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    Ponto de Vista de Shin

    O santuário da cidade parecia mais iluminado do que o ano anterior. Lanternas penduradas ao redor do caminho de pedra central. Barracas bem iluminadas indo e vindo durante todo o caminho principal do templo. O cheiro de incenso que misturava com o da comida quente.

    E claro, muita, mas muita, gente ali.

    Era a última noite do ano, afinal de contas. E faltavam cerca de trinta minutos para a virada.

    Eu enfiei as mãos no bolso do casaco, sentindo os dedos tremerem levemente. Mas não sabia dizer se era por causa do frio…. ou outra coisa.

    Ou talvez fossem as duas ao mesmo tempo…

    Respirei fundo.

    Aquela noite finalmente tinha chegado. Aquela mesma noite de que Yuki havia me convidado timidamente na casa dela. Eu ainda lembrava da cena com clareza, e também das palavras de Kaito.

    Olhei em volta, procurando alguns rostos familiares pela aquela multidão, sem ser os de Seiji e Rintarou. 

    — Onde eles se meteram!? — Seiji murmurou, com os ombros tremendo. — Acho que vou comer algo pra esquentar! Bora?

    — Passo — Rintarou respondeu, calmamente.

    — Eu também — completei, rindo de leve, enquanto Seiji fazia uma careta.

    Depois de algum tempo, andando sem uma direção em específico e com Seiji parecendo nervoso por algum motivo, achamos algumas pessoas da turma na entrada do santuário.

    — Ei, aqui!

    Segui o som no mesmo instante. E eu vi ela. 

    E aquilo também.

    Ela vinha na nossa direção, acompanhada de algumas garotas da turma, conversando animadamente.

    O sorriso dela… tão fácil no rosto, que quase me fez parar e apenas olhar para ela.

    — Ei, vem logo, Shin! — Seiji disse, olhando para mim enquanto se aproximava deles.

    — A-ah, sim — respondi depois de algum tempo, e caminhei mais rápido.

    Foi então que olhei para baixo… e vi o cachecol. Aquele mesmo que eu dei de presente no dia do karaokê.

    E meu coração… simplesmente errou uma batida.

    Ele estava enrolado com cuidado em volta do pescoço, que praticamente contrastava com o casaco claro. 

    Realmente parecia ter sido o presente perfeito.

    Um sorriso bobo quase escapou, e eu desviei o olhar por reflexo e coloquei a mão na boca

    — Feliz Ano Novo adiantado, Shin — ela disse, parando na minha frente enquanto o grupo aumentava e começavam a conversar.

    — Feliz Ano Novo adiantado também, Yuki — respondi, voltando ao normal.

    Ela sorriu, mas depois inclinou levemente a cabeça para baixo, quase como se estivesse com vergonha.

    — Olha… eu fui na casa da minha avó hoje, e… — ela começou, olhando para baixo e para o lado, desviando completamente o olhar de mim. — Ela fez aqueles bolinhos de arroz que falei…

    “Ah, não me diga que…”

    Não podia ser.

    — Só que… — ela finalmente me encarou, um pouco vergonhosa e com um pequeno sorriso no rosto. — Não sobrou nenhum. Desculpa.

    Eu só consegui soltar uma pequena risada quando ela terminou. Ela realmente era boba.

    — Não tem problema, eu até já sabia que você ia comer tudo… — respondi, balançando a cabeça com um pequeno sorriso no rosto. — Mas lembra que você disse que precisava controlar as calorias?

    Ela então parou, e a sua cara mudou quando parecia ter lembrado.

    — Ah! Pois é… Acho que vou ter de treinar o dobro no próximo ano… — ela quase murmurou, mas logo riu e eu também.

    Logo, o grupo todo acabou reunido na entrada do santuário, enquanto várias pessoas andavam por ali.

    Seiji já, como sempre, começava a falar de alguma barraca que valia a pena gastar dinheiro, e Sora concordava com ele. Akira já reclamava que tava com fome. Yumi e Mina riam de algo que Kazuki falava, e Aiko… já procurava alguém para competir. Como sempre…

    Começamos então a andar juntos, atravessando a grande multidão.

    — Cuidado para não se perderem — Rintarou disse, e o grupo assentiu.

    As barracas dali lembravam muito as dos festivais de verão. Algumas com jogos simples, vendedores chamando clientes com vozes animadas, tudo isso enquanto faltava meia hora para a virada do ano.

    A diferença era apenas o frio. Quase como um festival de inverno.

    Ainda assim… a sensação era praticamente a mesma. Algo bom.

    Eu ainda caminhava ao lado de Yuki, que tinha me chamado para ir ver uma barraca que vendia bolinhos de arroz para… se desculpar. 

    — Mas eles não são tão bons quanto o da avó! — ela dizia, com um pequeno sorriso no rosto.

    — Tudo bem — eu respondia, rindo.

    De vez em quando, nossos braços quase se tocavam, por causa da multidão, e eu acabava por sentir um arrepio que não era necessariamente causado pelo frio daquela noite.

    Eu olhei para ela, mais uma vez, enquanto nos aproximávamos da barraca e nos distanciávamos do grupo.

    Aquele sorriso tímido no rosto, o cabelo diferente do habitual, o cachecol nela.

    “Encare seus sentimentos. Quem sabe o que a Yuki espera de você?”

    As palavras de Kaito ecoavam na minha mente.

    Eu tinha que tomar uma decisão. E logo.

    Ponto de Vista de Seiji

    A última noite do ano tinha finalmente chegado! E com ela, o nosso plano de finalmente juntar aqueles dois.

    Mas naquele momento, minha mente lutava entre o plano… e o cheiro quente vindo das barracas.

    — Concentra, Seiji! — murmurei, balançando a cabeça.

    Eu precisava focar no plano.

    Então olhei ao redor, enquanto Akira e a Sora me puxavam para uma barraca com eles.

    “Ali!”

    Meus olhos focaram neles, no meio daquela gente toda. 

    O Shin e a Yuki caminhavam um pouco mais afastados do grupo. Eles conversavam sem pressa, com uma naturalidade que eu raramente via naquele garoto. Ah, e ainda tavam sorrindo.

    — Hm… — murmurei, e Akira parou de puxar minha manga para me escutar direito. — Eles já tão na mesma página…

    Cruzei os braços, ainda observando eles com um sorriso orgulhoso no rosto, enquanto Sora pedia qualquer coisa da barraca e eu só ouvia.

    Era perfeito!

    — Ei, Akira! Quantos minutos faltam!? — perguntei, me virando para ele com um senso de urgência.

    Ele pegou o celular do bolso, equilibrando com a comida na mão, e olhou de volta pra mim.

    — Vinte e três minutos ainda — ele respondeu, terminando de pagar o vendedor. — A gente ainda tem tempo, bora comer agora!

    Ele era realmente idiota.

    — Sem essa! A gente precisa começar agora — retruquei, com a cara fechada e braços cruzados. — Não tá vendo essa multidão!? Vai atrasar o plano!

    Se aquelas pessoas separassem a gente deles… o plano ia tudo por água abaixo.

    Eu não podia deixar isso acontecer. O plano tinha que dar certo!

    — Hm? — Sora murmurou, enquanto mastigava.

    Ah, sim. Ela não tava presente quando criei a Operação Contagem Regressiva.

    — Vamos ali naquela barraca pegar polvo frito! — interrompi eles, empurrando os dois pelo ombro.

    Eu precisava reunir todo mundo. E rápido!

    Por sorte, bem no caminho, acabei esbarrando em Mina, Yumi e Aiko.

    “Perfeito.”

    — Ei, a gente precisa começar o plano agora…! — sussurrei perto delas.

    — Mas já? Achei que ainda tivéssemos tempo — Mina retrucou, mas logo se animou. — Tá, cadê eles!?

    Eu me virei na direção oposta, com um sorrisinho na cara, apontando para a barraca onde eles dois estavam.

    — Bem… ali?

    Hein?

    Pisquei algumas vezes, e olhei para a esquerda e direita.

    Hein!?

    Eu arregalei os olhos.

    Hein…?

    — Cadê… eles…? — murmurei, dando alguns passos para frente para tentar ver melhor.

    Mas tentar ver qual eram eles naquela multidão de cabeças parecia impossível.

    — Ei, ei! Não me fala que você perdeu eles de vista! — Yumi falou, alto, quase me dando uma bronca.

    Não era como se eu tivesse que ser o único a ter eles nas vistas!

    Eu virei a cabeça, enquanto Aiko e Akira começavam a procurar rapidamente naquela direção.

    Eu não conseguia acreditar.

    O plano ainda nem tinha começado, e mesmo assim…

    Senti um sorriso nervoso surgir no meu rosto, enquanto Yumi ainda parecia estressada comigo.

    Não era bem minha culpa!

    …Ou talvez fosse. Só um pouquinho…

    — Não é possível…

    Onde eles haviam se metido!?

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