Capítulo 203 de 10 – Eu os matarei a todos!
O rei, que até aquele momento ostentava um desprezo evidente por pessoas tão feias, voltou o olhar para um dos soldados e ergueu lentamente a mão. O simples gesto bastou para que o grupo inteiro entrasse em alerta imediato, os corpos tensos e preparados para qualquer coisa.
Então, quando a mão foi abaixada, o chão sob seus pés se abriu ao meio sem aviso. O piso se partiu em duas enormes placas, e todos despencaram no vazio, exceto uma única pessoa. No reflexo do desespero, Max tentou usar suas explosões para escapar da queda, mas, naquele momento, seus poderes falharam.
A escuridão abaixo era tão profunda que ninguém conseguia enxergar o fundo. O vento cortava violentamente enquanto caíam, e a sensação era de que acabariam espatifados no chão a qualquer instante.
Num pensamento rápido, Idalme puxou uma flecha e a disparou contra a parede. A ponta atravessou a pedra e ficou presa. Sem hesitar, ela segurou a flecha com uma das mãos enquanto agarrava Ui com a outra, assim impediu que ambos continuassem a cair.
No entanto, Dam e Max ainda despencavam na escuridão.
Izumi, que havia conseguido saltar a tempo, observou o rosto das pessoas, marcado pelo desespero. O rei, então, gritou rapidamente:
— Rápido!!!
Um dos soldados ergueu o pequeno celular que carregava nas mãos e falou alguma coisa em voz baixa. Logo em seguida, uma abertura surgiu no teto acima deles. A estrutura deslizou lentamente e revelou um compartimento oculto.
Então, um objeto de formato retangular despencou lá de cima e caiu diretamente sobre o mestiço.
— Morra, criaturas feias!!!
Enquanto o mestiço caía, todos que estavam abaixo conseguiam ver com clareza o que pareciam ser os últimos instantes de suas vidas. A escuridão ao redor tornava a queda ainda mais sufocante, como se o próprio ar pesasse contra seus corpos.
O líder, naquele momento, sentia-se um fardo. Tentava repetidamente ativar sua habilidade, mas nada respondia. O esforço só aumentava sua frustração, enquanto a queda continuava sem controle.
Tomado pelo desespero, acabou por gritar:
— Izumi!!!
— Cala boca — murmurou o mestiço, sem sequer virar o rosto.
Ele permaneceu imóvel por um instante, como se o caos ao redor não o alcançasse. Então, começou a reunir uma quantidade densa de energia negativa, que se condensou de forma visível ao redor de sua espada.
Ergueu a espada e gritou:
— Sen To Ichi!
O impacto partiu o objeto em vários pedaços, espalhando fragmentos no ar. Os destroços continuaram a descer junto deles.
Um dos fragmentos atingiu em cheio a cabeça da peituda. O golpe foi seco e inesperado, e sua visão imediatamente começou a se turvar. A consciência foi se apagando aos poucos, enquanto o corpo perdia força no meio da queda.
— Idalme? — questionou Ui, preocupada.
A mão que segurava a mestiça enfraqueceu aos poucos até perder completamente a força. Ela passou a cair rapidamente, enquanto ainda conseguia ver sua amiga já inconsciente a despencar de forma lenta e descontrolada.
Mais acima, Izumi aproveitou uma das pedras soltas como impulso e avançou com velocidade em direção à mestiça. O movimento foi preciso e atravessou o ar em meio à queda.
No entanto, no instante em que tentou agarrá-la, Ui desviou e usou inesperadamente o próprio impulso do mestiço contra ele. Com um movimento brusco, ela o lançou em direção à peituda e gritou em seguida.
— Salve Idalme!
Naquele momento, ele hesitou por um breve instante, como se o próprio pensamento vacilasse entre duas escolhas. Ainda assim, reagiu rapidamente: agarrou a peituda em plena queda e, com um movimento, cravou uma de suas espadas na parede, usando-a como ponto de apoio enquanto o corpo permanecia suspenso.
Dali, manteve-se firme e observou todos os outros continuarem a despencar na escuridão abaixo.
Por um curto momento, considerou a possibilidade de descartar a peituda. Ao final, tomou a decisão e realmente fez isso.
Idalme começou a cair e Ui gritou em desespero:
— Não, Izumi!!!
O mestiço permaneceu imóvel por um instante e observou o local com um olhar frio. Então, girou o corpo com a espada, assim que a usou como apoio, e impulsionou-se até a parede, fixando os pés nela com precisão.
— Speed Iz Brute Force! — declarou, ao ativar sua técnica com firmeza.
No momento em que retirou a espada da parede, ele correu sobre a própria parede com rapidez. O impulso permitiu que avançasse em meio à queda e atravessasse em alta velocidade.
Em pleno vazio, alcançou Idalme antes que os destroços a atingissem e a agarrou, interrompendo sua queda por um instante. Sem hesitar, lançou-a em direção a Ui e gritou:
— Segure!
Ele bateu na outra parede e voltou a correr, ao passar por Max e Dam sem parar. Com os ouvidos aguçados, conseguiu perceber o fundo do local e dirigiu-se até lá.
Ao alcançar um solo firme, o mestiço suspirou enquanto observava para cima. A pouca luz que havia desapareceu no instante em que o teto se fechou. Seus olhos não enxergavam nada e passou a depender exclusivamente da audição.
Com a habilidade ainda ativa, aguardou o momento em que todos se aproximavam do solo. Quando os primeiros estavam prestes a chegar, agiu com extrema velocidade pela parede, saltou, agarrou o seu irmão e, novamente, correu pela parede até o chão.
Antes que o líder pudesse dizer qualquer coisa, o mestiço já se movia outra vez, ao pegar Dam e colocá-lo no chão.
Max, vendo-o parado a olhar para o teto, perguntou, com preocupação:
— E Idalme e Ui, Izumi?
O silêncio durou apenas um instante. Sem desviar o olhar, respondeu seco:
— Calado!
O líder engoliu em seco naquele momento, enquanto o mestiço desaparecia de sua vista. Pouco depois, a peituda surgiu no chão.
Restava apenas uma pessoa, mas ela foi salva. A mestiça não perdeu tempo: segurou firme o seu amado e não o soltou, mesmo já em solo firme.
Ele soltou as mãos ao acreditar que ela cairia, porém ela o segurava com força, tremendo.
— Só dessa vez… me abrace, Izumi.
Nesse momento, ele lembrou-se dos últimos instantes de sua mãe, quando nada pôde fazer para impedi-la. A lembrança veio de forma brusca e apertou o peito como uma dor antiga que ainda não havia desaparecido.
As lágrimas se acumularam em seus olhos, sem cair de imediato, enquanto um conflito o dominava: a gratidão por conseguir salvar alguém importante para si e a tristeza que insistia em permanecer.
Ele hesitou por um breve instante, como se não soubesse se devia ou não manter o contato. Ainda assim, voltou a segurá-la com mais firmeza.
Naquele momento, a mestiça começou a chorar.
— Eu… achei que… ia morrer… — murmurou, com a voz a tremer. — Como podem fazer isso? Eu os odeio!
Nesse instante, despertou em Izumi um novo sentimento, mais intenso e difícil de ignorar, enquanto a imagem daquele rei esnobe surgia repetidamente em sua mente. O olhar de desprezo, a postura arrogante e a indiferença diante do sofrimento alheio.
Em silêncio, com os pensamentos pesados, ele jurou para si mesmo:
Eu os matarei a todos!

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