Capítulo 202 de 09 – Criaturas hediondas!
Perante a pergunta, ninguém respondeu. Então, Ui colocou a cabeça para fora da janela do carro e gritou:
— O que é Rei, Izumi?
Sendo ignorada pela segunda vez, ela virou-se e fitou a peituda seriamente:
— O que é Rei, Idalme?
A peituda ficou ligeiramente constrangida, olhou para Max em busca de ajuda, mas ele apenas a encarou com um sorriso tranquilo. Sem resposta útil, voltou-se para Ui e tentou explicar:
— Um Rei… sabe… é aquilo que todos sabem.
— Sabem? — repetiu a mestiça, ao inclinar a cabeça, ainda mais curiosa.
— Sim… Rei é algo único, uma coisa boa… sabe… aquilo que todo mundo conhece — continuou e improvisou.
— E o que isso significa? — questionou, e a curiosidade cresceu ainda mais.
Os seios firmes já transpirava. Olhou novamente para o amado, mas, desta vez, ele desviou o olhar e escondeu o largo sorriso.
— Chegamos — disse Nick, assim que parou o veículo com cuidado.
— Chegamos, vamos sair do carro. Ui! — Chamou e se preparou para descer.
— Mas e o Rei? — insistiu.
Idalme abriu a porta e respondeu com um leve riso:
— Explico depois, haha!
Ao descer do carro, A peitos enormes chamou por Max e logo lhe mostrou um sinal de corte no pescoço. Em resposta, ele deixou de sorrir, juntou as palmas das mãos e fez uma reverência em agradecimento.
— Uuuuuaaaaauuuu! — gritou Ui, os olhos brilharam ao ver a construção imensa à sua frente. — Que quartel enorme e bonito!
— Não é quartel — negou o ruivo e observou a reação dela. — É um castelo.
— Castelo? — repetiu, ao inclinar a cabeça, ainda impressionada com o tamanho da estrutura.
— Sim — confirmou.
O castelo podia ser visto ao longe, erguido em terreno elevado. As muralhas ao redor eram do mesmo tipo das anteriores, mas não tão altas quanto as outras. Havia torres de vigia elevadas, bem diferentes das demais muralhas, que não as possuíam.
— Nos despedimos por aqui — disse Nick, e parou à distância.
— Já? — indagou Max e cruzou os braços.
— Sim — respondeu. — Aquela mulher logo à frente vai vos orientar.
O líder acompanhou o olhar dele na direção indicada e depois perguntou:
— Algum conselho?
O ruivo hesitou por um instante e então avisou, sério:
— Tomem cuidado.
Enquanto ele se afastava, Max o encarou com desconfiança. Em sua mente, ecoavam as palavras sobre tomar cuidado, enquanto pensava nos perigos que poderiam encontrar em um lugar como aquele.
Uma empregada de pele negra e cabelo preso em um rabo de cavalo aproximou-se do grupo e disse com postura formal:
— Boa noite, meus caros convidados. Serei a responsável por vos direcionar até o Rei.
— Rei! — exclamou Ui e aproximou-se rapidamente. — O que é Rei?
— Rei é o posto da pessoa mais importante e poderosa deste país — explicou a empregada, com calma.
— Então é como o pai do Izumi — comentou a mestiça, pensativa.
— Eu sou mais forte que o velhote! — afirmou o mestiço.
— Realmente! — respondeu, ao sorrir de forma animada.
Max, ao lado, levou a mão à boca e pensou:
Poderosa… talvez aqui seja o ninho deles.
A empregada, por um momento, fitou Izumi e disfarçou. A mestiça percebeu e ficou curiosa.
— Me sigam, por favor — pediu a empregada, virou-se com passos leves e conduziu o grupo ao interior do castelo.
Concordaram e a seguiram. Chegaram ao portão, que começou a se abrir, e a mulher de rabo de cavalo pediu que todos entrassem. Ao adentrarem o local, sentiram vários olhares sobre eles, principalmente alguns hostis.
— Hahahaha! Olha, Izumi! — disse Ui, animada, ao apontar ao redor. — Mais gordos! Aqui tá cheio de gordos!
— Não fala isso — reprendeu a empregada, num tom alarmante, e tentou evitar problemas.
— Por quê? — perguntou, confusa.
— Ei! Escrava, ouvi bem, me chamou de gordo? — interrogou um homem sentado numa cadeira, ao encarar o grupo.
— O gordão falou — respondeu a mestiça.
— Gordão? — repetiu o homem, irritado. — Matem essa mulher!!!
Em uma das torres, Ui ouviu um som alto. Em seguida, percebeu um projétil vindo em sua direção. Antes de ser atingida, desviou para o lado. O grupo ficou em alerta, e o gordão começou a gritar em desespero.
— Tirem isso de mim! Tirem essa coisa! — gritou o homem, desesperado.
O corpo estava coberto de sangue e todos os olhares na torre se voltaram para o gordão. Exceto o grupo, ninguém entendia o que acontecia. A mestiça fitou Izumi e, com um sorriso, agradeceu com um aceno de cabeça.
A empregada ao lado tremia de medo e gaguejou enquanto dava um passo para trás.
— O que… uma cabeça… está fazendo… aqui?
Max, ao manter a calma em contraste com o caos ao redor, deu um passo à frente e perguntou com firmeza:
— Senhorita, poderia nos orientar o caminho?
A mulher de rabo de cavalo, ainda trêmula de medo, olhou para a torre e viu alguém acenar, pedindo que seguisse em frente.
— Sim.
Continuaram o caminho e encontraram outros gordos pelo percurso. Aqueles que tinham presenciado a cena se calaram. Dam, por sua vez, ficou interessado na arma que disparou, mas não era o momento para questionamentos.
— Por favor, poderiam entrar nessa carruagem? — pediu a empregada, ainda visivelmente nervosa.
— Sim — respondeu Max, sem hesitar.
Todos entraram, até Izumi, que parou por um instante antes de finalmente seguir. Os cavalos começaram a andar e puxavam a carruagem em direção ao destino.
Ui observou pela janela e comentou curiosa:
— Já faz um tempo que não vejo um cavalo.
— Na sua vila tinha cavalos? — perguntou Dam.
— Sim, mas foi coisa de anos atrás — respondeu, com um leve tom de nostalgia.
— Izumi — disse Max, após alguns segundos de silêncio. — Não era necessário ter feito aquilo.
— Foda-se! — insultou, sem sequer olhar na direção dele.
O líder soltou um leve suspiro e comentou:
— Você não muda nada.
Ui, ao lado dele, segurou sua mão, mas ele a afastou rapidamente. A mestiça, porém, não se entristeceu; compreendeu aquilo como a forma dele demonstrar cuidado, ainda que de maneira breve.
Após cerca de vinte e cinco minutos, seguiram por uma estrada cercada por casas diferentes das que haviam visto antes e varios jardins. Eram construções de pedra e madeira, de aspecto simples e sólido, feitas mais para resistir ao tempo do que para impressionar.
Chegaram ao castelo e avistaram vários soldados posicionados, mais hostis do que os da muralha. A empregada pediu que descessem. Lançou um olhar a um dos soldados e recebeu a ordem para continuar avançando.
O portão se abriu novamente, e entraram em uma sala ampla. O ambiente lembrava um salão de quartel, onde havia um trono ao centro. Estátuas de vários gordos cercavam o local, entre os quais uma figura se destacava: uma mulher de cabelos cacheados, com um sorriso triunfante.
Prosseguiram até avistar o trono. Soldados o cercavam, e nele estava sentado um homem gordo, a usar uma coroa. Ao lado, havia uma mulher de grande beleza, de semblante triste.
— Quem são vocês? — perguntou o Rei, ao observar o grupo com atenção.
Max deu um passo à frente e respondeu:
— Caro Rei, somos da vila Mangolândia.
— Mangolândia? Nunca ouvi falar — afirmou o Rei, assim que franziu o cenho.
— É um vilarejo bem longe dessas terras — explicou o líder.
— Quem lhe deu permissão para falar, plebeu? Coloque-se no seu lugar — cortou o Rei, com firmeza.
— Hum? Como assim? — questionou o líder, confuso.
— Calado. Não importa de que lado sejam, vocês cometeram o crime mais hediondo deste país — declarou o Rei.
— Crime? — repetiu Max, incrédulo.
— São exatamente cinco crimes. Primeiro: causaram acidentes logo que chegaram. Segundo: desrespeitaram as autoridades. Terceiro: insultaram um membro nobre. Quarto: mataram um cidadão.
— Mas isso não foi por querer — respondeu, ao tentar se explicar.
— Terei de repetir? Calado! Na presença do Rei, ninguém tem permissão para falar sem minha autorização — interrompeu o Rei.
— Quê? — murmurou.
— Max… — disse Idalme, baixinho.
— Quinto crime, o mais hediondo de todos… — Continuou o Rei e fez uma pausa dramática. — Como ousam ser tão feios?
— Feios? — perguntou o líder, claramente ofendido.
— Estão condenados à prisão perpétua. Arrependam-se da vossa feiura no inferno.
A incredulidade tomou conta do salão. Antes que alguém pudesse reagir, Ui não se conteve e gritou:
— Cala a boca, seu gordo! Nem andar direito sabes!
Ao lado, Izumi sentiu a hostilidade aumentar, sacou a espada e esperou para atacar.
— Vão se rebelar? Estão condenados à execução — afirmou o Rei, com um tom frio e autoritário. — Criaturas hediondas!

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