Ainda em pleno ar, Itzel e Rosália se encontravam na mira de Hitomi. A mulher estava se preparando para lançar suas chamas novamente contra os dois, e desta vez, carregando as chamas em suas duas mãos.

    — ITZEL, ESTAMOS NO AR! ELA VAI ATACAR! VAMOS MORRER! — gritava Rosália, agarrada nele, encarando a mulher que usava Potentia de fogo e se preparando para a morte iminente.

    Itzel permaneceu sem responder os lamentos e preocupações de Rosália, estava concentrado na fuga. À medida que se aproximavam da cachoeira, um portal se abria na água, e era para lá que ele estava conduzindo o caminho.

    Assim que os dois adentraram a luz brilhante, o portal se fechou na mesma velocidade em que se abriu. Sumindo por completo, deixando a paisagem igual a antes.

    — O que foi isso? — perguntou Nami.

    — Que velocidade foi essa? — se impressionou Hitomi.

    As duas se entreolharam confusas, bastou o silêncio para perceberem que estavam pensando o mesmo.

    — Tá bem, Hitomi? — Nami resolveu perguntar.

    — Estou! — confirmou Hitomi. — Isso foi estranho. Ele não me atacou, só criou uma barreira…

    — Ele também não me atacou — confirmou Nami.

    Sem ter como resolver mais nada, as duas mulheres retornaram até a pousada, onde descansaram por conta da exaustão.

    Finalia

    A luz que havia se fechado na Terra, agora estava se abrindo em Finalia. De dentro dela, Itzel e Rosália saíram e foram parar diretamente na base de Ayami. Encharcados por causa da cachoeira, respiração ofegante por conta da correria. Os dois mostravam sinais da ação que havia acontecido.

    — Rose, você tá bem? — perguntou Itzel, que se recuperou mais rápido.

    Ele estava ao lado dela, com um joelho apoiado ao chão. Uma de suas mãos repousava sobre ela, para acalmá-la. Rosália, por outro lado, estava com suas duas mãos apoiadas no solo, a respiração acelerada, o olhar atônito, os batimentos cardíacos acima da média. Seus olhos estavam sem direção, seus pensamentos, desordenados. 

    Quando minimamente se compôs, ela virou-se para Itzel e o encarou. As sobrancelhas arqueadas, a boca rangendo os dentes, até que finalmente se expressou.

    — O QUE FOI ISSO, ITZEL? — quis saber, usando seu tom de voz carregado em ira.

    Ela então se levantou e se afastou dele, as mãos se moviam mostrando sua indignação. Seu corpo rígido dificultava a movimentação, mas expressava sua incomodação.

    — VOCÊ ME IMPEDIU! IMPEDIU MEU ATAQUE! O QUE ESTÁ HAVENDO? — questionou Rosália, de modo mais direto que antes.

    — Rose, por favor, confie em…

    — NÃO! — Rosália interrompeu a fala de Itzel, encolhendo os ombros. — EU NÃO TE RECONHEÇO MAIS ITZEL. VOCÊ MUDOU MUITO.

    — Rose… eu sou eu mesmo…

    — NÃO ME CHAME MAIS ASSIM! VOCÊ ESTÁ FICANDO IGUAL AS PESSOAS DAQUELE PLANETA! — enquanto falava, algumas lágrimas que ela não conseguiu mais conter, escaparam de seus olhos. — SUAS ROUPAS, SEU JEITO DE FALAR, DE AGIR, EU NÃO ESTOU ENTENDENDO NADA.

    — Mas tá ruim? Não tô entendendo. — Itzel ficava mais e mais confuso à cada fala dela.

    — NÃO TÁ RUIM, MAS É ESTRANHO. — Rosália deu uma leve pausa. — VOCÊ ESTÁ APAIXONADO POR UMA TERRÁQUEA?

    — É ÓBVIO QUE NÃO! DE ONDE TIROU ISSO?

    O comentário de Rosália foi tão absurdo para Itzel que ele acabou por levantar sua voz. Seu rosto, que antes demonstrava tristeza e preocupação, agora passava confusão e indignação. Ela se recusava a olhar para ele, mantendo seus olhos fechados, desviando seu rosto.

    — ATÉ O JEITO QUE VOCÊ ME TOCA! TENHO CERTEZA QUE ESTÁ APRENDENDO ISSO COM ALGUMA MULHER DE LÁ.

    — CLARO QUE NÃO, ROSE! EU SINTO SUA FALTA, QUERIA FICAR MAIS COM VOCÊ!

    — SEM ROSE, ITZEL! — ela levantou seu rosto e passou a encará-lo. — AGORA VOCÊ TÁ ATÉ USANDO OUTRO BRINCO! DEVE GOSTAR MUITO DELA!

    Itzel não conseguia acreditar no que estava ouvindo e por um momento emudeceu. A desconfiança de Rosália era algo que ele não imaginava que aconteceria e logo seu espanto se transformou em raiva.

    — FOI O AIDEN QUE ME DEU! — explicou, nervoso.

    — VAI EMBORA! NÃO SOMOS MAIS NADA! — essas foram as palavras finais de Rosália, que deu as costas para ele e seguiu caminho sem olhar para trás.

    Ele levantou sua mão como que para alcançá-la, mas sabia que era tarde. Para Itzel, naquela noite, apenas restou ver sua amada partir e deixá-lo.

    Casa de Sayuri, domingo, 9 de maio, tarde

    A brisa agradável daquele dia contrastava com os sentimentos de Nami, que ainda estava confusa com a luta da madrugada. O passeio entre ela e Hitomi havia deixado de ser um momento entre as duas. Agora já era tarde de domingo e ela precisava ir buscar Hana.

    Recebida pela sorridente e serena Sayuri, Nami entrou na casa e já se deparou com sua filha Hana brincando pela casa com Matsui.

    — Muito obrigada por cuidar da Hana pra gente! — agradeceu com um sorriso.

    — Foi um prazer! As duas se gostam muito, brincaram bastante! — respondeu a anfitriã.

    — Sayu… Houve um ataque na serra… — informou Nami, sem rodeios. — Foi uma mulher de cabelos roxos e um homem de cabelos cianos.

    — Cabelos cianos? Será Itzel? — o sorriso de Sayuri se transformou em uma expressão de surpresa.

    — Me pareceu a descrição que você passou. Ele não nos atacou, apenas fugiu e levou a mulher junto.

    Sayuri ficou reflexiva, desviou seu olhar para o canto, mas sem fixar em um ponto em específico. Levou sua mão até seu queixo, pensativa. Uma parte dela estava tensa, a outra, aliviada.

    — Será que… Talvez ele seja… confiável?

    Sayuri e Nami ficaram mais um tempo conversando enquanto as duas pequenas brincavam. A segunda-feira estava chegando e, apesar das pequenas não terem aulas, os adultos tinham suas obrigações profissionais.

    A semana foi um pequeno caos para os pais das crianças pequenas, que precisaram se adaptar aos dias sem aulas. Já os adolescentes aproveitaram as mini férias.

    Mercado, sábado, 15 de maio, manhã

    Hikaru estava na banca de revistas na frente do mercado, e checava as manchetes e os títulos à venda, quando de repente se deparou com algo que lhe chamou atenção:

    “AULAS DO COLÉGIO M RETORNARAM NESSA QUARTA”, era o que estava estampado na capa do principal jornal da cidade. Além de noticiar, aproveitou para dedicar o caderno especial do fim de semana para a escola.

    Uma sensação de incômodo o tomou enquanto ele lia aquilo. Preferiu nem pegar o caderno na mão, sabia que as notícias estariam longe de trazer os fatos, mas talvez fosse melhor assim.

    “Voltou na quarta e o povo só tá sabendo reclamar que quer mais folga… Isso porque nem sabem o que aconteceu de verdade. Ignorância é uma benção.”, concluindo seu pensamento, ele foi indo em direção ao mercado.

    Nos sábados de manhã o movimento era intenso, todos queriam fazer compras e aproveitar o final de semana. A muvuca fazia com que as pessoas se misturassem umas às outras e ninguém se destacasse no meio do corre corre.

    Como toda regra tem sua exceção, ao se aproximar da entrada e saída do mercado, alguém chamou a atenção de Hikaru. Um rapaz alto, vestindo roupas escuras de jeans e couro e usando um boné se destacava dos demais. Ele andava com a cabeça baixa, parecendo tentar manter a discrição, mas sua presença era marcante.

    — Ei, licença! — disse Hikaru se virando rapidamente para o homem.

    — Sim? — O rapaz virou seu rosto em direção a Hikaru, cumprimentando com um sorriso discreto.

    — Você é o baterista do show da Ayu, né!? — perguntou Hikaru, que mostrava estar animado de encontrar o músico.

    — Sim! Sou sim! — confirmou o jovem.

    Hikaru leva a mão para cumprimentar o rapaz, que por sua vez, leva a mão direita dele, que segurava uma sacola de compras, para cumprimentá-lo.

    — Muito prazer, me chamo Hikaru!

    — Yuuki! Então, Hikaru, curte pop?

    — Ah, mais ou menos. Tenho cara de quem curte pop?

    — Haha, eu andei levando um corte de uma garota, então tô preferindo não tirar conclusões. — respondeu Yuuki, dando uma risadinha.

    — Você mora por aqui?

    — Não! Vim pra tocar com a minha banda! — respondeu Yuuki e voltou a caminhar — Quer me acompanhar?

    — Sério? Qual a banda? — surpreendeu-se Hikaru, indo atrás do músico. — Opa! Sim!

    — É a Black Dragon.

    Hikaru ficou surpreso, quase tropeçando em falso ao escutar o nome da banda do rapaz.

    — Peraí! Vocês são famosos! Tocam direto na rádio!

    — Ha! Estamos ficando conhecidos! Mas sim! Tocamos sim! — as palavras de Yuuki eram bastante pé no chão, mas seu rosto radiante como sol mostrava que ele se sentia muito feliz com o que estava ouvindo. — Ah, pera!

    Yuuki pegou a carteira em seu bolso da calça e abriu, procurando alguns papéis. Ele encontrou e retirou os papeis, entregando para Hikaru.

    — Você parece um cara legal! — comentou o rapaz. — Eu ganhei uns ingressos, mas não conheço ninguém aqui! Você não é obrigado a ir, mas vai ser legal se for e levar uns amigos.

    — Mas… tem certeza? São todos VIP! — Hikaru pegou os papéis e os encarou, impressionado.

    — Tenho sim! O importante é encher o lugar! — afirmou Yuuki, dando uma piscadela e fazendo um sinal de positivo para Hikaru.

    Os dois foram conversando e caminhando até chegarem na entrada do hotel onde Yuuki estava hospedado com a banda. Lá se despediram, o músico foi para seu quarto descansar e se preparar para o show, enquanto Hikaru voltou ao mercado, fez suas compras e foi para casa.

    Casa da Sayuri

    Hikaru chegou em seu lar de maneira apressada, estava ansioso. Ele largou as sacolas na mesa da cozinha e correu até o encontro de Akiko, que estava em seu quarto.

    — Akiko! Akiko! — exclamou, chamando atenção de sua namorada. — Sabe o baterista do show da Ayu? Ele tá na cidade e vai fazer show hoje! Ganhei ingressos pra área VIP, bora? Vê quem mais quer ir!

    Akiko se virou para Hikaru, ficou empolgada com o convite e logo foi pensando em quem iria querer acompanhar.

    — Nossa! — um nome veio à sua cabeça rapidamente. — Acho que a Yukino vai querer ir!

    Ela associou rapidamente o nome de Ayu à sua amiga. Também considerou convidar as outras meninas, mas Yukino seria a prioridade de convite.

    — Top! Vou ligar pro Adonis! — disse Hikaru, citando o primeiro nome que veio à sua mente. Eles ainda não haviam conversado tanto depois de voltarem às aulas e essa seria uma boa oportunidade para extravasar.

    Hikaru e Akiko foram juntos até o cômodo que tinha o telefone e começaram primeiro a ligar para Adonis.

    Apoie-me

    Regras dos Comentários

    • Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • Comentários ofensivos serão removidos.

    Para receber notificações, ative o sininho ao lado do botão de Publicar.

    Nota