Capítulo 83: Rei do Caos (3)
Todos ficaram chocados ao ouvir a declaração de Jaehwan, mas ele não era de blefar.
‘Isso é possível?’
Os oficiais sabiam quão poderosos eram os Generais Superiores. Eles eram seres que não podiam ser enfrentados nem com o poder combinado de todos os Despertos reunidos. E havia três deles.
— Você está falando sério?
— Estou sempre falando sério.
— Você vai acabar com o Palácio da Reencarnação?
— Sim.
Todos os que estavam reunidos começaram a rir de forma vazia. Eles estavam discutindo, pensando em como lidar com essa crise há dias.
— Quando?
— Agora.
O Mestre era esse tipo de homem, alguém que se mantinha calmo diante do impossível. As pessoas que até agora estavam tomadas pelo desespero finalmente voltaram a ter esperança. [Pesadelo] Sirwen, que observava isso do fundo, ficou curiosa.
‘Ele é realmente interessante.’
Sirwen já tinha visto muitos ‘heróis’ que enfrentavam a ‘realidade’. Muitas vezes, eles eram um símbolo de esperança, mas acabavam fracassando diante da realidade. Sirwen sabia. Esse homem, mesmo que agisse assim agora, logo seria derrotado pela realidade. Mesmo agora, alguém deveria se levantar para objetar…
— Então, devemos ir agora! Leve-me com você!
O quê?
— Me leve!
Hã?
— Vamos matar todos eles, agora mesmo!
As pessoas estavam se levantando enquanto o clima na sala de reunião ficava frenético. Parecia que o mundo inteiro estava se levantando. Sirwen ficou surpresa.
‘Estão todos loucos!’
Ela ouviu que algo estranho estava acontecendo no <Caos>. O rumor de que as pessoas começaram a gritar palavras como liberdade, vida ou libertação.
‘Por que agora? Por causa de um único homem?’
Ela não conseguia entender. Talvez nunca entendesse, pois era uma [Pesadelo] que havia vivido, e viveria, por muito, muito tempo.
‘…Ugh, esses humanos. Bem, não me importo.’
O único propósito de Sirwen era descobrir o segredo do Oitavo Portão com Jaehwan. Ela estava curiosa para saber o que seu padrinho havia deixado naquele lugar. Mas também foi Jaehwan quem acalmou a sala de reunião.
— Agradeço a todos pelo entusiasmo, mas apenas quatro irão, incluindo eu.
Todos ficaram em silêncio.
— Eu, Chunghuh e Cayman iremos.
Cayman ficou radiante. — É uma honra, Mestre!
Chunghuh resmungou irritado, mas não parecia desgostar tanto assim. — Hah, acho que você não consegue fazer nada sem mim.
As pessoas que não foram chamadas ficaram insatisfeitas. Alguns gritaram: — Isso não é possível!
— Apenas quatro não podem possivelmente…!
Enquanto todos faziam barulho, Jaehwan falou rapidamente: — Quatro é o suficiente. Além disso, todos vocês têm outros deveres.
Outros deveres?
— Acho que vocês estão enganados. Acabar com o Palácio da Reencarnação não é o fim de tudo — continuou Jaehwan. As pessoas se calaram e começaram a prestar atenção.
— O que vocês acham que acontecerá se destruirmos o Palácio? O <Caos> será unificado sob Górgona. Mas o que acontecerá depois?
O que aconteceria a seguir? Todos ficaram confusos. Eles não haviam pensado nisso. Foi Aisa Lindcroft quem respondeu à pergunta.
— Haverá forças que se oporão ao domínio de Górgona.
— Certo.
Aisa sentiu arrepios. Jaehwan estava confiante em unificar o <Caos>.
‘Ele já está pensando no que acontecerá depois do Palácio da Reencarnação…!’
Jaehwan estava confiante em destruir o Palácio. Aisa ficou chocada. Era a primeira vez que via Jaehwan pessoalmente. Cayman havia falado muito bem dele várias vezes, mas Jaehwan era muito mais do que isso. Ela nem conseguia ler o futuro dele com sua habilidade. Onde ele acabaria parando no final?
Jaehwan disse: — Górgona terá que enfrentar muitos grupos de milícia1 depois disso.
— …Você está dizendo que temos que preparar nossas forças para lidar com isso para que a [Equipe de Expedição às Profundezas] possa embarcar em sua jornada.
— Certo. Você é inteligente.
Inteligente? Ninguém havia falado dessa forma com Aisa nos últimos 900 anos. Mas Aisa, sem perceber, corou com palavras tão rudes2. Yong então levantou a mão para perguntar: — Mestre, não entendo! Você propõe que nos preparemos para lutar contra essas milícias futuras e não lutemos contra o Palácio que está bem na nossa frente?
— Não estou falando apenas das milícias. Você acha que nossa guerra contra os Senhores terminará se destruirmos o Palácio?
Yong franziu a testa. — Mas, se destruirmos a [Porta Estreita], eles não poderão entrar…
— A [Porta Estreita] é apenas um objeto que permite entrar no <Caos> sem estar morto. Você certamente sabe que não é a verdadeira forma de entrar no <Caos>.
Yong ficou chocado. Jaehwan estava certo. <Caos> não era um lugar onde se entrava usando a [Porta Estreita].
— Mas isso… não há chance de que eles…
— Temos que nos preparar para tudo.
Havia uma baixa possibilidade, mas ainda havia uma chance de que as forças dos 12 Senhores se matassem para invadir o <Caos>.
— …Se esse é o seu desejo, eu entendo.
Yong concordou quando Aisa perguntou: — Mestre de Górgona, você se esqueceu de mencionar mais uma coisa.
O que é?
— Você disse que levaria quatro, mas só mencionou três nomes. Quem é o último?”
Todos ficaram em silêncio. Eles estavam pensando que ainda tinham uma chance de serem chamados. Aisa também parecia ansiosa por essa chance. No entanto, era alguém em quem eles não tinham pensado.
— A última é ela.
A mulher que observava do lado de fora arregalou os olhos em choque.
— O quê? EU?!
Era Sirwen Armelt.3
Em uma sala com piso branco, paredes cor-de-rosa e vários ornamentos, Sirwen estava no centro, acessando um painel de controle à sua frente.
‘Como eu fui me meter nisso…?!’
Ela pensou no que havia acontecido há pouco.
— O-o quê? Eu não vou lá!
Ela achou que algo estava errado. Ela havia acabado de trair o Senhor das Trevas, e Jaehwan queria que ela fosse atacar o Palácio?
— Você não quer saber o que havia dentro do Oitavo Portão?
Sirwen empalideceu.
— Eu lhe conto se você me ajudar.
Era uma oferta que ela não podia recusar.
‘…Como ele sabia que era isso que eu estava atrás?’
Ela não conseguia nem pensar, de tão chocada.
— …Como devo ajudá-lo então?
— Teleporte-nos para dentro do Palácio.
— Teleportar? Como?
— Use sua habilidade, Distorcer.
Era a habilidade que apenas os [Pesadelos] podiam usar. As pessoas então perceberam por que ela havia sido escolhida.
— Isso não é possível. Você não pode distorcer para um lugar tão distante. E nós somos muitos.
Distorcer era uma habilidade que permitia ao usuário se teleportar para um lugar onde já havia estado antes, mas tinha um alcance limitado. Jaehwan balançou a cabeça.
— Você pode fazer isso.
— Não, não posso!
Jaehwan estreitou os olhos.
— Nem com o seu [Laboratório Pessoal]?

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