Capítulo 82: Rei do Caos (2)
Sirwen era um [Pesadelo] que tinha um contrato com o Céu Dourado. Agora era óbvio que o Céu Dourado tinha o Senhor das Trevas como seu patrocinador. Isso também significava que Sirwen tinha uma conexão com o Senhor das Trevas.
— Bah, quem se importa? Por que eu me importaria com aquele contrato estúpido quando encontrei um homem que completou os Oito Portões do Inferno?
— Oito Portões do Inferno? Foi essa a habilidade que você usou nele?
— Sim.
Chunghuh estava confuso.
— Como aquela habilidade medíocre o fez dormir por tanto tempo?1
— Medíocre?
Sirwen ficou irritada.
— Os Oito Portões do Inferno é uma habilidade épica!
— Huh? Até os garotos dos Discípulos2 a usam. O que essa habilidade tem de ‘épica’?
— Discípulos? Oh. — Sirwen acrescentou: — Sim, eu me lembro. Eu os ensinei a habilidade há 700 anos.
Chunghuh ficou chocado. Ele então percebeu que foi há cerca de 700 anos que o Clã Discípulos começou a usar a habilidade.
– A habilidade não foi feita para humanos usarem. Apenas [Pesadelos] podem usá-la em seu verdadeiro potencial.
Mas isso não fazia sentido. Por que ela ensinou humanos então?
— Por quê? Eu queria alguém que desvendasse3 a habilidade.
— Desvendasse?
Sirwen assentiu. — Ninguém, até onde eu sei, quebrou a habilidade até agora.
— Impossível. Eu já vi a habilidade sendo quebrada muitas vezes.
— Você quer dizer a habilidade ‘usada por humanos’.
Chunghuh não pôde objetar.
— Como a maioria das habilidades de alucinação, quando o alvo tem uma mente mais forte que o conjurador, a habilidade é destruída. Mas o que é destruído é a mente do conjurador, não a habilidade em si.
Chunghuh percebeu imediatamente que isso significava que os Oito Portões do Inferno era como uma espada que nunca quebrava. Mesmo que o mestre que empunhasse a espada morresse de um golpe, a espada em si não quebraria.
— Se um [Pesadelo Mestre] a usar, nem mesmo aqueles Senhores podem escapar dela.
Chunghuh estava chocado. Significava que Jaehwan poderia ter acabado em um estado muito pior. Sirwen não era uma Mestre, mas ela era uma [Alta Artesã].
— Eu sei o que você está pensando. Não se preocupe, ele está seguro.
— O que você quer dizer?
— …Ele quebrou a habilidade. Ele completou toda a provação e conseguiu alcançar o Oitavo Portão. Oh, só para você saber, o Oitavo Portão é como uma recompensa. Ele te recompensa com grandes coisas se você conseguir chegar lá.
Chunghuh então percebeu por que Sirwen os salvou, apesar de violar seu contrato com o Senhor das Trevas, e continuou visitando Jaehwan. Jagel Meng, do Clã Discípulos, uma vez contou a Chunghuh sobre a habilidade.
-Se alguém alcançar o 8º portão, esse alguém será o Rei do <Caos>.
Chunghuh perguntou: — O que há lá dentro?
— Uma relíquia deixada pelo meu padrinho.
Uma relíquia? Chunghuh então viu a expressão de Sirwen mudar. Ela parecia chocada.
— O que você está…
Chunghuh percebeu para onde ela estava olhando.
Jaehwan estava acordando.
Jaehwan ouviu Chunghuh relatar o que havia acontecido enquanto ele dormia.
— Espere, aonde você vai?
— Sala de reunião.
— Não, você não pode ir lá agora. Há pessoas que estão pensando em entregá-lo ao Palácio.
— Me entregar?
Chunghuh suspirou e explicou.
— Entendo. Então chegou a esse ponto.
Jaehwan, ignorando os esforços de Chunghuh para detê-lo, caminhou até a sala de reunião. Todos na sala ficaram chocados ao ver Jaehwan.
— M-mestre?
Jaehwan olhou ao redor em silêncio, e então falou. — Eu vou.”
— O quê? Do que você está falando?
— Eu vou ao Palácio da Reencarnação.
Uma declaração. Todos então perceberam por que ele dissera aquilo. O Mestre ouvira tudo o que havia acontecido. Cayman imediatamente se levantou e gritou: — NÃO! Você não pode fazer isso!
— …Cayman, sente-se.
Yong falou sem nenhuma energia. Alguns outros, incluindo Yong, não conseguiam suportar olhar para Jaehwan. Jaehwan sabia o que aquilo significava.
— Está tudo bem. Não se culpem.
Ninguém conseguia falar. Alguns haviam colocado o rosto nas mãos, enquanto outros fechavam os olhos e se viravam. Raiva e tristeza preenchiam a sala. Depois de um tempo, Yong se levantou, ainda olhando para baixo para evitar encontrar os olhos de Jaehwan.
— Eu te odeio.4
Ele agora olhava diretamente para Jaehwan com os olhos marejados.
— Você nos deu vida, liberdade e esperança.
— …
“Você sabe que muitos morreram enquanto você dormia? Se não nos tivessem sido dadas vida, liberdade ou esperança… eles não teriam morrido.”
Jaehwan olhou ao redor. Jagel Meng não estava lá.
— Eu sinto muito.
— Por que… por que…
Por que você apareceu? Para quê?
Yong não conseguia fazer essas perguntas. Jaehwan questionou a si mesmo enquanto observava as lágrimas do homem. Ele tinha feito a coisa certa? Ele não podia responder.
— Mas ainda assim… — Yong continuou. — Nós precisamos de você.
E aquele foi o começo. Todos os oficiais se levantaram.
— Não vá, Mestre.
— Você deve ficar conosco.
As pessoas, que até agora estavam discutindo para entregar Jaehwan, estavam se levantando e gritando.
— Nós lutaremos! Nós morreremos lutando!
Chunghuh, que observava tudo isso de trás, olhou para Jaehwan.
‘Você deu a eles algo valioso demais.’
Chunghuh percebeu que aquelas pessoas fariam qualquer coisa para proteger o que lhes havia sido dado. Jaehwan olhou para todas aquelas pessoas e falou.
— Eu acho que todos vocês estão enganados. Eu não vou lá para me render.
— …Huh?
Jaehwan riu.
As pessoas então perceberam que era aquele sorriso que elas queriam ver todo esse tempo. O único homem que nunca parava de lutar, por maior que fosse o inimigo. Aquele que fazia milagres com suas próprias mãos.
Eles esperaram que Jaehwan aparecesse e lhes dissesse-
— Eu vou exterminá-los.

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