Capítulo 22: Mundo de 1% (3)
Meikal não conseguia pensar direito. Ele não sabia o que o homem tinha feito, mas era um chifre quadhorn que tinha sido quebrado. O osso que era tão valioso que não tinha preço. O que ele deveria dizer ao dono?
— Sinto muito. Eu não tive intenção de fazer isso.
— Sinto muito? Você está dizendo que sente muito?
Meikal rugiu enquanto tremia de raiva. Ele agora estava pensando se deveria martelar o homem até a morte ou colocá-lo vivo na fornalha. Mas Jaehwan falou: — Vou recompensá-lo com algo melhor.
— … Recompensar?
Todos zombaram. Eles estavam falando do chifre de um quadhorn. Um quadhorn não era apenas raro; era tão poderoso que apenas os anciãos do Clã dos Dez conseguiam lutar contra um.
— Você deve cumprir sua promessa se eu fizer isso.
— Promessa?
Meikal então se lembrou do que ele disse sobre abrir espaço para uma gema no punho de osso. Era irritante. Ele estava falando sobre a promessa mesmo nessa situação.
— Se você puder substituir o chifre, eu deixarei você fazer o que quiser, seja o cargo de vice-chefe ou qualquer outra coisa. No entanto, se você tentar nos recompensar com algo estúpido, você não sairá vivo deste lugar.
Jaehwan assentiu e se virou para Naven.
— Coloque aqui.
Naven trouxe o chifre e o colocou ao lado da fornalha. Era o chifre preto e grande de um monstro. Todos pararam, imaginando o que era. Então, todos ficaram boquiabertos.
Depois de um tempo, alguém murmurou com um gemido.
— Eu… É o chifre de um Garnak…!
Os pentahorns eram categorizados por espécie porque eram muito perigosos e poderosos. Um Garnak era um monstro parecido com um lobo que exigia muitos anciãos e até mesmo o vice-líder dos Dez Clãs para combatê-lo.
Todos ficaram em silêncio e Meikal ordenou com voz grave: — Fechem a porta. Estamos fechados por hoje.
Os aprendizes correram para fechar as portas da ferraria e as portas de ferro foram fechadas. Era a terceira vez que Meikal via um chifre de Garnak não processado. A primeira vez foi quando ele acabara de chegar ao <Caos>, enquanto estava em outra ferraria famosa, e a segunda foi quando o ex-vice-chefe da [Queda do Crepúsculo] trabalhou em um.
— … É incrível.
Parecia ter sido cortado de um Garnak jovem, pois o chifre não apresentava nenhum dano. Todos estavam concentrados no chifre.
— Isso é suficiente?
— … Sim. É mais do que suficiente.
O valor de um pentachifre era mais de dez vezes maior do que o de um quadhorn. Ele poderia ter cortado apenas uma parte e já teria sido suficiente, mas esse homem deu o chifre inteiro. Isso era muito mais do que suficiente.
Meikal ponderou e respondeu:
— Por hoje, [Queda do Crepúsculo] é seu.
Todos começaram a murmurar, mas Meikal gritou com raiva: — SILÊNCIO!
O silêncio voltou e Meikal perguntou: — Onde você conseguiu isso?
— Eu o matei.
Um homem caçou um pentahorn, mas Jaehwan disse:
— Vamos começar a trabalhar, então se preparem.
— No que vamos trabalhar?
— Estou fazendo o que preciso.
Naven então correu até Meikal e sussurrou. Meikal assentiu.
— Entendo. Então você precisa de uma bainha.
— Sim.
— E quanto ao material?
— Isso.
Jaehwan tirou outro chifre. O pentahorn tinha cinco chifres, então ele obviamente tinha mais. Mas isso não fazia sentido para Meikal.
— Você vai fazer uma bainha usando o chifre de um Garnak?
Eles estavam falando de um pentahorn. O material parecia exagerado apenas para uma bainha, então Meikal perguntou: — Posso dar uma olhada na espada para a qual você está tentando fazer uma bainha?
Jaehwan emprestou-lhe a espada. Depois que Meikal verificou seu estado, ele gemeu:
— Ahh… a Espada do Dragão de Gelo.
— Você sabe sobre ela?
— É uma espada feita com o chifre do Rei Dragão de Gelo. Pelo menos é o que dizem.
O Rei Dragão Gélido era um dragão maligno que vivia na “Região Esquecida”, ou a região mais perigosa entre as 12 regiões das [Grandes Terras]. A espada foi feita com o chifre do monstro. Era inevitável que fosse uma arma poderosa.
No entanto, era uma pena que essa espada fosse apenas uma réplica.
Era óbvio. Meikal tinha ouvido as notícias das [Grandes Terras] e nunca tinha ouvido falar da caça ao Dragão Maligno. Parecia que um certo [Pesadelo] tinha testemunhado o Rei Dragão Gélido e feito uma réplica depois.
— É valioso, já que foi criado por um [Pesadelo], mas é um pouco exagerado fazer uma bainha para uma arma desse nível. Talvez seja melhor você fazer uma nova espada com o chifre…
No entanto, a espada começou a chorar. Meikal a deixou cair em choque e ela pousou em cima do chifre do Garnak. A espada então vibrou ainda mais forte ao abrir sua “boca” e começar a devorar o chifre.
— É uma Arma Espiritual…
A Espada do Dragão de Gelo começou a brilhar ao terminar de comer o chifre do Garnak.
— Estou testemunhando muitas coisas fascinantes hoje. Sua espada está evoluindo.
A lâmina ficou mais afiada e a durabilidade ficou mais resistente. Agora era resistente o suficiente para se comparar ao chifre do Garnak. A aura negra que a lâmina irradiava agora era tão densa que a única maneira de escondê-la era cobri-la com um pano. Precisava urgentemente de uma bainha. Esse tipo de energia espiritual precisava ser coberta para evitar atenção indesejada.
— Parece que o espírito de uma raça superior foi absorvido… por que…?
A lâmina continuava chorando. Meikal verificou a espada e falou:
— É uma Grande Evolução. Vai levar algum tempo para terminar. Mas você precisará de um novo nome para ela quando estiver pronta.
— Nome?
— As Armas Espirituais perdem seu nome original quando passam por uma Grande Evolução.
A espada agora estava chorando. Meikal então se virou para Jaehwan.
— Mas agora não temos mais o material.
O material havia sido devorado pela espada.
— Tudo bem. Eu tenho mais.
Jaehwan tirou outro de sua mochila.
Meikal ficou em frente ao chifre de Garnak. Era a primeira vez que ele tinha a chance de processar um chifre de Garnak. Ele já tinha visto um chifre que foi processado há muito tempo, mas…
— Será que eu consigo mesmo?
Ele era vice-chefe e tinha recebido o título de [Aprendiz], mas mal conseguiu processar um chifre quadhorn.
— Não sou um verdadeiro [Aprendiz]… Nem sequer criei uma torre.
Embora fosse a mesma classificação, a diferença era muito grande. Enquanto os humanos tinham dificuldade em criar uma espada, os [Pesadelos] criavam torres que se transformavam em mundos.
Meikal olhou para o chifre de Garnak. Havia alguns materiais que podiam ser avassaladores só de olhar para eles.
— Sinto muito, mas acho que não consigo…
Jaehwan estava vestindo algo.
— O que você está… não, vice-chefe. O que você está fazendo?
Jaehwan arregaçou as mangas depois de vestir o equipamento de proteção de um ferreiro e falou.
— Não sei do que você está falando.
Meikal ficou confuso.
— Estou fazendo a bainha.
— … O quê?
— Você deveria me ajudar.
Ele não conseguia entender. Jaehwan tinha um poder tremendo, isso era certo. Ele tinha o poder de destruir o chifre. No entanto, destruí-lo não era o mesmo que processá-lo.
— Mas você não pode…
— Certo. Não posso fazer isso sozinho.
Jaehwan assentiu. Ele tinha o poder, mas não tinha as habilidades necessárias.
— É por isso que preciso de você, disse Jaehwan, enquanto olhava para o traço da habilidade [Artesanato] do [Pesadelo] que ainda permanecia na ponta do martelo de Meikal.
Ao mesmo tempo, dentro do Castelo Górgona.
Um homem de meia-idade, vestindo roupas limpas e formais, tossiu enquanto bebia seu chá.
— O quê? Você o perdeu?
— … Sinto muito, senhor.
O homem de roupas escuras curvou a cabeça enquanto se ajoelhava diante do homem de meia-idade.
— O que aconteceu?
— Não sei, senhor. Eu apenas… fui nocauteado e acordei deitado em um telhado.1
O homem de meia-idade franziu a testa. Ele havia sido nocauteado, mas não sabia como.
— Em que Estágio você está?
— Terceiro Estágio, senhor.”
— Qual é a sua classificação e nível de furtividade?
— É de alto nível e mestre.
— E você foi descoberto?
— … Não sei o que aconteceu, senhor.
— Isso é loucura.
Se um Adaptador de Terceiro Estágio com habilidade de furtividade de nível mestre e alto escalão estivesse se escondendo, seria difícil até mesmo para Adaptadores de escalão mais alto descobrirem. Mas o alvo o encontrou e o nocauteou facilmente sem que ele soubesse.
‘Karlton disse que ele provavelmente não era do Quinto Estágio…’
Talvez ele estivesse no Quinto Estágio. Se estivesse nesse estágio, o homem precisava estar preparado.
— Vamos reunir mais homens. Encontrem-no, custe o que custar.
Naquele momento, um baque profundo veio da cela subterrânea abaixo do castelo. Foi um leve tremor, mas o homem de meia-idade, que era um Adaptado de alto nível, conseguiu senti-lo. Então ele ouviu um grito fraco e longo vindo de baixo. Ele franziu a testa.
— … Mestre, por favor, aguente um pouco mais.

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