8 de maio, 21 horas, Centro da Cidade, Restaurante Monte

    Elegante e bem localizado, o restaurante Monte era um dos lugares mais elegantes da cidade. Decoração amadeirada, culinária italiana e segundo piso para quem preferisse um ambiente mais íntimo, o lugar ideal para impressionar em um primeiro encontro.

    Os funcionários eram todos elegantemente vestidos, assim como a recepcionista, que verificava os nomes e mesas dos clientes que chegavam.

    — Boa noite! Possuem reserva? — perguntou ela para um casal elegante e alto que chegava ao local.

    — Sim, temos! — respondeu a voz masculina grave e macia. — Will e Megumi.

    A recepcionista os levou para uma mesa no andar de cima, localizada próxima à janela. O lugar, bem reservado, permitia que os dois conversassem com tranquilidade enquanto bebiam o champanhe que ele havia pedido.

    Megumi estava elegante em um vestido dourado de renda e cetim, enquanto Will estava com roupa social de corte perfeito. Agora sentados, frente a frente, ela poderia saber mais sobre o homem que a convidou para jantar.

    — Fiquei surpresa que me convidou para sair! E ainda veio até a cidade onde moro. — disse ela, enquanto olhava a textura da bebida através da taça de cristal.

    — É claro que eu vim! — ele afirmou, enquanto dava alguns goles. — Eu iria a qualquer lugar que uma mulher bonita como você estivesse.

    — “Qualquer mulher bonita?” — provocou Megumi, demonstrando que a fala de Will não havia sido muito confiável.

    Experiente, ele sorriu e olhou fundo nos olhos dela.

    — “Como você” — respondeu, frisando bem suas palavras, — fiquei encantado quando nos conhecemos.

    — Hmm, certo! — ela sorriu, parecendo satisfeita. — Confesso que na primeira vez que nos vimos, você me deixou um pouco intimidada…

    Ao ouvir as palavras de Megumi, Will gentilmente segurou na mão dela e a trouxe mais perto dele. 

    — Ah, sim! Peço desculpas pela minha falta de tato. Eu estava com medo de perder a oportunidade de conhecer uma bela dama como você.

    O rosto dela corou com tal atitude e ela ficou admirando a mão firme que segurava a dela com delicadeza.

    O prato principal foi servido e os dois conversaram durante horas enquanto comiam e bebiam. Mais tarde, quando estavam satisfeitos, ele a convidou a passar a noite com ele. Por um segundo ela hesitou, mas preferiu ceder ao convite.

    Os dois seguiram juntos até o hotel da avenida principal da cidade, onde Will estava hospedado. Megumi não voltou para casa, ela o acompanhou até o quarto dele, lá, seus lábios se uniram e ficaram juntos noite adentro.

    Show da Ayu, 8 de maio, 23h30

    Trocas de figurinos, atos teatrais e muita música. O espetáculo terminou, dando espaço ao Encore! Nele, Ayu aproveitava para ter um momento mais próximo, conversando com seus fãs e usando roupas mais casuais. Entre as conversas ela cantava seus hits junto ao público até chegar o momento de apresentar a equipe e finalizar o show.

    — Obrigada a todos! Esse espetáculo foi feito com amor por toda a equipe! — disse ela, enquanto mencionava um a um o nome de todos os integrantes.

    Bailarinos, backvocals, tecladista, guitarrista, baixista, todos sendo apresentados.

    — E na bateria, YUUKI! — e assim Ayu terminou a apresentação de todos.

    Rapidamente Akiko se virou para Yukino e comentou:

    — Olha Yuki! O nome do baterista é o seu apelido!

    Yukino estava boquiaberta, tudo que conseguiu fazer foi dizer um “QUÊ!?” involuntário. Ela não conseguia acreditar que o garoto com quem tinha tido uma comunicação ruim era Yuuki, o baterista de Ayu. A jovem estava sentindo alegria, raiva, indignação, admiração, tudo ao mesmo tempo. Ela queria, no mesmo momento, sorrir e chorar, mas segurou tudo dentro de si. A única coisa que transpareceu a todos foi seu rosto confuso.

    — Calma, amiga! Pra mim você é a única Yuki! — comentou Akiko, que interpretou que a expressão da amiga era por ela não ter gostado de não ser única.

    Na plateia, todos muito animados com a energia da cantora. Aplaudindo de pé a performance que havia sido incrível naquela noite. Até o grupo sair do show já havia passado da meia-noite e Guang passou para dar carona a todos.

    Serra, 9 de maio, meia-noite

    A escuridão já havia tomado conta de toda a serra. As luzes que vinham das estrelas e da lua não conseguiam adentrar tão bem na trilha fechada, e por isso, a luz artificial da lanterna era a companheira nas trilhas noturnas.

    E assim vinha caminhando um casal, mata adentro em direção da cachoeira. O homem, de cabelos cianos, conduzia o caminho. A mulher, de cabelos roxos, estava vestida de maneira intrigante, um vestido rosa em camadas e um salto alto, um visual que nenhum terráqueo escolheria para um passeio na serra.

    — Itzel… — chamou Rosália, a mulher. — O que é aquele negócio que você usou pra nos trazer aqui?

    — Você diz o carro? — respondeu Itzel. — É um transporte daqui. Estou tirando a habilitação, mas Ren já me ensinou bastante.

    — Aquele negócio não explode, não? — perguntou ela, enquanto olhava seriamente para a paisagem noturna. — Você está confiando demais nas ferramentas da Terra.

    Itzel não continuou o assunto, os dois seguiram o caminho e chegaram até uma cachoeira a céu aberto. A lua e as estrelas agora iluminavam o ambiente, não sendo mais necessária a lanterna. Ele checou o ambiente, se atentando a cada detalhe.

    — Essa parece a descrição que a Heidi passou. — afirmou Itzel.

    — Está fraco, mas tem sim a energia do núcleo aqui! — confirmou Rosália.

    O lago que se formava era cristalino e Itzel se abaixou e esticou sua mão. Rosália permaneceu de pé atrás dele, acompanhando seus movimentos. Toda a água do lago foi sugada para dentro do corpo do homem, que voltou a colocar-se de pé.

    — Certo, está seco. Vai um tempo até encher novamente. — ele informou.

    — Há um brilho… Mas a minha percepção estava certa, o núcleo de Potentia deste planeta se move. Já está indo embora daqui. — ela explicou.

    — Vamos ser ágeis então.

    — Sim!

    Faíscas elétricas começaram a se formar nas mãos de Rosália. O brilho arroxeado, luminoso foi aumentando e, com seu controle, ela desviou todos na direção exata onde o núcleo se encontrava. O lugar isolado, sem moradores por perto, facilitava a missão, já que o barulho dos raios atingindo o solo era intenso.

    O que eles não sabiam é que era comum as pessoas que se hospedavam nas pousadas fizessem trilhas noturnas. O clima da noite proporcionava experiências ricas e muito diferentes das que se tinha durante o dia. E na busca dessas experiências, um casal se aproximava do local.

    — Trilha noturna… só você mesmo Nami. — reclamou Hitomi, que caminhava na frente, segurando a lanterna. Seus passos apressados mostravam que ela estava querendo chegar logo ao destino final e terminar aquela atividade.

    — Você anda muito em grandes centros, prédios… Tem que ter contato com a natureza também. — comentou Nami, que caminhava um pouco atrás, apreciando cada planta, flor ou animal pelo caminho, além de também apreciar o cheiro da terra úmida e o aroma natural da vegetação.

    — Tá… mas hoje eu queria dormir… — o olhar de Hitomi estava cansado, não conseguindo se concentrar na paisagem.

    — Depois você dorme! — Nami, em contraste, mantinha seus olhos bem abertos, mas se distraía verificando os arredores.

    De repente, Hitomi, que estava apressada, ficou imóvel, seu olhar estava fixo ao final da trilha. Nami, que vinha atrás, acabou tropeçando nela. A princípio, ela estranhou a parada brusca de sua esposa, mas logo olhou na mesma direção e entendeu.

    — Nami…

    — Sim… Batem com as descrições que as meninas passaram.

    Sem aviso prévio, Hitomi gerou e lançou suas chamas diretamente para cima de Itzel e Rosália. O fogo rapidamente percorreu o caminho, se aproximando do alvo.

    Rosália, concentrada em sua missão, não sentiu o golpe vindo. A sorte dela foi Itzel, que, mais atento ao redor, esticou rapidamente sua mão, que passou de raspão perto do rosto de Rosália.

    Ele lançou parte da água que havia absorvido diretamente ao fogo. A sorte parecia estar ao seu lado, pois o fogo foi contido há uma distância de menos de um metro dos dois. Se os tivesse atingido, deixaria ambos bastante feridos e o choque com a eletricidade amplificaria os danos.

    Nesses segundos de ação, Rosália se espantou, seus olhos se arregalaram, ela percebeu o tamanho do perigo que acabara de correr. Ela não esperava ser encontrada em um local tão isolado.

    — De… novo? — exclamou ela, enquanto virava seu rosto vagarosamente em direção de onde havia sido desferido o golpe.

    Surgindo ao longe, por detrás da névoa que havia sido causada pelo choque entre o fogo e a água, estavam duas silhuetas femininas. Elas foram se tornando mais nítidas e era possível ver a expressão de raiva que Hitomi carregava em seu rosto.

    Deixando suas mãos em chamas, Hitomi corre até os dois para um combate de curta distância com Potentia. Ela foi se aproximando rapidamente e os dois agora precisariam pensar rapidamente em uma estratégia de combate.

    Rosália, tomada pelo medo e pela ira, começou a preparar seu ataque. Levantando sua mão, concentrou uma grande quantidade de eletricidade, mostrando que seu objetivo era desferir um golpe mortal.

    A esfera elétrica foi tomando forma rapidamente, e já estava quase pronta para ser disparada. Porém, de repente, toda a energia se dissipou, ela foi segurada pelo seu pulso por Itzel, que se pôs a correr em direção contrária ao conflito.

    Surpresa e confusa, Rosália não era capaz de fazer mais nada além de tentar acompanhar os passos de Itzel, que continuava a segurá-la firmemente pelo pulso.

    Hitomi, sem perder tempo, lançou outro golpe de fogo na direção dos dois e continuou correndo para alcançá-los. No entanto, ela foi impedida por um muro de água, criado por Itzel, e que rapidamente se formou em sua frente.

    Os dois continuavam a correr sem pausa, Itzel estava silencioso e atento à ação. Ele aproximou Rosália para mais perto dele, para poder protegê-la melhor.

    Foi a vez de Nami atacar. Ela utilizou sua Potentia de Ar para engolir toda a água do muro e unir em uma rajada de vento alta e veloz, que foi rapidamente na direção do casal.

    Rosália estava cada vez mais assustada, mas Itzel parecia não perder o controle de si mesmo nem da situação. Ele abraçou forte sua companheira com a mão esquerda. Com a mão direita, ele utilizou um jato de água para impulsioná-los ao alto. Ela se agarrou nele, não conseguia compreender se se salvariam ou entrariam em perigos maiores.

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