O frenesi da matança cedeu lugar ao silêncio esmagador da planície morta. O esquadrão Gravios marchou através das horas gélidas que se seguiram, afastando-se da clareira manchada com o sangue ácido do Aramìo. A euforia do triunfo inicial converteu-se na exaustão mecânica de quem carrega dezenas de quilos de aço através de um purgatório de cinzas e horrores ocultos.

    O céu acima, eternamente asfixiado pela névoa, começou a escurecer de forma brutal. A transição para a noite nas Terras Exímias não trazia o brilho de estrelas ou o consolo do luar, apenas um negrume absoluto e denso que parecia engolir as bordas da visão.

    No horizonte enevoado, os contornos irregulares e pontiagudos da temida Floresta Sussurrante começaram a se desenhar como garras estendidas para o céu. As árvores colossais não possuíam seiva ou vida. Eram troncos petrificados e retorcidos, adornados por folhas rígidas que se assemelhavam a lâminas oxidadas de navalhas. O vento constante que varria o Fronte passava pelas frestas dessa mata de pedra, criando um coro ininterrupto de assovios agudos e murmúrios rasgados, como se milhares de fantasmas tentassem sussurrar avisos para que dessem meia-volta.

    Gravios ergueu a mão revestida pela manopla, sinalizando a parada imediata.

    A equipe adentrou os limites da floresta, encontrando um recuo geográfico perfeito. Quatro troncos gigantescos haviam desabado há milênios, formando um quadrado natural que bloqueava o vento cortante e oferecia cobertura visual contra a vastidão das planícies.

    — Faremos o acampamento aqui — decretou o General, retirando a mochila tática dos ombros encouraçados com um suspiro pesado. — Retomaremos a marcha trinta minutos antes do amanhecer cego.

    O veterano ajoelhou-se no centro da clareira improvisada. Puxou do cinto um segundo cantil de ferro, de formato levemente diferente daquele usado na cratera. O pó que escorreu sobre as pedras soltas possuía uma textura mais grossa. Com um estalo firme da pederneira, a faísca encontrou a resina.

    A chama que irrompeu não era azulada ou pálida. O fogo brotou em um tom esmeralda violento e luminoso. A fogueira verde estalou, lançando sombras espectrais contra os rostos exaustos do esquadrão, enquanto o cheiro de pinho molhado e terra fértil — um aroma impossível naquele fim de mundo — substituía o odor de morte do Fronte.

    — Cinzas de Kaelenor — murmurou Gravios, guardando o cantil com um zelo quase religioso. A cicatriz do veterano suavizou-se por um milésimo de segundo. — O melhor rastreador que já cruzou os portões de Lancrey. Amava os bosques do norte antes do mundo queimar e virar cinza. O fogo dele nos esconderá dos olhos térmicos e do faro das abominações noturnas. Trok, Caelan. Vocês assumem as duas primeiras horas da vigília. Vorn e eu assumiremos depois. Descansem os músculos, o amanhã será pior. Quero que estejam acordados.

    Mirel não contestou. A batedora encostou as costas no tronco petrificado, sentou-se na terra seca e deixou a cabeça tombar contra o peito. A Malha de Prata Lunar cintilou fracamente sob a luz esmeralda, camuflando a garota entre as pedras. Em menos de três minutos, a respiração de Mirel encontrou o ritmo arrastado do sono profundo. Gravios e Vorn não demoraram a imitar a batedora, fechando os olhos sob a guarda dos mais novos, confiando as próprias vidas aos ouvidos alheios.

    A fogueira esmeralda crepitava suavemente. O sussurro macabro das árvores de pedra formava uma canção de ninar sinistra.

    Caelan sentou-se sobre uma raiz exposta, descansando a monstruosa Espada de Ruptura sobre os joelhos. O garoto retirou um pano sujo de óleo do cinto e começou a limpar as ranhuras negras da lâmina de forma metódica. Do outro lado da fogueira, Trok encontrava-se empoleirado na beirada de um dos troncos caídos. O atirador girava um virote cego entre os dedos, a raiz amarga dançando no canto da boca, os olhos frios esquadrinhando a escuridão absoluta da floresta.

    Eles permaneceram completamente mudos por quase vinte minutos. O silêncio compartilhado entre sentinelas era uma regra não escrita, mas o atirador decidiu quebrá-la.

    — Você não hesitou — a voz de Trok soou arrastada, grave e analítica, misturando-se aos sussurros da mata.

    Caelan parou o movimento do pano sobre a espada. Ergueu os olhos, encontrando o olhar dissecador do veterano através das chamas verdes.

    — Quando o Aramìo subiu a pata para esmagar a garota, você não pensou no próprio flanco. Não calculou a rota de fuga. — Trok apontou a ponta de ferro do virote na direção do recruta. — Nos últimos três anos, vi dezenas de novatos cagarem nas próprias calças quando uma aberração ergue as garras. O instinto humano manda travar. Manda recuar para viver mais um dia. Mas você usou a inércia do monstro contra ele próprio, jogando o próprio corpo na zona de impacto. Onde você enterrou o pavor, garoto?

    Caelan engoliu em seco. O elogio vindo do soldado mais letal e cínico de Lancrey possuía o peso de uma medalha forjada a sangue.

    — O pavor não foi enterrado. Ele ainda está aqui, congelando o meu estômago a cada passo — confessou o jovem espadachim, batendo com a ponta dos dedos no peitoral de escamas de Zecreo. — A diferença é que a forja de Regiz me convenceu de que não sou feito de vidro. E o treinamento brutal de Vorn me ensinou uma matemática simples: se eu hesitar por meio segundo, o monstro mata a minha parceira. O medo de ver a Mirel morrer na minha frente engoliu o meu próprio medo de morrer.

    Trok soltou um sopro audível pelo nariz, um som que misturava respeito genuíno e ironia. O batedor voltou a girar o dardo entre os dedos calosos.

    O silêncio reinou no acampamento mais uma vez. Apenas o estalar da resina verde e a sinfonia sombria das folhas de pedra preenchiam o vácuo. O tempo arrastou-se. Caelan guardou o pano, os ombros relaxando um pouco sob a armadura, a mente divagando para as muralhas distantes de Lancrey, imaginando o rosto da própria irmã cercada por pergaminhos.

    — Então… — a voz de Trok rasgou o silêncio de forma abrupta, desprovida de qualquer filtro tático. O tom era cru, direto e descaradamente invasivo. — Você e a garota da prata. A sua amiga de esquadrão. Até onde vai isso?

    Caelan piscou, os olhos arregalados, completamente desnorteado pela quebra de protocolo do atirador sênior.

    — O quê? Como assim, “até onde vai isso”?

    Trok recostou as costas no tronco curvo, o sorriso torto e provocador retornando ao rosto. A fogueira refletiu a pura diversão sádica nos olhos do assassino.

    — Não se faça de burro, recruta. A mira da minha besta enxerga mais do que articulações expostas. Vocês lutam como se dividissem o mesmo cérebro. Você jogou a própria cabeça na boca de um Aramìo para protegê-la. E a garota olha para você como se você fosse a bússola dourada dela neste inferno. — O atirador mastigou a raiz. — Você gosta dela? Deita a cabeça no travesseiro pensando na parceira? Porque se for o caso, deveriam parar de frescura e resolver logo. Batedores morrem jovens demais para guardar segredos que não envolvem táticas militares.

    As bochechas de Caelan esquentaram violentamente, uma reação biológica inútil que a luz verde da fogueira fez questão de mascarar. O garoto soltou uma risada fraca e incrédula, balançando a cabeça.

    — Você errou o alvo por quilômetros dessa vez, atirador — respondeu Caelan, a voz carregando um carinho profundo, porém estritamente platônico e inabalável. O recruta olhou para a figura adormecida de Mirel. — Eu daria até a última gota do meu sangue por ela. Sem pensar duas vezes. Mas a Mirel é minha melhor amiga e nada além disso. A única parceira de combate que eu confio para cobrir minhas costas. O laço que nos une foi forjado sob a pedra desmoronada da Cratera de Ashfall, não embaixo de lençóis ou fantasias românticas.

    Trok ergueu uma sobrancelha, legitimamente surpreso com a franqueza e a clareza da resposta.

    — Pura devoção de companheiros de armas? Que desperdício poético — debochou o batedor, cruzando os braços sobre o peitoral ferrugem. — Se não é você o dono dessa devoção cega da garota, então quem é o fantasma que ela deixou na cidade para lutar com tanto ódio?

    Caelan sorriu de lado. A lembrança da conversa franca na arena de treinamento aqueceu sua mente. Ele jamais trairia o segredo de Mirel. Proteger o coração da amiga de esquadrão fazia parte do seu dever tanto quanto bloquear garras afiadas.

    — Aquele coração não pertence a mim. Pertence a alguém que luta a guerra não com espadas, mas com pergaminhos e mapas. E essa pessoa está segura na fortaleza. Isso é tudo que você precisa saber da vida alheia, Trok.

    O atirador estalou a língua, aceitando a derrota investigativa.

    — Bom. Melhor assim. — O veterano voltou a engatilhar a besta, a brincadeira evaporando e o instinto predatorial retornando aos olhos semicerrados. — Paixões de trincheira deixam os batedores desesperados e burros. Mas a amizade pura… a lealdade de trincheira deixa os batedores cruéis e perfeitos. Continuem lutando desse jeito implacável e, quem sabe, nós não voltemos vivos para ver quem é a dona ou o dono desse maldito pergaminho que ela tanto gosta.

    Muito acima do inferno de rocha e cinzas, o mundo dos vivos sufocava sob o peso da própria paranoia política.

    O quarto de Liriel na imponente mansão da família Bronwich cheirava a cera quente de abelha, lavanda seca e tinta fresca. Longe da poeira esmagadora da Torre dos Arquivistas, o refúgio da filha de Gravios era uma autêntica fortaleza de ordem, mapas e intelecto afiado. Os papéis espalhavam-se metodicamente sobre a larga mesa de mogno. A luz trêmula e aconchegante das três velas banhava o rosto concentrado da pesquisadora.

    As olheiras sob os olhos de Liriel haviam escurecido nos últimos dias, transformando-se em hematomas roxos que denunciavam a pura privação de sono. A caneta de pena arranhava o couro do diário encadernado em um ritmo febril.

    …a biologia do Alfa não explica a precisão do seu ataque contra o antigo esquadrão. O monstro não cospe fogo como um lagarto comum; ele engole almas. Se ele arquiva memórias, ele arquiva táticas militares. O conselho do Lorde Comandante Baelon e do Rei Aldric confia cegamente no aço de nossos portões e nas nossas muralhas inquebráveis. Eles não percebem, ou fingem não perceber, que o monstro lá embaixo está aprendendo a desconstruir nossas fechaduras. O silêncio forçado do Rei sobre a expedição destruída de Kaelus é suspeito. A corte prefere a ignorância controlada a lidar com a verdade. Precisamos alertar a população antes que…

    Um arrepio excruciante subiu pela espinha de Liriel, congelando a tinta na ponta da pena.

    A pesada cortina de veludo que cobria a janela do quarto inflou de repente. Um vento gélido, carregado com o cheiro inconfundível de chuva iminente e telhas úmidas da cidade baixa, varreu a mesa, apagando uma das velas num sopro e fazendo os pergaminhos ancestrais farfalharem perigosamente.

    A garota paralisou. A respiração travou na garganta. A mansão dos Bronwich encontrava-se na ala mais rica e segura da cidade alta, patrulhada constantemente pela guarda privada que Gravios bancava do próprio bolso. Além disso, as janelas do seu aposento ficavam no terceiro andar. Ninguém vivo escalava aquela fachada sem cordas.

    Liriel ergueu o olhar lentamente, os músculos tensos. Encarou o tecido pesado balançando.

    Silêncio. Apenas o som distante de cães patrulhando as docas inferiores de Lancrey.

    A pesquisadora respirou fundo, tentando afastar a paranoia envenenada pelas histórias de anomalias do Fronte. Uma tempestade noturna estava se armando, racionalizou ela. Era apenas uma trava de janela que cedera à pressão do vento. Liriel baixou os olhos para o diário e mergulhou a pena de volta no tinteiro de porcelana.

    O tecido da cortina baixou, retornando à sua posição original. Contudo, ao recuar e colar contra o vidro, a tapeçaria revelou uma massa sólida. Uma sombra eclipsou as duas velas restantes, bloqueando a pouca luz vinda da lua espremida entre as nuvens de fumaça da fortaleza.

    Havia uma silhueta humana sentada no parapeito da janela, espremida confortavelmente do lado de dentro do quarto.

    As pernas compridas do invasor balançavam casualmente em direção ao interior do aposento. As costas relaxadas encostavam-se no caixilho de pedra.

    — Oi. — A voz masculina soou incrivelmente calma, quase amigável, quebrando o terror do silêncio de forma bizarra.

    Liriel não gritou. O instinto combativo, forjado por anos sendo a filha da lenda de Lancrey, suplantou o pânico inicial. A garota jogou a pesada cadeira de madeira para trás num solavanco brutal, o móvel rangendo contra o assoalho. As mãos ágeis da pesquisadora voaram para o lado direito da mesa, agarrando o cabo de couro envelhecido de uma espada curta cerimonial que Gravios havia deixado ali para garantir a “paz de espírito” de sua herdeira.

    O aço raspou ameaçadoramente ao sair da bainha. Liriel recuou dois passos calculados, erguendo a lâmina trêmula diretamente na direção da janela. A ponta metálica balançava levemente, denunciando o batimento cardíaco disparado em seu peito, mas os olhos dela queimavam com a fúria implacável de quem não venderia a própria vida de forma barata.

    — Não se mova! — ordenou ela, o timbre endurecido tentando imitar a voz de comando militar do próprio pai. — Como você passou pelas sentinelas lá embaixo? Como diabos chegou até o terceiro andar?

    O invasor inclinou a cabeça para o lado. A luz fraca iluminou parcialmente o rosto dele. Era inegavelmente jovem, de queixo afiado, cabelos escuros e desgrenhados que caíam preguiçosamente sobre os olhos. Vestia roupas rústicas que cheiravam a couro molhado, fumaça e aos becos escuros da cidade baixa. Um sorriso envergonhado, quase moleque e completamente fora de contexto, quebrou a tensão de seu rosto.

    Ele coçou a nuca, as botas sujas parando de balançar.

    — Bom… é… eu subi — respondeu ele, a voz carregada de uma obviedade cômica, como se o feito fosse a coisa mais normal do mundo.

    A indignação engoliu o medo. Liriel enrijeceu a base dos pés, segurando o cabo com as duas mãos e avançando um passo devagar, cruzando a linha entre a proteção da escrivaninha e a exposição do centro do quarto.

    — Quem é você? — sibilou a garota, a inteligência mapeando todas as rotas do quarto. — Se você é um informante que trabalha para Baelon, eu juro pelos deuses antigos que vou abrir a sua garganta antes que os meus guardas precisem arrombar a porta.

    O rapaz perdeu o sorriso cômico. A seriedade tomou conta de suas feições, tornando-o subitamente agudo e perigoso. Ele escorregou do parapeito, pousando no assoalho de madeira com uma leveza antinatural, sem emitir um único som de impacto. As mãos permaneceram à vista, erguidas na altura do peito em sinal de rendição absoluta e pacífica.

    — Você pode me chamar de Sem Nome. E para deixar claro, eu prefiro arrancar a minha própria língua com uma faca de açougueiro a trabalhar para aquele verme covarde do Lorde Comandante — declarou o invasor. Ele deu um passo lento à frente, ignorando a lâmina de aço apontada a centímetros do seu peito. O tom de voz tornou-se cerimonioso, carregando uma gravidade assustadora. — Eu não vim te machucar. Vim fazer um pedido. Apenas ouça, Liriel Bronwich. Filha do grande Gravios Bronwich e irmã do batedor Caelan.

    O fato de um completo desconhecido, surgido das sombras, conhecer a árvore genealógica exata da família e os movimentos militares de Caelan congelou o sangue nas veias de Liriel.

    — Fale logo e desapareça — exigiu ela, sem abaixar a guarda um milímetro sequer.

    Sem Nome baixou lentamente os braços, os olhos escuros brilhando com um fanatismo lúcido.

    — O Rei Aldric e o Conselho de Lordes estão aterrorizados, Liriel. Medo do relatório censurado das Terras Exímias. Medo da influência política absurda que o seu pai exerce sobre a moral das tropas. Eles sabem perfeitamente que Gravios omitiu a verdadeira capacidade de intelecto do Alfa. O palácio está arquitetando o tabuleiro nas sombras enquanto os verdadeiros heróis sangram lá embaixo.

    O invasor olhou diretamente nos olhos escuros da pesquisadora, despejando a verdade ácida.

    — Eles prepararam a armadilha perfeita. Quando o esquadrão dos Exploradores retornar do Fronte… se retornarem com vida… o Rei não abrirá os portões com uma festa ou comendas de honra. Eles prenderão o General Gravios e o seu irmão assim que pisarem na cidade, sob a falsa acusação de heresia e conspiração militar contra a coroa. Os lordes querem decapitar a esperança antes que a esperança crie coragem para tirá-los do poder.

    O ar abandonou os pulmões de Liriel. A ponta da espada tremeu mais violentamente, mas não de pânico, e sim de indignação pura. As peças políticas, os documentos estranhos, a falta de suprimentos nos últimos relatórios que ela analisava em seu diário… subitamente, tudo encaixou-se numa imagem catastrófica e covarde.

    — Lancrey vai queimar de dentro para fora se eles fizerem isso… Os soldados vão se rebelar… — sussurrou ela, a mente privilegiada já engrenando o derramamento de sangue iminente.

    — Exatamente por isso eu estou aqui — interrompeu Sem Nome, avançando um último e ousado passo até o peito quase tocar o fio da espada cerimonial. O rosto do rapaz exalava um propósito desesperado. — A coroa não protege mais o próprio povo; ela blinda apenas a si mesma e os seus privilégios de marfim. Eu quero que você se junte aos Sem Rumo. Somos os fantasmas que o Rei não consegue encontrar para enforcar. Rebeldes, desertores honrados, ladrões e… pessoas que sabem decifrar pergaminhos proibidos e mapas estruturais. Precisamos da sua mente brilhante para desarmar o golpe de Estado de Baelon antes que o portão colossal da cidade se abra para o seu pai e o seu irmão.

    Liriel encarou o invasor através do aço de sua lâmina. As chamas das velas tremeluziram freneticamente, iluminando a corda bamba sobre a qual todo o mundo conhecido começava a oscilar e ameaçava despencar. O abismo lá fora devorava os corpos dos batedores, mas os humanos acovardados dentro da fortaleza devoravam a si mesmos.

    Sem pronunciar uma única palavra de aceitação submissa ou recusa indignada, Liriel Bronwich abaixou lentamente os braços. A lâmina da pesada espada militar encostou no assoalho encerado de madeira com um baque surdo, definitivo e cheio de promessas.

    A guerra armada e bruta ocorria nas Terras Exímias, mas a verdadeira guerra pelas sombras e pelo futuro de Lancrey acabara de começar dentro daquele quarto.

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