Capítulo 92: Caminho das Profundezas (2)
No quarto dia, após Jaehwan retornar de destruir o Palácio, a Fortaleza da Górgona não estava celebrando a vitória. Muitos haviam sido feridos ou morrido. Eles venceram, mas estavam cansados. Também não estavam prontos para a reviravolta inesperada dos acontecimentos.
Foi Jaehwan quem pôs fim a toda a inquietação. No quarto dia, ele convocou todo o povo da Fortaleza da Górgona e declarou: — Começaremos a Lembrança dos Espíritos Perdidos por três dias.
Todos murmuraram entre si. Não era algo estranho de se fazer, mas ainda era chocante. Muitos haviam morrido até mesmo para tentar prantear por todos. Mas a preocupação deles foi removida logo após um enorme pano, colocado bem abaixo do palco onde Jaehwan estava, ser descoberto.
Havia milhares de caixões, dedicados a todos que morreram na guerra. As pessoas ficaram chocadas.
Quando isso tudo foi preparado? Elas então olharam para cima, mas Jaehwan não estava mais lá.
Jaehwan já estava descendo os degraus.
Todos olharam para Jaehwan em silêncio enquanto ele caminhava até os caixões. Jaehwan então parou em frente a um caixão e olhou para baixo.
— Isaac Kendell.
Era o nome de um herói que se tornou um Desperto de Terceiro Passo, matou um General Inferior e morreu. Jaehwan, no entanto, não conhecia o nome.
Mas havia muitas dessas pessoas que morreram.
Jaehwan colocou a mão sobre o caixão. Dentro dele estavam os pertences daqueles que pereceram. O <Caos> não deixava um corpo para trás quando alguém morria, então era substituído por seus pertences. Os caixões deveriam ser queimados quando tudo terminasse.
Jaehwan fechou o caixão. Ele então prosseguiu, lendo os nomes de outros caixões e fechando-os enquanto o fazia.
— Rachel Belder.
— Kasim Hill.
Parecia que Jaehwan estava falando com aqueles espíritos perdidos, para dizer-lhes que haviam feito um bom trabalho. Um por um, os caixões foram fechados e as pessoas gemiam e choravam.
E depois que cada caixão foi fechado, Jaehwan se levantou.
— Todos vocês fizeram um bom trabalho.
As pessoas estavam chorando. Alguns lamentavam alto, enquanto outros choravam em silêncio.
— No entanto, vocês devem saber que ainda não acabou. A guerra apenas começou.
Então, dos fundos, de dentro da torre de menagem, algo foi empurrado para fora. No carrinho havia um objeto gigante que parecia uma serpente gigante mordendo a própria cauda. As pessoas olharam para o dispositivo confusas. Depois de um tempo, alguém finalmente percebeu o que era.
— P-Porta Estreita!
— É a Porta Estreita!
Era o dispositivo que permitia que Senhores vivos viajassem para o <Caos>. Estava atualmente desativado.
— Vocês estão certos. É a Porta Estreita.
As pessoas tremeram. Era o dispositivo que trazia o inferno para o povo do <Caos>.
— D-destrua-a!
— Destrua a coisa, por favor!
As pessoas gritavam. Temiam que as forças das <Grandes Terras> entrassem no <Caos> novamente. Jaehwan permaneceu lá em silêncio. Em vez disso, ele deu uma ordem.
— Tragam-no para fora.
De trás da Porta Estreita, um homem foi arrastado. Ele estava amarrado com correntes revestidas de magia. Muitos não o reconheceram, mas aqueles que lutaram nas linhas de frente da guerra sabiam quem era.
— …G-general!
— É um General das <Grandes Terras>!
As pessoas entraram em pânico. Por que havia um General aqui? Eles não estavam todos mortos?
— É Laika!
Era chocante. Para a maioria das pessoas, a existência de Generais não passava de uma palavra. Eles nem sequer tiveram a chance de lutar contra eles, pois eram fracos demais. Mas agora, sabiam contra quem estavam lutando, de quem haviam conquistado a vitória.
Laika declarou: — ….Vocês se arrependerão disso!
Sua voz estava cheia de poderosa energia espiritual. — O Senhor das Trevas não os perdoará!
Sua voz congelou a multidão. Jaehwan estava certo; a guerra não havia acabado. As pessoas começaram a perder a esperança, que foi substituída pelo desespero. Por que lutaram contra aqueles terríveis Senhores? Por que o Mestre trouxe aquele General para este lugar? O que fariam com o General?
Matá-lo?
‘Mas e se isso enfurecesse ainda mais as <Grandes Terras>?’
Deixá-lo ir?
‘E se ele vazasse informações?’
Eles não conseguiam decidir e pediram que Jaehwan decidisse por eles. A resposta foi simples.
— Já basta.
A espada de Jaehwan golpeou as correntes que prendiam Laika, libertando-o. A multidão suspirou em choque. Laika imediatamente avançou contra Jaehwan, tentando ao menos desferir um golpe antes de ser morto. Mas era uma falsa esperança. Seu braço esquerdo, que tentou atacar, foi decepado.
— AAAARGH!!!
Então, seu braço direito e ambas as pernas foram decepados. Sangue jorrou de seu corpo, então se transformou em um pó prateado. As pessoas não podiam acreditar no que estavam vendo.
— Ha… HAHAHAHA!
Laika riu maniacamente no chão com seu corpo sem membros.
— ME MATE!!!
— Não, você não vai morrer.
Laika olhou para Jaehwan em choque.
— O-quê? Se você não me matar, todos vocês morrerão! O Exército das Trevas virá para acabar com vocês!
— É por isso que estou deixando você viver.
Jaehwan declarou enquanto a multidão os observava em silêncio.
— Volte e diga ao seu Mestre o seguinte: Se ele quer guerra, venha. Eu o aguardarei no topo da Árvore das Imagens.
Laika não pôde nem responder quando a [Porta Estreita] foi ativada. O dispositivo começou a emitir uma luz brilhante. Jaehwan então acrescentou: — Claro, isso se ele tiver coragem de se matar em primeiro lugar.
Jaehwan chutou o corpo de Laika em direção à [Porta Estreita] e a luz engoliu Laika. No momento seguinte, as estocadas de Jaehwan choveram em direção à [Porta Estreita]. O portal que fez o <Caos> se acovardar por centenas de anos foi destruído.
Jaehwan declarou: — <Caos> agora declara guerra contra as <Grandes Terras>.
— Qual é o significado disso?!
Todos haviam se reunido no escritório da Fortaleza da Górgona. Chunghuh balançava a cabeça em choque. As pessoas gritavam com Jaehwan, o que o fez franzir a testa. Naquele momento, a sala começou a mudar.
Era uma alucinação poderosa.
Os oficiais lá dentro ficaram confusos, como se tivessem esquecido por que estavam ali, e saíram. Jaehwan então se virou para a conjuradora da magia que acabara de surgir da parede.
— Obrigado.
— Eu sabia que você era louco… mas você realmente é louco.
Era Sirwen.
— Você não disse que estava renunciando ao cargo de Mestre? Para que foi aquilo?
— Foi pela guerra.
Sirwen gritou: — Eu sei, quero dizer POR QUÊ?!
Jaehwan respondeu calmamente: — É para tornar o <Caos> seguro.

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