Capítulo 195 de 02 – Eu te odeio, Ui!
Perante as dúvidas e curiosidades do grupo, Nick perdeu um tempo ao explicar os básicos do smartphone, principalmente para Dam, que estava bastante curioso.
Durante esse tempo de explicação, as criaturas metálicas que haviam se colidido entre si perto do local. Umas foram embora, e alguns humanos saíram daquele ser preocupados, outros frustrados e outros com medo.
Um barulho alto acionava várias vezes, mas o grupo não se importava muito com isso. O barulho ficava mais intenso, e de longe surgiu outra criatura metálica com cores azul-claro. De dentro saiu um homem com uma vestimenta parecida com a dos soldados, mas o grande diferencial era a sua cor azul-escuro.
Parecia que eles chegaram para ajudar as pessoas. Izumi os viu de perto e tentou entender melhor aquele mundo, mas a atenção dele no smartphone era maior.
Após uma hora, aqueles homens se aproximaram de Nick e conversaram. O homem de traje azul olhou com desconfiança, depois colocou a mão no ombro de Nick e disse:
— Deixo com você.
Nick suspirou, ajeitou a postura e aproximou-se do grupo, então relatou:
— Foi mal, mas precisamos seguir aquele pessoal.
Max olhou para os outros membros e depois concordou com o ruivo, e os seguiu até um dos carros. O líder pediu para entrarem. Izumi, por sua vez, hesitou na hora de entrar, mas Dam passou à frente e entrou.
O mestiço hesitante entrou. Ui, que estava ao lado, tremia de emoção ao pensar que poderia sentar ao lado do seu amado. Sem pensar duas vezes, a mestiça entrou, e eles ficaram bem colados.
Naquele carro, havia duas pessoas sentadas à frente, e os dois olhavam para um espelho frontal, um pouco acima de suas cabeças, e Izumi ficou cauteloso com isso. A mestiça, por sua vez, tremeu de emoção, descansou a cabeça no ombro dele.
O mestiço sentia o corpo tremer levemente, e Ui percebeu isso de imediato. Num reflexo brusco, afastou a cabeça dela.
— Nunca mais faça isso! — afirmou, ainda com o corpo ligeiramente tenso.
— Tá… — respondeu, assim que franziu a testa, confusa, mas recuou sem insistir.
Aquela criatura metálica, de repente, começou a se mover, e Izumi ficou alarmado e segurou a sua arma. Nessa situação, aqueles homens ficaram cautelosos e seguraram algo na cintura.
— Radical! Como isso está se movendo? — perguntou Dam, curioso, ao inclinar-se levemente para observar melhor.
Os homens olharam pelo espelho e não disseram nada. O atirador, ao perceber que aquelas pessoas não iam dizer nada, começou a analisar a criatura metálica com as suas mãos, mas ainda não conseguiu decifrar do que eram feitas as peças daquela coisa. Izumi sorriu do canto da boca e pensou.
Criatura lenta.
O carro subitamente parou em um local onde havia vários outros carros iguais. Ao lado, Max, Idalme e Nick saíram de outro veículo.
Um dos homens saiu do carro, abriu a porta, e eles saíram pelo lado onde estava Dam.
— Ei, pode me explicar como é feito isso? — perguntou o atirador, curioso, observando o objeto com atenção.
Um dos homens, ao notar o interesse dele, entrou imediatamente em alerta e gritou:
— Coloque isso no chão!
O outro homem, assim que entendeu a situação como uma ameaça, sacou a arma e apontou para Dam, gritando:
— Larga isso no chão e levante as mãos!
Ele, por sua vez, levantou as mãos lentamente para cima e disse, confuso:
— Isso o quê? Não estou segurando nada.
Os homens se fitavam em dúvidas, mas mesmo assim insistiram que ele permanecesse naquela posição. Logo depois, exigiram que os outros dois fizessem o mesmo. Entretanto, Izumi negou e sacou a espada.
O mestiço começou a se aproximar do policial, e ele, em desespero, apertou o gatilho. Max e os outros notaram o problema e se aproximaram. O mestiço, que estava se aproximando do homem, passou por ele. Aquele ser caiu no chão em dor e gritou:
— Meus dedos!!!
Vários homens saíram trajando a mesma vestimenta e, vendo a situação, apontaram as armas para o grupo e exigiram que eles se ajoelhassem e abaixassem as mãos. Izumi, naquele momento, ao escutar a palavra “ajoelhar”, ficou furioso.
— Ninguém me ordena a ajoelhar! — declarou, soltou sua intenção assassina, que se espalhou pelo ambiente.
Aqueles homens, ao se sentirem oprimidos, acabaram soltando as armas no chão. Max, tremeu um pouco, aproximou-se do seu irmão e colocou a mão no ombro dele.
— Pare, Izumi — pediu.
O mestiço olhou-o seriamente, depois olhou para o chão e ao redor. Suspirou e desativou sua intenção assassina. Guardou suas armas e ordenou que agilizassem aquilo rapidamente. De longe, dentro do prédio, havia um homem de óculos escuros olhando naquela direção. Nick, assim que percebeu isso, pediu para esperarem ali e foi em direção àquela pessoa.
Os dois entraram. Logo depois, os outros homens, com medo, entraram no prédio e deixaram as armas no chão, pois sentiram receio de que pudessem morrer. Um dos homens ajudou o ferido e foi embora.
— Esses Acs são fracos, diferente daqueles vestidos de verde — comentou o líder, ao observar os guardas com desdém.
— Acs? — perguntou Izumi, franzindo a testa.
— É como chamam eles — respondeu.
— Esse local parece pacífico comparado ao lá fora. Todo mundo parece fraco por aqui. Um ataque de demônios… não sei como iam se sair — disse Max e analisou o ambiente com calma.
— Mas aqui não é o local? — indagou Idalme. — Onde tem uma daquelas energias.
— Sim, talvez esteja escondido. Aqui parece ser muito grande — respondeu o líder, pensativo.
— O que vamos fazer? — perguntou Ui.
— Hunf, eu vou rastreá-los com o meu faro! — declarou Izumi.
Max colocou a mão na cabeça do seu irmão e acariciou, dizendo com leveza:
— Faça isso, irmãozinho.
Izumi o fitou de canto dos olhos e afastou a mão imediatamente.
— Nunca mais faça isso — disse, ao virar de costas.
O mestiço, naquele momento, vagou em suas memórias de infância, quando a mãe lhe acariciava a cabeça e dizia que, assim que tivesse um irmão mais novo, ele faria o mesmo. Nesse instante, ele entendeu um pouco mais a sensação de ser o irmão mais novo.
O grupo permaneceu parado, esperando até que Nick aparecesse e pedisse desculpas pela demora. Nick hesitou um pouco, mas pediu desculpas para eles devolverem os smartphones que haviam pegado.
Eles ficaram hesitantes, mas entregaram, exceto Dam, que disse ter perdido. Ui, porém, afirmou tê-lo visto guardando no seu espaço espacial, e ele se viu forçado a devolver. Naquele momento, ele olhou para a mestiça com desgosto, todavia ela respondeu com um sorriso.
— Então… poderia devolver as armas também? — perguntou Nick, com cautela, ao observar o grupo.
— Damzinho — zombou Ui, com um sorriso provocador. — Devolve as arminhas, hehe.
— Eu te odeio, Ui! — declarou Dam, insatisfeito, assim que entregou as armas contra a vontade.
E mais uma vez, a mestiça sorriu para ele, ao simular disparos com gestos de tiros e “atirando balas ilusórias” em sua direção. O atirador a olhou, como se dissesse que a rejeição a havia afetado mentalmente.

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