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    Guerra pela paz no <Caos>? O que isso deveria significar? Sirwen percebeu de repente que, se houvesse uma guerra que trouxesse paz ao <Caos> no final, só poderia significar uma coisa.

    — Você está… está tentando enfrentar o Senhor das Trevas no <Caos>?

    Laika havia retornado, então a mensagem já deveria ter sido entregue ao Senhor das Trevas. Mas, mesmo assim…

    — Não… impossível. O Senhor das Trevas não virá até aqui pessoalmente…

    Sirwen começou a murmurar para si mesma em pânico, enquanto Jaehwan a observava em silêncio.

    — S-sim! Um Lorde não pode se ausentar de seu posto ou isso representará um grande perigo para ele! Uma Guerra das <Grandes Terras> não é tão fácil assim!

    Jaehwan assentiu. — Suponho que sim.

    — …Espere, você já esperava por isso?

    — Claro, mas eles podem enviar um ou dois Comandantes.

    Um ou dois Comandantes? Sirwen ficou estupefata.

    — Você está louco? Eles não enviarão apenas um Comandante. Pelo menos três… ou quatro podem vir! E se tivermos membros das Famílias Renomadas, então representará um perigo ainda maior!

    — Ótimo. Se os derrotarmos, então será o começo.

    Sirwen encarou Jaehwan em silêncio. Ele tinha razão em certo sentido, já que ter Comandantes perecendo no <Caos> significaria uma grande mudança no equilíbrio de poder nas <Grandes Terras>. O Senhor das Trevas ficaria ocupado demais mantendo a paz em sua própria região por causa dos Comandantes desaparecidos e não incomodaria o <Caos> por um bom tempo.

    No entanto, esse era um cenário válido apenas se Jaehwan pudesse derrotar esses Comandantes.

    — Para sua informação, caso você não saiba, os Comandantes são muito mais poderosos que Sameng Garam.

    — Eu sei.

    — E no seu estado espiritual atual, você não tem chance de derrotar nem mesmo um deles.

    — Acho que não posso negar isso.

    O espírito de Jaehwan havia sido danificado por causa da luta anterior, mas ele não parecia estar preocupado.

    — Você está aqui para perguntar isso? Pensei que você não estivesse interessada no <Caos>.

    Sirwen então olhou feio para Jaehwan.

    — …Estou aqui para pegar o que me foi prometido.

    — Prometido? — Jaehwan perguntou em resposta, e Sirwen expirou lentamente e perguntou: — O que você conseguiu no Oitavo Portão dos Oito Portões do Inferno?

    Registro das Profundezas.

    Esse era o livro que Jaehwan havia encontrado. Uma memória do ser que criou a habilidade. A história de depois que Mulack criou a equipe de expedição, e até a equipe retornar.

    — …Sério?

    — Sim.

    Sirwen tremeu. Jaehwan não sabia, mas Sirwen havia viajado por todas as partes do <Caos> em busca de quaisquer vestígios de seu Padrinho. Mulack, que supostamente havia chegado ao fim das [Profundezas], desapareceu depois.

    No entanto, não havia vestígios. Os membros que foram com Mulack na expedição já haviam perecido há muito tempo, e ela não podia simplesmente subir até as [Profundezas] e perguntar. O ser na entrada das [Profundezas] também não permitiu que ela passasse.

    ‘Finalmente encontrei…!’

    Ela estava radiante. Por mais de 900 anos, ela estivera procurando por qualquer dica ou vestígio. E agora ela havia encontrado.

    ‘E pensar que estava armazenado dentro da habilidade…’

    Sirwen então perguntou a Jaehwan novamente.

    — Você tem certeza? É realmente de Mulack Armelt?

    — Sim. Mulack Armelt, seu Padrinho.

    — …E por que eu deveria confiar em você?

    Jaehwan fechou os olhos, começou a vasculhar sua memória e então começou a recitar.

    — …Foi na parte do tronco da árvore da sexta região, quando encontrei aquele [Ovo]. Na região de invernos rigorosos, o [Ovo] estava esperando por mim com seu brilho precioso.

    — …?

    — Eu estava confuso. Foi a primeira vez que encontrei um [Ovo]. Minha Madrinha uma vez me contou sobre a experiência, mas não ajudou em nada, pois eu estava assustado demais; ser um pai não era algo que se conseguia apenas ouvindo alguém falar.

    Sirwen sentiu lágrimas escorrendo de seus olhos. Ela sabia sobre o que era a história.

    — Como eu poderia esquecer? Através do ovo, uma vida minúscula surgiu de dentro. Aquela que nasceu do sonho, e aquela que viverá com o sonho.

    Sirwen ouviu em silêncio a história de Jaehwan.

    — Sim… os dedos que seguravam o sonho, as mãos que podem criar o mundo, e os olhos que podem vê-lo… Percebi que minha Madrinha estava certa…

    Jaehwan abriu os olhos lentamente e se deparou com os olhos lacrimosos de Sirwen. Então, ele terminou a última frase.

    — Eu havia me apaixonado.

    Era uma voz tão doce, como se viesse de um amante; Sirwen corou de repente e recuou.

    — O-o quê-quê-quê?!

    Ela escorregou e caiu de costas. Jaehwan então perguntou casualmente: — Você confia em mim agora?

    Sirwen gritou imediatamente: — N-não leia as memórias de outras pessoas como se fossem suas!

    Sirwen se levantou. A memória que Jaehwan havia lido em voz alta era de quando Mulack encontrou Sirwen pela primeira vez na sexta região.

    — Hmm… então todos os [Pesadelos] nascem de [Ovos]? Aliás, onde fica esse tronco de árvore de inverno?

    — …Fica na região norte da Árvore das Imagens nas <Grandes Terras>. Todos os [Pesadelos] nascem do sonho dentro da Árvore das Imagens e são encontrados em [Ovos]… Não, espere. Não é isso que eu queria saber.

    Ela perguntou a Jaehwan: — O que mais?! Havia mais alguma coisa?

    — Mais?

    — Uh… tipo uma palavra para mim! Ou algo assim! Não há nada?

    Jaehwan pensou um pouco e respondeu. — Não tenho certeza. Talvez sim, talvez não.

    — O quê? O que você quer dizer?

    — Não é apenas um livro simples. É como uma mistura complicada de memórias.

    Jaehwan havia desmaiado por dias por causa do número de memórias que invadiram sua cabeça na primeira vez. Quando Jaehwan acordou, percebeu que não era o número de memórias, mas a forma delas que era o problema.

    — Forma da memória?

    — Sim.

    Ele não sabia ao certo por quê, mas as memórias que Mulack deixou não estavam em ordem cronológica. Eram partículas curtas de memórias dispersas, e cabia a Jaehwan reorganizá-las para que pudesse lê-las e compreendê-las completamente.

    — …Então, não posso te contar mesmo que quisesse. A parte da memória que acabei de lhe contar foi uma das poucas que eram claras.

    — O quê… isso é injusto! — ela gritou. Ela havia cumprido sua parte no acordo, mas o que recebeu não estava completo em sua forma. Jaehwan deu de ombros.

    — Então, por que você está procurando por Mulack? Porque ele é família?

    — …Por que você se importa?

    — Porque, se você precisa das memórias dele, seria melhor para você viajar comigo.”

    — …Hã?

    — Além disso, foi nas <Profundezas> que ele desapareceu, então faz sentido.

    Sirwen olhou para Jaehwan e percebeu que essa era a intenção dele desde o início. No entanto, as [Profundezas] era um lugar que todos os [Pesadelos] precisavam visitar algum dia, então não era uma oferta ruim. Era só que Sirwen não gostava da sensação de seguir o que Jaehwan queria fazer.

    Sirwen foi subitamente atingida por uma ideia. Ela tinha certeza de que isso daria a Jaehwan pelo menos algum problema.

    — Espere. A memória… você disse que era a ‘forma da memória’, certo?

    — Sim.

    — Então eu tenho uma ideia.

    Jaehwan estava em um espaço dimensional familiar. Um espaço com piso de azulejos e paredes cor-de-rosa. Jaehwan perguntou: — Você não disse que nunca mais permitiria que eu viesse aqui?

    — …Bem, mudei de ideia.

    — Você disse que sua privacidade é importante…

    — Eu disse que mudei de ideia!

    Era o [Laboratório Pessoal] de Sirwen. Ela mexeu no painel de controle holográfico por um tempo e então falou animadamente.

    — Venha! Terminei de preparar.

    Jaehwan caminhou para o centro da sala onde Sirwen estava. Então, do teto, uma espécie de dispositivo metálico foi baixado.

    — …O que é isso? — Jaehwan olhou para o dispositivo com suspeita. O dispositivo metálico tinha a forma de uma cruz e, com correias que certamente serviam para amarrar alguém, lembrando-o de antigos dispositivos de tortura.

    — É um dispositivo que nos ajudará a conectar.

    — …Conectar?

    — Ugh, eu já não expliquei? É o [Espremer]!

    [Espremer]. A definição da palavra descrevia o que aconteceria, mas de uma forma muito diferente do normal. O termo era usado por [Pesadelos] para vincular outro espírito à força para ‘espremer’ a memória para fora do alvo.

    -Você pode dizer que é um [Pesadelo] apenas se tiver feito um [Espremer].

    Essa era uma frase famosa entre os Pesadelos. O [Espremer] era frequentemente feito por [Pesadelos] que não tinham motivação ou inspiração. Era um ato que fornecia não apenas a memória, mas o sentimento e os aprendizados de alguém experiente. Por causa disso, [Pesadelos] que faziam um [Espremer] não precisavam se preocupar em precisar de inspiração. Claro, o resultado do [Espremer] dependia da qualidade do espírito alvo.

    ‘…Mas eu não sabia que ele seria minha primeira experiência.’

    Sirwen olhou para Jaehwan. Ela vivera por 2000 anos, mas nunca havia feito isso, pois se opunha à ideia de espremer a experiência de outro. Ela dizia que aquilo não era ‘arte’ de verdade. No entanto, a maioria dos [Pesadelos] não se importava. Eles estavam focados demais em fazer torres.

    — Então, eu posso simplesmente me deitar aqui?

    — …Sim. — Sirwen falou, corando levemente. Ela também não fazia o [Espremer] por causa da natureza erótica do comportamento em si.1 Os [Pesadelos] valorizavam o espírito, e o ato de [Estremer] fazia um [Pesadelo] se conectar completamente a outro espírito.

    Sirwen balançou a cabeça para afastar esses pensamentos, enquanto Jaehwan perguntava: — Por que suas mãos estão tremendo?

    — C-cala a boca! Eu vou começar!

    — Vá em frente.

    Sirwen mordeu o lábio.

    ‘Vamos ver se você consegue ficar tão relaxado depois que começarmos isso.’

    O [Espremer] envolvia um processo muito doloroso para o alvo.

    No momento seguinte, dezenas de tentáculos espirituais saíram do espírito de Sirwen e avançaram contra Jaehwan.

    O espírito de Jaehwan foi mordido pelos tentáculos, e um suspiro alto foi ouvido. Mas foi Sirwen quem soltou o suspiro, não Jaehwan.

    Então o [Espremer] começou.

    1. Eita…[]

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