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    Lou-reen avançava à frente da patrulha, abrindo caminho pela neve acumulada entre as árvores.

    Halikah caminhava ao lado dela com o radar preso entre as mãos. Cerca de vinte metros à esquerda, dois soldados acompanhavam a marcha por uma linha paralela. Outros dois faziam o mesmo à direita. A última dupla seguia atrás de Lou-reen e Halikah, fechando a formação.

    A distância entre os grupos permitia cobrir uma área maior sem perder contato visual.

    Lou-reen escolhia o caminho e determinava o ritmo. Depois de avançarem mais alguns metros, ergueu a mão.

    Toda a formação parou.

    Halikah acionou o radar. A selenita no centro do aparelho respondeu ao pulso de essência, e uma linha atravessou o disco de vidro.

    Lou-reen manteve os olhos na mata à frente. Os soldados das laterais se voltaram para os terrenos mais afastados, enquanto a dupla da retaguarda observava o caminho que haviam percorrido.

    A linha permaneceu imóvel.

    Halikah esperou mais alguns segundos.

    — Nada.

    Lou-reen baixou a mão.

    — Continuem.

    A formação voltou a avançar pela neve.

    O mesmo procedimento se repetiu mais adiante.

    Lou-reen ergueu a mão, a formação parou e Halikah acionou o radar. O pulso atravessou o disco, encontrou apenas a mata e desapareceu sem alterar a linha.

    — Continuem.

    Avançaram outra vez.

    A cada novo trecho, Lou-reen interrompia a marcha. Halikah emitia outro pulso, os soldados verificavam as laterais e todos esperavam pela resposta do aparelho antes de seguir.

    Não procuravam apenas outra pessoa transformada. Qualquer fonte daquela frequência poderia conduzi-los adiante: uma nova vítima, algum ponto usado para transportar os corpos ou, de preferência, o lugar onde as alterações eram realizadas.

    Depois de mais uma varredura sem resultado, Lou-reen baixou a mão e retomou o avanço.

    Halikah caminhou ao lado dela por alguns metros antes de falar:

    — É bom que você tenha Marco e Kalamera.

    Lou-reen manteve os olhos entre as árvores.

    — Por quê?

    — Por causa dos radares. E do que Marco usou para manter Reinna dormindo. Kalamera também construiu aquele instrumento que deixa a doutora enxergar partes muito pequenas do corpo.

    Halikah ajustou o radar entre as mãos.

    — Nenhum soldado da guarnição teria pensado nessas coisas.

    — Provavelmente não.

    — Então eles são úteis.

    Lou-reen olhou brevemente para ela.

    — Muito.

    Halikah demorou alguns passos antes de continuar:

    — É bom ter pessoas que não pensam como soldados?

    Lou-reen desviou de um galho baixo sem reduzir o ritmo.

    — É.

    — Mesmo numa missão?

    — Principalmente em algumas missões.

    Halikah esperou que ela explicasse.

    — Soldados são treinados para reconhecer ameaças, manter posições e cumprir operações — Lou-reen disse. — Isso funciona quando o problema se apresenta como um inimigo, uma invasão ou uma batalha. Mas nem todo problema faz isso.

    Ela ergueu os olhos para a mata fechada à frente.

    — Às vezes, é necessário alguém que olhe para a situação de outra maneira.

    Halikah manteve os olhos na mata.

    — Você gosta disso no Marco?

    Lou-reen continuou caminhando.

    — Estamos no meio de uma missão.

    — Eu sei.

    Halikah desviou de uma raiz coberta pela neve e tornou a olhar para a frente.

    — Mas você gosta dele?

    — Concentre-se no radar e no terreno.

    — Eu consigo caminhar, observar e fazer uma pergunta ao mesmo tempo.

    Lou-reen virou os olhos para Halikah por um instante.

    — Você está sob as minhas ordens. Este não é o momento para perguntas pessoais.

    — E quando seria?

    A general ficou em silêncio por alguns passos.

    — Marco é meu amigo e está sob minha responsabilidade.

    Halikah virou o rosto na direção dela.

    — Kalamera também é sua amiga e está sob sua responsabilidade. Você não ficou constrangida quando falou dela.

    Lou-reen manteve os olhos adiante.

    — Encerre o assunto.

    Halikah baixou o olhar para o radar.

    — Essa ordem ainda não responde à pergunta.

    Lou-reen puxou o ar para repreendê-la, mas o radar apitou antes que pudesse falar. Halikah abandonou o assunto no mesmo instante e baixou os olhos para o disco.

    Lou-reen ergueu o punho e a formação parou. Os soldados das laterais firmaram as armas, e a dupla da retaguarda se voltou para a mata atrás deles.

    — De novo.

    Halikah emitiu outro pulso.

    Dessa vez, a linha respondeu quase imediatamente. Deslocou-se pelo vidro e se fixou na direção da mata à frente.

    — Está parado? — Lou-reen perguntou.

    Halikah acompanhou o movimento da linha.

    — Não. Está se movendo.

    — Em que direção?

    Halikah ergueu os olhos para as árvores.

    — Está vindo para nós.

    Lou-reen sacou a espada e avançou meio passo.

    — Fique atrás de mim.

    Halikah recuou. Os soldados das laterais se aproximaram, fechando o espaço entre os grupos, enquanto a dupla da retaguarda completava a formação. Lou-reen permaneceu à frente, isolada como primeiro contato.

    — Ative outra vez.

    Halikah emitiu um novo pulso. A resposta veio quase no mesmo instante, mais próxima do centro do disco.

    Galhos se agitaram entre as árvores.

    Uma camada de neve despencou das copas quando alguma coisa atravessou a mata, baixa e pesada. Lou-reen acompanhou o movimento por entre os troncos, mas só conseguiu distinguir partes do corpo surgindo e desaparecendo atrás da vegetação.

    Ela firmou os pés na neve e ergueu a espada.

    — Ative novamente.

    Halikah emitiu outro pulso. A linha atravessou o disco e se voltou para o movimento dentro da mata.

    A vegetação se abriu.

    Um lobo rompeu a linha das árvores e entrou no espaço diante da formação.

    Era grande demais. A musculatura formava volumes irregulares sob o pelo, as patas eram espessas e as articulações se moviam em ângulos alterados.

    A linha no radar apontava diretamente para ele. A frequência correspondia exatamente à que procuravam.

    O lobo fixou os olhos em Lou-reen.

    A esfera de selenita vibrou dentro do bolso da general. Sem tirar os olhos do animal, Lou-reen a retirou e a manteve na mão. A voz feminina surgiu do outro lado:

    — Olá, general. Espero que se divirta com meu novo brinquedo. Ainda estou fazendo algumas melhorias nele.

    Lou-reen não respondeu.

    O lobo permaneceu imóvel, o corpo abaixado e os músculos tensos sob o pelo.

    — Ataque.

    O animal avançou.

    Lou-reen soltou a esfera na neve e partiu para interceptá-lo.

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