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    O Sétimo Portão dos [Oito Portões do Inferno].

    Dentro da grande sala branca havia milhares de Jaehwan.

    Ele esperava encarar algo desse tipo, mas supor e encarar a realidade eram muito diferentes. Era estranho olhar para si mesmo, já que Jaehwan não tivera chance de se ver no espelho nesses dias.

    Ele era daquele jeito?

    Conforme ele olhava mais de perto, todos pareciam ter roupas diferentes ou características distintas. Alguns aparentavam ter a mesma idade, enquanto outros pareciam mais jovens ou mais velhos.

    Dentre os milhares de Jaehwan, um deles perguntou: — Quem é você?

    …Quem sou eu?

    Jaehwan achou estranho até mesmo responder aquilo.

    — Eu sou Jaehwan.

    — Entendo.

    — E eu também sou.

    Com isso, vozes ecoaram de todos os lados.

    Quem é você?

    Eu sou Jaehwan.

    Entendo. E eu também sou. E eu também sou, e eu também…

    Todos eles encararam Jaehwan. E enquanto continuavam falando por um tempo, um deles se virou e perguntou: — Quem é você?

    Jaehwan puxou sua espada.

    Jaehwan sentiu que estava ficando cansado. Havia dezenas de Jaehwan no chão atrás dele. Ele franziu a testa enquanto saltava para trás para manter distância.

    ‘Isso é loucura.’

    Nada estava funcionando. Se ele usava [Suspeita], eles usavam [Suspeita]. E se usava [Compreensão], eles usavam [Compreensão]. Ele até tentou usar [Estocada Forte], mas teve que parar quando se deparou com centenas de Jaehwans se preparando para lançar uma [Estocada Forte] nele.

    ‘Aquilo me mataria.’

    Esses inimigos não eram como nenhum que ele enfrentou até agora.

    Por sorte, não havia nenhum Jaehwan mais forte que ele mesmo, mas não era fácil lutar contra centenas de Jaehwans ‘Despertos’.

    Depois de esquivar de algumas estocadas, Jaehwan desviou dezenas de outras estocadas vindas por trás e usou [Corte Forte] contra o Jaehwan que avançava sobre ele. Funcionou maravilhosamente, já que todos eram Jaehwans que só sabiam estocar. Mas depois de fazer isso algumas vezes, os Jaehwans na frente pareciam ter aprendido o padrão e imediatamente esquivavam quando Jaehwan cortava.

    Foi outro ‘Jaehwan’ que foi atingido, aquele com uniforme militar verde. Jaehwan franziu a testa ao ver o uniforme. Entre todos aqueles Jaehwans, havia um Jaehwan de seus dias na Terra. Um Jaehwan que não sabia nada sobre a Torre dos Pesadelos.

    — ARGH!

    Ao cortar seu antigo eu, ele sentiu sua consciência se turvar em branco.

    Era quando ele tinha apenas 20 anos. Jaehwan percebeu que era sua memória logo antes de ser invocado para a Torre dos Pesadelos.

    — Eu sinto muito, Sargento Jaehwan… Eu sinto muito… Sinto muito…

    Havia um homem com a patente de Soldado de Primeira Classe. Ele estava chorando. Jaehwan percebeu que conhecia esse homem. Ele então olhou ao redor. Havia soldados e oficiais caídos, sangrando de ferimentos de bala.

    Ele sentiu seus cabelos se arrepiarem. Ele sabia o que era essa memória.

    — Sargento… Eu tentei… Eu realmente tentei… Você sabe disso… 

    Havia um rifle em sua mão, com cartuchos vazios espalhados ao seu redor.

    — Malditos… Malditos…

    Jaehwan caminhou em direção ao homem. Ele não sabia o que fazer, mas continuou andando mesmo assim.

    — N-NÃO CHEGUE MAIS PERTO!! Eu não quero matar você também!

    O homem mirou em Jaehwan.

    — Se você fosse eu…

    O homem não continuou. Parecia que ele sabia que a pergunta não significava mais nada. Ele então colocou o cano na boca.

    “Obrigado por tud…”

    Uma arma foi disparada e o homem caiu. Sangue e líquidos escorreram de seu crânio. Jaehwan então percebeu que ele não havia sido morto por sua própria arma. Havia soldados se aproximando à distância, com os holofotes de helicópteros em Jaehwan. Ele silenciosamente ergueu as mãos, e a memória parou ali.

    Jaehwan voltou a si. Aquele evento aconteceu logo antes de ele entrar na Torre. Jaehwan foi o único que sobreviveu ao incidente. Todos os oficiais de alta patente do batalhão foram eliminados e Jaehwan foi levado a julgamento. Foi provado que ele não estava envolvido na agressão ao soldado, então ele foi trancado em detenção militar por 15 dias e então foi invocado para a torre logo em seguida. Era uma memória na qual ele não queria pensar.

    O soldado. Qual era o nome dele?

    Em meio aos seus pensamentos, Jaehwan percebeu que talvez fosse desde então que ele passara a odiar o ‘Sistema’. Ele poderia tê-lo salvado. Mesmo antes de entrar na torre, seu mundo estava cheio de ‘sistemas’. O mundo oprimia cada indivíduo com um sistema gigante.

    Conforme Jaehwan derrotava cada ‘Jaehwan’, uma memória era recuperada. Todas estavam esquecidas, mas eram memórias dolorosas. Eram as memórias que ele havia esquecido após se tornar um Desperto de Terceiro Passo.

    -Jaehwan.

    Seus pais.

    -Obrigado, Jae.

    Seus amigos.

    -Sargento.

    O soldado.

    -Tivemos sorte de ter você, Jaehwan.

    Os amigos que o acompanharam até o fim da torre.

    -Jaehwan…

    Todas as memórias e tempos que ele havia abandonado.

    -Salve-nos.

    — Droga…

    Jaehwan murmurou enquanto olhava para os milhares de ‘Jaehwans’ restantes. Isso era, afinal, um verdadeiro inferno. Ele tinha que se matar para avançar. Todas as memórias que ele recordava o faziam sofrer. Todas aquelas memórias faziam a mesma pergunta.

    — Quem é você?

    Jaehwan parou sua espada pela primeira vez.

    Quem sou eu?

    De repente, ele se sentiu solitário.

    — Quem é você?

    Ele já fizera a pergunta uma vez, mas nunca foi tão extremo a ponto de ter que encarar a questão.

    — Quem é você?

    Ele achou aquilo violento.

    — Quem é você?

    E achou triste ao mesmo tempo.

    Era a pergunta para a qual ele não conseguia responder.

    — Eu sou…

    Ele se sentiu como se estivesse sendo sugado para as profundezas de si mesmo. Sua consciência estava lentamente sendo puxada para um lugar de onde ele nunca mais escaparia.

    Estava à sua frente.

    Havia uma razão pela qual os [Pesadelos] eram coletivamente chamados de uma única raça, mesmo sendo compostos de várias raças. Era por causa de seu duplo fio. Mesmo quando odiavam ser chamados apenas de ‘pesadelo’, eles se orgulhavam de ser considerados um [Pesadelo] quando suas raças podiam ser exaltadas.

    Sirwen era um desses [Pesadelos].

    -Todas as habilidades são criadas e possuídas pelos [Pesadelos].

    A maioria das habilidades era, de fato, criada pelos [Pesadelos]. Era por isso que as habilidades usadas por um [Pesadelo] tinham resultados muito mais poderosos.

    Sirwen soube que havia vencido assim que Jaehwan entrou no Sétimo Portão.

    Os [Oito Portões do Inferno] eram uma habilidade infame mesmo entre os [Pesadelos]. Era uma habilidade lendária criada por um dos 13 [Mestre Pesadelos], seu padrinho. Essa habilidade tinha um resultado melhor se o estado mental do conjurador fosse mais resistente.

    ‘É uma habilidade terrível.’

    Sirwen estremeceu ao saber o verdadeiro poder dessa habilidade.

    -Qual é o pior inferno do mundo?

    Essa habilidade era a resposta perfeita para isso. Ela mais uma vez percebeu quão grande seu padrinho era e o quanto ele sabia sobre a ‘vida’.

    -O pior inferno é ‘si mesmo’.

    [Pesadelos] sabiam disso melhor do que qualquer um. Eles eram os que viviam por mais tempo, se não para sempre, e lutavam contra sua consciência que até os fazia se matar em muitos casos.

    Sirwen abraçou Jaehwan, que tinha uma expressão vazia no rosto.

    ‘Não se preocupe, eu não vou deixar você morrer.’

    Os Despertos eram especialmente fracos contra essa habilidade. Era porque eles eram lembrados daquelas memórias que haviam esquecido após se tornarem Despertos. Sirwen tinha experiência em subjugar Despertos com essa habilidade.

    Mas foi então que algo caiu de seu nariz.

    — Huh?

    O líquido pingou de seu nariz até o ombro de Jaehwan. O sangue então se transformou em pó e desapareceu.

    ‘….O-o quê?’

    Era impossível. Ter uma hemorragia nasal significava que o poder do conjurador ao usar a habilidade de alucinação estava no limite.

    ‘Impossível! Eu estou no limite?’

    O poder igualava-se a quanto tempo o conjurador havia vivido. Quanto mais o conjurador vivia, mais poderosa a habilidade seria, mas essas habilidades também tinham fraquezas.

    Ricochete.

    Se o alvo tivesse maior poder, o dano mental que era direcionado ao alvo seria direcionado de volta ao conjurador.

    ‘De jeito nenhum! Eu vivi por 2000 anos!’

    Ela começou a sangrar profusamente agora, e sentiu-se tonta. Sirwen se concentrou. O que estava acontecendo?

    Quando ela olhou para dentro, não pôde deixar de ficar aterrorizada. Milhares de consciências estavam lutando contra uma.

    ‘Milhares?’

    Não estava certo. O número de consciências igualava-se a quanto tempo o alvo havia vivido. Alguém que havia vivido 50 anos lutaria contra 100, e 100 anos lutaria contra 200. Mas milhares?

    ‘Por quanto tempo ele viveu…?’

    Sirwen percebeu que era ela quem desmaiaria se isso continuasse por mais tempo. Mas então, a habilidade mudou. Algo estava acontecendo com o Sétimo Portão. Não estava relacionado ao seu poder.

    ‘Espere, como ele…?!’

    O som de destruição foi ouvido.

    O Sétimo Portão estava sendo destruído.

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