Estou revisando, refazendo e remodelando todos os capítulos iniciais de “O que eu deixei para trás?”. Então, já peço desculpas caso vocês percebam uma mudança drástica de qualidade entre os primeiros capítulos e os que virão em seguida.
Quero trazer a melhor versão possível da obra para o Volume 1 físico, que sairá em breve. Por isso, vou tentar concluir toda essa melhoria o quanto antes e peço a compreensão e paciência de vocês durante esse processo.
Muito obrigado pelo apoio de sempre. Vocês são o que me motiva a continuar escrevendo todos os dias!
Capítulo 56: Quedas do fim
‼️Aviso‼️
Venho pedir desculpas aos leitores de O que eu deixei para trás? pela postagem atrasada do capítulo 56: Quedas do Fim.
Infelizmente, tive uma semana bastante complicada e passei grande parte dela com febre, o que acabou atrasando meu cronograma de escrita e revisão. Mesmo assim, estou me esforçando para entregar o capítulo nas melhores condições possíveis.
Agradeço de coração pela paciência e, novamente, peço desculpas pelo inconveniente. Obrigado por continuarem acompanhando essa história. Prometo me empenhar cada vez mais para melhorar esse universo!
Fiquem com o capítulo abaixo!
CAPÍTULO ANTERIOR:
— Vamos adentrar agora… — Aquele lugar, outrora um tribunal, começou a perder sua forma e cor. — A Galeria das Visões…
CLAP!
O bater de palmas ecoou. E, junto dele, tudo se transformou. O rubro foi enfim substituído por paredes brancas como a neve, exibindo inúmeros quadros.
— O presságio dos passados.
O silêncio tomou conta da galeria.
Louie permaneceu imóvel por alguns segundos, os olhos vagando lentamente pelo ambiente. As paredes brancas pareciam não ter fim, formando corredores intermináveis preenchidos por centenas de obras.
Havia quadros gigantescos, ocupando divisórias inteiras, enquanto outros, menores, permaneciam ocultos entre molduras maiores.
— …isso é real mesmo?
A voz dele saiu baixa, cheia de receio.
Takua sorriu levemente e começou a andar.
— Mais ou menos. Esse espaço, assim como o julgamento de sangue, é um espaço metafísico. — Passou as mãos sobre as telas. — Cada imagem aqui representa uma visão registrada pelos antigos Vigias. Ecos de futuros testemunhados através da Visão Emprestada do Amanhã.
Louie acompanhou em silêncio, observando o mural com atenção. Algumas imagens mostravam vilas consumidas pelas chamas; outras revelavam tempestades violentas, criaturas mitológicas e reis sendo arrastados à ruína.
Cada uma carregava a própria história. Ainda assim, todas eram marcadas pelo mesmo elemento inevitável: a dor.
— As visões vêm acompanhadas por profecias — explicou. — Normalmente, são mais simbólicas. Porém, há casos raros em que se tornam assustadoramente literais.
O garoto parou diante de um enorme painel.
Um campo devastado pela guerra. O céu tomado pela fumaça dos bombardeios enquanto tanques avançavam entre crateras e arames farpados. Corpos vestidos com uniformes militares jaziam espalhados pela lama, e soldados seguiam marchando adiante, pisando sobre o sangue e a carne dilacerada dos próprios companheiros.
Abaixo da ilustração, palavras talhadas em vermelho vivo tremeluziam.
— Quando as nações transformarem o mundo em cinzas, a humanidade conhecerá a própria monstruosidade. — leu Louie, franzindo a testa. — Essa seria a…
— Segunda Guerra Mundial. Esse presságio foi registrado décadas antes dela acontecer.
Ele continuou encarando. Mesmo sabendo que tudo já havia acontecido, ainda era estranho ver um fragmento futuro de uma tragédia histórica do passado.
— Entendi. Então, vocês realmente conseguem ver o futuro… — murmurou, mais para si mesmo do que para ela. — Admito que ainda estava meio incrédulo em relação a tudo isso.
Takua não respondeu de imediato. Seus olhos apenas vagaram pelos incontáveis amanhãs espalhados pelo museu.
— Não culpo você por duvidar.
Louie hesitou antes de tornar a fitá-la.
— Ainda assim, deve ser incrível ter um poder desses! — O entusiasmo surgiu de repente, como se tivesse acabado de descobrir algo revolucionário. — Imagina saber exatamente quando o café vai terminar de passar antes mesmo de levantar da cama.
A Vigia piscou algumas vezes.
— …hã?
— Vê se não é incrível. Eu nunca mais correria o risco de acordar cedo demais e ficar esperando igual um idiota na cozinha!
Ela o analisou com calma até finalmente desviar o rosto e soltar um suspiro cansado.
— Não é exatamente assim que funciona. Eu não escolho quando as visões acontecem.
— Ah. — O entusiasmo morreu na mesma hora. — Que desperdício de potencial. Mas, ainda assim, continua sendo uma bênção e tanto.
Uma risada curta, porém sincera, escapou dela antes que pudesse contê-la. O som desapareceu quase no mesmo instante em que surgiu, e seu semblante azul-celeste voltou a se perder no horizonte de presságios, contrastando com os longos cabelos brancos como neve que repousavam sobre seus ombros.
— Não diria que é uma bênção. — Seu tom saiu baixo. — Às vezes… gostaria de não ter esse poder.
Louie percebeu a mudança imediatamente e o leve humor que até então lutava contra a opressão da situação se apagou de seu rosto.
“Ela não parece muito contente…”
— Bom, não que isso importe agora. — Sua voz retomou a serenidade habitual. — Vamos seguir.
— Certo.
A caminhada recomeçou, enquanto qualquer vestígio da própria dor era novamente escondido sob a indiferença.
A luz pálida das lâmpadas deslizava pelas paredes, revelando diferentes imagens que surgiam e desapareciam ao lado deles.
— Muitos dos quadros daqui já se concretizaram. Afinal, as visões não enxergam apenas o futuro próximo; podem alcançar séculos… ou até milênios à frente.
O olhar dele permaneceu vagando pelas gravuras, absorvendo cada detalhe, enquanto sua expressão oscilava entre o medo e o fascínio.
Até que uma, em específico, chamou sua atenção, fazendo seus passos desacelerarem.
O cenário revelava centenas de figuras cobertas por mantos cinzentos, avançando em direção a uma construção colossal isolada entre casas simples.
A garota percebeu de imediato e parou ao seu lado.
— Se interessou?
— Não exatamente. Mas, por algum motivo… — Ele ergueu os dedos trêmulos, tocando a pintura. — …esse lugar não me parece estranho…
— Aquele que ousar desafiar o tempo descobrirá que ele jamais será domado. — Takua leu.
Um arrepio percorreu a espinha do menino.
— O que aconteceu aqui?
Por um instante, a atenção dela permaneceu inteiramente voltada à tela.
— Me impressiona você não saber. Afinal, pelas informações que recebi, você é bem próximo dele.
Louie virou o rosto na direção da garota, tomado pela surpresa.
— Como assim? “Dele” quem?
— Isso aconteceu há aproximadamente trinta anos. Foi o maior atentado já registrado contra a Trion. O ataque levou ao fim dois Pináculos e quase extinguiu uma das linhagens sanguíneas mais fortes de Áurea… os Dragan.
Louie hesitou, como Se tentasse puxar algo da memória.
— “Dragan? Onde eu já ouvi esse nome?” — Uma engrenagem finalmente girou em sua mente. — Espera… Kael Dragan!
— Isso mesmo.
— Mas como assim!? Tá me dizendo que a família inteira dele foi exterminada nesse evento!?
— Sinto muito, mas não sei mais detalhes sobre o atentado. Apenas que os últimos sobreviventes da antiga linhagem Dragan foram Kael Dragan e seu irmão adotivo, Veltor Dragan.
— Kael… — sussurrou, passando a mão pelas próprias mechas brancas. — Pelo que você já passou…?
O garoto permaneceu imóvel diante da moldura. Havia tristeza em seu rosto. Não apenas pelo que acabara de descobrir, mas pela forma como descobriu.
Takua observou ele por alguns segundos antes de perguntar:
— Ele nunca comentou nada sobre isso com você?
Louie negou devagar.
— Ele quase nunca fala sobre si mesmo. — Seus olhos vacilaram, descendo lentamente até a própria mão. — Achei que tivesse me aproximado mais dele nesses últimos dois meses… mas no fim, parece que ainda existe uma distância enorme entre nós.
Os dedos se fecharam levemente.
— Mesmo sendo praticamente um pai pra mim agora… talvez eu ainda não seja alguém em quem ele consiga confiar desse jeito.
A garota se aproximou, pousando uma das mãos sobre o ombro do menino.
— Às vezes, as pessoas não escondem suas histórias por falta de confiança. — Havia firmeza no que dizia, mas também algo mais visceral, como se aquelas palavras nascessem das próprias feridas. — Algumas apenas não conseguem encarar o próprio passado sem sentir culpa, vergonha e… dor.
— É. Talvez seja isso mesmo… — A resposta saiu vazia.
Tentou sustentar um sorriso de canto, mas ele desapareceu antes mesmo de se formar.
Takua retirou a mão do ombro dele e voltou a caminhar pela galeria.
— Venha. Ainda existe um lugar que preciso te mostrar.
Conforme prosseguiam, novas molduras surgiam entre as divisórias, uma após a outra, silenciosas e imponentes, apenas para serem deixadas para trás.
— Então o motivo de tu ter me trazido aqui é porque existe um presságio desse tal de Calamifer envolvendo minha morte?
— Quase isso.
— Como assim “quase”?
Takua parou diante de uma parede. Sem dizer nada, ergueu a mão e pressionou a palma contra a superfície lisa.
No mesmo instante, as lâmpadas acima deles vacilaram.
A claridade branca pulsou algumas vezes antes de perder força, enquanto veios rubros começavam a se espalhar pelas estruturas ao redor, rastejando como artérias vivas sob pele pálida.
— O poder que carrego consegue enxergar inúmeros futuros trágicos… guerras, massacres, colapsos, extinções. Mas todos surgem separados, sem qualquer ligação entre si.
O semblante dela se intensificou por um momento.
— Com apenas uma exceção.
Os traços avermelhados alcançaram o fim do corredor.
Então, uma pequena porta começou a se desprender da parede, revelando um novo caminho oculto além do mármore claro.
“Que passagem macabra…”
A Vigia avançou primeiro.
— Calamifer. Esse nome apareceu pela primeira vez em uma profecia registrada por Allar Vestrak, o primeiro portador de A Visão de Todos.
As pisadas ecoavam abafadas enquanto atravessavam o túnel estreito.
— Desde então, ao longo de mais de dois mil anos, outros quatro quadros surgiram ligados a esse mesmo quadro. Tendo sempre, como relação entre eles, a palavra quedas.
Ela lançou um olhar cansado por cima do ombro, o azul-celeste carregado de exaustão.
— Nunca conseguimos entender o quão próximos ou distantes esses presságios estavam. Mas as imagens e frases sempre levavam à mesma coisa…
Após o último passo, Takua parou. Finalmente haviam chegado. A passagem se abriu diante deles como a entrada de um mausoléu.
E lá estavam.
Seis quadros colossais alinhados lado a lado.
— O fim.
Cada moldura exposta diante deles era uma afronta à própria realidade.
Rachaduras percorriam as bordas douradas das estruturas, enquanto manchas escuras se espalhavam pelas telas como sangue antigo ressecado pelo tempo, cada uma retratando sua própria calamidade.
Porém, a que subjulgou completamente a atenção de Louie estava ao centro.
— E-espera…
Uma escola colossal mergulhada em um massacre. Corredores inundados de sangue. Cadáveres mutilados espalhados pelo ambiente.
No meio da carnificina, uma figura envolta em sombras reinava sobre tudo e todos. Os cabelos outrora brancos estavam manchados pelo mesmo rubro que consumia os olhos escarlates.
O corpo de Louie tremeu. A garganta, trancafiada, se recusava a responder à própria vontade, enquanto suas pupilas vacilavam diante da pintura.
— Essa escola… esse ser…
Entre o céu e o inferno, entre a razão e o medo, algo dentro dele hesitava diante daquele vislumbre que tanto o assombrava.
Então, antes que pudesse continuar, a voz da Vigia ecoou:
— Essas profecias ficaram conhecidas como…
As luzes da galeria tremeram violentamente.
As veias avermelhadas espalhadas pelas paredes irradiaram um brilho intenso, mergulhando todo o ambiente em um carmesim opressor.
— As Cinco Quedas do Fim.


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