Capítulo 141: O Peso de Nossas Escolhas
O som do sinal ecoou pela sala, anunciando mais um intervalo no dia. Assim que ouvi aquilo, não deixei ele sequer ter a chance de fugir.
Antes que Seiji pudesse correr para o corredor, fui na direção dele rapidamente. Passei o meu braço ao redor do seu pescoço, assim como ele gostava de fazer em mim, e o prendi.
— Ei! …Ei! …O que você… tá fazendo!? — Seiji começou a reclamar imediatamente, com a voz meio abafada enquanto ele batia de leve no meu braço tentando se soltar dali.
Aquilo chamou a atenção do outro idiota, que começou a rir quando viu a cena. Takeshi e Rintarou também se aproximaram, enquanto os outros começavam a sair pelo corredor.
Em meio a isso, acabei notando que Akira ria mais do que devia.
— Akira. Por que você tá rindo? Você é o próximo — disse, fazendo com que ele parasse de rir no mesmo instante.
Soltei levemente o braço ao redor do pescoço do Seiji, e suspirei.
— Por que vocês fizeram aquilo, seus idiotas!? Eu já não disse que não gosto de trabalho extra!? Hein!?
Seiji continuou batendo no meu braço até que soltei por completo. Ele deu um passo para o lado, fingindo massagear o pescoço e puxando o ar de forma dramática.
— …Ei, ei! Quanto drama, Shin! — Ele começou a abrir aquele sorriso esquisito de sempre, enquanto ajeitava a gola do uniforme. — Vai dizer que você não queria ser vice? Ah, conta outra!
“…..”
Não era como se eu não quisesse ser o vice. Era mais… complicado do que apenas aquilo.
— Você devia agradecer a gente, isso sim! Mal agradecido! — Akira interveio, depois de rir. Ele então se aproximou de mim, com um olhar bizarramente suave e alterou o tom da voz. — Ah, Shin! Você pode me ajudar com esses relatórios…? Eles são tão pesados!
“…..!”
Senti minha raiva subir na hora e minha bochecha esquentar.
— D-do que você tá falando!? Que arrepio! — Passei o braço pelo pescoço dele, enquanto ele fazia o grupo rir ao imitar a… Yuki.
Fala sério, qual era o problema daqueles dois?
Rintarou começou a andar pelo corredor, com um pequeno sorriso no rosto, e nós fomos juntos.
— Vocês ouviram o Kazuki, certo? Não é algo fácil se nem mesmo ele aguentou, então imagina logo eu… — murmurei, sem ânimo algum ao pensar em tudo que poderia vir pra cima de mim.
— Tá tudo bem, Shin. Tenho certeza que você vai se sair bem — Takeshi deu um tapinha nas minhas costas, como uma tentativa de me animar. — A sala toda confia em você para o cargo, e o que aconteceu no festival foi só mais um bônus.
“…..”
— Isso mesmo! Boa sorte e bom trabalho daqui pra frente, Senhor vice-representante! — Seiji fez sinal de continência.
— Cuide da gente, por favor! — Akira se juntou, rindo.
Eu apenas suspirei e coloquei a mão no bolso. Tentar rebater não adiantaria em nada, seria como jogar palavras ao vento.
E muito menos mudaria o fato de que eu realmente me tornei alguém com cargo importante na sala.
O resto do intervalo correu da mesma forma descontraída.
Continuamos conversando sobre coisas triviais, de como Akira não queria começar a estudar e de como Takeshi realmente queria levar matemática seriamente nas próximas sessões de estudo, e também mais provocações em mim por causa do cargo.
O lado bom era que aquelas conversas acabaram resultando numa dissipação da tensão que eu tive durante a sala.
Quando as aulas do dia finalmente chegaram ao fim, e o sinal tinha soado e jogado uma multidão de alunos pelos corredores, o clima ainda continuava o mesmo do lado de fora.
Céu nublado e vento forte.
Claro, não deixei de passar no clube de literatura. Foi lá mesmo que acabei me lembrando das palavras de Seiji de quando caminhamos juntos naquela manhã.
“Você esqueceu que você precisa escrever?”
No silêncio confortável da nossa pequena sala, tentei encontrar respostas e mais direções para aquela nova história.
Mas, por algum motivo, eu me sentia levemente estranho.
Eu não sentia uma vontade gigantesca de escrever aquilo.
Não que fosse algo que eu não gostasse ou algo do tipo, mas era mais como algo que começava a perceber, em como eu me sentia na obrigação de fazer do que fazer por mim mesmo.
Não era exatamente a mesma coisa da minha primeira história para o concurso nacional.
Mas ao mesmo tempo, eu lembrava que, de vez em quando, eu ficava genuinamente animado para escrever aquilo. Durante o início do ano, eu senti animação depois de ter escutado as críticas de Kaori e Rintarou no natal.
Como aquilo era possível?
“Que seja…”
Eu só precisava continuar escrevendo. As pessoas ao meu redor acreditavam em mim.
E eu não podia decepcioná-las.
Não demorou muito para o sinal tocar pela última vez do dia, anunciando o fim do horário das atividades dos clubes.
O caminho para casa foi meio silencioso. Bem, mais na minha cabeça, porque Kaori e Seiji faziam seu barulho habitual de conversas triviais enquanto andávamos para nossas casas.
— Até amanhã!
— Até.
Assim que entrei no meu quarto, joguei minha mochila no canto e afundei a cara no travesseiro.
Mesmo que minha escrivaninha bagunçada me chamasse, eu não sentia vontade alguma de me levantar naquele frio absurdo.
— Só um pouco…
Mas, antes que eu pudesse cair no sono, senti meu celular vibrar. Até pensei em ignorar por um instante, mas acabei pegando na esperança, por algum motivo, de ser uma mensagem dela.
Quando liguei a tela e vi a mensagem, meu coração acelerou.
Era Shihei.
“Shin! Boa noite. Precisamos fazer nossa reunião para conversar sobre o rumo de sua história e algumas coisas sobre a editora. Pode me encontrar amanhã neste restaurante de noite? Claro, tudo por minha conta!”
Rapidamente me levantei e sentei na cama, enquanto via a localização do restaurante que ele havia me convidado.
No segundo seguinte, olhei para a minha escrivaninha bagunçada.
Havia papéis de anotação sobre personagens, arcos e várias outras coisas sobre a história. Folhas em branco. Coisas espalhadas na mesa.
— Ah…
Eu tinha ganhado novas responsabilidades na escola, e não era pouca coisa. Mas aquela mensagem do meu editor me lembrava da responsabilidade que eu tinha fora da escola, e que ela estava me esperando ali, na minha mesa.
“Claro! Nos encontraremos amanhã, então.”
Respirei fundo e guardei meu celular. Me levantei, puxei a cadeira, e comecei a organizar aquela bagunça.
Era hora de continuar o que eu tinha começado.

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