Índice de Capítulo

    O corredor estava completamente escuro. Jaehwan dependia apenas do som dos passos de Eniac à sua frente para caminhar.

    ‘Eles já devem ter chegado. Não tenho muito tempo.’

    Jaehwan estava preocupado, mas não demonstrou. Eniac então falou.

    [Eu nunca vi um humano como você.]

    — Ouço isso muito.

    Eniac riu.

    [Você realmente acha que pode PERSUADIR o Rei Único?]

    Jaehwan não respondeu. Não tinha certeza alguma. No entanto, nunca tivera certeza de nada em tudo o que fizera até agora.

    — Verei quando tentar.

    Ele também tinha seus motivos para fazer aquilo.

    Registro das Profundezas.

    Depois de se deparar com a memória, ele havia planejado aquilo. A memória não tinha nada sobre o Irmãozão, mas continha muitas informações sobre o Rei Único.

    [Desejo-lhe sorte.]

    — Obrigado.

    Dentro do corredor, havia muitos monstros com chifres, mesmo que não fossem visíveis. Alguns rosnavam, mas outros pareciam amigáveis com Jaehwan. Era por causa de sua tatuagem de serpente, ou o sinal de que ele era o Mestre de Górgona.

    [Você não utiliza seu ‘Selo de Daeus’. Se ativá-lo de agora em diante, jamais será atacado por monstros com chifres.]

    Eniac explicou.

    [Demos aquele selo aos humanos. Demos 7 monstros Guardiões com Chifres junto com ele, mas parece que seu chifre guardião desapareceu. Não sei onde nem por que se foi…]

    Jaehwan lembrou que, quando recebeu o selo, o Mestre anterior não estava nas melhores condições para fazer tal coisa. Parecia que isso resultara em uma transferência imperfeita.

    Eniac examinou o selo e o reparou.

    [Se encontrar algum de nossos discípulos escondido nas Profundezas, este selo o ajudará a obter a ajuda deles.]

    Eles caminharam. E, depois de muito tempo, Eniac parou.

    [Você terá que ir sozinho a partir daqui.]

    Sua voz tremia. Era um sinal de medo.

    — Voltarei.

    [Por favor, volte dentro de uma hora. Se não puder voltar nesse prazo, terei que selar a porta.]

    Jaehwan assentiu e seguiu em frente. Depois de um tempo, chegou à porta. Ela era feita de chifres de monstros com chifres. Então ele percebeu que todo o corredor era feito do mesmo material.

    ‘Então, isso impedia que os Homens Mortos saíssem.’

    Jaehwan abriu a porta e entrou. O poder interior imediatamente o envolveu. À sua frente havia um palácio gigantesco. Havia muitos Grandes Homens Mortos, e entre eles, Homens Mortos Extra Grandes. Dois deles eram tão poderosos quanto Magrit, e cerca de 10 outros eram um pouco menos poderosos. E havia incontáveis Grandes Homens Mortos no nível de Adaptados do Sétimo Estágio.

    Mas esses não eram o verdadeiro inimigo.

    ‘Está vindo.’

    Jaehwan estremeceu. Depois de alcançar o 4º Passo, [Teoria], ele agora conseguia compreender.

    Aquele ser era um Deus. O próprio Caos.

    [Finalmente, você veio.]

    Uma frase. Era apenas uma voz, mas sangue jorrou de Jaehwan. Ele percebeu que não tinha chance alguma contra aquele poder. Então se lembrou da fábrica, bem como de seus corredores e portões. Aquilo havia sido feito para ‘selar’ aquele ser ali dentro?

    Não era possível. Como alguém poderia ‘selar’ um ser daqueles?

    [Você veio para morrer, Humano Desperto.]

    Jaehwan sentiu como se fosse sufocar só de ser observado, mas falou com dificuldade.

    — Não vim para morrer.

    Ele ergueu a cabeça para ver, ou tentou ver. Catástrofe perguntou,

    […Então? Você está aqui para me ‘derrotar’ de novo?]

    Jaehwan sentiu seus órgãos internos sendo danificados novamente enquanto cuspia sangue, que se transformava em pó prateado.

    ‘Droga, não consigo nem falar direito.’

    Jaehwan falou de novo.

    — Estou aqui para fazer um acordo.

    O silêncio caiu. No momento seguinte, risadas encheram o Palácio dos Homens Mortos. Todos os Homens Mortos riam. Jaehwan respirou fundo e falou novamente.

    — Primeiro Desperto, Catástrofe, o Rei do Caos. Antes um Deus, mas agora um Rei.

    Era a informação que ele lera na memória. Jaehwan soube então que não havia mais volta depois de dizer aquilo. Seu plano, que concebera após obter a memória do Registro das Profundezas, exigia que ele superasse aquele momento.

    — Você, o outrora melhor Deus das Profundezas, agora é o mero guardião do portão. Que irônico.

    As risadas cessaram imediatamente. A energia ao redor começou a aumentar e todos os Homens Mortos passaram a respirar pesadamente. Era a raiva de seu mestre sendo compartilhada com eles. Jaehwan mal conseguia conter o medo. Ele acrescentou: — Catástrofe, você não deseja se vingar?

    Vingança?

    — Daquele que o expulsou das [Profundezas] e o selou neste lugar amaldiçoado.

    O poder se afrouxou um pouco de imediato, e Jaehwan continuou. — Eu sei da promessa que você fez com Mulack há 900 anos.

    A atmosfera havia se alterado a ponto de Jaehwan também conseguir sentir.

    […Como você sabe?]

    Um acordo feito 900 anos atrás. O acordo que nunca se concretizou. Jaehwan falou com ele.

    — Eu cumprirei essa promessa. Serei o sucessor de Mulack.

    [Humano… você sabe o que isso significa?]

    Jaehwan então percebeu que sua aposta estava se movendo a seu favor.

    — Sim. Catástrofe, eu o levarei até o fim das [Profundezas].

    Ao mesmo tempo, do lado de fora da fábrica, aquele que dormia acordou.

    — …Você está acordada?

    Sirwen Armelt abriu os olhos e franziu a testa com a claridade do dia. Ela gemeu ao tentar se levantar, e o homem ao seu lado a ajudou. Sirwen olhou ao redor. Havia uma floresta ao norte, um deserto a leste e planícies a oeste. Ao sul, uma fábrica gigantesca.

    Sirwen estava confusa. Ela estava de volta ao <Sinitro>?

    — Você dormiu tempo demais.

    Sirwen então percebeu que era Euren quem estava ao seu lado.

    — Onde estamos…?

    — Estamos em frente à Fábrica do Abismo. Você dormiu por 2 semanas.

    Sirwen então relaxou. Ela não estava no Sinitro. Havia terminado o Espremer.

    ‘Entendo. A Fábrica do Abismo.’

    Ela então notou a paisagem estranha do lugar. Aquele era o centro do <Caos>.

    ‘Espere… Fábrica do Abismo?’

    Sirwen ficou gelada. Se estavam na fábrica, estavam agora bem diante das <Profundezas>. Isso significava…

    — Jaehwan! Onde ele está?!

    — Ah, ele está…

    Sirwen ficou pálida ao ouvir onde Jaehwan estava. Já fazia 2 horas desde que ele entrara na fábrica.

    — Eu tenho que ir! Ele precisa ser detido!

    — O que você está…

    Euren ficou confuso com o pânico de Sirwen, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, um membro que estava vigiando a área veio correndo até ele.

    — Estamos condenados!

    As pessoas se voltaram para o homem que corria e arfava, mas ninguém estava preocupado. Aquele era o grupo dos lutadores mais poderosos do <Caos>. O que quer que acontecesse não seria um grande problema. Kanghwang, que estava entediado de esperar, levantou-se imediatamente.

    — O que você está…

    Mas naquele momento, o homem congelou e desapareceu em pó prateado. Todos se levantaram em choque. Ninguém havia sentido sinal algum de ataque.

    — …O quê?

    No instante seguinte, uma figura apareceu em meio à poeira do deserto. Mas havia mais. Alguém gemeu.

    — N-não…

    Aquele era o poder que eles conheciam bem. Eles odiavam e temiam aquele poder. Havia centenas de tais figuras, e à frente delas, todas as cinco eram maiores do que qualquer uma das outras.

    ‘Não! As <Grandes Terras> já fizeram um movimento? Mas como?’

    Sirwen também ficou chocada ao verificar o rosto da pessoa que apareceu primeiro. Ela o conhecia bem. Era o Comandante mais temido da nona região.

    — T-tragam Jaehwan!

    Ninguém conseguia ouvir sua voz. Era o começo do massacre.

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