Capítulo 125 — Está vindo para nós.
Lou-reen avançava à frente da patrulha, abrindo caminho pela neve acumulada entre as árvores.
Halikah caminhava ao lado dela com o radar preso entre as mãos. Cerca de vinte metros à esquerda, dois soldados acompanhavam a marcha por uma linha paralela. Outros dois faziam o mesmo à direita. A última dupla seguia atrás de Lou-reen e Halikah, fechando a formação.
A distância entre os grupos permitia cobrir uma área maior sem perder contato visual.
Lou-reen escolhia o caminho e determinava o ritmo. Depois de avançarem mais alguns metros, ergueu a mão.
Toda a formação parou.
Halikah acionou o radar. A selenita no centro do aparelho respondeu ao pulso de essência, e uma linha atravessou o disco de vidro.
Lou-reen manteve os olhos na mata à frente. Os soldados das laterais se voltaram para os terrenos mais afastados, enquanto a dupla da retaguarda observava o caminho que haviam percorrido.
A linha permaneceu imóvel.
Halikah esperou mais alguns segundos.
— Nada.
Lou-reen baixou a mão.
— Continuem.
A formação voltou a avançar pela neve.
O mesmo procedimento se repetiu mais adiante.
Lou-reen ergueu a mão, a formação parou e Halikah acionou o radar. O pulso atravessou o disco, encontrou apenas a mata e desapareceu sem alterar a linha.
— Continuem.
Avançaram outra vez.
A cada novo trecho, Lou-reen interrompia a marcha. Halikah emitia outro pulso, os soldados verificavam as laterais e todos esperavam pela resposta do aparelho antes de seguir.
Não procuravam apenas outra pessoa transformada. Qualquer fonte daquela frequência poderia conduzi-los adiante: uma nova vítima, algum ponto usado para transportar os corpos ou, de preferência, o lugar onde as alterações eram realizadas.
Depois de mais uma varredura sem resultado, Lou-reen baixou a mão e retomou o avanço.
Halikah caminhou ao lado dela por alguns metros antes de falar:
— É bom que você tenha Marco e Kalamera.
Lou-reen manteve os olhos entre as árvores.
— Por quê?
— Por causa dos radares. E do que Marco usou para manter Reinna dormindo. Kalamera também construiu aquele instrumento que deixa a doutora enxergar partes muito pequenas do corpo.
Halikah ajustou o radar entre as mãos.
— Nenhum soldado da guarnição teria pensado nessas coisas.
— Provavelmente não.
— Então eles são úteis.
Lou-reen olhou brevemente para ela.
— Muito.
Halikah demorou alguns passos antes de continuar:
— É bom ter pessoas que não pensam como soldados?
Lou-reen desviou de um galho baixo sem reduzir o ritmo.
— É.
— Mesmo numa missão?
— Principalmente em algumas missões.
Halikah esperou que ela explicasse.
— Soldados são treinados para reconhecer ameaças, manter posições e cumprir operações — Lou-reen disse. — Isso funciona quando o problema se apresenta como um inimigo, uma invasão ou uma batalha. Mas nem todo problema faz isso.
Ela ergueu os olhos para a mata fechada à frente.
— Às vezes, é necessário alguém que olhe para a situação de outra maneira.
Halikah manteve os olhos na mata.
— Você gosta disso no Marco?
Lou-reen continuou caminhando.
— Estamos no meio de uma missão.
— Eu sei.
Halikah desviou de uma raiz coberta pela neve e tornou a olhar para a frente.
— Mas você gosta dele?
— Concentre-se no radar e no terreno.
— Eu consigo caminhar, observar e fazer uma pergunta ao mesmo tempo.
Lou-reen virou os olhos para Halikah por um instante.
— Você está sob as minhas ordens. Este não é o momento para perguntas pessoais.
— E quando seria?
A general ficou em silêncio por alguns passos.
— Marco é meu amigo e está sob minha responsabilidade.
Halikah virou o rosto na direção dela.
— Kalamera também é sua amiga e está sob sua responsabilidade. Você não ficou constrangida quando falou dela.
Lou-reen manteve os olhos adiante.
— Encerre o assunto.
Halikah baixou o olhar para o radar.
— Essa ordem ainda não responde à pergunta.
Lou-reen puxou o ar para repreendê-la, mas o radar apitou antes que pudesse falar. Halikah abandonou o assunto no mesmo instante e baixou os olhos para o disco.
Lou-reen ergueu o punho e a formação parou. Os soldados das laterais firmaram as armas, e a dupla da retaguarda se voltou para a mata atrás deles.
— De novo.
Halikah emitiu outro pulso.
Dessa vez, a linha respondeu quase imediatamente. Deslocou-se pelo vidro e se fixou na direção da mata à frente.
— Está parado? — Lou-reen perguntou.
Halikah acompanhou o movimento da linha.
— Não. Está se movendo.
— Em que direção?
Halikah ergueu os olhos para as árvores.
— Está vindo para nós.
Lou-reen sacou a espada e avançou meio passo.
— Fique atrás de mim.
Halikah recuou. Os soldados das laterais se aproximaram, fechando o espaço entre os grupos, enquanto a dupla da retaguarda completava a formação. Lou-reen permaneceu à frente, isolada como primeiro contato.
— Ative outra vez.
Halikah emitiu um novo pulso. A resposta veio quase no mesmo instante, mais próxima do centro do disco.
Galhos se agitaram entre as árvores.
Uma camada de neve despencou das copas quando alguma coisa atravessou a mata, baixa e pesada. Lou-reen acompanhou o movimento por entre os troncos, mas só conseguiu distinguir partes do corpo surgindo e desaparecendo atrás da vegetação.
Ela firmou os pés na neve e ergueu a espada.
— Ative novamente.
Halikah emitiu outro pulso. A linha atravessou o disco e se voltou para o movimento dentro da mata.
A vegetação se abriu.
Um lobo rompeu a linha das árvores e entrou no espaço diante da formação.
Era grande demais. A musculatura formava volumes irregulares sob o pelo, as patas eram espessas e as articulações se moviam em ângulos alterados.
A linha no radar apontava diretamente para ele. A frequência correspondia exatamente à que procuravam.
O lobo fixou os olhos em Lou-reen.
A esfera de selenita vibrou dentro do bolso da general. Sem tirar os olhos do animal, Lou-reen a retirou e a manteve na mão. A voz feminina surgiu do outro lado:
— Olá, general. Espero que se divirta com meu novo brinquedo. Ainda estou fazendo algumas melhorias nele.
Lou-reen não respondeu.
O lobo permaneceu imóvel, o corpo abaixado e os músculos tensos sob o pelo.
— Ataque.
O animal avançou.
Lou-reen soltou a esfera na neve e partiu para interceptá-lo.

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