Índice de Capítulo

    Meikal não conseguia pensar direito. Ele não sabia o que o homem tinha feito, mas era um chifre quadhorn que tinha sido quebrado. O osso que era tão valioso que não tinha preço. O que ele deveria dizer ao dono?

    — Sinto muito. Eu não tive intenção de fazer isso.

    — Sinto muito? Você está dizendo que sente muito?

    Meikal rugiu enquanto tremia de raiva. Ele agora estava pensando se deveria martelar o homem até a morte ou colocá-lo vivo na fornalha. Mas Jaehwan falou: — Vou recompensá-lo com algo melhor.

    — … Recompensar?

    Todos zombaram. Eles estavam falando do chifre de um quadhorn. Um quadhorn não era apenas raro; era tão poderoso que apenas os anciãos do Clã dos Dez conseguiam lutar contra um.

    — Você deve cumprir sua promessa se eu fizer isso.

    — Promessa?

    Meikal então se lembrou do que ele disse sobre abrir espaço para uma gema no punho de osso. Era irritante. Ele estava falando sobre a promessa mesmo nessa situação.

    — Se você puder substituir o chifre, eu deixarei você fazer o que quiser, seja o cargo de vice-chefe ou qualquer outra coisa. No entanto, se você tentar nos recompensar com algo estúpido, você não sairá vivo deste lugar.

    Jaehwan assentiu e se virou para Naven.

    — Coloque aqui.

    Naven trouxe o chifre e o colocou ao lado da fornalha. Era o chifre preto e grande de um monstro. Todos pararam, imaginando o que era. Então, todos ficaram boquiabertos.

    Depois de um tempo, alguém murmurou com um gemido.

    — Eu… É o chifre de um Garnak…!

    Os pentahorns eram categorizados por espécie porque eram muito perigosos e poderosos. Um Garnak era um monstro parecido com um lobo que exigia muitos anciãos e até mesmo o vice-líder dos Dez Clãs para combatê-lo.

    Todos ficaram em silêncio e Meikal ordenou com voz grave: — Fechem a porta. Estamos fechados por hoje.

    Os aprendizes correram para fechar as portas da ferraria e as portas de ferro foram fechadas. Era a terceira vez que Meikal via um chifre de Garnak não processado. A primeira vez foi quando ele acabara de chegar ao <Caos>, enquanto estava em outra ferraria famosa, e a segunda foi quando o ex-vice-chefe da [Queda do Crepúsculo] trabalhou em um.

    — … É incrível.

    Parecia ter sido cortado de um Garnak jovem, pois o chifre não apresentava nenhum dano. Todos estavam concentrados no chifre.

    — Isso é suficiente?

    — … Sim. É mais do que suficiente.

    O valor de um pentachifre era mais de dez vezes maior do que o de um quadhorn. Ele poderia ter cortado apenas uma parte e já teria sido suficiente, mas esse homem deu o chifre inteiro. Isso era muito mais do que suficiente.

    Meikal ponderou e respondeu:

    — Por hoje, [Queda do Crepúsculo] é seu.

    Todos começaram a murmurar, mas Meikal gritou com raiva: — SILÊNCIO!

    O silêncio voltou e Meikal perguntou: — Onde você conseguiu isso?

    — Eu o matei.

    Um homem caçou um pentahorn, mas Jaehwan disse:

    — Vamos começar a trabalhar, então se preparem.

    — No que vamos trabalhar?

    — Estou fazendo o que preciso.

    Naven então correu até Meikal e sussurrou. Meikal assentiu.

    — Entendo. Então você precisa de uma bainha.

    — Sim.

    — E quanto ao material?

    — Isso.

    Jaehwan tirou outro chifre. O pentahorn tinha cinco chifres, então ele obviamente tinha mais. Mas isso não fazia sentido para Meikal.

    — Você vai fazer uma bainha usando o chifre de um Garnak?

    Eles estavam falando de um pentahorn. O material parecia exagerado apenas para uma bainha, então Meikal perguntou: — Posso dar uma olhada na espada para a qual você está tentando fazer uma bainha?

    Jaehwan emprestou-lhe a espada. Depois que Meikal verificou seu estado, ele gemeu:

    — Ahh… a Espada do Dragão de Gelo.

    — Você sabe sobre ela?

    — É uma espada feita com o chifre do Rei Dragão de Gelo. Pelo menos é o que dizem.

    O Rei Dragão Gélido era um dragão maligno que vivia na “Região Esquecida”, ou a região mais perigosa entre as 12 regiões das [Grandes Terras]. A espada foi feita com o chifre do monstro. Era inevitável que fosse uma arma poderosa.

    No entanto, era uma pena que essa espada fosse apenas uma réplica.

    Era óbvio. Meikal tinha ouvido as notícias das [Grandes Terras] e nunca tinha ouvido falar da caça ao Dragão Maligno. Parecia que um certo [Pesadelo] tinha testemunhado o Rei Dragão Gélido e feito uma réplica depois.

    — É valioso, já que foi criado por um [Pesadelo], mas é um pouco exagerado fazer uma bainha para uma arma desse nível. Talvez seja melhor você fazer uma nova espada com o chifre…

    No entanto, a espada começou a chorar. Meikal a deixou cair em choque e ela pousou em cima do chifre do Garnak. A espada então vibrou ainda mais forte ao abrir sua “boca” e começar a devorar o chifre.

    — É uma Arma Espiritual…

    A Espada do Dragão de Gelo começou a brilhar ao terminar de comer o chifre do Garnak.

    — Estou testemunhando muitas coisas fascinantes hoje. Sua espada está evoluindo.

    A lâmina ficou mais afiada e a durabilidade ficou mais resistente. Agora era resistente o suficiente para se comparar ao chifre do Garnak. A aura negra que a lâmina irradiava agora era tão densa que a única maneira de escondê-la era cobri-la com um pano. Precisava urgentemente de uma bainha. Esse tipo de energia espiritual precisava ser coberta para evitar atenção indesejada.

    — Parece que o espírito de uma raça superior foi absorvido… por que…?

    A lâmina continuava chorando. Meikal verificou a espada e falou:

    — É uma Grande Evolução. Vai levar algum tempo para terminar. Mas você precisará de um novo nome para ela quando estiver pronta.

    — Nome?

    — As Armas Espirituais perdem seu nome original quando passam por uma Grande Evolução.

    A espada agora estava chorando. Meikal então se virou para Jaehwan.

    — Mas agora não temos mais o material.

    O material havia sido devorado pela espada.

    — Tudo bem. Eu tenho mais.

    Jaehwan tirou outro de sua mochila.

    Meikal ficou em frente ao chifre de Garnak. Era a primeira vez que ele tinha a chance de processar um chifre de Garnak. Ele já tinha visto um chifre que foi processado há muito tempo, mas…

    — Será que eu consigo mesmo?

    Ele era vice-chefe e tinha recebido o título de [Aprendiz], mas mal conseguiu processar um chifre quadhorn.

    — Não sou um verdadeiro [Aprendiz]… Nem sequer criei uma torre.

    Embora fosse a mesma classificação, a diferença era muito grande. Enquanto os humanos tinham dificuldade em criar uma espada, os [Pesadelos] criavam torres que se transformavam em mundos.

    Meikal olhou para o chifre de Garnak. Havia alguns materiais que podiam ser avassaladores só de olhar para eles.

    — Sinto muito, mas acho que não consigo…

    Jaehwan estava vestindo algo.

    — O que você está… não, vice-chefe. O que você está fazendo?

    Jaehwan arregaçou as mangas depois de vestir o equipamento de proteção de um ferreiro e falou.

    — Não sei do que você está falando.

    Meikal ficou confuso.

    — Estou fazendo a bainha.

    — … O quê?

    — Você deveria me ajudar.

    Ele não conseguia entender. Jaehwan tinha um poder tremendo, isso era certo. Ele tinha o poder de destruir o chifre. No entanto, destruí-lo não era o mesmo que processá-lo.

    — Mas você não pode…

    — Certo. Não posso fazer isso sozinho.

    Jaehwan assentiu. Ele tinha o poder, mas não tinha as habilidades necessárias.

    — É por isso que preciso de você, disse Jaehwan, enquanto olhava para o traço da habilidade [Artesanato] do [Pesadelo] que ainda permanecia na ponta do martelo de Meikal.

    Ao mesmo tempo, dentro do Castelo Górgona.

    Um homem de meia-idade, vestindo roupas limpas e formais, tossiu enquanto bebia seu chá.

    — O quê? Você o perdeu?

    — … Sinto muito, senhor.

    O homem de roupas escuras curvou a cabeça enquanto se ajoelhava diante do homem de meia-idade.

    — O que aconteceu?

    — Não sei, senhor. Eu apenas… fui nocauteado e acordei deitado em um telhado.1

    O homem de meia-idade franziu a testa. Ele havia sido nocauteado, mas não sabia como.

    — Em que Estágio você está?

    — Terceiro Estágio, senhor.”

    — Qual é a sua classificação e nível de furtividade?

    — É de alto nível e mestre.

    — E você foi descoberto?

    — … Não sei o que aconteceu, senhor.

    — Isso é loucura.

    Se um Adaptador de Terceiro Estágio com habilidade de furtividade de nível mestre e alto escalão estivesse se escondendo, seria difícil até mesmo para Adaptadores de escalão mais alto descobrirem. Mas o alvo o encontrou e o nocauteou facilmente sem que ele soubesse.

    ‘Karlton disse que ele provavelmente não era do Quinto Estágio…’

    Talvez ele estivesse no Quinto Estágio. Se estivesse nesse estágio, o homem precisava estar preparado.

    — Vamos reunir mais homens. Encontrem-no, custe o que custar.

    Naquele momento, um baque profundo veio da cela subterrânea abaixo do castelo. Foi um leve tremor, mas o homem de meia-idade, que era um Adaptado de alto nível, conseguiu senti-lo. Então ele ouviu um grito fraco e longo vindo de baixo. Ele franziu a testa.

    — … Mestre, por favor, aguente um pouco mais.

    Regras dos Comentários

    • Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • Comentários ofensivos serão removidos.

    Para receber notificações, ative o sininho ao lado do botão de Publicar.

    Nota