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    『 Tradutor: Crimson 』


    Além desses adeptos centrais, um grupo de adeptos de elite também surgiu dentro do Clã Carmesim.

    Um exemplo era a Devoradora de Dragões Oliven.

    Oliven sempre foi um membro periférico do Clã Carmesim. Raramente participava dos assuntos do clã, muito menos de guerras de adeptos que não tinham relação direta com ela.

    No entanto, após avançar com sucesso para o Terceiro Grau graças ao “investimento” de Greem, Oliven passou a dever um favor. Assim, não teve escolha a não ser participar dessa guerra.

    Como devoradora de dragões, a maioria de suas habilidades estava relacionada a dragões.

    Apesar de ser uma iniciante no Terceiro Grau, ela podia liberar um poder equivalente ao de um Terceiro Grau no auge ao lutar contra dragões. Mesmo enfrentando um dragão de Quarto Grau, conseguia recuar sem sofrer ferimentos.

    Era o poder dessa profissão especializada!

    Porém, quando seus oponentes não eram dragões, a maioria de suas técnicas — tanto ativas quanto passivas — tornava-se inutilizável, o que reduzia drasticamente sua capacidade de combate. Nessas situações, ela não passava de uma assassina de Terceiro Grau iniciante especializada em quebra de magia.

    Felizmente, ainda possuía a força base de uma criatura de Terceiro Grau. Sempre que aparecia no campo de batalha, os adeptos elementais inimigos — dependentes de feitiços de longo alcance e sem defesa em combate corpo a corpo — não ousavam agir de forma imprudente. Eram forçados a conter seu poder e lutar de forma mais defensiva.

    Além de Oliven, outra força se destacou bastante durante a guerra: duas classes únicas que surgiram pela primeira vez no Mundo Adepto — Mecânico Mágico Goblin e o Feiticeiro Maquinista Goblin.

    Comparado à dificuldade de se tornar um mecânico mágico, o feiticeiro maquinista era uma classe que praticamente qualquer goblin adulto podia alcançar.

    Na prática, era uma classe feita sob medida para os goblins.

    Todos conseguiam dominar os conhecimentos básicos de mecânica e alquimia necessários para avançar. Com treinamento adicional em princípios de energia mágica e fundamentos arcanos, podiam então se tornar feiticeiros maquinistas goblins.

    Diferente de um adepto, esse avanço não causava mudanças fundamentais no físico. Em vez disso, concedia controle passivo sobre armas mágicas mecânicas.

    Quando um grupo de pequenos goblins, com pouco mais de 1,2 metros de altura, pilotava robôs gigantes de quatro metros no campo de batalha e inundava o inimigo com uma chuva de balas metálicas, misseis goblins e bombas alquímicas…

    No mínimo, o poder de um feiticeiro maquinista goblin era comparável ao de um adepto de Primeiro Grau Iniciante — até a munição acabar, claro.

    A maior vantagem dessa classe era sua facilidade de avanço.

    Após muita pesquisa e sistematização, os adeptos goblins conseguiram eliminar grande parte da etapa mais difícil do avanço de um adepto — o aprimoramento físico. Também descartaram diversos estudos arcanos considerados “desnecessários”. Com isso, a taxa de sucesso de um jovem goblin ao se tornar um feiticeiro maquinista chegou a impressionantes 67%.

    O surgimento dessa classe deu aos goblins a chance de fornecer uma classe para praticamente todos os membros de sua raça.

    No entanto, ainda era uma versão enfraquecida de uma profissão de combate completa. Ela não melhorava o físico natural dos goblins.

    Independentemente de quantos goblins avançassem, sua curta expectativa de vida continuava sendo um limite intransponível — um ponto em que essa profissão permanecia inferior às demais.

    Enquanto os adeptos humanos dependiam de tempo e recursos para formar elites de alto nível, essa versão simplificada dos goblins só conseguia produzir combatentes de Primeiro Grau. Não havia possibilidade de alcançar o Segundo Grau.

    Isso porque a curta vida dos goblins não era suficiente para sustentar o avanço até esse nível.

    Após anos de seleção e treinamento, o Clã Carmesim já contava com treze mecânicos mágicos goblins. Entre eles, o Adepto Locke se destacava como o mais promissor, já tendo alcançado o estágio avançado do Primeiro Grau.

    Mantendo esse ritmo, era muito provável que o primeiro goblin de Segundo Grau surgisse dentro de trinta a cinquenta anos.

    Tanto os poucos mecânicos mágicos goblins quanto os numerosos feiticeiros maquinistas goblins já haviam entrado no campo de batalha nesta guerra.

    A julgar por seu desempenho, eram mais fracos em tarefas como furtividade e emboscadas. No entanto, em batalhas diretas e brutais, não ficavam atrás dos adeptos tradicionais.

    Em outras palavras: se um mecânico mágico goblin ou um feiticeiro maquinista goblin enfrentasse um adepto humano em uma floresta, o adepto humano certamente sairia vivo. Porém, se dez feiticeiros maquinistas goblins entrassem juntos no campo de batalha, seriam capazes de esmagar dez adeptos humanos com facilidade!

    Em especial, os feiticeiros maquinistas goblins — originalmente goblins mágicos — possuíam maior Espírito e físico, o que lhes permitia controlar armas mecânicas e mágicas ainda mais poderosas. Comparados aos adeptos humanos, que prezavam muito suas próprias vidas, a ferocidade e brutalidade dos goblins lhes davam uma vantagem clara no campo de batalha.

    Responder ataque com ataque, trocar vida por vida — nenhum adepto humano faria algo tão imprudente, mas os goblins não se importavam!

    Foi justamente a presença desses destemidos feiticeiros maquinistas goblins que permitiu ao Clã Carmesim estabelecer uma linha de defesa sólida, mesmo sendo inferior em força de alto nível.

    Protegido pelo golem dragão mágico, pelo exército de máquinas mágicas, pelas carruagens goblins e pelos navios-mãe, o Exército Sangue Brutal formado por esses goblins tornou-se o inimigo que o Clã Fabres menos desejava enfrentar.

    Na verdade, sempre que os adeptos do Clã Fabres viam aqueles goblins selvagens se esconderem dentro de suas máquinas, avançando com motores a vapor roncando enquanto riam e transformavam o campo de batalha em terra arrasada com canhões de energia mágica, misseis goblins e bombas alquímicas… uma fúria indescritível surgia em seus corações.

    As defesas dessas máquinas eram extremamente rudimentares, com pouca resistência mágica. Muitas vezes explodiam após um ou dois ataques inimigos.

    Mas os goblins simplesmente não se importavam!

    Era como se cada feiticeiro maquinista goblin que entrasse no campo de batalha já soubesse que não sobreviveria por muito tempo. Nenhum deles parecia ter a intenção de recuar para reabastecer munição. Apenas avançavam, como se estivessem correndo contra o tempo — tentando disparar tudo o que tinham antes que suas máquinas fossem destruídas.

    Talvez fosse exatamente isso que os tornava tão brutais.

    Eles podiam descartar suas próprias vidas como se não valessem nada… mas os adeptos do Clã Fabres não podiam fazer o mesmo.

    Além disso, conforme a linha de batalha se aproximava do território de origem do Clã Carmesim, o espaço para emboscadas e infiltrações diminuía drasticamente. Na maioria das vezes, ambos os lados eram forçados a lutar diretamente.

    Após experimentarem o terror do Exército Sangue Brutal pela primeira vez, o Clã Fabres foi obrigado a recuar seus adeptos da linha de frente, após sofrer pesadas perdas. Em seu lugar, passaram a utilizar grandes quantidades de bestas vodu modificadas e golens metálicos.

    Assim, os dois clãs passaram a travar um conflito contínuo, com o Vale Legas como epicentro, a cento e vinte quilômetros ao sul da Cidade Pinha. O campo de batalha era constantemente empurrado de um lado para o outro, transformando região após região em terras devastadas e sem vida.

    De forma geral, quando se tratava da quantidade e qualidade de forças de baixo nível, o Clã Carmesim era superior ao Clã Fabres em vários campos de batalha.

    No entanto, quando os adeptos de alto nível do Clã Fabres entravam em ação, apenas Mary e Oliven conseguiam contê-los parcialmente. Embora a Dragonesa Esmeralda de Terceiro Grau, Iritina, também tivesse atendido ao chamado e chegado com parte de seu bando, essa dragonesa preguiçosa se recusava a se esforçar na ausência de Greem. Ela jamais se colocaria em uma situação onde pudesse ser atacada por múltiplos adeptos do mesmo nível.

    Além disso, um adepto de Quarto Grau de refinamento corporal ainda se escondia por trás desse campo de batalha.

    Uma existência capaz de matar qualquer um deles “instantaneamente”.

    Por isso, Iritina agia com extremo cuidado e nunca saía do raio de proteção do golem dragão.

    De qualquer forma, a presença da revoada de dragões forçava o inimigo a considerar o terror de seus ataques antes de iniciar batalhas em larga escala. Por isso, mesmo após empurrar o Clã Carmesim de volta ao seu território de origem, o Clã Fabres só lançou invasões terrestres em grande escala poucas vezes — a maioria sendo operações menores de penetração.

    No entanto, com o passar do tempo, o monstro de Quarto Grau por trás do Clã Fabres começou a perder a paciência. Ele passou a prestar mais atenção na guerra e a interferir com maior frequência.

    Sob a sombra sufocante dessa existência aterradora, as pequenas vantagens conquistadas pelo Clã Carmesim desapareceram completamente. Todos os dias, ao entrar em missão e pisar no campo de batalha, os adeptos do clã estavam tomados pela ansiedade.

    O único motivo pelo qual o Clã Carmesim ainda não havia colapsado era o fato de que o adepto de Quarto Grau ainda permanecia na sede do Clã Fabres, sem agir pessoalmente. Até então, o avanço da guerra ainda estava nas mãos de adeptos de Terceiro Grau.

    Mas, no momento em que ele decidisse entrar em combate…

    A linha de defesa do Clã Carmesim desmoronaria instantaneamente.

    E ninguém sabia se seriam capazes de proteger sua última cidade, mesmo com o golem dragão lutando na linha de frente.

    A Cidade Pinha não podia cair!

    O Clã Carmesim havia investido anos no desenvolvimento daquele local, criando uma base sólida de recursos e população. Se perdessem a cidade, não teriam para onde evacuar as dez a vinte mil pessoas que viviam ali. A geografia limitada do Trono de Fogo não comportaria todos.

    Por outro lado, abandonar os cidadãos significaria perder a elite e os pilares do clã — aqueles essenciais para reconstruí-lo, mesmo que conseguissem repelir o Clã Fabres no futuro.

    Os territórios precisavam de nobres inteligentes e diligentes para governar, enquanto os pontos de recursos exigiam adeptos e aprendizes dedicados para operá-los.

    Aqueles que permaneciam leais mesmo em uma situação tão desesperadora eram a base fundamental para o crescimento e a sobrevivência do clã no futuro.

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