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    O inverno ainda continuava como sempre.

    Diferentemente do dia anterior, o tempo não traria chuva pelo que tinha visto na meteorologia, mas ainda continuava frio… e muito nublado.

    Mas nada daquilo me afetava ou chamava minha atenção. Eu só… me sentia leve, de alguma forma.

    Meu coração acelerava de leve quando relembrava do dia anterior.

    E foi exatamente nesse instante, perdido em pensamentos, que senti um leve empurrão no meu ombro.

    “Hm?”

    Seiji tinha me empurrado de leve, nos afastando um pouco de Kaori e Rintarou, que desaceleraram o passo e olharam para nós, também confusos.

    — O que foi, Seiji? — perguntei, curioso enquanto arrumava a alça da mochila.

    Ele inclinou a cabeça dele, enquanto passava o braço ao redor do meu pescoço, e me deu aquele mesmo sorriso esquisito e olhos quase fechados.

    “Lá vem…”

    — Não enrola, desembucha logo, Shin — O olhar dele começou a ficar mais intenso, enquanto eu tentava me afastar dele. — Qual o motivo desse sorriso idiota no seu rosto desde que saiu de casa!?

    Hein?

    Sorriso?

    Do que ele tava falando?

    — Hã? Eu não tô com nenhum…

    Ah, era verdade.

    — Ei, Seiji, quer jogar algo mais tarde? Talvez aquele novo MMORPG que… — tentei mudar de assunto rapidamente para qualquer outra coisa. Aquela situação era embaraçosa.

    Seiji só… me olhou, parecendo meio incrédulo com a minha sugestão.

    — Não muda de assunto tão descaradamente, seu idiota! — Ele começou a apertar meu pescoço de leve, depois de bagunçar meu cabelo no meio da rua, enquanto alguns alunos olhavam. — E jogar? Você esqueceu que você precisa escrever? Ah, tanto faz! Só me conta o que aconteceu ontem!

    Travei no mesmo segundo

    — …Não me lembra disso, por favor — murmurei, enquanto suspirava.

    “Escrever…”

    Seiji me soltou, enquanto ria da minha cara de derrotado e o grupo voltava a andar para a escola.

    Kaori começou a falar de algo trivial, e, em meio a isso, comecei a pensar em outra coisa.

    Eu realmente não tinha percebido que fui sorrindo desde casa até o caminho para a escola.

    Mas, ao lembrar do dia anterior…

    …Yuki me puxando para perto dentro do guarda-chuva.

    …Pedindo para ficar mais um pouco na frente da casa dela, enquanto nossas costas das mãos se tocavam.

    Era impossível, tá, Seiji?

    Não tinha como eu impedir o sorriso que surgia…

    A sala de aula ainda tinha seu barulho habitual matinal, cadeiras arrastadas e mochilas jogadas. Mas não demorou muito para o professor chegar, e então falar sobre aquilo que alguns já esperavam.

    — Bom dia, turma.

    Respondemos em conjunto.

    — Como sabem, iniciamos o último semestre do segundo ano escolar — ele disse, e então limpou a garganta. — Como sempre fazemos, precisamos confirmar os representantes de classe.

    Assim que ele falou aquelas palavras, o ambiente mudou levemente.

    Alguns comemoravam entre si, afinal, tudo aquilo significava que perderíamos algum tempo da aula de verdade.

    — É isso!

    — De novo…?

    E, outros reclamavam, de algum jeito. Eles se perguntavam o motivo de simplesmente manterem os representantes os mesmos durante todo o ano.

    O que era algo válido. Eu também me perguntava o mesmo, era bem mais simples do que escolher todo novo semestre.

    E o professor também parecia pensar o mesmo, mas não havia como mudar as regras da nossa escola.

    — Tá, tá. Silêncio, por favor. — A turma então diminuiu o burburinho. — Yuki, Kazuki, vocês estão dispostos a continuarem nos cargos?

    Yumi levantou imediatamente a mão, antes mesmo de ambos sequer responderem algo.

    — Professor! Devem continuar eles mesmos sim! Especialmente a Yuki, que é a representante perfeita pra turma! — ela disse, com aquele tom animado.

    Yuki rapidamente olhou para trás do lado dela, parecendo envergonhada com aquele elogio da Yumi.

    — Eu…? Só faço o que eu consigo, não é nada demais… — respondeu timidamente, coçando a bochecha.

    Enquanto aquilo acontecia, eu fiquei com a cabeça apoiada na mão, enquanto olhava para ela.

    “…..”

    Estava prestes a me perder em pensamentos sobre o dia anterior, mas decidi parar por ali mesmo. Eu devia me concentrar na aula.

    “Foco!”

    — Modesta como sempre… mas ela fez tudo na perfeição mesmo! — Mina disse, depois de suspirar, e isso fez Yuki acabar dando um pequeno sorriso pra ela.

    A decisão já parecia certa de que ela continuaria no cargo.

    …Até alguém decidir levantar a mão em oposição.

    — Eu adoraria me candidatar para competir com a Yuki para o cargo de representante! — Aiko interveio, com aquele sorriso de quem tinha descoberto algo novo para competir. — Um desafio para liderar a classe seria…

    — Hã!? Esquece isso, Aiko! — Akira interrompeu ela no mesmo segundo, sem deixar ela terminar a frase, e então provocou ela. — Seu cérebro de músculos não serve pra liderar a classe.

    A turma começou a rir, enquanto ela baixou a cabeça, triste.

    O professor então viu que ninguém mais realmente queria o cargo de representante, e então voltou sua atenção para ela.

    — Tudo bem por você, Yuki? — ele perguntou, enquanto a turma voltava os olhares para ela também.

    — Se ninguém mais se oferece para o cargo, então eu posso continuar — ela assentiu, com um sorriso sincero no rosto.

    “Hm…”

    Era como Mina tinha dito, ela realmente era modesta.

    Ela não só cumpria o dever, ela se importava genuinamente com cada um ali. Claro, também por ser uma das mais populares da escola, ela realmente parecia a escolha perfeita para o cargo.

    — Ótimo. Kazuki, também está disposto a continuar? — Ele pareceu satisfeito com a resposta da Yuki, e então fez com que todos os olhares voltassem para o vice.

    Todos já esperavam o sim dele.

    Digo, Kazuki era alguém sociável e carismático.

    Inicialmente, eu… não gostava muito dele, mas logo conheci mais dele e realmente entendi quem ele era.

    Além disso, ele teve um papel essencial durante o Festival Escolar, com a organização da sala e as ideias também.

    — Foi mal, professor, mas vou deixar passar dessa vez — Ele juntou as palmas, se desculpando com o professor com um pequeno sorriso forçado no rosto. — É muito trabalho pra eu aguentar por mais um semestre…

    — Hã? — murmurei para mim mesmo, desapoiando a mão do meu rosto.

    A turma também parecia ter ficado surpresa com a resposta dele.

    Ah.

    No mesmo instante, me lembrei de quando ele me pediu ajuda na rua para carregar aquele monte de caixas, e de como sempre corria de um lado para o outro durante o festival.

    Também devia ter mais trabalho feito fora da época do festival, do qual eu não sabia.

    Realmente parecia ser trabalhoso…

    — Entendo, não há problemas. — O professor suspirou, e então virou-se para todos da sala, com aquele mesmo tom cansado de sempre. — Bom, algum voluntário para o cargo de vice-representante?

    O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Por um instante, ninguém parecia querer falar algo.

    Ninguém queria aquela responsabilidade.

    Claro, e eu muito menos.

    — Sem chance… — murmurei.

    Trabalho era o que eu menos deveria ter. Seiji me fez lembrar que eu deveria também voltar a dedicar ao manuscrito logo, então realmente era algo que não servia para mim.

    Olhei ao meu redor, mas ninguém parecia querer tomar o cargo ao lado dela após Kazuki confessar o trabalho pesado.

    “Rintarou seria bom, não…?”

    Mas não demorou muito para uma mão tímida e trêmula surgir no ar.

    — Oh! — algumas pessoas murmuram, ao ver aquilo acontecer.

    “Hein?”

    Sério mesmo? Aquela pessoa ao meu lado iria se candidatar?

    — V-você vai se candidatar, Sasaki!? — Yumi exclamou, empolgada, quando viu ela com a mão no ar. — Que legal! Eu apoio também!

    Sasaki baixou a mão de leve. Ela parecia meio tímida quando sentiu os olhares da turma nela.

    Mas bem, se ela fosse se tornar a vice-representante, teria que se acostumar com aquilo.

    — N-não, Yumi…! — Ela negou rapidamente, mas com a voz baixa e o rosto meio vermelho. — Não sou eu, é só que… eu tenho uma sugestão…

    Ah, fazia mais sentido assim.

    — Entendido, e quem você sugere para ser vice-representante? — O professor arrumou os óculos, enquanto esperava a resposta dela.

    Eu também olhava para Sasaki, curioso sobre quem era a pessoa sugerida. Ela pareceu respirar fundo antes de abrir a boca, e então…

    Por quê?

    “Ei!”

    Por que ela disse aquilo!?

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