Índice de Capítulo

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    Notas de Aviso

    ‼️ AVISO IMPORTANTE ‼️ O capítulo a seguir é um capítulo extra, não influenciando diretamente no desenvolvimento principal da história. Ainda assim, sua leitura é recomendada, pois aprofunda tanto a relação entre os personagens quanto o cotidiano deles. Os capítulos extras não seguirão necessariamente uma linha cronológica específica, podendo se passar em diferentes momentos da história. No entanto, a informação sobre quando cada um ocorre será apresentada antes do início do capítulo. Por se tratar de um capítulo extra, o nível de detalhamento na escrita e na revisão pode ser inferior ao de um capítulo principal. Ainda assim, me empenhei em manter a melhor qualidade possível.

    LINHA DO TEMPO: Entre o salto de dois meses ocorrido entre os capítulos 39: Começar de Novo e 40: Camélia Branca.

    DIA 2 após o capítulo 39


    O movimento da zona central de Áurea era constante: luzes, vitrines, vozes e passos apressados. E, no meio disso tudo…

    — Ainda não entendi por que eu vim. — murmurou Louie, parado do lado de fora de uma loja de roupas. Os braços cruzados e a expressão tediosa deixavam bem clara sua empolgação em estar ali.

    — Para de reclamar. — disse Emi, já empurrando a porta de vidro. — Ninguém te obrigou a nada.

    — Tu literalmente me obrigou! — retrucou ele, irritado.

    — Não lembro de ter feito isso. — respondeu ela, entrando.

    — Mas fez!

    — Acredito que seja equívoco teu.

    — Ahhh… — suspirou, passando a mão no rosto. — Alguém me salva…

    A porta se fechou atrás deles.

    Dentro da loja, o ambiente era claro, organizado e silencioso, o completo oposto de Nina, que já corria desengonçada pelos corredores.

    — EU VOU LEVAR TUDO! — gritou, desaparecendo entre os cabides.

    — Não vai. — respondeu Emi automaticamente, já acostumada com o excesso de energia diário da menina.

    Aya entrou logo atrás, observando o lugar com atenção. Seus olhos percorriam cada detalhe: tecidos, cores, formatos. Tudo era novo para ela.

    — É aqui que as pessoas pagam fortunas para serem aceitas dentro do padrão de beleza da sociedade? — sua curiosidade era real, embora soasse robótica.

    Emi sorriu de leve, tentando disfarçar o quanto a pergunta a havia incomodado.

    — É… acho que dá pra dizer que sim. — o sorriso vacilou, lutando para se manter. — “Tão pouco tempo andando com o Kael, e ela já está absorvendo a visão excessivamente crítica dele sobre a sociedade… pra ser bem sincera, isso me preocupa bastante.”

    Aya permaneceu em silêncio por um instante, depois assentiu.

    — Entendi.

    Louie, encostado em uma parede aleatória, cruzou os braços.

    — Eu vou ficar aqui.

    — Vamos logo. — Emi olhou para ele. — Vai ajudar.

    — Eu não sei nada sobre isso! Como eu vou ajudar?!

    — Aprendendo.

    — Eu prefiro ficar de castigo com o Kael de novo.

    — Tem certeza disso?

    — …não…


    Minutos depois…

    Aya estava no provador, com a cortina fechada.

    Do lado de fora, Emi permanecia sentada com tranquilidade, enquanto Nina segurava um amontoado de roupas completamente aleatórias e fora de moda.

    Já Louie… estava em pé. Esperando. Sofrendo.

    — Vocês demoram demais! — murmurou.

    — Calado. Tá atrapalhando. — rebateu Nina.

    — Mas eu não fiz nada!

    — Exatamente. Tá atrapalhando o ambiente.

    — Como eu estaria atrapalhando, sendo que eu tô parado desde que cheguei aqui?!

    — Energia negativa. Tu deveria respeitar melhor os mais experientes.

    — Tu tem dez anos!

    — E mais noção que tu.

    Louie abriu a boca, mas logo fechou, percebendo que aquilo não era tão mentira assim.

    — Eu vou embora. — decretou.

    — Não vai, não. — Emi, mexendo nas roupas, sequer se deu ao trabalho de olhar para ele.

    — Eu tô sendo mantido aqui contra a minha vontade!

    — Sim. E vai continuar.

    — …

    O silêncio se prolongou até a cortina se mexer.

    — Eu posso sair? — perguntou Aya, de dentro.

    — Claro que pode! — respondeu Emi de imediato.

    “Ela nem tenta esconder a diferença de tratamento entre eu e a Aya…” — pensou Louie, enciumado.

    A cortina se abriu, e a garota saiu.

    Ela vestia um vestido simples, em tons claros, que se ajustava com leveza ao seu corpo.

    Nina arregalou os olhos na mesma hora.

    — QUE LINDAAA! — gritou.

    Emi sorriu.

    — Ficou muito bom em ti.

    Louie olhou, tentando manter a normalidade.

    — F-ficou legal. — disse, em tom casual, embora levemente corado.

    Aya assentiu, satisfeita.

    — Certo.

    Ela voltou para trás da cortina, pronta para mais uma rodada de trocas demoradas.

    Algumas peças eram estranhas. Outras, exageradas demais, claramente sugestões da Nina.

    — ESSA! ESSA! ESSA! — ela ergueu várias opções duvidosas, empolgada.

    — Nina… não. — Emi suspirou, já sem paciência.

    Louie, por outro lado, já estava largado no chão.

    — Tô desperdiçando um tempo precioso da minha vida aqui.

    — Se continuar reclamando, eu acabo com o resto. — avisou Emi, com um leve tique de irritação.

    — Não tá mais aqui quem falou.

    — Assim espero.

    Sem aviso, a cortina se abriu novamente.

    E Aya surgiu.

    Dessa vez, Louie travou.

    Era um vestido lilás simples.

    O tecido caía com leveza sobre seu corpo, ajustado na medida certa para valorizar sem exagerar.

    Os cabelos soltos, ainda levemente úmidos do banho, acompanhavam o movimento suave. Já os olhos, em tom violeta, pareciam ainda mais vivos sob a iluminação da loja.

    Para ele, foi como um disparo direto.

    Piscou uma vez. Duas. Três.

    — …

    O cérebro não reagiu, mas o rosto, sim.

    O calor subiu de imediato, fazendo-o desviar o olhar.

    — T-tá bom. — soltou, rápido demais.

    Ela inclinou a cabeça, confusa.

    — Louie?

    Nenhuma resposta. Só uma tentativa falha de parecer normal.

    — Louie?

    Ela se aproximou um pouco mais.

    — Tu tá estranho…

    Ele continuou evitando encará-la.

    — N-não sei do que tu tá falando. Tô completamente normal.

    — Tem certeza? — disse, chegando mais perto, apoiando a mão na testa dele. — Tu tá quente.

    Ele congelou.

    — Será que é febre? — perguntou, genuinamente preocupada. — Emi, acho que ele tá passando mal!

    Do lado, Emi apenas observava, segurando um sorriso.

    — Não, não é febre. — respondeu, quase rindo. — Pode ficar tranquila.

    — M-mas ele tá quente! — insistiu.

    — Relaxa.

    — Então por que ele tá vermelho?

    No instante em que aquilo foi dito, ele explodiu:

    — EU NÃO TÔ VERMELHO!

    — Tá sim. — Nina surgiu do nada. — Tá parecendo um tomate podre.

    — AHHH, PESTE! — berrou, correndo atrás da menina — Fica quieta!

    — Hahahaha!

    Aya olhou de um para o outro, completamente perdida.

    — Eu… fiz alguma coisa errada?

    — Não. — respondeu Emi, tranquila. — Muito pelo contrário. Acertou até demais.

    Aya piscou, ainda confusa.

    — Então por que o Louie ficou bravo?

    Emi deu de ombros, mantendo o sorriso de canto.

    — Ele não tá exatamente bravo… — fez uma breve pausa, analisando — …bom, deixa isso pra lá. Separa esse aí. A gente vai levar com certeza.

    Ela voltou o olhar para o vestido e, logo depois, de relance, para Louie.

    Nesse momento, ele finalmente desistia de correr atrás de Nina e se aproximava novamente.

    Parou ao lado dela, evitando contato direto.

    — De verdade… ficou bom. — disse, mais baixo, desviando o rosto de leve.

    Aya sorriu, satisfeita.

    — Então eu vou levar.

    — T-tá.

    E assim, entre a vergonha de um… e a fúria de outro, o dia seguiu em Áurea.

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