Capítulo 91: Caminho das Profundezas (1)
A Guerra do Renascimento havia terminado. Terminou com o <Caos> libertado das <Grandes Terras>. No entanto, aquilo foi apenas o começo.
Jaehwan falou com o paciente de rosto pálido na sala de cura da Fortaleza Interna de Górgona.
— Você estava vivo.
Era Jagel Meng.
— Pensei que estivesse morto.
— …Sou o líder de um Dez-Clãs. Não morrerei tão facilmente.
Ele sorriu, mas seus ferimentos eram graves. Era um milagre que tivesse sobrevivido.
— É tudo graças ao Doutor do Desespero.
Quando ele foi ferido, Chunghuh tinha acabado de retornar a Górgona e rapidamente cuidou de Jagel Meng. Se não, ele teria morrido.
— …Ouvi que você derrotou Sameng Garam.
Jaehwan sabia que fora Sameng Garam quem deixara Jagel Meng naquele estado. Então, de certa forma, Jaehwan o havia vingado.
— Ele era um General Superior.
Jaehwan sabia que Jagel Meng queria dizer algo mais profundo.
— Você o conhecia?
— Cada membro da família Jagel conhece a família Sameng.
A família Sameng era uma das Famílias Renomadas das <Grandes Terras>.
— Você deve estar ciente, mas ‘eles’ agora terão seus olhos sobre nós também.
— Eles?
— As famílias Renomadas. Sameng já tem, com certeza.
O Palácio pertencia aos Senhores e às famílias Renomadas. O <Caos> também matou um membro das Famílias Renomadas. Jaehwan balançou a cabeça.
— Está bem. Eles não virão mais aqui.
Jagel Meng arregalou os olhos em choque.
— Você… Você adquiriu a [Porta Estreita]?
Jaehwan assentiu e Jagel Meng soltou um suspiro de alívio.
— Isso é bom… mas é muito cedo para ficarmos aliviados.
— Eu sei.
Jaehwan compreendia do que ele estava falando. Ele havia alertado os outros líderes sobre isso em uma reunião anterior. Havia outra maneira, normal, de entrar no <Caos>.
— Eu simplesmente os matarei de novo.
Jagel Meng suspirou. Ele agora podia acreditar que aquelas palavras eram verdade.
— Se eles estão aqui para me matar, mesmo que ao custo de suas vidas, pode valer a pena lutar contra eles.
— …Entendo.
Jagel Meng sorriu, então se virou para encarar a janela. Parecia que finalmente havia uma breve paz no <Caos>.
Ele também percebeu que essa paz era possível por causa de uma pessoa.
Alguém chamou por Jaehwan, e ele se levantou de seu assento.
— Cuidem-se.
Jagel Meng encarou Jaehwan. Para onde ele estava indo agora? O que havia além do caminho que ele tomaria? Seria um caminho que eles poderiam seguir? Ou… Seria seu destino, caminhar sozinho por aquela trilha traiçoeira?
— Mestre.
Jaehwan parou, sem olhar para trás.
— …Não é nada.
Jaehwan saiu. Jagel Meng teve a sensação de que nunca mais o veria. Mas não podia detê-lo.
Havia muitas pessoas que vieram ver Jaehwan. Os primeiros a vir foram Chunghuh e Cayman.
— Garoto, não pense em sair secretamente.
— Eu não o deixarei ir sozinho desta vez.
Eles temiam que Jaehwan viajasse às [Profundezas] sozinho. No entanto, aquele que veio ver Jaehwan em seguida tinha uma razão inteiramente diferente.
— O que é?
Era um homem com cabelo loiro e uma única asa prateada nas costas. Ele saudou Jaehwan e falou: — Tenho alguns assuntos a discutir, Mestre.
— Por que Euren não veio?
— O Chanceler está ocupado com o trabalho que o senhor lhe deu.
Era Karlton.
— Certo, prossiga.
— Sim, senhor. O primeiro é da reunião…
Karlton começou a relatar o que havia preparado enquanto Jaehwan o observava. De certa forma, Karlton era semelhante a Sameng Garam. Ele era alguém que queria manter a ordem de algo.
‘Ele também não se tornou um Desperto?’
A palavra-chave [Suspeita] permitia que alguém criasse seu próprio mundo único. O mundo de Jaehwan era ‘Queda’, enquanto o mundo de Cayman era o ‘Grande Mar’. Então, qual era o mundo de Karlton? Jaehwan ficou curioso.
— …e… Mestre, está ouvindo?
— Oh, sim. Onde estávamos?
— …De acordo com a Lei Górgona, capítulo 24, linha 5, o comportamento de não ouvir o relatório do…
Ele não havia mudado nem um pouco, mesmo depois de Desperto. Karlton então sorriu e parou.
— …Estávamos falando sobre a torre.
— Que torre?
— Carpediem, senhor.
Jaehwan então se lembrou da torre que havia feito com Meikal. Agora estava mais refinada e estável do que quando foi construída.
— O que tem ela?
— Há reclamações de que o fluxo do tempo está rápido demais.
— …Entendo. Compreensível.
“Há taxas crescentes de suicídio entre aqueles que a desafiam para se tornarem Despertos.”
O tempo era ruim para o espírito. Ele era punido por abusar do tempo. Mesmo para Jaehwan, a corrupção estava vazando de seu corpo por não consumir chifres regularmente.
No entanto, o Despertar exigia superar tais dificuldades. Jaehwan então falou.
— Realmente a fizemos funcionar rápido demais. Mude isso com Meikal.
— Sim, senhor.
— Eles não podem simplesmente se tornar Despertos apenas repetindo [Estocar] ou [Cortar]. Ordene ao sistema que crie Despertos de forma constante e tire aqueles que não querem ser Despertos. Treinar para subir nos estágios de Adaptação também é uma solução.
— Adaptação… o senhor realmente acha que é uma solução?
— As pessoas têm opiniões diferentes. O Despertar não é a salvação. Alguém pode encontrar a vida dentro da Adaptação.
Karlton parecia ter pensamentos complicados ao ouvir aquilo.
— …Algum problema?
— Há um problema pessoal.
— Problema pessoal?
— Qual é?
— Agora sou um Desperto de Terceiro Passo. Imagino que já saiba disso.
Jaehwan assentiu.
— Mas não vejo meu mundo único.
— …O quê?”
Isso era impossível. Todos que se tornavam Despertos de Terceiro Passo tinham um mundo único. Ele diferia em forma e tamanho, mas não havia casos em que alguém não adquirisse um mundo único.
‘Espere, talvez o mundo único dele seja…’
Jaehwan se lembrou das palavras de Sameng Garam. Ele disse a Jaehwan que cada ser tinha seu ‘mundo’, mesmo que não fosse único.
‘Talvez Adaptação e Despertar sejam bastante similares em certo sentido.’
Jaehwan tranquilizou Karlton.
— Não se preocupe. Talvez seu mundo único seja o próprio ‘Sistema’.
— …Isso é possível?
— É uma possibilidade. Não sei tudo sobre o Despertar.
Karlton então perguntou: — Se meu mundo único for o ‘Sistema’, terei que lutar contra o senhor algum dia?
Era uma pergunta inesperada com um toque de humor. Mas Jaehwan ponderou seriamente.
— Talvez. Se você realmente tentar proteger este mundo.
— Você realmente pretende destruir este mundo?
— Sim.
— Então, mesmo que eu tente protegê-lo quando a hora chegar, você não mudará de ideia?
— Sim. Então você será destruído junto com ele.
Após pensar um pouco, Karlton perguntou: — Mestre, leve-me com o senhor.
— Para?
— Para as <Profundezas>, senhor.
Jaehwan não respondeu. De fato, muitas pessoas já estavam trazendo à tona a questão da expedição.
‘Acho que já é hora de escolher quem levar para as <Profundezas>.’
Ele não podia levar todos. As <Profundezas> eram perigosas o bastante para afugentar os Senhores das <Grandes Terras>. Enquanto Jaehwan ficava em silêncio, Karlton acrescentou: — De acordo com a Lei Górgona, Capítulo 3, Linha 4, todos os Capitães da Guarda têm a responsabilidade de proteger o Mestre da Fortaleza em uma emergência.
Jaehwan riu. — Mas você não é mais o Capitão.
— …
— E eu não serei o Mestre quando partir.
Karlton pareceu chocado com aquelas últimas palavras.
— …Eu esperava… mas o senhor vai realmente deixar de ser Mestre?
Karlton desejou que fosse mentira. Eles precisavam de uma figura central para manter o <Caos> em ordem mais do que nunca. Os líderes estavam até considerando pedir a Jaehwan que se tornasse seu rei.
— Sim. Estarei partindo em uma semana.
— Mas se o senhor partir, Górgona cairá. Não, o <Caos> vai…
— Não se preocupe.
Jaehwan virou-se para a janela e olhou para o céu.
— Tenho uma ideia para isso.
E Karlton descobriu quatro dias depois quão ridícula era aquela ‘ideia’.

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