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    Diante da notícia, a cauda da diaba trava e os olhos brilham com um novo interesse. É isso que eu queria ouvir, constata ela. 

    “E… exatamente o que chegou?”, Rubi pergunta.

    Galen estala os dedos novamente e outro caixote se abre. Três pequenas caixas se erguem e deslizam pelo ar até pousarem na mesa. 

    “Para começar, consegui algumas poções”, responde o elfo, abrindo uma das caixas.

    No interior, há frascos transparentes e semi-esféricos, com líquidos coloridos, cujas cores variam entre azul, vermelho e amarelo. 

    Rubi logo leva a mão a uma das poções vermelhas e a levanta, segurando pela tampa. Ela posiciona o frasco contra uma das luzes e começa a examiná-lo rapidamente. 

    A luz quase não atravessa a poção. O líquido é denso, com um tom rubro acentuado, quase como se o conteúdo ali dentro fosse sangue.

    É bem forte. Devem ser de boa qualidade, Rubi analisa, encantada com o objeto em suas mãos. Será que o gosto é melhor também? 

    Enquanto avalia a poção, a cauda da diaba se move de um lado para o outro e o orc percebe.

    Ela… gosta muito dessas coisas, pensa Brok.

    Galen desliza a mão pela mesa e bate o dedo na madeira na frente do orc, captando sua atenção. 

    “Já vou logo lhe avisando. A parte da sua parceira vai sair muito mais cara do que a sua”, avisa o elfo. “Nada do que ela pediu é barato de se conseguir.”

    Brok levanta a palma da mão e acena. “Não precisa… se preocupar com isso. Vamos seguir… como está”, diz ele.

    “Tudo bem. Só quero evitar um susto quando ver a conta”, fala o elfo.

    Mal ele sabe que é ela quem está pagando por tudo, pensa o orc.

    Galen logo abre a segunda, revelando três pedaços de papel enrolados. Em dois deles, a textura é igual, espessa, amarronzada e com rugas, com um aspecto bem antigo. A única coisa que os difere são as cordas que os mantêm enrolados, sendo uma azul e a outra vermelha. 

    O terceiro é menor e mais novo, com um tom amarelo mais claro, quase dourado. 

    O olhar da diaba arregala. “Isso são…”, ela começa, lentamente colocando a poção junto das outras.

    “Sim. São pergaminhos do feitiço que você pediu”, completa ele. 

    Os papéis na Caixa prendem o foco de Rubi totalmente. Um feitiço de analisar magias…, ela pensa, quase como se estivesse hipnotizada. Talvez eu consiga descobrir mais sobre a coroa. 

    “Se chama transcritor de Molten. É um feitiço de 4° ciclo”, pontua o elfo. “E, como avisei antes, foi bem difícil de se conseguir.”

    O orc bufa, encarando a caixa. “Não pensei que… algo assim pudesse existir”, comenta ele. “Magia em… um pedaço de papel.”

    “É a vantagem dos pergaminhos. Poder usar feitiços que você normalmente não teria acesso”, explica a diaba. 

    “A parte mais demorada foi descobrir o nome do feitiço apenas tendo a descrição do efeito que você pediu”, conta Galen. “Por sorte, meu fornecedor de pergaminhos tinha guardado. Não são muito comuns.”

    “E como ele funciona?”, Rubi pergunta. 

    De um bolso da camisa, Galen puxa um pequeno pedaço de papel e começa a lê-lo. 

    “De acordo com essas instruções, é bem simples”, explica o elfo. “Você aproxima o pergaminho de um objeto imbuído de magia, ou de algum efeito mágico perceptível, e então pronuncia a palavra de ativação. Após um breve intervalo, o funcionamento daquela magia é transcrito no próprio pergaminho.”

    “Até que… parece simples”, diz o orc. 

    A succubus franze o olhar. “Simples até demais”, pontua ela. “Quando você diz transcrito, vai sair em qual idioma?”

    “Vai sair escrito em élfico antigo. Mas já me adiantei quanto a isso”, responde Galen, seguro. “Acrescentei ao seu pedido um pergaminho com um feitiço de tradução. Ele converte o élfico para a língua dos homens. Já que é o mesmo idioma que vocês usaram na sua lista de encomendas, assumi que seria melhor para vocês. É o pergaminho menor.” 

    “Esperto…”, comenta Brok.

    “É. Isso já facilita bastante”, diz Rubi. “E o terceiro papel?”

    “Na verdade, é um outro feitiço diferente. Ele remove ocultações mágicas que possam atrapalhar o funcionamento do transcritor”, diz o elfo. “Foi meu fornecedor que recomendou acrescentar um desses.”

    Por isso… ele avisou da conta alta, conclui o orc.

    Ocultação? Eu nem cogitei que pudesse ter isso, Rubi pensa, surpresa.

    A diaba torce o nariz. “E tem mais coisas que deveríamos saber sobre esse feitiço de transcrição?”, ela indaga. 

    Dependendo das condições, talvez ele não sirva para o que eu quero, reflete ela.

    Galen coloca o papel de instruções dentro da caixa dos pergaminhos. “Meu fornecedor me avisou que haviam limitações e situações em que esse feitiço não teria eficácia. Vou deixar claro para evitar descontentamento”, diz ele. 

    “Pode falar”, diz Rubi. 

    “A primeira é que ele não transcreve nenhuma fórmula mágica, somente a funcionalidade”, explica o elfo. “Ele não vai funcionar em criaturas vivas e, se usá-lo perto de muitas magias, ele pode se confundir em qual transcrever.”

    Acho que, quanto à fórmula, eu não entenderia mesmo, então não faz diferença, pensa Rubi. E, como ele não vai me ler, acho que até ajuda ele a se focar na coroa.

    “Certo”, diz ela. “E tem mais algo?” 

    “Só mais uma coisa. Esse tipo de feitiço simplesmente não vai funcionar em magias de origem sagradas”, responde o elfo. “Se tentar, tudo o que vai conseguir é um pergaminho cheio de palavras sem sentido e desordenadas.”

    “Só isso?”, pergunta Rubi. 

    “No geral, sim”, confirma Galen. Ele fecha a caixa de pergaminhos e a empurra na direção da diaba. “No papel que eu coloquei aí dentro tem as mesmas instruções que eu disse e as palavras de ativação.”

    Rubi não hesita e imediatamente leva as mãos até a caixa. “Pra mim já está bom”, diz ela, um sorriso se formando nos lábios. A diaba traz a caixa para si e a coloca sobre o colo com cuidado. 

    Essa pode ser a minha melhor chance de entender com clareza os poderes da coroa, constata ela.

    “Obrigado, Galen.”

    O elfo exala uma risada curta e afiada. “Espero que meu esforço te agrade. É sempre bom cair nas graças de um diabo.”

    Com certeza vou me lembrar disso, Rubi pensa. Ainda mais se funcionar. 

    Brok coloca a mão na testa e encara o chão. “Três pergaminhos… para um feitiço…”, comenta ele, com a voz baixa, enquanto massageia a têmpora. “Quando se mexe com magia… sempre parece muito mais complicado.”

    “Quando se mexe com magias complexas, é assim mesmo. Sempre muitos componentes”, explica Rubi. “Ainda mais quando é uma que não se sabe conjurar.”

    E até que foram poucos, analisa ela. 

    “Desde que esteja tudo bem para você, não irei… questionar”, diz o orc. 

    Galen, em seguida, lança um olhar firme à Brok. “Dando continuidade, também trouxe algumas das que me pediu”, diz ele. 

    A feição do orc muda, com um sorriso se formando. “É bom ouvir isso”, afirma ele. 

    O elfo se levanta. “As armas são grandes demais para colocar sobre a mesa. É melhor eu te mostrá-las diretamente na caixa”, diz ele. 

    Assim como Galen, Brok também se levanta da cadeira e os dois vão juntos até um dos caixotes na borda da sala. 

    Rubi, por outro lado, permanece sentada, indiferente aos outros dois, com o sorriso ainda presente. A ponta de sua cauda desliza vagarosamente pelo chão. As mãos repousam sobre a caixa no colo, que agora é o foco de sua atenção.

    Mal vejo a hora de chegar em casa. Que tipo de coisas eu vou descobrir?, ela se pergunta.

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