ele se prepara e entra em posição. Elena sorri e avança outra vez. O resultado é o mesmo. E de novo. E de novo. E de novo. Nada muda. Cansado, ofegante, o jovem já não consegue se erguer.
— Entendeu agora? Você ainda é muito fraco — afirma o mestre da Guilda, com frieza calma.
— Ainda assim… tenho que salvá-lo. Quero entrar para a Guilda, mas…
— Você tem a mesma teimosia da sua mãe. — Sundar suspira. — Não vou deixar você sair desta dimensão sem me provar que está pronto.
— Mas como?
— Daqui a um mês, acontecerá o Festival dos Campeões…
— Já ouvi falar. Fazem um tipo de provação em um torneio no festival.
— Exatamente. Você não está com paciência para participar como formando da Academia. Os testes para participantes de fora já acabaram. Só te resta a recomendação.
— Recomendação?
— Se for recomendado por um Rank S, será qualificado automaticamente para o torneio. Elena, cuide dele durante esse mês.
— O quê?! Vou ter que passar o mês inteiro como babá? Tem outros Rank S que podem cuidar disso. — Elena demonstra nítido descontentamento.
— Você já lutou várias vezes com a mãe dele. — Sundar sorri de canto. — Já deve ter copiado o estilo do Dragão. Será uma missão nomeada. Entendeu?
— Droga… está bem. Não tenho escolha, então. — Ela revira os olhos.
— Heragon, você terá um mês para conseguir a aprovação da Elena. Se tentar fugir, vou obrigá-lo a entrar na Academia. Estamos entendidos? — diz Sundar, liberando uma pressão ameaçadora no ar.
— Sim, senhor — responde o garoto, engolindo seco.
Toda essa conversa acontece enquanto Heragon está estirado no chão, sem forças. O mestre da Guilda se aproxima, abre a palma da mão.
Flores brotam ao redor do jovem e começam a brilhar. A luz escorre para o corpo dele; a energia o preenche e, em instantes, ele consegue ficar de pé novamente.
— Incrível… toda a minha fadiga sumiu.
— Vamos — diz Sundar.
Heragon se levanta devagar, aperta os punhos e pensa:
Não tenho escolha. De novo.
Mas o próprio rosto o traiu no instante seguinte. No canto da boca, nasceu um sorriso pequeno, vivo, teimoso. Daquele tipo que aparece quando a ordem recebida se parece demais com um desafio.
Chegam aos portões na base da árvore colossal. Grandes e robustos, Sundar toca a madeira, que reage à insígnia em seu peito.
O portão se abre sem ranger, apenas com o estralar vivo da madeira cedendo.
Ao entrarem, Heragon se impressiona mais uma vez. Há um grande fluxo de pessoas, e pássaros mensageiros carregando cartas cruzam o ar de um lado para o outro, num vai e vem incessante.
Aves maiores, usadas como montarias, sobrevoam o espaço amplo, pousando e levantando como se aquele lugar fosse um céu particular.
Por dentro, a estrutura é bem montada, respeitando a árvore, é claro. Em vez de escadas, raízes serpenteiam pelo interior, formando caminhos naturais.
A árvore colossal é oca, mas o tronco é espesso, e raízes internas percorrem as paredes, distribuindo nutrientes sustentando aquele mundo por dentro.
Aventureiros pegam missões em quadros cobertos de papéis, organizados por Ranks. Em seguida, se dirigem aos balcões, onde são atendidos tanto os que querem aceitar uma missão quanto os que desejam publicar uma.
— Elena, leve-o para comer algo. Cobrirei todos os gastos dele e os seus durante esse mês.
— Opa, pelo menos algo de positivo nessa missão. — Ela sorri. — Saiba que vou me esbanjar.
— Que seja. Vou para o meu escritório. Só tente não matar o garoto, entendeu?
— Vou tentar.
Sundar suspira.
— Já estou preocupado, mas… ele é neto do homem que mais respeito neste mundo. Tenho certeza de que irá superar minhas expectativas.
Como quem domina o lugar, Sundar é levado pelas raízes para o alto, indo para seu escritório no ponto mais alto da Guilda.
Entrando na sala bem agregada, a atravessa com tranquilidade. Ao se sentar na cadeira atrás de uma mesa que mais parece fazer parte da própria árvore, uma bela voz ecoa direto em sua mente.
Bom trabalho. Conseguiu segurar o jovem. Mas tenho uma dúvida: você realmente iria obrigá-lo a ficar caso ele não quisesse?
— Claro que não. Não é do meu feitio fazer algo assim. Mas, ainda estou me perguntando, por que a grandiosa Guia Suprema insistiu tanto para eu convence-se o jovem a entrar na Guilda?
Tenho meus motivos.
— Depois daquela missão em Gnor, todos vocês voltaram cheios de segredos. Estou me sentindo excluído.
Tão sentimental… se eu não tivesse impedido, você já teria declarado guerra contra Floressi para resgatar o velhote.
— Mas é claro. O que eu quero agora são respostas. Se não me contar, amanhã mesmo aquele lugar vai queimar.
Está bem, está bem. Desta vez, acho melhor te contar. Como já sabe, fomos naquela missão Rank S de Grau V, lá…

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