Índice de Capítulo

    Soll se iluminou como o astro rei que inspirou seu nome.

    As lágrimas subiam de seus olhos como vapor. Era uma tristeza que queimava. Um ódio que ardia.

    — Mentiroso desgraçado! — gritou ela e, com o movimento de suas mãos, lançou uma tempestade de fogo em direção à Besta.

    No entanto, seu algoz se moveu para o lado rapidamente evitando ser atingido. E uma rocha do tamanho de um punho emergiu do chão congelado. A Besta lançou a pedra com habilidade, e ela atravessou todo o salão feito uma bala, com um zunido agudo, e arrebentou em vários pedaços ao bater contra a cabeça de Soll.

    O fogo cessou.

    De Lua, centenas de pontas afiadas, semelhantes a flechas feitas de gelo, cruzaram o ar.

    A Besta rebateu as pontas usando sua adaga.

    Seus movimentos eram como os de um assassino habilidoso. Ágil. Veloz.

    Renato simplesmente surgiu atrás dele.

    Movendo a espada na diagonal, num movimento de cima para baixo, cortaria do pescoço até o peito.

    Mas a Besta foi rápida. Desviou do ataque e, batendo lâmina contra lâmina, mudou a rota da Espada do Ódio, fazendo-a se cravar no chão.

    Em seguida, com a mesma velocidade, rebateu a espada de Clara.

    Com uma pirueta para o lado, evitou ser atingido pelos tiros de Irina e Jéssica.

    Novamente invocou uma pedra, que se ergueu do chão, e ele a atirou em direção às meninas.

    Uma pessoa com tempo de reação normal não poderia evitar o ataque. Irina e Jéssica nem viram a pedra cortando o ar, deslizando em direção a elas.

    Mas a mão de Tâmara se moveu e pegou a pedra a cinco centímetros de distância do rosto de Jéssica. E, apertou o punho, esfarelou a pedra.

    A Besta finalmente demonstrou alguma expressão. Ficou surpresa. Não esperava que aquilo fosse acontecer.

    Encostou as costas na parede. Uma estratégia simples para evitar ser pego de surpresa.

    Respirava pesadamente. Mesmo para ele, lutar contra tantos adversários era cansativo.

    Talvez devesse reconsiderar. 

    Ou não.

    Sempre podia pedir reforços.

    Tâmara apertou um botão.

    Algo explodiu atrás da Besta, jogando estilhaços de gelo para alto e desequilibrando o representante do apocalipse.

    Ele se inclinou para frente, quase caindo, mas firmou o pé no chão, evitando a queda.

    Outra explosão.

    Dessa vez, no chão, sob seu pé.

    Ele bateu contra a parede, e rapidamente recobrou a postura. A adaga em sua mão, numa pegada invertida. Venenosa. Pronta para matar o primeiro que se aproximasse.

    Seus olhos encontraram os olhos de Tâmara. E ele finalmente a reconheceu.

    — Você… você está morta.

    — Estava — respondeu ela, com um sorriso.

    — Foi você quem fez isso? — perguntou ele, olhando por cima do ombro, para o buraco na parede causado pela explosão.

    Tâmara deu de ombros. Ela já estava vestindo sua armadura tecnológica.

    — Não importa quem você seja — disse ela, com um olhar frio. — Você pode ser o Diabo em pessoa. Eu não ligo! Você tentou matar a pessoa errada e caiu na minha armadilha.

    — Armadilha? — A Besta deixou um sorriso soberbo aparecer nos lábios.

    — Sim. Eu desconfiei que tinha alguma coisa errada e espalhei micro explosivos por todo o salão. Parabéns, caiu na teia da aranha! Não tem escapatória pra você. E saiba: te matar vai me dar muito prazer!

    — Você parece até alguém que eu conheço. — A Besta riu. Massageou o ombro atingido na explosão. — Acho que deu pra notar que isso não me mata, não é?

    — É só continuar batendo! — disse Renato, segurando sua espada. — Não seria o primeiro ser imortal que a gente mata.

    Jéssica, ao lado dele, também segurava uma espada. A lâmina reluzia com energia sagrada. Era a Jóia do Arcanjo.

    A bazuca mágica já estava apoiada sobre o ombro de Mical e apontava ameaçadoramente para o monstro diante deles.

    E entre as duas irmãs, Irina se posicionava com uma pistola em cada mão.

    Clara também segurava sua espada de súcubo.

    E a demi-humana… A Besta olhou em volta procurando por ela, mas não a viu em canto algum.

    Odiava não saber a posição de um inimigo. 

    Era um grupo forte, com certeza. E, considerando o histórico de inimigos derrotados por eles, não podiam ser subestimados.

    Mas não importava. A Besta tinha um poder único. Mesmo que fosse ferida, o espaço-tempo cancelaria o ferimento.

    Estava em vantagem absoluta.

    Ele girou sua adaga nos dedos, se lembrando de um passado glorioso, da época em que ainda era humano.

    Um sentimento de nostalgia trespassou o peito da Besta. Já tinha sido humano, afinal. Um membro da Ordem de Hashashin.

    Matar era seu ofício desde muito antes do contrato com Lúcifer, e mais antes ainda de o traí-lo.

    Não era tão forte quanto Guerra e nem tão poderoso quanto Emmanuel, mas era rápido, muito rápido, e mesmo que sua velocidade falhasse, ainda tinha um trunfo.

    Ir embora de mãos vazias estava fora de questão.

    Mesmo que o plano original de infiltração tivesse falhado, ainda havia algo que poderia reclamar para si: a morte.

    Enquanto isso acontecia, Lua tentava, desesperadamente, ajudar sua irmã adotiva.

    Chacoalhava ela e chamava por seu nome.

    — Soll! Soll! Acorde! Por favor… não… você não pode morrer! Acorde!

    O sangue vermelho vivo vertia da testa da elemental do fogo. A cor lembrava seus olhos e cabelos. A cor que sempre simbolizou sua vida, dessa vez anunciava sua morte.

    — Acorde!

    Era inaceitável para uma salamandra morrer dessa forma! 

    E, como tal, ela não aceitaria uma morte tão trivial.

    Com um movimento espasmódico, ela puxou para os pulmões todo o ar que conseguiu, e seu corpo se aqueceu.

    Soll finalmente abriu os olhos.

    — Minha irmã! — Lua a abraçou.

    — Arg… — Ela gemeu de dor. — Esse desgraçado quase partiu minha cabeça ao meio com uma pedrada! — O tom era mais de indignação do que qualquer outra coisa.

    — Vamos acabar com ele! — disse Lua.

    — Não. Você não. — Soll de forçou a ficar de pé. Diante dela, uma luta épica acontecia. — Eu juro que vou queimar esse desgraçado até não sobrar nada! Vou fazer isso por nós duas! Mas eu não vou conseguir fazer isso se ficar pensando na nossa mãe.

    — Soll…

    — Você, Lua, é a filha legítima dela! A verdadeira Marquesa Infante. Você vai atrás dela! Precisa saber se… se ainda há tempo de salvá-la! Por favor, minha irmã, procure nossa mãe! E, se for possível, salve-a!

    As palavras embargaram na garganta de Soll e ela quase não as conseguiu dizer.

    Lua queria ajudar sua irmã na luta contra aquele que invadiu seu lar.

    Mas tinha algo que ela queria mais.

    — Sim! Vou atrás dela! — respondeu.

    Lua não conseguiu pensar em mais nada. Ela olhou para o alto, imaginando sua mãe.

    As lembranças atacaram sua mente. Por um instante, um gosto amargo lhe tocou a língua. O estômago ficou gelado de um jeito que, até para ela, era esquisito.

    E, por um instante que durou uma eternidade, ela sentiu medo. Um medo profundo. Um arrepio atravessando a pele.

    — Mãe…

    Gelo brotou do chão, como um pilar, e a ergueu em direção ao teto.

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota