Capítulo 16 - O Deserto - Parte 1
Dia 1.
Sol intenso. Areia por todo o lado. Caminhada interminável.
Ethos e Durak seguiam pela imensidão do deserto.
— Você sabe mesmo pra onde estamos indo, Sr. Durak? — disse Ethos, se arrastando pela areia.
— Claro que sei, pirralho. Eu tenho uma bússola — respondeu Durak, mantendo uma expressão séria enquanto o suor escorria por sua testa.
Ethos tirou um objeto do bolso com uma expressão leve no rosto.
— Eu também tenho. Nem por isso eu sei onde estamos indo.
Dura bufou alto.
— Já mandei jogar essa porcaria fora, não aponta pra porra nenhuma.
Ethos seguia caminhando arrastando os pés, sem dar muita importância para as palavras de Durak.
— Bem… Foi o professor Leo quem me deu, deve ter algum significado — disse, dando de ombro.
— Ele era um doido — Durak limpou o suor da testa. — Merda de calor!
— Você não o conheceu, acho que se dariam bem.
— Conheci — franziu o rosto. — E não gostei.
Ethos virou o rosto rapidamente para Durak com uma expressão de surpresa.
— Sério? Como? Ele era um herói também?
Durak parou, levou as mãos à cintura e arqueou as costas, alongando a coluna enquanto soltava um breve grunhido.
— Pirralho… — disse, fazendo uma longa pausa para respirar e voltou a caminhar. — Eu tô morto, o calor tá matando, cala a boca um pouco.
Os ombros de Ethos caíram e seu olhar baixou.
— Tá bom…
— E não, ele não era um herói — completou Durak. — Agora pare de falar sobre isso… Na verdade, pare de falar sobre qualquer coisa.
— Velho rabugento — murmurou Ethos.
— Eu escutei, seu pirralho!
Dia 2.
Mais areia. Mais sol. Mais calor.
À noite, em contrapartida, o frio era intenso e o vento soprava forte. Eles aproveitavam para montar as barracas e descansar.
— Por que a gente não caminha de noite, já que é mais fresco? — perguntou Ethos.
— Tá maluco? — respondeu Durak, enquanto ajeitava a lenha para fazer uma fogueira. — Andar à noite no deserto é pedir para morrer. Sem visão somos presa fácil.
Ethos estava sentado sobre um tecido estendido na areia.
— Mas até agora não vimos nenhum animal — disse. — Nem monstros, não vimos nada. Só areia e mais areia.
Durak estalou os dedos, fazendo nascer uma pequena chama alaranjada na ponta dos dedos. Com um gesto despreocupado, aproximou-a da lenha e acendeu a fogueira.
— Nós não os vimos, mas pode ter certeza que eles nos viram.
O garoto arregalou os olhos.
— Como assim?
— Essa é a casa deles. Eles sempre estão ao nosso redor — respondeu Durak. Em seguida, sentou-se ao lado de Ethos e começou a remexer na bolsa. — Só não se aproximaram porque não sentiram necessidade. Apenas não abaixe a guarda, pirralho. O deserto é cruel.
Ethos olhou ao redor. Só enxergava escuridão e areia.
— Ok!
Durak tirou algo da bolsa e entregou para Ethos.
— Aqui pirralho, come logo.
Ethos torceu a boca em desgosto
— Odeio ração — resmungou, pegando o alimento.
— É o que tem — respondeu Durak, mordendo a barra com muita força. — É duro, mas pelo menos a gente não passa fome.
A contragosto, Ethos também deu uma mordida. Precisou fazer força para arrancar um pedaço e mastigou em silêncio, claramente insatisfeito.
Um breve silêncio pairou no ar enquanto eles se esforçavam para comer sem quebrar os dentes. Até que Durak se virou para Ethos.
Pirralho, depois de comer, vamos treinar. Você ainda tem muito que aprender antes de chegarmos.
Ethos engoliu seco e ergueu as sobrancelhas.
— Treinar?
— Sim! — respondeu Durak, dando a última mordida na barra de ração. — A areia do deserto é ótima pra você melhorar seu sentido sísmico.
Ethos piscou algumas vezes, claramente confuso.
— Mas como vou me localizar pelas vibrações do chão se o solo é tão instável?
Durak cruzou os braços, fechou os olhos e assentiu levemente.
— Você é esperto, vai encontrar um jeito — disse, como quem diz o óbvio.
Ethos franziu a testa e soltou um longo suspiro.
— Droga… Você nunca explica nada direito — resmungou,terminando de comer.
E assim, ao lado do acampamento que haviam montado, Ethos e Durak se preparavam para treinar. Ethos usava uma venda cobrindo os olhos, enquanto Durak segurava um cabo de madeira na mão e exibia um sorriso quase sádico no rosto.
— Durak, mesmo vendado eu posso ver seu sorriso na sua cara. Dessa vez você não vai me acertar! — disse Ethos, franzindo a testa.
— Pirralho, não estou sorrindo — respondeu Durak, sem perder o sorriso no rosto. — Como seu professor, eu quero que você consiga desviar. Você se lembra como funciona o treinamento, não é?
Ethos bufou, mantendo-se em posição.
— Sim — respondeu. — Tenho que desviar me guiando pelas vibrações sísmicas do solo, né?
Durak apertou o cabo de madeira e seu sorriso cresceu um pouco mais.
— Isso mesmo. Podemos começar?
Ethos bufou uma vez mais.
— Esse chão é só areia! — protestou, elevando a voz. — Não dá pra me localizar nele!
Durak deu um passo à frente, aproximando-se de Ethos.
— Você vai dar um jeito, pirralho.
— Você é maluco!
POW!
O cabo atingiu o topo da cabeça de Ethos.
— Ai! Droga, Durak — disse Ethos, esfregando o local do golpe. — Eu não tava pronto ainda.
— Você morreu. Hahahá. — gargalhou Durak, apoiando o cabo sobre o ombro. — Agora, concentração. Se eu consegui você consegue.
— Tá bom, tá bom…
E assim seguiu o treino noite adentro. A cada erro, um novo galo surgia na cabeça de Ethos, até que, após acumular uma coleção deles, os dois decidiram descansar.
Dia 3.
POW.
Uma garra gigantesca atingiu o solo.
SLASH.
Areia voou por todos os lados.
— Droga, como pode um escorpião ser tão grande? — gritou Ethos, tentando se manter de pé enquanto desviava das investidas do aracnídeo.
À distância, Durak observava a cena de braços cruzados.
— Vamos, pirralho! Eu derrubaria essa coisa em dez segundos. Hahahá!
Ethos enfrentava um escorpião monstruoso, com quase dois metros de altura e oito metros de comprimento. Seu corpo era coberto por uma carapaça espessa, quase da cor da areia, enquanto uma longa cauda arqueada terminava em um ferrão do tamanho de uma lança, que descia sobre o garoto em investidas rápidas.
Em meio à cortina de poeira, Ethos se desequilibrou no solo instável. O enorme ferrão avançou em sua direção. Quase caindo, ele cruzou as espadas e desviou a ponta venenosa para o lado, lançando-se na direção oposta, rolando pela areia.
— Odeio esse lugar! Tsc! — Ethos cuspiu a areia da boca e limpou os lábios com a manga. — Não dá para apoiar os pés nesse chão.
— Hahahá! — gargalhou Durak. — Se fosse fácil, não seria um bom treino. Agora anda logo porque não temos o dia todo.
O garoto apertou com força o cabo das espadas. Então, disparou pela areia fofa em direção ao escorpião e saltou, tentando alcançar a cabeça da criatura. No entanto, o solo instável não lhe deu o impulso que esperava.
Aproveitando a abertura, o escorpião golpeou-o com uma das garras. Ethos ergueu as espadas para amortecer o impacto, mas, ainda no ar, foi lançado a vários metros de distância, rolando repetidas vezes pela areia quente do deserto antes de conseguir parar.
Ethos se levantou rapidamente, passou o braço no rosto para limpar os olhos e tomou posição novamente. A criatura já avançava em sua direção, sem descanso.
— Durak! Por favor, me dá alguma dica! — gritou enquanto voltava a desviar das ferroadas.
— Hahahá. É simples, você só precisa não ser acertado pelo ferrão venenoso enquanto ataca essa coisa — respondeu Durak, gargalhou alto.
— Mas que porra, fala alguma coisa útil! — esbravejou Ethos.
Aos poucos, ele foi se acostumando com o terreno instável e ao ritmo dos ataques do escorpião. Seus movimentos se tornavam mais precisos, e desviar já não era tão difícil. No entanto, por mais que suas espadas atingissem a criatura, os golpes não surtiam efeito diante da espessa carapaça que a protegia.
Depois de quase uma hora naquele combate desigual, em que a criatura atacava e Ethos apenas se defendia, o garoto já estava visivelmente exausto. Durak, que permanecia em silêncio até então, decidiu que era hora de dizer algo.
— Pirralho! Se você luta contra um guerreiro com uma armadura poderosa, onde você mira? — gritou.
Ethos, ofegante, desviou de mais uma das investidas do ferrão antes de responder.
— Sei lá… as articulações?
Nesse momento, seus olhos se arregalaram.
Finalmente, Durak havia lhe dado uma dica útil.
Como eu não pensei nisso? É tão óbvio, pensou Ethos. As articulações são sempre o ponto fraco!
Um sorriso surgiu em seu rosto. Seus olhos se fixaram nas junções das patas do escorpião. Ele apertou com força os cabos das espadas e partiu em direção ao escorpião.
A criatura desferiu uma ferroada de cima para baixo. Entretanto, Ethos já estava acostumado com esse padrão de ataque. Com um passo lateral, desviou facilmente.
Em seguida, contornou o inimigo e mirou em uma das patas dele.
Respirou fundo.
Uma energia verde surgiu de seu peito, percorrendo seus braços, suas pernas e, por fim, envolvendo as espadas e os pés em um brilho tênue.
Com um grande salto, executou um corte rápido e preciso na junção entre a pata e o corpo da criatura.
SLASH!
A pata se desprendeu, e o escorpião tombou parcialmente sobre a areia.
Enfurecido, o aracnídeo começou a se debater e atacar de forma desordenada. Mas, agora, Ethos parecia outra pessoa. Seus pés já compreendiam o terreno instável, e seus olhos antecipavam cada movimento.
SLASH!
TCHAK!
PLOW!
TROW!
Golpe após golpe, as patas foram caindo uma a uma, até que, por fim, um corte certeiro separou o enorme ferrão do restante da cauda.
Agora indefesa, a criatura apenas aguardava o golpe final.
Ethos respirou fundo, ergueu as espadas e, com um último movimento preciso, separou a cabeça do escorpião do corpo, encerrando a batalha.
— Desgraçado! — esbravejou Ethos. — Por que demorou tanto para me dizer o ponto fraco desse bicho?
— Ué, você não era o inteligente? Achei que você aprenderia sozinho. Hahahá. — respondeu Durak, com uma risada cínica.
Ethos torceu a boca e cruzou os braços.
— Não dava pra pensar direito. Era areia pra todo lado, essa coisa gigante me atacando sem parar, além da areia voando no meu olho.
Durak se virou de costas e começou a caminhar em direção ao acampamento. Ethos o seguiu.
— Você acha que todos os inimigos vão te dar tempo pra pensar? — perguntou Durak.
Ethos engoliu seco.
— É… mas…
— Sem “mas” — interrompeu Durak. — Nem sempre as coisas vão ser como você quer, e ai, você vai ter que se virar.
Ethos apenas assentiu, cabisbaixo.
Durak deu uns tapinhas nas costas de Ethos e deu um sorriso largo.
— Se anime, pirralho. Você se saiu muito bem. Você se adaptou ao ambiente e entendeu como o oponente ataca, isso vai ser muito útil no futuro.
Ethos se animou um pouco.
— É, tem razão. Nossa eu me senti muito burro por não ter pensado nas articulações antes.
— Hahahá — gargalhou Durak. — Na vida real, com sua vida em risco, é mais complicado elaborar um plano. Mas a experiência vai fazer com que as coisas fiquem mais fáceis.
Ethos apertou o punho e sorriu.
— Você tem razão! Vamos procurar outro escorpião pra eu treinar mais!
— Hahahá. — Durak deu um soco leve no ombro do garoto. — Calma, pirralho. Descansar é importante também. Amanhã você treina mais.
Chegando ao acampamento, Ethos tomou uma grande quantidade de água enquanto Durak tirava da bolsa uma barra de ração.
Ethos agarrou a comida e se sentou.
— Por que essa coisa era tão grande, Durak? — perguntou. — São monstros?
Durak se sentou ao lado dele e também comeu um pouco de ração.
— Não são monstros. Eles são só grandes. Pelo que eu sei, tem a ver com as guerras do passado.
— Guerras? — perguntou Ethos.
—Sim! — respondeu Durak, apoiando os cotovelos nas pernas. — Eu li que, há muitos anos, antes mesmo de eu nascer, esta região já foi extremamente fértil. Qualquer coisa crescia aqui.
Ethos se espantou.
— Sério? Como assim?
—É… e foi por isso que, durante as guerras do passado, este lugar era tão cobiçado. Isso levou a incontáveis conflitos aqui.
— O deus do medo queria esse lugar? — perguntou Ethos enquanto tentava morder um pedaço do alimento.
— Hahahá. Não, pirralho. Muito antes disso. Sabe, muito antes de o Deus do Medo aparecer, a humanidade vivia em guerra.
— Contra quem?
Durak tomou um pouco de água, depois apoiou a garrafa no chão e seguiu comendo.
— Contra si mesmo — respondeu. — Basicamente, o mundo era dividido em 8 reinos que viviam em guerra uns contra os outros.
— Ah! — Ethos levantou as sobrancelhas com um leve sorriso. — Eu lembro de uma história assim que minha mãe contava. Achei que era só uma historinha infantil.
— É, aconteceu mesmo. Na verdade, o que uniu a humanidade foi ter um inimigo em comum.
Durak fitou o chão por um momento.
— E mesmo que ainda exista muita coisa errada no mundo — continuou —, comparado ao passado, hoje vivemos em paz. Mesmo que seja apenas pelo receio da volta do Deus do Medo.
— Hm… Entendi, mas o que isso tem a ver com o deserto?
— Então… — Durak se virou e começou a gesticular com as mãos. — Dizem que a grande quantidade de magia destrutiva e morte envenenou o solo, transformando-o nisso que você vê hoje.
Ethos olhou em volta. O vento batia leve e carregava um pouco de areia para todos os lados.
— Caramba… a magia tem esse poder todo?
— Nas mãos erradas, tem sim! E mais, todos os animais, insetos e seres que vivem aqui foram infectados também com essa energia. Dizem que é por isso que são tão grandes e diferentes.
— Que loucura! Então não são monstros? — perguntou Ethos.
— Não! — respondeu Durak, fazendo uma negativa com a cabeça. — Monstros são como naquela floresta. Eles têm cheiro de carne podre, os olhos sem vida. São como cadáveres que atacam tudo o que veem. Aqui são só muito grandes.
— Entendi… É uma loucura pensar que esse lugar se tornou isso por nossa culpa.
— Nossa? — perguntou Durak.
— Sim, da humanidade…
Durak baixou a cabeça levemente.
— É… podemos ser muito cruéis.
Dia 4
Mais areia, mais calor, mais bichos gigantes, mais treino e, infelizmente, mais ração.
Nada novo.
Dia 5
A caminhada interminável sob o sol incansável seguia. Sempre que surgiam criaturas gigantes, Ethos aproveitava para treinar. Entretanto, desta vez, seu oponente era uma minhoca monstruosa com quase cinquenta metros de comprimento.
Ela emergia do solo, atacava por baixo e voltava a se enterrar na areia.
Durak com um largo sorriso, virou as costas e começou a correr.
— Corre, pirralho! Dessa aí nós não damos conta por enquanto. Hahahá.
Ethos, que estava posicionado para lutar, arregalou os olhos ao ouvir aquilo. Virou-se e viu Durak se afastando rapidamente.
— Merda! Você vai mesmo me deixar aqui? — gritou, disparando atrás dele.
Os dois corriam o mais rápido que podiam, afundando os pés na areia enquanto a criatura gigantesca surgia e desaparecia atrás deles, tentando devorá-los a cada investida.
À noite, enquanto descansavam ao redor de uma fogueira, Ethos perguntou.
— Como aquela coisa sabia onde estávamos? Demorou horas para despistar ela.
Durak soltou uma leve risada.
— Bem… Na verdade elas são cegas.
Ethos ergueu as sobrancelhas.
— Cegas?
— Sim. Hahahá — respondeu Durak. — Elas se localizam usando a visão sísmica.
Ethos deu um pequeno pulo de surpresa.
— Caramba! Eu não sabia que animais também podiam usar magia.
Durak apoiou os braços atrás da cabeça e se deitou sobre a manta estendida na areia.
— Pirralho, eles são muito melhores nisso do que nós. Hahahá! Dizem que a humanidade aprendeu a magia observando os animais.
Ethos se inclinou em direção de Durak, com os olhos brilhando. O garoto adorava aprender coisas novas.
— Que incrível! Vou prestar mais atenção neles. Quem sabe isso me ajuda a entender melhor. Estou completamente travado no nosso treino.
— É, tá mesmo! O cabo de madeira que usamos pra treinar ta quase quebrando de tanto bater na sua cabeça. Hahahá! — gargalhou Durak.
— E por que você parece tão feliz com isso?! — esbravejou Ethos.
Dia 6
O sol parecia brilhar mais intensamente no céu.
Os rastros deixados na areia rapidamente eram apagados pelo vento quente que soprava de leve.
Ethos andava de cabeça baixa, evitando o sol escaldante.
Tunc.
Uma gota d’água caiu do céu sobre sua cabeça.
— Chuva? — perguntou Ethos, surpreso.
— Tá vendo coisa, pirralho. — respondeu Durak.
Ethos levantou a cabeça e, ao longe, depois de uma grande duna, avistou algo que parecia um arco-íris.
Sem pensar muito, saiu correndo em direção em direção dele.
— Onde você vai, tá maluco? — perguntou Durak.
— É um arco-íris! — respondeu Ethos, muito animado.
— Volta aqui, deve ser uma miragem! — gritou Durak, correndo atrás dele.
— Não é, eu senti uma gota. E se tem arco-íris, tem chuva! E se tem chuva, tem água!
Ethos alcançou o topo da duna e parou abruptamente.
Ficou em silêncio, encarando o horizonte.
Durak chegou logo atrás, ofegante.
— Pirralho, eu falei…
— Uau… — interrompeu Ethos, maravilhado.
Durak observou a paisagem por alguns segundos e então coçou a barba
— Ah, era isso. Tinha até esquecido que esse lugar tava aqui.
Diante deles se estendia uma estreita faixa de vegetação, uma longa floresta alinhada que parecia perdida em meio ao mar de areia. No entanto, não era a floresta o que mais chamava a atenção.
Acima dela, um imenso rio cristalino serpenteava pelo céu, enquanto peixes gigantes nadavam tranquilamente em suas águas suspensas.
— Durak, como esse rio está voando?
Durak deu de ombros.
— Sei lá.
— Os peixes estão usando magia?
— Não sei.
— Será que a floresta criou o rio? Ou foi o rio que criou a floresta? Talvez algum mago…
Durak perde a paciência.
— Já falei que não sei, pirralho! Já passei aqui algumas vezes, mas nunca me interessei em chegar perto.
— Vamos lá ver! — disse Ethos, disparando em direção à vegetação.
Durak correu atrás dele.
— Calma, pirralho! Droga, vai devagar!
Ao se aproximarem, perceberam que a vegetação acompanhava quase perfeitamente a trajetória do rio suspenso.
Uma linha verde…
Em meio ao interminável mar alaranjado do deserto.
Enquanto Ethos admirava a paisagem e tentava entender, Durak sentiu um arrepio percorrer a espinha. Sua expressão mudou imediatamente. Sem hesitar, colocou-se em posição de combate.
Vendo a reação de Durak, Ethos também empunhou as espadas.
— Durak, o que aconteceu? — perguntou Ethos.
— Silêncio, pirralho — respondeu, sem desviar os olhos da vegetação. — Estamos cercados.
Ethos engoliu seco.
— Cercados?

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