Capítulo 6 - Os Amigos
O sol brilhava forte, mas o vento leve e refrescante trazia consigo algumas nuvens de chuva. Ethos estava mais ansioso que o normal enquanto treinava com seu pai.
PLAC!
— Você está animado hoje, filho.
PLAC!
— Sim! — disse Ethos, ofegante. — Finalmente vou poder acompanhar você na caçada.
TAC!
Ethos quase se desequilibrou. Árnion permanecia estático.
— Pois é, você já é quase um adulto, afinal. Vai ser um bom treino antes de irmos para a capital. Mas não esqueça do nosso objetivo hoje, ok?
PLAC-PLAC…
— Sim, pai. Temos que eliminar os monstros contaminados com os resquícios do mal.
TUCK!
— Isso, eles são um saco — Árnion suspirou. — Se deixamos essas coisas soltas, eles invadem a aldeia, destroem as plantações… Um caos.
Ele apontou uma das espadas de madeira em direção de Ethos, com uma expressão levemente séria.
— Normalmente não temos grandes problemas, mas mesmo assim mantenha sua guarda sempre alta!
— Claro! Afinal, de onde eles vêm?
Ethos avançou em direção de seu pai e golpeou.
CLAC. TUM!
Ele caiu, levantou-se, sacodiu a poeira e voltou ao treino.
PLAC!
PLAC!
— São apenas animais que foram infectados pela influência do deus do medo. Mesmo depois de quinze anos do fim da guerra, a influência daquele imbecil continua incomodando nossa vida.
TAC!
— É realmente um saco, né? — respondeu.
— Sim! É chato, mas precisa ser feito.
…
Mais tarde, naquele mesmo dia, Ethos e seu pai estavam de partida para a floresta, enquanto Ophélia e Íris os desejavam sorte.
— Voltem logo, meninos — disse Ophélia, sorrindo. — E toma cuidado, Ethi. Escute seu pai e obedeça aos adultos!
— Claro, mãe — disse Ethos, meio emburrado.
— Ethi, quando voltar você brinca comigo? — disse Íris em voz baixa, enquanto puxava levemente a camisa de Ethos.
Ele sorriu, passou a mão na cabeça dela e disse:
— Claro, maninha. Logo, logo estamos de volta.
Ophélia viu um pequeno ralado na lateral do braço do garoto.
— Espere, filhote. Deixa sua mãe cuidar disso.
Ela apoiou sua mão sobre a ferida, fez alguns gestos com o dedo e respirou fundo. Uma luz verde surgiu e, logo após, a ferida estava perfeitamente cicatrizada.
Era sempre incrível a magia de cura dela, apesar de Ethos não entender o porquê ela não conseguia curar doenças e resfriados.
— Obrigado, mãe.
Os dois se despediram, e em seguida ela deu um beijo de despedida em Árnion e, olhando em seus olhos e com as mãos entrelaçadas ao redor de pescoço, disse:
— Cuida dele lá…
— Eu prometo, meu amor — respondeu Árnion, enquanto tirava o cabelo do rosto dela.
Os dois partiram.
Enquanto caminhavam, Árnion aproveitou para dar as últimas dicas a Ethos.
— Ethi, você se lembra de que não vamos caçar sozinhos, né? Lembre-se da formação que te ensinei.
— Claro, pai. Não se preocupe, vai ser fácil. Hahahá!
Árnion fez uma negativa com o rosto.
— Filho, não subestime a situação. E não se esqueça: se algo acontecer e a situação ficar perigosa…
— “Fugir e não correr riscos” — interrompeu Ethos, meio desanimado como se já tivesse escutado isso muitas e muitas vezes.
— Isso mesmo, esses bichos podem ser bem traiçoeiros.
— Tá bom, pai. Só estou muito animado! Acho que estou bem mais forte agora com todo o treino com você e com a mamãe. E tenho uns truques que aprendi com o professor Leo também.
— Hahá! — Árnion apoiou as mãos na cintura. — Eu entendo bem, Ethi. Mas lembre-se de nunca…
— “Baixar a guarda…” — interrompeu novamente Ethos, revirando os olhos e sorrindo.
…
Na entrada da floresta, dois homens os aguardavam.
Ethos ficou intrigado ao ver um homem de barba grisalha e muito pequeno — devia ter um metro e meio de altura e carregava um martelo muito grande como se fosse nada. Já o outro, aparentava ser um pouco mais jovem, tinha um ar mais sério e contido e possuía uma lança, muito elegante e imponente.
— Ah se não é o pequeno Ethos! — exclamou o baixinho com entusiasmo. — Olha como você cresceu!
— Olá, garoto — falou o outro homem, um pouco sério. — Vocês estão três minutos atrasados, Árnion.
— Ai, ai… chato como sempre, Cárion… — suspirou Árnion, rindo de leve — e você, como vai, Durak?
— Olá — Ethos se encolhia, tímido. — Obrigado por… me deixarem participar. Espero não atrapalhar…
Durak caiu na gargalhada.
— Hahahá! Quanta formalidade, pirralho. Eu peguei você no colo quando era bem pequenino.
— Sim, ele cresceu tanto, não? — interrompeu Árnion, com um sorriso malicioso. — Diferente de você, velho Durak. Hahahá! — Ele caiu na gargalhada.
Durak bufou.
— Se tamanho fosse documento você conseguiria mais mulheres que eu. Hahahá.
Árnion riu.
Cárion estava indiferente.
Ethos ficou com o rosto vermelho, envergonhado com o rumo da conversa.
Árnion colocou uma mão na cabeça de Durak, com um sorriso disse:
— Vou apresentar a você, Ethi: Esse pequenino é o Durak, do reino de Dvergar, que fica ao sul. Não se deixe levar pelo tamanho: Ele é bem durão e o melhor ferreiro que existe… — ele
olha para Durak com um olhar sarcástico. — Pelo menos era… antes de ficar velho e barrigudo, Hahahá. Só não deixe ele se aproximar de alguma namorada sua. Hahahá.
Durak, irritado, tira a mão de Árnion de sua cabeça.
— Você é um otário mesmo, Arni. Aquilo foi só uma vez… talvez duas, mas foi um acidente! — resmungou Durak. — Toma, pirralho — retirou duas espadas das costas e as entregou a Ethos. — Seu pai encomendou, você tem muita sorte de ter espadas feitas por mim — completou, orgulhoso de si.
Os olhos de Ethos brilharam.
— São incríveis! Muito obrigado, Sr. Durak!
— Muito bem… — disse Árnion, se aproximando do homem com a lança. — E esse é Cárion, o lanceiro. Ele é do continente imperial, ao norte. É meio chato, mas muito confiável.
— Não sou chato, você que é um pé no saco — respondeu.
Ethos sorriu, educadamente.
— É um prazer conhecê-lo, senhor Cárion.
Cárion apenas assentiu.
— Ok, ok! Vamos logo, antes que escureça.
E os quatro adentraram a misteriosa floresta.
Era uma mata densa, úmida, escura — mesmo durante o dia — e com uma energia misteriosa. Algo não muito comum em uma região como aquela.
Enquanto adentravam, dava para ouvir Durak resmungando: “Pirralho, se você for na onda do seu pai, vai morrer virgem.”
Ethos já nem estava mais nervoso, estava mesmo era envergonhado.
Era só uma floresta meio assustadora. Nada demais.

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