Índice de Capítulo

    A Guerra do Renascimento havia terminado. Terminou com o <Caos> libertado das <Grandes Terras>. No entanto, aquilo foi apenas o começo.

    Jaehwan falou com o paciente de rosto pálido na sala de cura da Fortaleza Interna de Górgona.

    — Você estava vivo.

    Era Jagel Meng.

    — Pensei que estivesse morto.

    — …Sou o líder de um Dez-Clãs. Não morrerei tão facilmente.

    Ele sorriu, mas seus ferimentos eram graves. Era um milagre que tivesse sobrevivido.

    — É tudo graças ao Doutor do Desespero.

    Quando ele foi ferido, Chunghuh tinha acabado de retornar a Górgona e rapidamente cuidou de Jagel Meng. Se não, ele teria morrido.

    — …Ouvi que você derrotou Sameng Garam.

    Jaehwan sabia que fora Sameng Garam quem deixara Jagel Meng naquele estado. Então, de certa forma, Jaehwan o havia vingado.

    — Ele era um General Superior.

    Jaehwan sabia que Jagel Meng queria dizer algo mais profundo.

    — Você o conhecia?

    — Cada membro da família Jagel conhece a família Sameng.

    A família Sameng era uma das Famílias Renomadas das <Grandes Terras>.

    — Você deve estar ciente, mas ‘eles’ agora terão seus olhos sobre nós também.

    — Eles?

    — As famílias Renomadas. Sameng já tem, com certeza.

    O Palácio pertencia aos Senhores e às famílias Renomadas. O <Caos> também matou um membro das Famílias Renomadas. Jaehwan balançou a cabeça.

    — Está bem. Eles não virão mais aqui.

    Jagel Meng arregalou os olhos em choque.

    — Você… Você adquiriu a [Porta Estreita]?

    Jaehwan assentiu e Jagel Meng soltou um suspiro de alívio.

    — Isso é bom… mas é muito cedo para ficarmos aliviados.

    — Eu sei.

    Jaehwan compreendia do que ele estava falando. Ele havia alertado os outros líderes sobre isso em uma reunião anterior. Havia outra maneira, normal, de entrar no <Caos>.

    — Eu simplesmente os matarei de novo.

    Jagel Meng suspirou. Ele agora podia acreditar que aquelas palavras eram verdade.

    — Se eles estão aqui para me matar, mesmo que ao custo de suas vidas, pode valer a pena lutar contra eles.

    — …Entendo.

    Jagel Meng sorriu, então se virou para encarar a janela. Parecia que finalmente havia uma breve paz no <Caos>.

    Ele também percebeu que essa paz era possível por causa de uma pessoa.

    Alguém chamou por Jaehwan, e ele se levantou de seu assento.

    — Cuidem-se.

    Jagel Meng encarou Jaehwan. Para onde ele estava indo agora? O que havia além do caminho que ele tomaria? Seria um caminho que eles poderiam seguir? Ou… Seria seu destino, caminhar sozinho por aquela trilha traiçoeira?

    — Mestre.

    Jaehwan parou, sem olhar para trás.

    — …Não é nada.

    Jaehwan saiu. Jagel Meng teve a sensação de que nunca mais o veria. Mas não podia detê-lo.

    Havia muitas pessoas que vieram ver Jaehwan. Os primeiros a vir foram Chunghuh e Cayman.

    — Garoto, não pense em sair secretamente.

    — Eu não o deixarei ir sozinho desta vez.

    Eles temiam que Jaehwan viajasse às [Profundezas] sozinho. No entanto, aquele que veio ver Jaehwan em seguida tinha uma razão inteiramente diferente.

    — O que é?

    Era um homem com cabelo loiro e uma única asa prateada nas costas. Ele saudou Jaehwan e falou: — Tenho alguns assuntos a discutir, Mestre.

    — Por que Euren não veio?

    — O Chanceler está ocupado com o trabalho que o senhor lhe deu.

    Era Karlton.

    — Certo, prossiga.

    — Sim, senhor. O primeiro é da reunião…

    Karlton começou a relatar o que havia preparado enquanto Jaehwan o observava. De certa forma, Karlton era semelhante a Sameng Garam. Ele era alguém que queria manter a ordem de algo.

    ‘Ele também não se tornou um Desperto?’

    A palavra-chave [Suspeita] permitia que alguém criasse seu próprio mundo único. O mundo de Jaehwan era ‘Queda’, enquanto o mundo de Cayman era o ‘Grande Mar’. Então, qual era o mundo de Karlton? Jaehwan ficou curioso.

    — …e… Mestre, está ouvindo?

    — Oh, sim. Onde estávamos?

    — …De acordo com a Lei Górgona, capítulo 24, linha 5, o comportamento de não ouvir o relatório do…

    Ele não havia mudado nem um pouco, mesmo depois de Desperto. Karlton então sorriu e parou.

    — …Estávamos falando sobre a torre.

    — Que torre?

    — Carpediem, senhor.

    Jaehwan então se lembrou da torre que havia feito com Meikal. Agora estava mais refinada e estável do que quando foi construída.

    — O que tem ela?

    — Há reclamações de que o fluxo do tempo está rápido demais.

    — …Entendo. Compreensível.

    “Há taxas crescentes de suicídio entre aqueles que a desafiam para se tornarem Despertos.”

    O tempo era ruim para o espírito. Ele era punido por abusar do tempo. Mesmo para Jaehwan, a corrupção estava vazando de seu corpo por não consumir chifres regularmente.

    No entanto, o Despertar exigia superar tais dificuldades. Jaehwan então falou.

    — Realmente a fizemos funcionar rápido demais. Mude isso com Meikal.

    — Sim, senhor.

    — Eles não podem simplesmente se tornar Despertos apenas repetindo [Estocar] ou [Cortar]. Ordene ao sistema que crie Despertos de forma constante e tire aqueles que não querem ser Despertos. Treinar para subir nos estágios de Adaptação também é uma solução.

    — Adaptação… o senhor realmente acha que é uma solução?

    — As pessoas têm opiniões diferentes. O Despertar não é a salvação. Alguém pode encontrar a vida dentro da Adaptação.

    Karlton parecia ter pensamentos complicados ao ouvir aquilo.

    — …Algum problema?

    — Há um problema pessoal.

    — Problema pessoal?

    — Qual é?

    — Agora sou um Desperto de Terceiro Passo. Imagino que já saiba disso.

    Jaehwan assentiu.

    — Mas não vejo meu mundo único.

    — …O quê?”

    Isso era impossível. Todos que se tornavam Despertos de Terceiro Passo tinham um mundo único. Ele diferia em forma e tamanho, mas não havia casos em que alguém não adquirisse um mundo único.

    ‘Espere, talvez o mundo único dele seja…’

    Jaehwan se lembrou das palavras de Sameng Garam. Ele disse a Jaehwan que cada ser tinha seu ‘mundo’, mesmo que não fosse único.

    ‘Talvez Adaptação e Despertar sejam bastante similares em certo sentido.’

    Jaehwan tranquilizou Karlton.

    — Não se preocupe. Talvez seu mundo único seja o próprio ‘Sistema’.

    — …Isso é possível?

    — É uma possibilidade. Não sei tudo sobre o Despertar.

    Karlton então perguntou: — Se meu mundo único for o ‘Sistema’, terei que lutar contra o senhor algum dia?

    Era uma pergunta inesperada com um toque de humor. Mas Jaehwan ponderou seriamente.

    — Talvez. Se você realmente tentar proteger este mundo.

    — Você realmente pretende destruir este mundo?

    — Sim.

    — Então, mesmo que eu tente protegê-lo quando a hora chegar, você não mudará de ideia?

    — Sim. Então você será destruído junto com ele.

    Após pensar um pouco, Karlton perguntou: — Mestre, leve-me com o senhor.

    — Para?

    — Para as <Profundezas>, senhor.

    Jaehwan não respondeu. De fato, muitas pessoas já estavam trazendo à tona a questão da expedição.

    ‘Acho que já é hora de escolher quem levar para as <Profundezas>.’

    Ele não podia levar todos. As <Profundezas> eram perigosas o bastante para afugentar os Senhores das <Grandes Terras>. Enquanto Jaehwan ficava em silêncio, Karlton acrescentou: — De acordo com a Lei Górgona, Capítulo 3, Linha 4, todos os Capitães da Guarda têm a responsabilidade de proteger o Mestre da Fortaleza em uma emergência.

    Jaehwan riu. — Mas você não é mais o Capitão.

    — …

    — E eu não serei o Mestre quando partir.

    Karlton pareceu chocado com aquelas últimas palavras.

    — …Eu esperava… mas o senhor vai realmente deixar de ser Mestre?

    Karlton desejou que fosse mentira. Eles precisavam de uma figura central para manter o <Caos> em ordem mais do que nunca. Os líderes estavam até considerando pedir a Jaehwan que se tornasse seu rei.

    — Sim. Estarei partindo em uma semana.

    — Mas se o senhor partir, Górgona cairá. Não, o <Caos> vai…

    — Não se preocupe.

    Jaehwan virou-se para a janela e olhou para o céu.

    — Tenho uma ideia para isso.

    E Karlton descobriu quatro dias depois quão ridícula era aquela ‘ideia’.

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