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    『 Tradutor: Crimson 』


    Tentar atravessar a linha defensiva do Clã Carmesim apenas com um exército de Gigantes de Gelo era um pouco difícil.

    Por isso, quando a linha de frente se transformou em um campo de batalha caótico que se estendia por dois quilômetros, os adeptos de Terceiro Grau do Clã Fabres não tiveram escolha a não ser enviar seu segundo exército subordinado.

    O exército de bestas modificadas.

    Era uma horda aterradora formada inteiramente por uma espécie feroz de outro plano. Havia mais de setecentas dessas criaturas.

    Cada uma delas possuía um corpo ágil, coberto por escamas douradas, com aparência semelhante à de um tigre dente de sabre. Suas garras, com quase trinta centímetros, rasgavam o ar enquanto saltavam como se estivessem voando — lembrando feras mágicas extremamente rápidas e letais.

    No entanto, sempre que tocavam o solo, deixavam pequenas crateras, revelando que sua força era tão absurda quanto sua velocidade.

    Era um exército completo: força, agilidade e poder ofensivo em perfeita combinação. Além disso, as escamas douradas, cultivadas por algum método especial, garantiam uma defesa igualmente formidável.

    Se o Clã Fabres tivesse enviado essas bestas desde o início, talvez não conseguisse atravessar a linha do Clã Carmesim devido ao espaço limitado. Mas agora, com a defesa já despedaçada pelos Gigantes de Gelo, o momento era perfeito para avançar e ampliar ainda mais a brecha.

    As bestas modificadas invadiram o campo de batalha como uma tempestade, suprimindo quase instantaneamente a moral que o Exército Sangue Brutal havia acabado de elevar.

    Elas avançavam em bandos, saltando e cravando presas e garras afiadas nas máquinas mágicas, derrubando-as no chão.

    Ficava claro que não eram simples feras. Eram criaturas inteligentes. Evitavam deliberadamente as partes mais resistentes das máquinas e atacavam juntas e armas mágicas. Suas garras eram capazes até de rasgar rifles e canhões feitos de ligas mágicas.

    Sem suas armas de energia, as máquinas mágicas eram forçadas a lutar de forma rudimentar — e, naturalmente, muito menos eficaz.

    Mesmo quando o poder de fogo das máquinas era liberado contra elas, os projéteis metálicos eram desviados pelas escamas douradas, duras como aço. Os feixes de energia também eram refletidos sem causar dano significativo. Apenas explosões de energia mágica conseguiam deixar marcas queimadas do tamanho de uma tigela em seus corpos.

    Mas isso estava longe de ser suficiente para derrubar essas feras de quase quatro metros de comprimento. Pelo contrário — a dor apenas as tornava mais selvagens, mais agressivas e mais implacáveis.

    Muitas dessas criaturas romperam a linha de máquinas mágicas e alcançaram a formação das carruagens goblins na retaguarda intermediária, mergulhando o local no caos.

    Por um momento, o poder ofensivo dos canhões dessas carruagens praticamente cessou!

    Foi então que, enquanto os tigres avançavam livremente pelas linhas do Clã Carmesim, rugidos de dragões ecoaram da distante Cidade Pinha.

    Vários dragões majestosos, cobertos por escamas verdes, ergueram voo e desceram sobre o campo de batalha em um instante.

    A maioria eram subordinados de Iritina, vindos de Faen.

    Embora fossem apenas de Primeiro ou Segundo Grau, a pressão natural dos dragões e seus instintos predatórios lhes davam vantagem absoluta sobre aquelas bestas modificadas.

    De fato, era evidente que esses “tigres” não eram criaturas naturais de um plano. Eram feras artificiais, criadas e cultivadas pelos adeptos do Clã Fabres a partir da combinação de várias espécies mágicas poderosas.

    Mesmo com todas as melhorias em defesa, ataque e regeneração, havia algo que não podia ser alterado:

    O medo instintivo dos dragões, gravado profundamente em suas almas.

    Quando a aura opressiva dos sete dragões verdes se espalhou pelo campo de batalha, não foram apenas as bestas que hesitaram — até os Gigantes de Gelo começaram a conter seus ataques, perdendo parte de sua coragem inicial.

    Enquanto isso, os sete adeptos de Terceiro Grau observavam tudo de um navio de madeira flutuante, bem atrás das linhas, usando bolas de cristal e feitiços de Olho de Águia para acompanhar a batalha.

    Quando o esquadrão de dragões verdes entrou no campo de batalha e instaurou o caos entre os exércitos estrangeiros, dois dos adeptos de Terceiro Grau soltaram um resmungo irritado. Claramente, o Exército de Gigantes de Gelo e o Exército de Bestas Modificadas estavam sob o comando deles.

    Os exércitos subordinados que haviam cultivado para o clã possuíam bom poder ofensivo, mas também apresentavam falhas graves. Um brilho severo surgiu nos olhos dos dois adeptos — era evidente que já pensavam em formas de fortalecer ainda mais suas tropas após o fim da guerra.

    “Já que o inimigo liberou os dragões, está na hora de enviarmos o Exército de Gárgulas!” disse o líder, um velho adepto de Terceiro Grau vestindo um manto com bordas douradas. Ele virou o rosto e pousou o olhar sobre uma jovem adepta com uma faixa dourada na cabeça. “Triumph, agora é com você!”

    “Não se preocupe, Lorde Kagan!”

    A jovem sorriu docemente antes de caminhar até a borda da nave. Tocou sua faixa, e várias ondas mentais misteriosas se propagaram pelo ar.

    Cinco quilômetros atrás do campo de batalha, um grupo de adeptos de elite estava posicionado em segredo dentro de um vale oculto. O adepto de Segundo Grau que liderava o grupo imediatamente deu ordens ao receber as instruções. Guardas de armadura negra correram pelo vale e abriram uma série de grandes caixas de madeira gravadas com runas mágicas profundas e enigmáticas.

    Havia muitas dessas caixas — entre duzentas e trezentas!

    Assim que os selos foram desfeitos, as caixas de contenção explodiram, e criaturas verdes e cinzentas dispararam para o céu, emitindo guinchos enquanto avançavam em direção ao campo de batalha.

    A aparição dessas criaturas imediatamente atraiu a atenção de todos. Em especial, as forças do Clã Carmesim ajustaram rapidamente as máquinas oculares escondidas no céu para observar a verdadeira forma dos novos inimigos.

    “Gárgulas.”

    “São gárgulas!”

    “Eles as prepararam para enfrentar nossos dragões.”

    Os líderes do Clã Carmesim praguejaram, frustrados — mas não havia o que fazer.

    Em teoria, gárgulas não eram construções animadas particularmente poderosas. Não havia motivo para tanto receio.

    Mas essas gárgulas eram diferentes.

    Isso ficava evidente tanto pelo estranho tipo de pedra que compunha seus corpos quanto pelos padrões mágicos esculpidos em suas superfícies. Além disso, como construções artificiais, não possuíam alma nem inteligência real — o que significava que não eram afetadas pela aura de dominação dos dragões.

    Duzentas e setenta gárgulas de Primeiro Grau Avançado bateram suas pesadas asas de pedra e cruzaram o campo de batalha. As duas gemas verdes incrustadas em seus rostos grotescos, semelhantes aos de macacos, brilhavam com uma luz sinistra.

    Elas avançaram diretamente contra os dragões verdes. Em número e tamanho — cerca de dois metros de altura — eram suficientes para obscurecer o céu.

    Diante desse exército de gárgulas, os sete dragões verdes ergueram a cabeça e rugiram. Em seguida, alçaram voo novamente. Após dar uma volta sobre o campo de batalha, recolheram as asas e mergulharam em direção às gárgulas.

    As gárgulas eram feitas inteiramente de uma rocha estranha e massiva. Os padrões mágicos gravados em seus corpos as tornavam tão resistentes quanto golens de aço. No entanto, ao contrário dos golems, elas podiam voar.

    Mesmo que sua velocidade fosse baixa e sua altitude limitada, ainda assim eram criaturas voadoras.

    Quando os dragões verdes formaram uma formação de ataque e mergulharam, as gárgulas continuaram avançando lentamente, controladas pelos adeptos nos bastidores. Pareciam não ter qualquer intenção de desviar do ataque.

    Os sete dragões mergulharam em alta velocidade. Ao alcançar cerca de trezentos metros do exército inimigo, abriram suas bocas simultaneamente e liberaram densas nuvens de fumaça verde. Em seguida, inclinaram seus corpos e deslizaram para longe pela retaguarda da formação de gárgulas, varrendo-as com o veneno ao passar.

    Era o sopro venenoso dos dragões verdes!

    Infelizmente, ao ver isso, todos os adeptos do Clã Carmesim franziram a testa, enquanto os adeptos do Clã Fabres soltavam risadas frias.

    Gárgulas temiam veneno? Claro que não. Que piada!

    Afinal, aqueles dragões verdes eram criaturas ignorantes de um plano rural. Evidentemente, nunca haviam enfrentado uma construção artificial como uma gárgula.

    E assim, escolheram o método completamente errado para lidar com elas.

    Em um campo de batalha, todo erro tem um preço.

    Correntes verde-acinzentadas dispararam subitamente da densa névoa venenosa.

    Os dragões verdes foram pegos completamente desprevenidos devido à curta distância. Três deles foram imediatamente enredados por uma teia de correntes.

    Os outros quatro conseguiram subir novamente com algumas batidas de asas, mas os três restantes não importavam o quanto tentassem — não conseguiam ganhar altitude. Nesse intervalo, a horda de gárgulas já havia saltado sobre eles, cobrindo seus corpos por completo.

    Os dragões verdes podiam dominar os céus, mas nem mesmo eles conseguiam permanecer no ar com as asas presas por correntes e com um enxame de massas de pedra agarradas a seus corpos. Os três dragões soltaram gritos de horror ao despencarem do céu.

    Dong. Dong. Dong.

    Três impactos pesados ecoaram enquanto enormes crateras surgiam na planície abaixo.

    O som da luta entre dragões e gárgulas já podia ser ouvido antes mesmo da nuvem de poeira se dissipar.

    A Dragonesa Esmeralda Iritina entrou em fúria ao ver aquilo. Ela rugiu e se preparou para avançar até o campo de batalha para salvar seus subordinados — mas Mary a impediu.

    “Esses três subordinados seus já eram! Nem você pode salvá-los agora,” disse Mary friamente. “Se eu fosse você, correria para avisar os outros idiotas para pararem de lutar contra aquelas gárgulas! Caso contrário, o resto provavelmente vai morrer do mesmo jeito!”

    Iritina ficou furiosa ao ouvir aquilo. Bateu as asas, claramente pronta para dar uma bronca violenta em Mary.

    No entanto, naquele breve momento de hesitação, os outros quatro dragões também mergulharam em direção ao solo — simplesmente porque viram seus companheiros sendo capturados.

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