Capítulo 101: Catástrofe (3)
— Eu sou um Deus?
[Sim, você é.]
— Por quê?
[Porque você abriu uma ‘Criação’.]
Um Desperto que criou o mundo. Mestre de um mundo distinto.
[Despertos que abrem a Criação são chamados de Deuses nas [Profundezas]. Eles podem até ser considerados um pouco superiores aos Deuses em algumas circunstâncias.]
Poder além do dos Deuses.
[Ao contrário deles, um Desperto não precisa de um Vice-regente para executar suas ordens.]
— Um Vice-regente?
Naquele momento, uma memória do Registro das Profundezas foi desbloqueada, dando-lhe mais informações. Enquanto lia a memória, ele também ouvia as palavras de Eniac.
[Sim. Todos os Deuses das Profundezas precisam de um Vice-regente, pois não podem trabalhar sozinhos. Eles existem porque emprestam seu mundo ao seu Vice-regente ou aos seus seguidores.]
Jaehwan continuou ouvindo.
[Quanto mais seguidores têm, mais poderosos são. É muito raro um espírito humano como você se tornar um Deus.]
— Então, como os outros Deuses nasceram?
[A maioria dos Deuses representa o resultado de entidades superiores que obtiveram Karma suficiente ao longo de um longo período de tempo.]
— Entidade superior?
[Você deve conhecer os seres que são chamados de [Cultivadores] nas <Grandes Terras>.]
Claro, Jaehwan conhecia. Eram os Demônios ou Anjos que cultivavam [Produtos] dentro de torres. Jaehwan então se lembrou de que eles se autodenominavam ‘entidades superiores’.
[Eles adquirem Karma através da cultivação. Você pode pensar nisso como… ‘pontos de serviço público’. Se tiverem pontos de Karma suficientes, podem receber permissão do <<Irmãozão>> para serem independentes e receberem seu próprio mundo.]
Jaehwan então percebeu por que Beastlain estava trabalhando tanto. Percebeu então que não havia feito uma pergunta importante. Ouvira falar disso de vez em quando, mas nunca se importara em perguntar.
Irmãozão.
Uma entidade que pode ‘permitir’ que alguém se torne um Deus. Nem mesmo o Registro das Profundezas tinha entradas sobre o Irmãozão.
— O que é o <<Irmãozão>>?
Todos os Supervisores se encolheram com a pergunta. Quem quebrou o silêncio não foram eles.
— Pelo que sei, eles são a organização que protege o Sistema — Karlton respondeu.
— Também sei disso… mas é estranho. Estamos errados?
Chunghuh falou enquanto olhava para os Supervisores. Eniac sorriu amargamente.
[Você pode considerar dessa forma. Para a maioria dos humanos, o <<Irmãozão>> certamente é isso.]
Jaehwan então pensou que Karlton e Chunghuh não haviam sido realmente informados sobre o Irmãozão, daí sua calma.
[Deuses… mas Deus entre os Deuses. Guardião do Sistema. Isso é o <<Irmãozão>>. Mas não quero me aprofundar mais do que isso.]
Eniac falou, mas parecia triste depois de dizer aquilo. Era uma pergunta sem resposta, mas Jaehwan decidiu não perguntar mais. Mas então…
[Irmãozãoo~~ Homem assustador~~]
Uma canção foi ouvida. Era Johniac quem estava cantando.
[Esconda~ Esconda-se~ Ou você será encontrado~]
[Cale a boca, Johniac!]
Edsac bateu na cabeça de Johniac e ele ficou em silêncio. Foi curto, mas havia uma pista escondida na canção.
‘E se…’
Jaehwan então percebeu por que eles eram tão sensíveis em relação ao Irmãozão.
[…Johniac.] Eniac suspirou.
Jaehwan perguntou:
— O Irmãozão matou seus Deuses?
[…]
— É por isso que todos vocês estão no <Caos>?
[…Você certamente tem boa percepção.]
Johniac caminhou até Eniac, e Eniac esfregou a cabeça de Johniac e falou.
[Sim. Perdemos nosso Deus para o Irmãozão e fomos expulsos das [Profundezas]. É por isso que estamos aqui.]
Então a memória foi desbloqueada. As palavras de Eniac haviam acionado alguma parte da memória de Mulack. Jaehwan fechou os olhos para se concentrar nas vozes da memória.
-Perdemos nosso Deus.
-Mas nosso poder ainda era útil, então fizemos um contrato com o Irmãozão.
-Ao preço de nossas vidas, fomos enviados ao <Caos> para proteger os vivos.
Era Eniac da memória de Mulack.
-Se tivéssemos o Golem Gigante — Machina, não teríamos tido que…
-Mulack, por favor. Se puder, encontre nossa Machina.
A voz foi cortada a partir dali. Jaehwan então abriu os olhos.
[EI! Vamos parar de conversar e ir direto ao ponto!]
[Certo, certo.]
Ias estava irritada e Eniac assentiu.
[Jaehwan, eu o chamei por uma razão.]
Jaehwan então percebeu que o que estava por vir era a verdadeira razão pela qual o haviam chamado.1
— O que é?
[Você deve desistir de ir para as [Profundezas].]
Desistir?
— Do que você está falando?
Foi Chunghuh quem falou em vez dele. Karlton também acrescentou: — Por favor, explique-nos.
Eniac assentiu.
[Para dizer a verdade, você não pode ir para as [Profundezas] agora.]
Chunghuh então gritou com raiva: — O quê? Quem é você para decidir?
[Humano, se você pensa que sua insolência pode…]
[Ias, recue.]
Eniac parou Ias e falou novamente.
[Você está certo. Não cabe a nós decidir. Mas aqueles que ‘podem decidir’ não o aceitarão.]
Aquele que pode decidir sobre quem pode entrar nas [Profundezas]. Havia apenas um ser em todo o <Caos>.
— …O Rei Único não nos deixará? — Chunghuh perguntou.
[Oh, ele fará mais do que apenas não permitir.]
Chunghuh parou de falar.
[Se você está pensando em 900 anos atrás, as coisas mudaram. Você sabe disso também. O Rei não lutou seriamente contra você naquela época.]
Os olhos de Chunghuh tremeram. Eniac então acrescentou: [Além disso, você tinha ‘ele’ naquela época.]
Mulack Armelt.
Ele era a razão pela qual eles conseguiram passar pelo Rei. No entanto, Mulack não derrotou a Catástrofe.
‘Ele fez um acordo.’
Chunghuh lembrou-se. Ele não sabia dos detalhes, mas Mulack fez um acordo com o Rei Único.
— Por que ele nos bloqueará? — Jaehwan perguntou.
Eniac virou-se para Jaehwan novamente.
[É por sua causa.]
— Minha?
[Ele está irritado com você.]
Irritado? O que ele fez? Jaehwan então se lembrou de seu envolvimento com o Rei Único. Ele lutou diretamente com ele na Fortaleza Górgona e…
— …É sobre o Homem Morto Extragrande?
Eniac assentiu.
[Sim. Magrit era um de seus servos favoritos.]
Então a situação era simples. O único que poderia abrir o caminho para as [Profundezas] era o Rei Único Catástrofe. No entanto, ele estava furioso com Jaehwan por ter matado um de seus animais de estimação favoritos. Assim, o Rei enfurecido não abriria o caminho para Jaehwan.
— É isso mesmo?
[…A formulação faz a situação parecer menos séria do que realmente é, mas sim. Você está certo.]
Jaehwan assentiu. Eniac então sorriu. Parecia que Jaehwan havia compreendido. Se ele desistisse…
— Abra a porta então.
[…Como?]
— Abra a porta para o Rei.
[Eu não acho que você entendeu…]
— Não, eu entendi. — Jaehwan estava determinado. — Vou acertar as contas com ele diretamente, então relaxe e abra.
Os Supervisores ficaram chocados e Ias gritou com raiva.
[Mas que diabos! Você pelo menos ouviu o que dissemos?]
Chunghuh estava gargalhando, segurando os lados. Eniac então falou friamente.
[Não posso fazer isso.]
— Sério? Então não temos escolha.
O ar ao redor deles ficou tenso quando Jaehwan começou a liberar a energia de seu corpo. Ias também liberou sua energia enquanto gritava.
[Deveríamos ter feito isso desde o começo!]
Chunghuh e Karlton se prepararam e Eniac também começou a concentrar sua energia. Ele não ousava abrir a porta para o Palácio do Homem Morto. Era melhor lutar contra Jaehwan para impedi-lo de entrar, do que arriscar abrir a porta para aquele lugar.
Antes que a luta começasse, Jaehwan falou.
— Golem Gigante, Machina.
[…?]
O ar congelou de repente. Eniac ficou chocado ao ouvir o nome inesperado de Jaehwan.
[Como você soube…]
Mas o que veio a seguir foi ainda mais surpreendente.
— Se você abrir a porta, encontrarei o Golem perdido e o trarei para você.
[C-como você sabia sobre a Machina?]
Ninguém sabia sobre o Golem Gigante Machina no <Caos>, mas Jaehwan não tinha intenção de explicar onde havia aprendido sobre ela.
— Você vai abrir ou não?
Eniac virou-se de volta para o portão. Na parede da sala gigante havia um buraco de fechadura. Eniac olhou para baixo.
Seu dedo tinha o formato da chave.
Era a chave para a porta, a porta do próprio desastre.
- ava[↩]

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