Índice de Capítulo

    Na catedral, eles se reuniram na sala do Bispo. Era imensa e bem decorada, repleta de quadros, pinturas e referências aos deuses, mostrando que ele realmente era um devoto fiel à religião. Ele se sentou em sua cadeira e fez sinal para todos se sentarem. Para um inimigo, ele estava sendo bem hospitaleiro. Talvez a gentileza fosse um dogma da sua religião, ou ele de fato estava disposto a ajudá-los.

    — Eu soube do rapto do Sora e que Haythan está fora de ação. Também soube do sumiço de Navaro e Keila. Além disso, Baltar também foi assassinado, assim como todos os únicos capazes de manter as leis para limitar o Império. Vocês precisam saber de algo: Baltar não foi morto apenas por esse motivo. Há algo muito mais sério que o colocou em extremo perigo. — Ângelo os olhava seriamente. Erika e Edgar se inclinaram para frente, curiosos. — A verdade é que seis Capitães são traidores. Sora, Lux, Melina, Kairus, Baltar e eu. Pretendíamos expor os planos e farsas do Império para evitar uma guerra sem sentido, mas isso não vai mais acontecer. Baltar e Sora eram peças-chaves.

    — Isso é verdade? O Senhor Baltar era um traidor? — perguntou Erika.

    Ela olhou para seu parceiro, Edgar, com surpresa. Ele, por sua vez, absorvia todas aquelas informações em silêncio. Erika então voltou a encarar Ângelo.

    — Eu não consigo acreditar. Ele sempre foi um homem justo e verdadeiro. Mas, se for mesmo verdade, eu tenho ainda mais orgulho de ter traído o Império! Eu segui os passos do senhor Baltar sem nem saber. — ela deu um sorriso orgulhoso. — Fiquei surpresa em saber que outros Capitães também são traidores. Todos viram como Impero é o grande problema do Extra-Mundo e estão fazendo o possível para pôr um fim nisso.

    — Prezamos pela paz e o equilíbrio do Extra-Mundo. Impero é uma grande ameaça. Ele precisa ser parado antes que desperte a fúria dos Deuses. Apenas vocês não podem vencê-lo. Impero é um ser de alto intelecto. — Ângelo juntou as mãos e fechou os olhos. — Em meus sonhos e visões concedidas pelos Deuses, eu o vi cair diante de um homem que não era de lugar algum. Não sei o que isso significa.

    Ryruka, Yujiro e as gêmeas trocaram olhares em silêncio. Deviam interrogá-lo ou não? Ângelo abriu os olhos e apoiou as mãos sobre a mesa de madeira.

    — Vocês precisam sair desta cidade o quanto antes. Seus caminhos estão atrelados a lutas. Erika, Edgar, vocês eram os aprendizes do Baltar, então não deixem que seus ensinamentos morram. Permitam que os deuses os guiem na sua viagem rumo a alguma batalha longe daqui. — ele aconselhou.

    — Ainda não podemos ir. — Edgar se levantou. — Você corre perigo, pois o Capitão que matou Baltar está nesta cidade e virá atrás de você, especialmente após de ter nos ajudado. Deixe-nos ajudá-lo. Andrus é um monstro. Nós vimos do que ele é capaz. Não podemos deixar o mesmo acontecer a você, Ângelo. Por favor, chega de mortes desnecessárias. “Chega de mais sofrimento e dor”, como Baltar dizia.

    — Ele está certo. — interveio Ryruka, quase o forçando a aceitar com o olhar. — Sem a nossa ajuda, você é um homem morto. Não sei se você vê isso como obra dos seus deuses, mas você precisa de todos nós.

    Ela sabia que, se ele aceitasse ajuda, estaria em dívida com o grupo e poderia lhes passar outras informações valiosíssimas.

    — Estamos em maior número. Mesmo um Capitão com aquela Manifestação não será páreo para seis de nós. O que me diz? — ela arqueou as sobrancelhas.

    A proposta era quase irrecusável, principalmente por Ângelo estar com a vida em risco. Ainda assim, ele permaneceu em total silêncio. Edgar e Erika queriam ajudá-lo de alguma forma, com ou sem a ajuda de Ryruka e dos outros.

    Fora da catedral, a dupla de encapuzados observava a região. O homem parecia segurar algo próximo ao peito, mas logo soltou aquilo assim que foi chamado pela mulher. Assim que perceberam um leve aumento de energia do outro indivíduo encapuzado, se aproximaram com rapidez da catedral e pararam em outro telhado.

    O homem ameaçou impedi-lo, mas a mulher o segurou pelo braço — talvez por não ser a luta deles ou por estarem apenas observando. Ele ficou apreensivo. Estava disposto a ajudá-los, mas decidiu obedecê-la e se sentou no telhado.

    Na catedral, os jovens tomavam providências. Sentiram a aproximação de uma energia suspeita, então Ângelo os guiou por um caminho secreto até a saída atrás da catedral. Assim que saíram, sentiram que as três energias misteriosas estavam bem próximas e que não poderiam apenas fugir. Antes que pudessem tomar uma decisão, a energia de Andrus ficou ainda mais próxima. A pressão espiritual era assustadora.

    — Ora, ora, o que temos aqui?! — Andrus sorriu sadicamente enquanto vários tentáculos negros saíam das suas costas e se moviam por conta própria. — São os pirralhos do Baltar. Vocês e esses rebeldes me seguiram esse tempo todo e agora querem fugir? A diversão está prestes a começar! Por que ir embora?

    Todos entraram em postura de combate. Seriam seis contra um — sete caso Ângelo os ajudasse.

    — Se vocês estão com o Ângelo, também traíram o Império? Que sorte! Pensei que só mataria um, mas matarei sete! Sete Manifestadores!

    — Esse derramamento de sangue não é necessário, Andrus. — Ângelo tomou à frente de todos, deixando-os surpresos. — Você não está aqui por eles, mas por mim. Deixe-os ir, eu imploro. Temos assuntos a tratar.

    Ele não se importava com o que estava prestes a acontecer e, ainda assim, se sacrificaria para ganhar tempo para os jovens escaparem.

    — Você matou Baltar, exijo saber o motivo. Somente assim, poderei lhe dar a punição dos deuses. Apenas eles julgarão seus pecados, e só há uma condenação: a morte.

    — O homem santo sabe ameaçar?! — Andrus riu alto. — Isso está ficando interessante. Se me ama tanto assim, terei o maior prazer em te matar da mesma forma que matei o Baltar. Impero disse que eu deveria matar todos aqueles que ficassem em seu caminho. Foi por isso que eu o matei!

    Então, se inclinou sutilmente para a esquerda e moveu o braço esquerdo para frente do corpo. Os tentáculos se agitaram enquanto ele estalava os dedos.

    — O que estamos esperando?! Vamos começar com a diversão! Me mostre toda a sua força, homem de fé! Me divirta o máximo que conseguir!

    Os inúmeros tentáculos avançaram contra todos, mostrando o quanto Andrus era sujo e trapaceiro. Quando eles se prepararam para se desviar, algo os parou: uma muralha invisível. Ângelo abriu os braços, mantendo a muralha de pé.

    — Vão embora! Agora! Não serei capaz de resistir por muito mais tempo!

    Todos os olharam com surpresa. Erika e Edgar acataram seu apelo e correram até a porta. Ryruka deu um passo para trás e se virou para correr. Parecia mesmo que iria embora, mas ela sorriu. Deu meia-volta e invocou sua Relíquia junto da sua Vestimenta Espiritual. Yujiro respirou fundo e fez o mesmo.

    — Harpia, Pombo. Encontrem um local seguro e levem o Bispo. Vamos ganhar o tempo que for necessário. — ordenou Ryruka, com os olhos fixados no oponente.

    — Está bem! Cuidado para não morrerem! — respondeu Harpia, segurando Ângelo pelo braço e o puxando para longe do local.

    Os tentáculos quebraram a muralha e avançaram rapidamente. Yujiro disparou diversas estacas de pedra enquanto Ryruka atirava várias flechas de gelo contra eles. Embora impedissem o avanço de alguns tentáculos, muitos outros vinham de outras direções. Seriam atingidos em cheio se nada fosse feito.

    De repente, ouviu-se um líquido caindo no chão. Mais um inimigo com que eles teriam que lidar?

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (1 votos)

    Nota