Capítulo 1017
#autoe Tradutor: Crimson 』
Cidade Pinha. Navio-Mãe.
Gargamel desligou a comunicação com raiva, levantou-se e saiu da sala de comando. Caminhou por um longo corredor metálico até chegar à entrada de uma sala secreta.
Deng. Deng. Deng.
Após algumas batidas leves, as portas metálicas se abriram, deslizando silenciosamente para dentro das paredes.
Greem estava nu da cintura para cima dentro da sala, enquanto Mary e Alice tratavam cuidadosamente dos ferimentos em seu corpo.
“Que assunto você veio reportar agora? Não sabe que o líder do clã está em tratamento?” Mary franziu a testa e repreendeu com expressão irritada.
Gargamel sorriu de forma constrangida.
“Fale, o que aconteceu?” Greem perguntou. Ele já havia percebido algo pelo rosto de Gargamel.
“Todas as unidades de máquinas mágicas que enviamos para as regiões de fronteira foram interceptadas.”
“O quê? Quem ousa ficar no nosso caminho numa situação dessas? Quem foi? Me diga quem foi! Eu mesma vou despedaçá-los agora!” Os olhos carmesim de Mary brilharam ao ouvir isso. Ela parecia extremamente ansiosa para agir.
“No sudoeste está o Exército da Lança Sangrenta do Clã Dener, no noroeste está o Exército Fantasma Branco do Clã Entom, e ao sul está o Exército do Dragão Voador do Pântano do Clã Banda. Mais exércitos de outros clãs estão surgindo em outras direções também, e as unidades que enviamos em perseguição foram todas interceptadas.”
“Apenas interceptadas e mandadas de volta, certo? Nenhum confronto direto?” Greem franziu a testa e perguntou.
“Não!” Gargamel balançou a cabeça. “Todos os clãs que interferiram afirmam estar agindo sob ordens da Associação e que são responsáveis por supervisionar o campo de batalha e possíveis violações. Eles não atacaram diretamente nossas forças.”
Greem ficou em silêncio por um momento e então olhou para Alice.
Um leve sorriso apareceu no rosto delicado dela, como se já esperasse isso.
“O fato de não terem iniciado combate significa que os líderes da Associação não querem entrar em guerra ainda. Interceptar nossas forças e mandá-las de volta é um aviso de que existe um limite para esta guerra que não devemos ultrapassar. Pelo que isso indica, a Associação reconheceu tacitamente nosso domínio sobre Ailovis, mas não permite que a guerra se estenda além da região.”
“Eles dizem ‘façam guerra’ e a gente faz, dizem ‘parem’ e a gente tem que parar? Hmph! Esses velhos… sempre querem controlar tudo!” O temperamento de Mary continuava explosivo, e isso estava estampado em seu rosto.
Greem suspirou e se virou para Gargamel.
“Avise todos os adeptos do clã que nosso principal alvo de perseguição continua sendo o Clã Fabres. Porém, podemos afrouxar a perseguição contra forças que não pertençam a eles. Ainda assim, executem todos os inimigos que permanecerem em Ailovis e se recusarem a se render até o anoitecer!”
“Sim, senhor!”
Gargamel se curvou e aceitou a ordem. Estava prestes a sair para transmiti-la, quando Greem o chamou novamente.
“Já ouvi Mary falar sobre tudo o que aconteceu no clã recentemente. Você… fez um bom trabalho. Correspondendo às minhas expectativas.”
“É apenas o meu dever! Não é digno de elogios, meu senhor.” Um sorriso impossível de esconder apareceu no rosto envelhecido de Gargamel.
“Desta vez, também consegui alguns itens valiosos em outro mundo. Considere-os sua recompensa.”
Greem tirou três frascos estranhos contendo poções roxas de seu anel de armazenamento e os colocou nas mãos de Gargamel.
“Três poções. Uma delas é uma poção de recriação de linhagem, e as outras duas são de purificação de linhagem. Você está no Primeiro Grau avançado, mas ainda longe do ápice. Com a poção de recriação, pode obter a linhagem de Mamba Negra Gigante. Também é venenosa e de atributo veneno — combina bem com suas afinidades.”
“Mais importante, ao se tornar um adepto de linhagem, sua expectativa de vida deve aumentar. Com as duas poções de purificação, deve ser o suficiente para você avançar ao Segundo Grau.”
Greem continuou explicando e alertando sobre vários detalhes no uso das poções.
Mas Gargamel já não ouvia direito.
Ele estava completamente atordoado, como se tivesse sido atingido por um raio. Só conseguia rir de forma boba enquanto segurava os três frascos.
Ninguém conhecia sua situação tão bem quanto ele próprio.
Gargamel sabia que lhe restavam apenas onze anos de vida.
Desde que se tornara o mordomo de Greem em Zhentarim, vinha trabalhando dia e noite pelo Clã Carmesim, praticamente abandonando sua própria prática como mestre de poções. Seu talento nunca fora extraordinário. Tornar-se um adepto de Primeiro Grau já fora um grande golpe de sorte.
Ele nunca esperou avançar para o Segundo Grau.
O motivo de tanto esforço nunca foi por si mesmo, mas por sua família. Esperava apenas que Greem cuidasse de Eva e de sua filha Emelia.
E, ainda assim, agora, no fim de sua vida…
Um presente gigantesco havia caído sobre sua cabeça.
Ele poderia continuar vivendo.
E mais do que isso, viver melhor.
Aquilo… era algo tão inacreditável que destruiu completamente seu estado mental.
Ele já não sabia dizer se aquilo era realidade… ou apenas um sonho.
Greem balançou a cabeça, sem saber se ria ou se ficava irritado, ao ver Gargamel morder o dorso da própria mão e pular de dor.
“Acho melhor eu ir transmitir as ordens! Pelo visto, Gargamel enlouqueceu.”
Gargamel imediatamente voltou a si ao ouvir a voz de Mary. Ele abraçou as três poções com força, como se fossem a coisa mais preciosa de sua vida.
“Eu vou… eu vou. Vou agora mesmo.”
E saiu correndo da sala.
Quando a porta finalmente se fechou, Mary se virou e sorriu para Greem.
“Parece que você voltou bem servido da viagem para o outro mundo. Até trouxe presente para aquele adepto bobo. E o meu?” Mary mostrou os dentes enquanto falava, como se fosse morder Greem caso ele dissesse que não tinha nada.
Mary agora era uma vampira de Terceiro Grau. Mesmo Greem sofreria bastante se fosse mordido por ela.
“Não… podemos resolver isso com ações. Não precisa usar a boca! Você só quer presentes, não é? Eu tenho… tenho sim.”
Greem rapidamente tirou alguns potes de argila bem selados de seu anel de armazenamento e os entregou a Mary.
Mary pegou os potes e os examinou. Os selos de barro estavam cobertos por runas misteriosas. Apesar de simples, os recipientes tinham um estilo peculiar, quase exótico. Era evidente que haviam sido feitos à mão — os formatos eram irregulares, e as cores dos desenhos já estavam desbotadas.
Ela sacudiu levemente um dos potes. Havia um líquido viscoso dentro. Seus olhos rubros brilharam. Com um dedo afiado, rompeu o selo e experimentou um pouco da substância vermelha.
Quase gritou de felicidade.
“Terceiro Grau… isso é sangue refinado de uma criatura de Terceiro Grau! Você tem certeza de que vai me dar tudo isso?” Mary estava radiante.
Greem assentiu.
Se não fosse por Mary, ele não teria precisado gastar tanto esforço para atrair vários Cavaleiros Dourados de Terceiro Grau para uma armadilha. Aquela batalha violenta havia deixado Greem, Tess e Italil gravemente feridos.
Mas os cavaleiros sagrados haviam saído muito pior.
Primeiro, foram atingidos pelas armadilhas mágicas escondidas no pântano. Depois, enquanto ainda estavam desorientados, os três adeptos trabalharam juntos e os eliminaram um a um. Sob ataques ferozes e implacáveis, os sete Cavaleiros Dourados de Terceiro Grau foram mortos nos Pântanos Venenosos.
O sangue deles foi extraído, refinado e selado nesses potes — tudo feito por Tess. Greem ficou com as almas de luz sagrada, deixando apenas os corpos mutilados para as bruxas.
Entre as Bruxas do Engano, havia especialistas na criação de bestas vodu e golems zumbis. Aqueles corpos de alta qualidade eram suficientes para formar uma unidade extremamente perigosa.
Com esse tipo de proteção, suas chances de sobrevivência em Henvic aumentariam bastante — desde que não encontrassem os dois Cavaleiros Sagrados de Quarto Grau.
Quanto ao resgate delas, isso já não era problema de Greem. Ele se despediu de Italil assim que voltou ao Mundo Adepto.
Greem explicou rapidamente tudo o que havia acontecido para Mary e Alice.
Mary, animada, saiu imediatamente para encontrar outro lugar e aproveitar seu “lanche”, deixando os dois a sós.
Quando ficaram sozinhos, Greem soltou uma risada maliciosa e bateu nas próprias coxas.
Alice revirou os olhos, mas, corando levemente, sentou-se em seu colo.
Greem a abraçou, afundando o rosto em seus longos cabelos sedosos, sentindo o leve perfume de seu corpo. Em seguida, soltou um suspiro profundo, carregado de cansaço.
Nos últimos cinco anos, ele havia vivido sem descanso no outro mundo. Sempre em alerta ou em combate. Nem mesmo dentro do vulcão havia ousado dormir — substituiu o sono por meditação.
Foram batalhas constantes e ferimentos sem fim. Embora a maioria de suas lesões tivesse cicatrizado, o desgaste acumulado estava gravado profundamente em sua mente e alma.
E, assim que retornou, ainda teve que enfrentar um adepto de Quarto Grau sem sequer descansar.
Nem mesmo alguém feito de metal suportaria algo assim.
Com o rosto ainda enterrado nos cabelos de Alice, murmurando algo de forma quase inconsciente, Greem acabou adormecendo.
Caiu em um sono profundo — e doce.
Tão tranquilo que parecia ter voltado ao ventre materno.
Silencioso.
Calmo.
Sem preocupações.

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