Capítulo 1018
『 Tradutor: Crimson 』
A guerra entre os dois clãs chegou ao fim após meio ano.
De um lado, um grande clã liderado por um adepto de Quarto Grau. Do outro, um clã em rápida ascensão. Ainda assim, o resultado da guerra superou completamente as expectativas de todos. Foi o Clã Carmesim que conseguiu resistir aos ataques sucessivos do Clã Fabres, obtendo a vitória final nos arredores da Cidade Pinha, em um confronto entre os adeptos mais poderosos de ambos os lados.
O Clã Carmesim ainda não possuía um adepto de Quarto Grau. No entanto, a combinação de um adepto de Terceiro Grau com o golem dragão de Quarto Grau já era equivalente a um adepto de Quarto Grau comum.
Além disso, muitos adeptos experientes estimavam que o lendário adepto de fogo e fundador do Clã Carmesim tinha uma altíssima chance de avançar para o Quarto Grau. Era uma informação impressionante, com implicações enormes.
Quarto Grau.
Para a maioria dos mundos planares, esse já era o limite máximo de poder que o plano podia suportar. Qualquer avanço além disso faria com que o indivíduo fosse restringido e rejeitado pelo próprio plano. No fim, qualquer um com poder excessivo não teria escolha senão partir para os reinos além em busca de um novo lugar para existir.
Por isso, adeptos de Quarto Grau eram os soberanos absolutos dentro de um plano — verdadeiros “deuses” aos olhos dos mortais.
Quando alguém ainda era um adepto de Terceiro Grau, precisava trabalhar incansavelmente para construir sua própria organização. Porém, ao alcançar o Quarto Grau, todo esse esforço deixava de ser necessário. Inúmeras organizações e forças de adeptos se ajoelhariam diante de você, implorando para se tornarem subordinadas.
Essa era a diferença entre o Terceiro e o Quarto Grau.
No entanto, esse passo era extremamente difícil de alcançar.
O sistema de cultivo dos adeptos no Mundo Adepto permitia que qualquer pessoa com talento pudesse estudar em uma torre. Ainda assim, dependendo do talento, mais de oitenta por cento dos aprendizes nunca conseguiam ultrapassar o limiar e se tornarem adeptos.
Avançar para adepto era sessenta por cento talento e quarenta por cento sorte.
Quando um aprendiz conseguia avançar, sua posição mudava completamente. Ele deixava de ser irrelevante e se tornava alguém poderoso, um verdadeiro senhor do mundo. Porém, isso era apenas em comparação aos mortais. Entre os próprios adeptos, os de Primeiro Grau ainda eram tratados como descartáveis.
Adeptos ambiciosos lutavam nos níveis mais baixos das organizações, disputando recursos escassos, tramando e se enfrentando constantemente.
A competição no Mundo Adepto era ainda mais intensa, brutal e significativa do que as disputas entre nobres humanos.
A queda de um único adepto podia levar à ruína de toda uma família nobre. A ascensão de um adepto podia dar origem a um reino inteiro.
As mudanças nos reinos humanos, dinastias e territórios não eram apenas eventos históricos naturais — eram reflexos diretos das mudanças de poder entre os adeptos.
Antes da ascensão do Clã Carmesim, havia sete clãs e organizações de adeptos em Ailovis, além de centenas de territórios nobres e cinco reinos humanos com histórias de séculos.
Todos esses territórios pertenciam a diferentes forças de adeptos e eram usados como fonte de recursos e novos talentos.
Mas, com o fim da guerra entre o Clã Carmesim e o Clã Fabres, tudo isso foi completamente reestruturado.
Famílias nobres que escolheram o lado errado foram destruídas. Outras, que permaneceram leais ao Carmesim, assumiram seus lugares, tomando vastas extensões de terra fértil.
Não restava mais nenhum outro clã ou organização em Ailovis.
Agora, havia apenas uma voz: A do Clã Carmesim.
Sob essa nova realidade, todos os territórios nobres foram reorganizados, reunidos e fortalecidos sob uma única vontade dominante.
Com o Trono de Fogo e a Cidade Pinha como centro, um vasto reino humano começava lentamente a tomar forma.
…………
Nenhum conflito direto ocorreu nas fronteiras.
Diante das forças de elite dos grandes clãs, a liderança do Clã Carmesim manteve a cabeça fria, mesmo após a vitória. Eles não tentaram desafiar a ordem estabelecida de Zhentarim.
Uma grande parte das forças principais do Clã Fabres conseguiu escapar de Ailovis graças à intervenção dessas forças externas. Ainda assim, cerca de sessenta por cento de suas tropas de menor nível foram abandonadas no campo de batalha. Algumas foram exterminadas pelo Carmesim, enquanto outras foram capturadas.
O exército de Gigantes de Gelo era extremamente poderoso no ataque. Porém, durante a fuga, seu tamanho e lentidão se tornaram uma desvantagem fatal.
Quase quarenta por cento deles morreram tentando escapar.
Os sobreviventes, liderados por dois Magos Gigantes de Gelo, não tiveram escolha senão se render. Foram mantidos em um vale, sob vigilância rigorosa do Clã Carmesim.
Enquanto isso, o exército de bestas modificadas possuía uma velocidade incrível e conseguiu escapar rapidamente. Infelizmente, não estavam familiarizadas com a geografia local. Sem a orientação dos adeptos do Clã Fabres, vagavam pelo vasto território de Ailovis como moscas perdidas, sem saber para onde fugir.
Assim que o Clã Carmesim bloqueou todas as rotas de saída, se tornaram pássaros presos em uma gaiola. Não havia mais para onde correr.
O Clã Carmesim inicialmente pretendia subjugar parte dessas bestas para realizar pesquisas. Porém, ao contrário dos Gigantes de Gelo, essas criaturas não possuíam inteligência ou consciência completas. As ordens de combate gravadas profundamente em suas almas faziam com que obedecessem apenas a determinados adeptos. Não havia qualquer forma de fazê-las se render.
Um Navio-Mãe carregando um exército de máquinas mágicas acabou alcançando-as e exterminou completamente todas em uma planície remota.
Já o grupo peculiar de gárgulas protegeu o navio de madeira voador do Clã Fabres e o escoltou para fora da região de Ailovis. O Clã Carmesim tentou interceptá-las durante esse processo, mas foi impedido pelos adeptos de Terceiro Grau do inimigo.
Essa derrota sem precedentes durou cinco dias consecutivos e afetou toda Ailovis.
Por um tempo, a região inteira se transformou em uma vasta ruína de guerra. Cidades devastadas, castelos destruídos, vilas arruinadas, cadáveres deformados, fumaça subindo aos céus e terras profanadas podiam ser vistos por toda parte.
Após exterminar ou capturar todos os soldados do Clã Fabres que restaram, o Clã Carmesim ainda levou mais duas semanas limpando as bestas modificadas e criaturas vodu que haviam escapado para vilarejos e áreas rurais remotas.
Somente no décimo terceiro dia do nono mês os combates finalmente cessaram.
A guerra entre o Clã Fabres e o Clã Carmesim terminou com a vitória total do Clã Carmesim!
No entanto, o preço dessa vitória foi esmagador.
Devido à destruição desenfreada causada por ambos os lados, mais de sete áreas de recursos foram destruídas, além de uma dúzia de cidades humanas, centenas de castelos e vilas, e dezenas de milhares de toneladas de alimentos.
Segundo estimativas incompletas, mais de 210.000 civis morreram durante o conflito.
A forma como essa guerra era vista dependia da perspectiva.
Para um civil comum, ela significava dor infinita e memórias traumáticas para toda a família.
Mas, para um adepto do Clã Carmesim que sobreviveu… era motivo de celebração.
Afinal, venceram.
Mesmo com perdas colossais, os benefícios — tanto tangíveis quanto intangíveis — dessa vitória eram incalculáveis.
Sem considerar mais nada, apenas o reconhecimento da Associação Zhentarim já era algo de valor imensurável.
A partir de agora, Ailovis se tornava propriedade privada do Clã Carmesim. Todos os recursos, territórios, civis, florestas e reservas minerais pertenciam exclusivamente a eles — algo extremamente raro na região central.
No território de Zhentarim, existiam trinta e uma regiões habitadas por humanos, cada uma com suas próprias fronteiras. Inúmeros clãs e organizações de adeptos estavam espalhados por essas regiões, competindo e coexistindo ao mesmo tempo.
No entanto, apenas forças de Quarto Grau podiam reivindicar uma região inteira como sua.
Essas “forças de Quarto Grau” eram aquelas que possuíam um adepto de Quarto Grau.
Esse era o requisito fundamental.
Mesmo que um clã conseguisse expulsar todos os rivais pela força, sem reconhecimento, ele não conseguiria manter um domínio estável por muito tempo.
O próprio Clã Carmesim era a prova disso.
Antes da guerra, não possuíam um adepto de Quarto Grau — apenas uma máquina de guerra de Quarto Grau que ainda não havia sido totalmente testada em um conflito real entre adeptos. Por isso, sua posição nunca foi reconhecida oficialmente, o que levou ao surgimento dessa guerra.
Agora, com o reconhecimento da Associação Zhentarim, o Clã Carmesim era indiretamente aceito como uma força de Quarto Grau.
O peso desse título era simplesmente gigantesco na Região Central.
Vale lembrar que existiam menos de catorze adeptos de Quarto Grau em toda Zhentarim — e nenhum novo havia surgido nos últimos séculos.
Segundo algumas análises, entre todos os adeptos de Terceiro Grau existentes, apenas três tinham chances reais de alcançar o Quarto Grau…

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