PRÓLOGO - Os Sete
Era dia.
Mas quase não havia luz.
O sol avermelhado mal brilhava, sufocado pelo cinza-escuro do céu.
Chovia.
E a água escura da chuva escorria pelas cascas secas das árvores.
— Droga de chuva. Além de molhar, ainda mancha toda minha roupa — disse a Da Lança. — Sobrou alguma comida?
— Você já comeu tudo! — respondeu o Do Arco. — Nossa… não vejo a hora de sair deste lugar. Sinto falta do sol — ele suspirou profundamente. — Esse escuro dá muita preguiça…
— Você tá sempre com preguiça! — exclamou a Do Cajado. — Mas eu não recusaria uma praia quando tudo isso acabar.
A Do Livro estava deitada no chão, olhando para uma das árvores secas.
— Eu até que gosto daqui, as árvores são feias, mas são gentis.
— Hahá. Só você mesmo — respondeu o Do Escudo. — Mas chega de papo furado, temos que ver como vamos entrar no castelo.
Um pouco afastado do grupo, o Da Espada estava sentado ao lado de uma árvore quando o Do Martelo se aproximou.
— Ela deve estar bem…
— Eu espero que sim — respondeu o Da Espada.
O Do Martelo apoiou a mão em seu ombro.
— Ela é uma mulher forte, tenho cert…
— Como eu deixei isso acontecer? — interrompeu o Da Espada. — Por que ele não me levou no lugar dela?
— Você sabe o porquê… ele quer te desestabilizar e te atrair.
Ele sentou-se ao lado do Da Espada. Os dois encararam o gigantesco castelo à sua frente.
Suas pontas sumiam nas nuvens cinzas. As paredes negras quase desapareciam na escuridão do ambiente. As portas eram grandes o suficiente para um gigante atravessar sem se curvar.
E estavam abertas.
Como se os convidassem a entrar.
O silêncio da região só era interrompido vez ou outra por corvos buscando pela próxima refeição.
— Eu estou arrastando vocês pra essa armadilha… me desculpe. Se eu fosse mais forte, ele não teria a levado.
— Não precisa se desculpar. Mais cedo ou mais tarde teríamos que enfrentá-lo.
— Eu sei, mas parece errado entrar assim de frente. Ele simplesmente nos deixou chegarmos até aqui. Não faz sentido, é suicídio. Droga — ele apertou a mão e socou o chão. — Não sei o que fazer…
O Do Martelo deu um leve soco no ombro do Da Espada e sorriu.
— Mas é por ela — afirmou. — Todos nós queremos salvá-la.
— Mas…
— Sem “mas”! — ele deu um tapa nas costas do amigo e se levantou. — Anda logo, o grupo está esperando as palavras do líder. Capricha. Talvez sejam as últimas. Hahahá
Um leve sorriso escapou do Da Espada.
Ele se levantou.
O amigo parou à sua frente e disse:
— É! — ele ergueu seu martelo e gritou alto. — Já que vamos morrer, vamos fazer isso com estilo.
O restante do grupo ouviu e se aproximou deles.
— É — exclamaram todos, erguendo suas armas.
O líder deu um sorriso largo dessa vez.
— Já que querem tanto morrer — ele apontou a espada para o céu. — Vamos! Afinal, o anfitrião está nos esperando.

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